Recursos e textos de apoio à Expressão Musical no 1º Ciclo do Ensino Básico

Canções que mandam

Canções inspiradas nos bailes mandados e “O rei manda” em que o texto manda realizar determinadas ações

As brincadeiras cantadas do tipo “O Rei Manda” são de extrema importância pedagógica na infância por serem ferramentas diretas no desenvolvimento das funções executivas, nomeadamente o controlo inibitório e a atenção seletiva.

O cerne destas dinâmicas é a regra de que a criança só deve executar a ordem quando esta é precedida pela frase mágica, como “O Rei manda…” ou “O amigo pede”. Esta condição exige que a criança pare e pense antes de agir, treinando o seu cérebro para inibir a resposta imediata. O impulso natural é seguir a instrução, mas a criança deve resistir a fazê-lo se a frase de comando estiver ausente, sendo este um treino crucial do autocontrolo.

Em termos de atenção, o jogo exige uma escuta atenta e sustentada para identificar a palavra-chave no fluxo contínuo de instruções. A criança aprende a focar-se no que é relevante (a frase de comando) e a ignorar o que é irrelevante, melhorando a capacidade de concentração e de discriminação auditiva.

Além disso, a componente lúdica e a autoridade temporária do “Rei” promovem o respeito pelas regras e a liderança rotativa quando as crianças assumem o papel de comando. A rapidez do jogo também desenvolve a coordenação motora e a agilidade mental, tornando-o um exercício holístico e divertido de disciplina e controlo cognitivo.

A tipologia do jogo Reciclanda tem inúmeras possibilidades, incluindo dança e percussão com diversos instrumentos. Promove a autonomia e a criatividade. Abre-se a diferentes frases de comando. Convoca a empatia em vez de insistir na autoridade.

Ali vai ao pé coxinho

António José Ferreira

Ali vai o Rui Coxinho,
A andar devagarinho.
Já comprou uma bengala
Mas ‘inda não sabe usá-la.

Enquanto o professor declama, a turma anda ao pé coxinho. Aquele que não se aguentar, passa a fazer parte do coro com o professor.

Damos meia volta

António José Ferreira

Damos meia volta,
Damos outra vez!
Passos à direita:
Um, dois três!

Acerta o passo Inês!

Jogo de roda

As crianças estão numa roda. Um voluntário diz a quadra e as crianças fazem o que o texto manda.
Depois diz um nome da roda, e será esse a mandar no Baile. Pode mandar dar passos à direita ou à esquerda, para a frente ou para trás.

Fica atento

António José Ferreira

Fica atento, muito atento,
Ao que o teu amigo diz.
Se fizeres o que pede
Também tu és mais feliz!

Pede o amigo Rodrigo
Que lhe coces o umbigo.

Instrumental + toque de alerta à escuta

Pede-te a Beatriz
Que ponhas um ar feliz!

Instrumental + toque de alerta à escuta

Pede o amigo Simão
Que cantes uma canção!

Instrumental + toque de alerta à escuta

Pede o amigo Gonçalo
Que tu cantes como o galo!

Instrumental + toque de alerta à escuta

Pede-te a amiga Teresa
Que faças ritmo à mesa.

Instrumental + toque de alerta à escuta

Pede o amigo Simão
Que faças uma flexão.

Instrumental + toque de alerta à escuta

O professor diz forte e expressivamente as rimas e durante 4 ou 4 pulsações improvisa em tambor, tempo durante o qual as crianças cumprem a ordem dada. Para parar a ação e alertar para nova ordem, percute um padrão rápido e curto, como “tríolotá”, podendo mesmo dizer em vez de percutir.

Não, sim

Trad., adapt. AJF

Não, sim, então,
tocas tu, tu não.
Um dois três quatro.
Vais tocar no teatro.

Lengalenga de seleção

Ó colega, estás no meio

Adapt. António José Ferreira

Ó colega, estás no meio
a dançar e a bailar!
Vem à roda escolher
quem sirva para teu par,

que dance muito bem
com graça e com jeitinho.
Atenção! Vai começar
a dança do corridinho.

La la la la la,
la la la la la,
la la la la la,
la la la la la.

Quando começa a roda, está uma criança no meio. No final da 2ª quadra, a criança escolhe um par e dançam em La la lá. A primeira ocupa o lugar da que entrou, e assim sucessivamente. Enquanto cantam “La la la la”, dançam as duas de mãos dadas, ao som da música. As quadras são cantadas com música simples, com três ou quatro notas, e acompanhamento de percussão (tambor).

O rei manda

António José Ferreira

O rei mandava,
o rei mandou.
Ao pé coxinho!
Alguém falhou?

O rei mandava,
o rei mandou.
Ao pé coxinho!
E alguém ganhou!

As crianças estão num espaço amplo, ou mesmo na sala de aula. Quando o professor diz o texto todos o acompanham, declamando com expressividade. Enquanto ele improvisa com tambor o mesmo número de pulsações, as crianças andam ao pé coxinho. O primeiro que não se aguentar num só pé, passa ele a ser o mandador; e assim sucessivamente. Cada criança não pode mandar mais do que uma vez.

O Rui tem 1 só martelo

António José Ferreira

O Rui tem 1 só martelo.
Um martelo tem o Rui.
E trabalha. Ui, ui!
E trabalha. Ui, ui!

O Rui tem agora dois.
Dois martelos tem o Rui.
E trabalha. Ui, ui!
E trabalha. Ui, ui!

O Rui tem agora três.
Três martelos tem o Rui.
E trabalha. Ui, ui!
E trabalha. Ui, ui!

O Rui tem agora quatro.
Quatro martelos tem o Rui.
E trabalha. Ui, ui!
E trabalha. Ui, ui!

O Rui tem agora cinco.
Cinco martelos tem o Rui.
E trabalha. Ui, ui!
E trabalha. Ui, ui!

Descansa um bocado, ó Rui.

Em cada estrofe, os versos dizem-se seguidos, sem pausas pelo meio. Quando se refere um ou dois martelos, as crianças “martelam” com um punho; aos três e quatro, acrescentam os pés; ao quinto martelo, “martelam” com a cabeça. No fim as crianças relaxar o corpo e descansam.
Depois de o professor dizer com expressividade e com espetáculo, um voluntário pode fazer esse papel, enquanto os outros mexem as partes do corpo referidas.
Pode cantar-se improvisando uma melodia simples, com duas, três ou quatro notas: (fá lá sol, por exemplo, terminando em fá.

O treinador manda

António José Ferreira

Fica atento, muito atento,
Ao que o treinador te diz.
Se fizeres o que manda
Também tu és mais feliz!

Pede o treinador Edgar
Que ponhas a saltar.

Instrumental + toque de alerta à escuta

Pede o treinador Gonçalo
Que tu montes a cavalo.

Instrumental + toque de alerta à escuta

Manda o treinador Edmar
Que te ponhas a lutar!

Instrumental + toque de alerta à escuta

Manda o professor Anacleto
Que digas o alfabeto!

Instrumental + toque de alerta à escuta

O professor diz forte e expressivamente as rimas e durante 4 ou 8 pulsações improvisa em tambor, tempo durante o qual as crianças cumprem a ordem dada. Para parar a ação e alertar para nova ordem, percute um padrão rápido e curto, como “tríolotá”, podendo mesmo trizer em vez de percutir.

Serra

Adapt. António José Ferreira

– Serra, serra, serrador!
Quantas tábuas serraste?
– Três! Uma, duas, três!

As crianças estão numa roda. O professor nomeia uma criança e diz:
“Serra, serra, serrador! Quantas tábuas tu serraste?”.
A criança diz um número, e conta no sentido dos ponteiros do relógio, a partir do colega da direita. O que coincidir com o número que ele disse, recomeça, nomeando um colega. Para fazer de serrador, a criança pode usar um reco-reco de tachas imitando o ato de serrar.

Tenho uma casa

Lengalenga de selecção

Trad., adapt. AJF

Tenho uma casa
Com duas chaminés
E vários tapetes
P’ra limpar os pés.

Tenho duas portas
Para fazer trus-trus
E várias janelas
Para entrar a luz.

Jogo rítmico de copos (2º/3º)
Tá tá tá shiu
1. A mão direita agarra o o fundo do copo.
2. A esquerda bate os dedos na beira da mesa.
3. A direita passa o copo ao colega da direita e, simultaneamente, o pé direito bate no chão.

Voa como a borboleta

António José Ferreira

Voo como borboleta,
Salto como o canguru,
Ando como a preguiça.
E agora fazes tu.

O professor diz a quadra e as crianças fazem os gestos.

Nado como um golfinho,
Voo como um marabu,
Salto como um macaco.
E agora fazes tu.

Depois de o professor dizer a quadra, os alunos fazem as ações relacionadas, enquanto o professor improvisa em percussão.

Crianças com direita levantada

Crianças com direita levantada

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Na Loja Meloteca saiba mais sobre edições em formato digital ou em papel.

Santos Populares

Canções para o mês de junho, para a celebração dos santos populares

Cantar a tradição é um ato de cidadania e coesão social.

Minha mãe deu-me um martelo

[ António José Ferreira ]

Minha mãe deu-me um martelo
e meu pai deu-me um balão.
Já compraram as sardinhas
p’ra comer no São João.

Vou bater bater com o martelo,
vou lançar o meu balão
e com a minha família
festejar até mais não.

Vou comer uma sardinha
bem gordinha com o pão.
Depois vamos para a rua
que tiver animação.

Vou com a minha família
ver o fogo rebentar
enquanto o meu balão
vai subindo pelo ar.

Quadras redigidas a partir de ideias de alunos da turma T3 da EB Igreja 1 de Sandim.

No mês de Junho

[ António José Ferreira ]

No mês de junho
há odores sem par,
há manjericos
para partilhar
e as sardinhas
gordinhas a assar
o nosso santo
nos vêm recordar.
E Santo António
lá vem passear
com o Menino,
feliz, a acenar.

No mês de junho,
há cores sem par,
Verde e vermelho,
balões a voar;
os bailes enchem
de música o ar,
e São João vem
connosco dançar,
e o cordeiro
não pode faltar:
salta contente,
como a celebrar.

Pela festa de São João

[ Provérbio, com rimas acrescentadas por AJF)

Pela festa de São João,
a sardinha pinga no pão.

Pela festa de São João,
vou poder lançar o balão.

Pela festa de São João,
vai p’rà rua a multidão.

Pela festa de São João,
sempre há muita animação.

Santo António de Lisboa

[ António José Ferreira ]

Santo António de Lisboa
é um santo popular.
As pessoas não o ouviam,
aos peixinhos foi falar.

Santo António tem um livro,
da igreja é doutor.
Traz com ele o Menino,
a Jesus tem muito amor.

Santo António foi p’ra Itália
e em Pádua morreu.
Fez o bem durante a vida
e foi logo para o céu.

Santo António é padroeiro
da cidade de Lisboa.
Inda hoje pelo mundo
a sua bondade ecoa.

Criado para a celebração de Santo António (13 de junho)

São João à minha porta

[ Tradicional ]

São João à minha porta
E eu sem ter que lhe dar.
Dou-lhe uma caninha verde
para por no seu altar.

São João, chora, chora
lágrimas de pedra fina
por lhe fugir uma ovelha
por aquela serra acima.

Verão quente

[ António José Ferreira ]

Verão quente,
muita gente
ou na praia ou a nadar.

Muito sol,
caracol
no meu prato é um manjar.

Canta o gaio,
o papagaio,
o meu, voa se ventar.

Grandes dias,
alegrias
e histórias p’ra contar!

Alternadamente, dedos da mão esquerda na mesa; punho direito na beira da mesa, alternadamente, nas sílabas sublinhadas da primeira estrofe e, nas outras, de forma semelhante.

São João, ilustração ÓGaleriaAC

São João, ilustração ÓGaleriaAC

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Brincar Azul, Reciclanda 2026

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A Carochinha

A história da Carochinha é um conto popular sobre uma barata que encontra uma moeda de ouro e decide casar. Compra um vestido novo e anuncia que está rica, esperando que um pretendente apareça.

A carochinha e o João

Uma vez a carochinha andava a varrer a casa e encontrou uma nota de dez euros. Foi ter com uma vizinha e perguntou lhe:

[ Carochinha Bonitinha ]
– Ó vizinha, que hei de fazer a esta nota?

[ Vizinha 1 ]
– Compra um bolo!

[ Carochinha Bonitinha ]
– Nem pensar: os doces engordam…

Foi ter com outra vizi¬nha:

[ Carochinha Bonitinha ]
– Ó vizinha, que hei de fazer a esta nota?

[ Vizinha 2 ]
– Compra chocolates!

[ Carochinha Bonitinha ]
– Nem pensar: os doces engordam…

Foi ainda ter com outra.

[ Carochinha Bonitinha ]
– Ó vizinha, que hei de fazer a esta nota?

[ Vizinha 3 ]
– Compra uns brincos, põe te à janela e canta:

Quem quer casar com a carochinha
que é bonita e boazinha?

Foi a carochinha comprar uns brincos, enfeitou-se e pôs-se à janela, cantando ao som de um par de maracas:

[ Carochinha Bonitinha ]
Quem quer casar com a carochinha
que é muito bonita e boazinha?

Um boi ouviu, e respondeu com a sua voz grave:

[ Boi Afoito ]
– Mú-ú, mu-ú. Quero eu.

[ Carochinha Bonitinha ]
– Nem pensar! Ainda me acordavas os meninos de noite!

A Carochinha tornou a cantar:

[ Carochinha Bonitinha ]
Quem quer casar com a carochinha
que é muito bonita e boazinha?

Um burro ouviu e respondeu:

[ Burro Casmurro ]
– I-ó… i-ó! Quero eu!

[ Carochinha Bonitinha ]
– Nem pensar! Ainda me acordavas os meninos de noite!

[ Carochinha Bonitinha ]
Quem quer casar com a carochinha
que é muito bonita e boazinha?

O porco respondeu com a sua voz grossa:

[ Porco Rouco ]
– Rrr-rrr… Quero eu!!

[ Carochinha Bonitinha ]
– Nem pensar! Ainda me acordavas os filhos de noite!

[ Carochinha Bonitinha ]
Quem quer casar com a carochinha
que é muito bonita e boazinha?

[ Cão Comilão ]
– Béu, béu. Quero eu!!!!

[ Carochinha Bonitinha ]
– Nem pensar! Ainda me acordavas os filhos de noite!

[ Carochinha Bonitinha ]
Quem quer casar com a carochinha
que é muito bonita e boazinha?

Passou um gato.

[ Gato Espalhafato ]
– Miau, miau! Quero eu!!!!

[ Carochinha Bonitinha ]
– Nem pensar! Ainda me acordavas os filhos de noite!

[ Carochinha Bonitinha ]
Quem quer casar com a carochinha
que é muito bonita e boazinha?

Um rato, que trazia uma Viola às costas, cantou:

[ João Ratão ]
– I-i-i! Quero eu! I-i-i! Quero eu!
[ Carochinha Bonitinha ]
– Olá!!! Tocas guitarra?

[ João Ratão ]
– Toco, pois… Vou dedicar-te uma canção!

[Carochinha Bonitinha ]
– Adorava ouvir-te!

O rato cantou uma balada ao som da guitarra e a Carochinha ficou apaixonada.

[ Carochinha Bonitinha ]
– Como te chamas?

[ João Ratão ]
– Chamo-me João!

[ Carochinha Bonitinha ]
– Casas comigo, João?

De dia alegras-me os filhos
e cantas uma canção.
À noite, contas estórias
e alegras-me o coração.

O João Ratão do Violão casou com a Carochinha Bonitinha Boazinha e foram felizes!

História da Carochinha

História da Carochinha e do João Ratão

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

Saiba mais na Reciclanda e contacte-nos:

António José Ferreira:
962 942 759

Canções de castanhas

Canções sobre castanhas para o outono e a festa de São Martinho

Cantar a tradição é um ato de cidadania e coesão social.

A castanha está assada

A castanha está assada,
A castanha já se assou.
Corajoso foi aquele
Que do forno a tirou.

A castanha está assada,
sai do forno a queimar.
Quem será o mais gentil?
Quem é que a vai descascar?

[ António José Ferreira ]

MUSATIVIDADES

1. Esta dinâmica é indicada para o outono, especialmente pelo São Martinho (11 de novembro).
2. O professor diz um verso e as crianças repetem.
3. Diz dois versos e a turma repete.
4. Diz a quadra e as crianças repetem.
5. As crianças organizam-se em círculo, com a palma esquerda para cima e uma castanha.
6. Cada criança, agarra a sua castanha com a mão direita e passa ao colega da sua direita.
7. Ao invés, pode-se ter a castanha na direita e passar com a esquerda ao colega da esquerda.

À volta das castanhas é uma coletânea de brincadeiras cantadas em torno do São Martinho, do magusto, das castanhas e do Outono. Com partituras de 30 pequenas canções para crianças, inclui jogos de mãos em pares, jogos de copos, brincadeiras de roda e sugestões de percussão.

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A castanha está tão quente

A castanha está tão quente
que eu tenho de a largar.
Para quem é a castanha,
quem com ela vai ficar?

[ António José Ferreira ]

Enquanto cantam em roda, as crianças passam a castanha de mão em mão. Com palma esquerda para cima, a direita agarra e coloca na esquerda do colega da direita, ou vice-versa. No 3º ou 4º versos, um elemento no exterior da roda percute forte um padrão rítmico combinado previamente.  Quem tiver a castanha ganha uma castanha virtual.

Asso uma, asso duas

Asso uma, asso duas,
três castanhas vou assar.
Guardo uma, guardo duas
para quem vou nomear.

[ António José Ferreira ]

1. Depois de aprenderem a quadra, as crianças dispõem-se numa roda. Se o professor o decidir, podem cantar com duas notas, ou uma só. Cada criança tem a palma da mão esquerda para cima. Há uma castanha que passará de mão em mão. Cada criança agarra a castanha colocada na sua mão esquerda e passa ao colega da direita, mecanicamente, sem perder a pulsação.
2. No fim do jogo, o professor verifica quem é mais e menos popular na turma, dispondo assim de elementos que lhe podem ser valiosos para gerir as atitudes e estratégias no grupo.
3. Quando o grupo recitar mantendo a pulsação, o professor acrescenta a marcação da pulsação com pés alternados.

Bebo um copo

Bebo um copo,
Bebo outro.
‘Stá calor,
Sabe-me a pouco.

Bebo sumo
a São Martinho
que não posso
beber vinho.

[ António José Ferreira ]

1. As crianças estão sentadas à mesa, cada uma com o seu copo de plástico reutilizado.
2. Primeiro, aprendem a passar mecanicamente, sem perder a pulsação, agarrando e passando no sentido dos ponteiros do relógio ou em sentido inverso.
3. Para ajudar, o professor diz:
Agarra e passa, ou gar pá.
4. Quando as crianças já conseguirem dizer (ou cantar) o texto e passar corretamente o copo, juntam as duas atividades.
5. Uma criança competente pode acompanhar com tambor.

Caem castanhas

Caem castanhas,
dezenas e centenas.
Há castanhas grandes,
há médias, há pequenas.

Cai um ouriço
e solta-se a castanha.
É o menino colega
aquele que a apanha.

[ António José Ferreira ]

Depois de as crianças aprenderem as quadras, as crianças colocam-se em círculo. Cada uma coloca a mão esquerda com a palma para cima, pronta a receber uma castanha. Quando o grupo acaba de recitar ou cantilar, a castanha começa a rodar. A mão direita apanha a castanha que foi colocada na sua mão esquerda e coloca na mão esquerda do colega da direita, sem perder a pulsação. Quando as quadras terminam, a criança que tem a castanha na mão, nomeia um colega. Será esse a começar a declamação, pedindo ajuda se necessário.

Chega o outono

Chega o outono,
a castanha é rainha.
Uma será tua,
a outra será minha.

Caem castanhas
do castanheiro antigo.
Quero partilhá-las
com o melhor amigo.

[ António José Ferreira ]

MUSATIVIDADE

  • As crianças aprendem as duas quadras, de memória.
  • Organizam-se numa roda, em pé.
  • Declamam marcando a pulsação com pés alternados.
  • Têm a palma esquerda para cima, com uma castanha.
  • A mão direita agarra a castanha e passa colocando-a na palma esquerda do colega que está à direita.
  • Na pulsação, passam a castanha e dizem o poema.

Para o efeito, o professor utiliza castanhas comuns. Em cidades como o Porto, há castanha da Índia, pelo chão, no início do outono. É muito dura e resistente que aguenta anos e é ótima para certas dinâmicas lúdico-pedagógicas.

Descasca a castanha

Descasca a castanha
muito bem descascadinha.
Verás que, dentro da casca,
há outra casca castanha clarinha.

[ Tradicional ]

MUSATIVIDADES
1. Esta dinâmica é especialmente indicada para o outono e o São Martinho (11 de novembro).
2. As crianças estão em círculo, ou à volta de uma mesa, ou sentadas no chão se o conforto do espaço o permitir.
3. O professor diz um verso e todos repetem; procede-se do mesmo modo com dois e quatro versos.
4. Na palma esquerda, aberta, voltada para cima, cada criança tem uma castanha.
5. De forma mecânica, sem perder a pulsação, a mão direita agarra a castanha e coloca na mão do colega da direita (ou com a mão esquerda na palma do colega da esquerda).
6. Quando souberem de memória, todos dizem a quadra com passagem da castanha.
7. Se necessário, voltam a fazer-se exercícios prévios e dá-se mais atenção a quem tem dificuldades.

Brincadeira cantada sobre a castanha, EB1 de Arnelas, Gaia

Brincadeira cantada sobre a castanha, EB1 de Arnelas, Gaia

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Brincar Azul, Reciclanda 2026

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Canções de alimentação

Canções sobre alimentação saudável e jogos com alimentos, da autoria de António José Ferreira

O ritmo e a poesia são facilitadores relevantes no processo de ensino-aprendizagem sobre alimentação saudável na infância, transformando informações nutricionais em conteúdo lúdico e memorável.

O ritmo, inerente a canções e poemas, melhora a memorização. As rimas e a cadência ajudam as crianças a reterem o nome de vitaminas, minerais e os benefícios de diferentes grupos de alimentos, associando o aprendizado ao prazer da música.

A poesia confere um caráter narrativo e imaginativo ao tema, fazendo com que a criança estabeleça uma conexão afetiva com os alimentos. Isso estimula o desejo por escolhas saudáveis, em vez da mera obediência a regras.

Ao envolver movimento, entoação e repetição, o ritmo e a poesia ativam diversas áreas do cérebro, tornando a educação alimentar uma experiência multissensorial que fomenta a consciência corporal e os hábitos saudáveis a longo prazo.

A aveleira deu um fruto

A aveleira deu um fruto
Que eu apanhei do chão.
‘Stá na esquerda ou na direita?
Adivinha qual a mão!

[ António José Ferreira ]

MUSICATIVIDADES

1. Esta dinâmica é especialmente indicada para o mês de dezembro, mas pode ser realizada em qualquer mês.

2. O professor diz um verso e as crianças repetem.

3. Diz dois versos e a turma repete.

4. Diz a quadra e as crianças repetem. 5. As crianças organizam-se em pares.

6. Uma criança tem uma avelã, e coloca as mãos atrás das costas. Depois do 4º verso, a criança que tem a avelã numa das mãos apresenta as mãos ao par. Se este descobrir, passa a ter ele a avelã; caso contrário, a avelã continua com o mesmo jogador.

7. Em vez da dinâmica anterior, pode-se fazer-se a passagem da avelã. As crianças organizam-se em círculo, com a palma esquerda para cima e uma avelã. Cada criança, agarra a sua avelã com a mão direita e passa ao colega da sua direita. Ao invés, pode-se ter a avelã na direita e passar com a esquerda ao colega da esquerda.

A Vera comera

A Vera comera uma tarte de pera.
A Inês já fez um pudim francês.
Romeu já comeu toucinho do céu.
A Bia comia do bolo da tia.
A Sara provara da carne mais cara.

A São come pão com moderação.

[ António José Ferreira ]

MUSICATIVIDADES

1. O professor diz uma frase e as crianças repetem.

2. Diz duas frases e as crianças repetem.

3. As crianças estão sentadas no chão em roda, se as condições o permitirem, ou à volta de uma mesa.

4. Cada criança tem à sua frente uma taça de musse reutilizada. Com a pulsação, agarram e passam ao colega da direita.

5. Dizem duas ou quatro das frases acima enquanto passam pela direita (ou pela esquerda, se assim for decidido).

Bebe muita água

Bebe muita água,
come hortaliça,
mas não exageres
a comer chouriça.

Come laticínios,
cereais e fruta.
Ter moderação
é a melhor conduta.

Carne, peixe, ovos,
óleos e gordura…
Abusar de doces
é uma tortura.

Comida saudável
é muito importante.
Deixa a gulodice
e o refrigerante.

[ António José Ferreira ]

Cuido da alimentação

Cuido da alimentação.
Doces, com moderação.
Aos salgados digo não:
Fazem mal ao coração.

Como sopa de feijão,
De espinafre e agrião.
Como coco e mão,
Melancia e melão.

[ António José Ferreira ]

MUSICATIVIDADES

1. As crianças observam a figuração seguinte e tentam fazer o ritmo representado (titi titi titi tá):

2. O professor diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e as crianças repetem. 3. Diz uma quadra toda e a turma repete.

4. Cada criança diz a quadra na sua vez, com acompanhamento rítmico pelo professor.

5. Acompanham com uma sequência de sete sons corporais: mão direita na mesa, esquerda na mesa; direita no peito, esquerda no peito; direita na perna direita, esquerda na perna esquerda; pé no chão.

De abóbora faz sopa

De abóbora faz sopa, De espinafre sopa faz. Come sopa, tu bem sabes, mais saudável ficarás!

Se a galinha for caseira,
Boa canja tu farás.
Pede ajuda à avó
E a fazer aprenderás.

[ António José Ferreira ]

MUSATIVIDADES

1. O professor diz um verso e as crianças repetem, depois procede do mesmo modo com dois versos, com uma e as duas quadras.

2. A turma diz as duas quadras seguidas.

3. Cada criança diz a primeira quadra sozinha, acompanhando o texto com gestos.

4. Se alguma criança não conseguir, nomeia um colega para ajudar.

5. As crianças sugerem uma forma de percussão corporal acessível.

6. O grupo acompanha a quadra com ostinato rítmico corporal escolhido de entre as propostas das crianças.

7. As crianças organizam-se em círculo e passam uma abóbora miniatura ou de pelúcia.

Abóbora, foto Pingo Doce

Abóbora, foto Pingo Doce

Do alto do pinheiro manso

Do alto pinheiro manso
uma pinha cai ao chão.
Escondida entre o mato,
quem encontra o pinhão?

[ António José Ferreira ]

MUSATIVIDADES

1. Esta dinâmica é especialmente indicada para o mês de dezembro, mas pode ser realizada em qualquer mês.

2. O professor diz um verso e as crianças repetem.

3. Diz dois versos e a turma repete.

4. Diz a quadra e as crianças repetem.

5. As crianças organizam-se em pares.

6. Uma criança tem um pinhão, e coloca as mãos atrás das costas. Depois do 4º verso, a criança que tem o pinhão numa das mãos apresenta as mãos ao par. Se este descobrir, passa a ter ele o pinhão; caso contrário, o pinhão continua com o mesmo jogador.

7. Em vez da dinâmica anterior, pode-se fazer-se a passagem do pinhão. As crianças organizam-se em círculo, com a palma esquerda para cima e um pinhão. Cada criança, agarra o seu pinhão com a mão direita e passa ao colega da sua direita. Ao invés, pode-se ter o pinhão na direita e passar com a esquerda ao colega da esquerda.

Empurrou-a o vento

Empurrou-a o vento forte
e a noz caiu ao chão.
Está na berma na estrada:
quem irá deitar-lhe a mão?

Ela evita a diabetes
E faz bem ao coração.
Não te esqueças de incluí-la
Na tua alimentação.

[ António José Ferreira ]

MUSATIVIDADES

1. Esta dinâmica é especialmente indicada para o outono.

2. As crianças estão em círculo, ou à volta de uma mesa, ou sentadas no chão se o conforto do espaço o permitir.

3. O professor diz um verso e todos repetem; procede-se do mesmo modo com dois e quatro versos.

4. Na palma esquerda, aberta, voltada para cima, cada criança tem uma noz.

5. De forma mecânica, sem perder a pulsação, a mão direita agarra a noz e coloca-a na mão do colega da direita (ou com a mão esquerda na palma do colega da esquerda).

6. Quando souberem de cor, todos dizem a quadra com passagem da noz.

Era uma vez um bolo rei

Era uma vez um bolo rei:
Aqui está tudo o que eu sei.

Era uma vez uma rabanada:
Sei que lhe dava uma dentada.

Era uma vez um pão de ló:
Tudo o que eu sei é isto só.

Era uma vez uma tigelada:
Sei que a comeram e deixaram nada.

Era uma vez um pastel de Belém:
Tudo o que eu sei é que sabia bem.

Era uma vez uma arrufada:
Sei que ela era muito apreciada.

Era uma vez um guardanapo:
Sei que gostava de o ter no papo.

Era uma vez uma queijada:
Sei que em Évora era adorada.

[ António José Ferreira ]

Faço sopa

Faço sopa, como sopa Sopa boa de agrião Com batata bem ralada E um pouco de feijão.

Não abuso de doçuras
E salgados também não.
Como peixe, carne e fruta,
Cuido da alimentação.

Bebo sumo, bebo água,
Mas refrigerantes não.
Faço muito exercício,
Fortaleço o coração.

MUSATIVIDADE

O professor professor entrega a cada criança uma tampa circular reutilizada, de balde de azeitonas (ou outro). As crianças vão dar-lhe uso criativo adequado de acordo com o tema. Neste caso, a tampa circular pode representar a panela e o prato. As crianças, no momento próprio fazem de conta que mexem a panela, comem do prato ou lançam um disco.

[ António José Ferreira ]

Fui ao saco das amêndoas

– Fui ao saco das amêndoas
Que a minha avó me deu.
Eu tirei uma dezena,
minha mãe apareceu!

Tirei uma, tirei duas… tirei dez. – Que gulosa (o) que tu és, filha(o)!!!

MUCATIVIDADES

1. O professor diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e as crianças repetem.

2. Diz uma quadra toda e a turma repete.

3. Cada criança diz a quadra na sua vez, com acompanhamento rítmico pelo professor; quem não conseguir, nomeia um colega para o acompanhar.

4. Dizem passando uma saqueta. Quando esta para, na mão de uma criança, as outras dizem: – Que guloso que tu és! (ou “Que gulosa”, conforme o caso!)

Para seres mais saudável

Para seres mais saudável,
Cuida da alimentação.
Come carne, arroz e peixe,
sem esquecer a sopa com feijão.

Come fruta e legumes,
dança e canta uma canção.
O desporto com os amigos
faz muito bem ao teu coração.

Bebe água, bebe sumo,
mas refrigerantes não.
Faz corridas, dá caminhadas,
não fiques só a ver televisão

Trouxas de ovos

Trouxas de ovos para os novos
e filhós para os avós.

Azevias para as tias
e formigos p’ra os amigos.

Bolo rei p’ra quem eu sei,
‘special por ser Natal.

[ António José Ferreira ]

Em casa, mesmo sem instrumentos convencionais, é possível fazer jogos pedagógicos e experiências recorrendo a objetos que não são normalmente associados à música. Este jogo rítmico de representação e leitura de sons desenvolve conteúdos de Música, Matemática e Português. Esta atividade tem potencial de inclusão, podendo desenvolver competências em crianças com NEE sem deixar de ser interessante para as outras.

António José Ferreira

Feijões e representação de ritmo

Feijões e representação de ritmo

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

Saiba mais na Reciclanda e contacte-nos:

António José Ferreira:
962 942 759

Rimas sobre o tempo

Quadras e brincadeiras cantadas ou recitadas da autoria de António José Ferreira

CAI A CHUVA

Cai a chuva lá de cima
E o tempo está frio.
Já as ruas se alagam
e até transborda o rio.

MUSICATIVIDADES
1. O professor diz a quadra com expressividade e as crianças imitam.
2. Quem já sabe de cor, sem se enganar?
3. Se alguém tem dificuldade, escolhe um colega para ajudar e dizer juntamente.
4. As crianças recebem do professor uma tampa de plástico (de baldes de azeitona, por exemplo).
5. As que primeiro aprendem a rima recebem primeiro o “chapéu de chuva” e começam a mover-se pela sala.
6. Com a tampa sustentada pelo polegar (ou na cabeça) movem-se na sala no andamento que o professor imprimir, sem deixar cair e sem chocar com os colegas.

CANTO À BEIRA-MAR

Canto à beira-mar
junto ao pinhal.
Que bom respirar
ar com cheiro a sal!

Se aperta o calor
quando é Verão,
sombra e frescura
ótimas serão.

Numa bela mata
se o fogo lavrar,
sombra e frescura
irão acabar.

Matas e florestas
vamos proteger
para haver saúde,
riqueza e prazer.

MUSICATIVIDADES
1. O professor diz dois versos e as crianças repetem.
2. Diz uma quadra e as crianças repetem.
3. Enquanto as crianças recitam, marcam a pulsação com pequenas pedras do mar ou pinhocras (pinhas abertas que friccionam).

CHOVE AGORA, CHOVE LOGO

Chove agora, chove logo,
está o vento a soprar!
Olho p’la minha janela,
quero ver o sol brilhar!

É inverno, está frio,
está quase a nevar.
Aproveito ainda um pouco
p’ra no pátio brincar.

MUSICATIVIDADES
1. O professor lê dois versos e as crianças repetem.
2. Lê uma quadra e a turma repete.
3. Lê o texto todo e as crianças fazem gestos.
4. As crianças estão numa roda. Uma criança tem um pau de chuva que toca durante uma quadra, passando então ao colega do lado (da esquerda ou da direita, conforme o professor estabelecer.

QUANDO AS NUVENS SÃO ESCURAS

Quando as nuvens são escuras
Um sinal me estão a dar:
Minha capa e guarda-chuva
Eu preciso de levar.

Olho as nuvens carregadas
E percebo o seu aviso:
– Leva capa e carapuço!
Não te molhes, tem juízo!

[ António José Ferreira ]

MUSICATIVIDADES
1. As crianças estão em círculo, ou à volta de uma mesa, ou sentadas no chão se o conforto do espaço o permitir.
2. O professor diz lentamente um verso e todos repetem. Depois outro, e assim sucessivamente.
3. O professor tem uma vara (de vassoura, reutilizada, por exemplo) e entrega-a a uma criança.
4. De forma mecânica, sem perder a pulsação, a criança que tem a vara, passa-a ao colega, no sentido dos ponteiros do relógio, ou em sentido contrário.
5. Se necessário, voltam a fazer-se exercícios prévios e dá-se mais atenção a quem tem dificuldades.

Chuva

Chuva

Canções de higiene e cidadania

A assimilação de regras de higiene e cidadania através de brincadeiras cantadas e tocadas na infância é uma das formas mais eficazes de internalizar comportamentos sociais e de saúde.

Cidadania:

As brincadeiras cantadas fornecem o contexto emocional e o vocabulário para os conceitos. Ao dramatizar as ações através de canções e jogos de movimento, as crianças praticam a cidadania. O aspeto lúdico reduz a resistência à autoridade e promove o sentido de comunidade, essencial para a formação de indivíduos responsáveis e empáticos. O movimento e a música garantem que as regras se tornem hábitos internalizados e automáticos, e não apenas ordens a serem seguidas.

Lava as mãos antes do almoço

1. Junte quatro tampas de balde de azeitona ou tremoço, por exemplo, que pedirá numa frutaria grande. Vão dar-lhe jeito para fazer vários jogos, incluindo para lançar o disco. As tampas representam, neste caso, a pulsação (de som ou de silêncio). Em casa, se não tiver estas tampas, use pratos normais, ou taças. Recicle também oito ou mais frascos de iogurte que não rolem, para representarem o ritmo. Se não tiver frascos de iogurte, pode usar rolhas, tangerinas, castanhas.

2. Sobre uma mesa, alinhe as quatro tampas. Coloque um frasco de iogurte na primeira tampa e outro na terceira. Na tampa/pulsação com frasco, bate-se uma palma; na pulsação/tampa sem frasco, leva-se o indicador aos lábios, ou faz-se de conta que se bate palmas. O primeiro ritmo para acompanhar a canção poema seguinte é: tá sh tá sh.

3. A criança diz uma quadra, uma, duas, três vezes, com ajuda do adulto.

Lava as mãos antes do almoço,
lava-as bem, tem juízo;
e no fim escova os dentes,
‘sfrega e lava, que é preciso.

Lava as folhas da alface
e as uvas, tem juízo;
mas o queijo e a banana,
não laves, não é preciso.

Lava a pera, a maçã
e as cerejas, tem juízo;
mas a noz e a romã,
não laves, não é preciso.

Lava as uvas e ameixas
bem lavadas, tem juízo;
melancia e melão,
não laves, não é preciso.

[ Indicado para o Dia Mundial da Alimentação, a 16 de outubro; Dia Mundial da Higiene das Mãos ]

António José Ferreira

Representação de ritmo

Representação de ritmo com tampas e frascos

Lava as mãos e desinfeta

A turma está na disposição habitual. Um voluntário tapa os olhos com as mãos. A criança que o professor apontar, diz a frase: “Lava as mãos e desinfeta e a doença não te afeta!” Aquele que tem os olhos vendados deve dizer quem falou. Se acertar, nomeia o novo jogador jogador; se não descobrir, é o professor que o nomeia.

Lavar as mãos

Lavar as mãos

Gonçalo, toma banho!

– Gonçalo, toma banho!
– Ó Mãe, eu já tomei!
– Quando tomaste banho?
– Ó Mãe, eu tomei ontem!

– Tomaste, tomas e tomarás!
Tomaste, tomas e tomarás!

– Gonçalo, lava a as mãos!
– Ó Mãe, eu já lavei!
– Quando lavaste as mãos?
– Ó Mãe, eu lavei ontem!

– Lavaste, lavas e lavarás!
Lavaste, lavas e lavarás!

– Gonçalo, lava os dentes!
– Ó Mãe, eu já lavei!
– Quando lavaste os dentes?
– Ó Mãe, eu lavei ontem!

– Lavaste, lavas e lavarás!
Lavaste, lavas e lavarás!

[ António José Ferreira ]

Um copo com água

[ Autor desconhecido ]

Um copo com água,
uma escova e pasta
p’ra lavar os dentes
é o que me basta.

‘Sfrego, ‘sfrego, ‘sfrego,
muito esfregadinho:
Com os dentes lavados,
que rico cheirinho!

As crianças estão à volta de uma mesa. Cada uma tem o seu copo reutilizado, como uma tampa de amaciador da roupa. Na primeira sílaba sublinhada de cada verso da primeira quadra agarram o copo e passam ao colega da direita. Na segunda estrofe esfregam o copo na mesa mantendo a pulsação.

MUSATIVIDADE

As meninas fazem o papel de mãe e os meninos o de “Gonçalo”.

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Instalações, oficinas, laboratórios e edições educam para a cidadania, sensibilizam para o ambiente, animam os recreios, promovem a literacia, contribuem para o sucesso escolar. Saiba mais na Reciclanda e na Loja Meloteca.

Os três porquinhos

“Os Três Porquinhos” é um conto popular com características de fábula, pois utiliza animais com comportamento humano para transmitir uma clara moral da história: a importância da diligência, do trabalho árduo e da previsão para garantir a segurança. 

Contos e fábulas são uma ferramenta valiosa em Educação para a Cidadania.

Três porquinhos viviam felizes na casa da mãe, que fazia tudo pelos filhos. Dois deles não a ajudavam em nada, e o terceiro sofria com isso.

Certo dia, a mãe chamou os porquinhos e disse:

– Queridos filhos, vocês estão muito grandes. É hora de terem mais responsabilidades. A partir de hoje, vão morar sozinhos.

A mãe preparou um lanche reforçado e dividiu o dinheiro pelos filhos, para poderem comprar material e construírem uma casa.

Era um dia de sol. A mãe porca despediu-se dos seus filhos:

– Tenham cuidado e sejam sempre unidos!

Os porquinhos foram pela floresta em busca de um bom lugar para fazer a casa. Porém, no caminho começaram a discordar sobre o material que usariam. Cada porquinho queria usar um material diferente. O primeiro porquinho, preguiçoso, disse:

– Não quero muito trabalho! Dá para construir uma boa casa com palha, e sobra dinheiro para comprar outras coisas.

O porquinho mais sábio advertiu:

– Uma casa de palha não é segura.

O outro porquinho preguiçoso, o irmão do meio, sugeriu:

– Prefiro uma casa de madeira, é mais resistente e prática. Quero ter tempo para descansar e brincar.

– Uma casa toda de madeira também não é segura – comentou o mais velho – Como te vais proteger do frio? E se um lobo aparecer, como vai te vais proteger?

– Eu nunca vi um lobo por estas bandas e, se fizer frio, acendo uma fogueira! – respondeu o irmão do meio.

– Já que cada um vai fazer uma casa, eu farei uma casa de tijolos. Só quando acabar é que irei brincar convosco. – Respondeu o mais velho.

O porquinho trabalhador pensava na segurança e no conforto; os mais novos preocupavam-se em poupar no trabalho.

– Não há perigo que justifique fazer uma casa de tijolo. – Disse um dos preguiçosos.

Cada porquinho escolheu um canto da floresta para a sua casa. Contudo, as casas acabaram por ficar próximas. O Porquinho da casa de palha, comprou a palha e em poucos minutos fez a morada. Já estava a descansar quando o irmão do meio, que tinha construído a casa de madeira chegou chamando-o para ver a sua casa.

Ainda era manhã quando os dois porquinhos se dirigiram para a casa do mais velho.

– Ainda não acabaste?! Ainda nem vais a meio! Nós vamos almoçar e depois brincar. – disse, irónico, o porquinho do meio.

O mais velho não ligou aos comentários e continuou a trabalhar, preparando cimento e assentando tijolos.

Três dias depois, a casa estava pronta! Os dias foram passando, até que um lobo percebeu que havia porquinhos na floresta. Com a barriga a roncar de fome, o animal só pensava em comer porco. Foi então bater à porta do porquinho mais novo, o da casa de palha. Antes de abrir a porta olhou pela janela e, ao ver o lobo, começou a tremer de medo.

O Lobo bateu mais uma vez, o porquinho então, resolveu tentar intimidar o lobo:

– Vá embora! Só abrirei a porta ao meu pai, o grande leão! – mentiu o porquinho cheio de medo.

– Leão é? Não sabia que um leão era pai de um porquinho. Abre já essa porta. – Disse o lobo com um grito assustador.

O porquinho ficou quieto, a tremer de medo.

– Se não abrires por bem, abrirei à força. Vou soprar forte e a tua casa vai pelos ares.

O porquinho ficou desesperado, mas continuou resistindo. O lobo soprou uma vez e nada aconteceu; soprou novamente e a casa voou. O porquinho desesperado correu em direcção à casinha de madeira do irmão.

O lobo correu atrás dele. Quando chegou, o porquinho viu o irmão na varanda.

– Corre, corre! Entra para casa! O lobo vem aí! – gritou desesperado e a correr. Os porquinhos entraram a tempo, e o lobo chegou a seguir batendo com força na porta. Os porquinhos tremiam de medo. O lobo então bateu na porta dizendo:

– Porquinhos, deixem-me entrar um pouco!

– Nunca, Lobo! Vai embora e deixa-nos em paz. – disseram os porquinhos.

– Então vou soprar e farei a casa voar. O lobo, furioso, encheu o peito de ar, soprou forte contra a casinha de madeira que não aguentou. Os porquinhos aproveitaram a falta de fôlego do lobo e correram para a casinha do irmão mais velho. Chegando lá, pediram ajuda.

– Entrem, deixem esse lobo comigo! – disse o porquinho mais velho.

O lobo chegou e voltou a atormentá-los:

– Porquinhos, porquinhos, deixem-me entrar um pouco!

– Espera sentado, lobo mentiroso. – respondeu o porquinho mais velho.

– Já que é assim, preparem-se para correr. Em poucos minutos a casa vai pelos ares!

O lobo encheu os pulmões de ar e soprou contra a casa de tijolos, que nada sofreu. Soprou mais forte e… nada! Resolveu atirar-se contra a casa na tentativa de derrubá-la. Mas nada abalava a casa. O lobo resolveu voltar para a toca e descansar até o dia seguinte. Os porquinhos assistiram a tudo pela janela do andar superior da casa. Os mais novos comemoraram quando perceberam que o lobo foi embora.

– Calma! Não comemorem ainda! O lobo é esperto, não desistirá facilmente. – Advertiu o porquinho mais velho.

No dia seguinte, bem cedo, o lobo estava de volta à casa de tijolos, disfarçado de vendedor de frutas.

– Quem quer frutas fresquinhas? – gritava o lobo enquanto se aproximava. Os porquinhos mais novos ficaram com muita vontade de comer maçãs e iam abrir a porta quando o irmão mais velho disse:

– Nunca passou por aqui ninguém a vender nada… Não é estranho que depois de aparecer um lobo, apareça um vendedor?

Os irmãos acreditaram que era um vendedor, mas resolveram esperar. O lobo disfarçado bateu novamente na porta e perguntou:

– Frutas fresquinhas, quem vai querer?

Os porquinhos responderam:

– Não, obrigado.

O lobo insistiu:

– Não precisam de dinheiro, é um presente.

– Muito obrigado! Não queremos! Temos muitas frutas aqui!

O lobo furioso revelou-se:

– Abram logo, poupo um de vocês!

Os porquinhos nada responderam e ficaram aliviados por não terem caído na mentira do falso vendedor.

De repente ouviram um barulho no tecto. O lobo havia encostado uma escada e estava a subir pelo telhado. Imediatamente o porquinho mais velho aumentou o fogo da lareira, na qual cozinhava uma sopa de legumes. O lobo desceu pela chaminé com a intenção de surpreender os porquinhos, e caíu na panela de sopa a ferver.

– A-úúúúúúú!- Uivou o lobo, correndo em direção à porta. Nunca mais foi visto por aquelas terras.

Os três porquinhos decidiram morar juntos daquele dia em diante. Os mais novos concordaram que era importante trabalhar.

Pouco tempo depois, a mãe dos porquinhos, cheia de saudades, foi morar com os filhos. Todos viveram felizes na casinha de tijolos.

Três Porquinhos

Três Porquinhos

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

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Histórias do Burro

Contos populares com características de fábula, utilizando animais com comportamento humano para transmitir uma clara moral da história, são uma ferramenta valiosa em Educação para a Cidadania.

O burrinho e as estações

No Inverno, o burrinho cansou-se da neve, da chuva e do frio:

– Nunca mais chega a Primavera… Então poderei passear e comer erva fresca! Agora passo o tempo no estábulo… Ai que saudades da Primavera!

A Primavera chegou e dono carregou-o com sementes e estrume para o campo.

E o burrinho começou a dizer:

– Nunca mais chega o Verão… para comer erva com abundância, apanhar sol e ir para a sombra quando quiser. Ai que saudades do Verão!

O Verão chegou e o dono carregou-o de erva, feno e sacos de fruta.

E o burrinho dizia:

– Nunca mais chega o Outono… então poderei descansar e não andarei tão carregado ao calor do sol. Ai que saudades do Outono!

Chegou o Outono e o dono carregava-o de lenha para o tempo para fazer comida no Inverno.

O burrinho percebeu:

– Bem… o melhor é realmente o Inverno. Pode chover ou nevar, mas ao menos posso dormir à vontade e ficar sossegado em casa.

O burrinho e os livros

O burrinho adorava ser livre e passear pelos campos. Depois da primeira semana de aulas, disse:

– A escola é aborrecida. Aprender tudo o que está nos livros cansa muito. Vou faltar.

Meses depois disse para consigo:

– Vou comer os livros e assim fico a saber tudo mais depressa do que indo à escola.

Assim fez.

Achou que já sabia tudo e foi à escola mostrá-lo aos colegas.

– Então, N., nunca mais vieste à escola…

– Mas olha que tenho aprendido à mesma… – disse o burrinho.

Os colegas disseram:

– Diz lá então o alfabeto…

Quando abriu a boca, só lhe saiu:

– I-hó! I-hó! I-hó!…

Os amigos desataram à gargalhada e disseram com ar de troça:

– Olha, olha, já sabe duas vogais…

O burrinho foi triste para casa dizendo:

– Os colegas troçaram de mim… o melhor é ir sempre à escola e a fazer os trabalhos de casa.

Burro, planalto mirandês

Burro, planalto mirandês

O burrinho e o cavalo

Um burrinho e um cavalo iam pela estrada, à frente do dono. O cavalo não levava carga, enquanto o burro ia muito carregado.

– Ajuda-me, cavalo, que daqui a pouco eu não aguento…

– Nem penses. O dono não me deu carga para levar. – respondeu o cavalo.

Já sem força, o burro caiu e não conseguia levantar-se.

– O burro não aguenta mais. Vou pô-lo em cima do cavalo. – disse o dono para consigo.

E assim fez. Colocou o burro e a sua carga em cima do cavalo.

O cavalo aprendeu, dizendo para consigo mesmo:

– Realmente, ajudar não custo muito e faz muito bem.

Adaptado de autores desconhecidos

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

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Fábulas para a cidadania

Fábulas cantadas ou declamadas

As fábulas em verso para crianças possuem uma inestimável importância pedagógica.  São uma ferramenta de educação para a cidadania, incutindo valores e contribuindo para o desenvolvimento da linguagem e do pensamento crítico. Acompanhadas de percussão corporal ou de instrumentos feitos de materiais reutilizados, a sua relevância aumenta ainda mais.

O formato em verso e a presença de personagens animais com atitudes humanas cativam as crianças, facilitando a memorização e o prazer pela leitura. A musicalidade e o ritmo da poesia ajudam no desenvolvimento da competência linguística, expandindo o vocabulário e aprimorando a compreensão textual e a expressão oral.

No campo ético-moral, a “moral da história” no final de cada fábula é uma ferramenta didática. De forma simples e de fácil assimilação, as narrativas introduzem dilemas e situações que estimulam a reflexão sobre o bem e o mal, promovendo a aquisição de valores essenciais como empatia, solidariedade, responsabilidade, justiça e perseverança (e criticando a vaidade, a ganância e a injustiça).

Ao explorar as emoções e as escolhas dos personagens, as fábulas fortalecem o sentido crítico e a inteligência emocional da criança, preparando-a para compreender e lidar com as complexidades das relações sociais de maneira humanizada e consciente.

A cigarra e a formiga

Fábulas adaptadas e escritas em verso por António José Ferreira

Durante todo o Verão,
que bem cantou a cigarra;
de dia, ‘stava na praia,
à noite, ia para a farra.

Ficou no campo a formiga,
pensando no seu celeiro.
O esforço do seu trabalho,
rendeu-lhe um bom mealheiro.

O Inverno só trouxe frio
e nada para comer:
à porta do formigueiro
foi a cigarra bater.

– Durante todo o verão
cantei p’ra te alegrar:
dá-me um pouco de comida
para eu poder jantar.

– Enquanto te divertias,
eu ‘stava a trabalhar.
Cantavas todos os dias,
agora vai lá dançar.

A rã e a vitela

Uma rã, que era invejosa,
viu no campo uma vitela,
admirou o seu tamanho
e quis ser igual a ela.

Deixou logo o seu charquinho,
começou a engordar,
tanto era o seu desejo
de à vitela se igualar.

A rã perguntava às outras
se já era grande e bela,
mas estava muito longe
do tamanho da vitela.

Tanto a rã inchou de inveja
que um dia rebentou:
não foi uma rã feliz
nem à vaca se igualou.

A raposa e a cegonha

Certo dia, a raposa
foi visitar a cegonha,
e o que ela fez depois,
diga-se, é uma vergonha.

Convidou a sua amiga
para um belo jantar
e pensou numa partida
p’ra da cegonha zombar.

A cegonha foi a casa
da sua amiga raposa
e no prato, a comida,
estava deliciosa.

A raposa comeu bem,
nem por isso a cegonha,
porque aquele prato raso
para o bico é uma vergonha!

A cegonha agradeceu
e pensou retribuir.
Convidou D. Raposa
para a sua casa ir.

Fez uma sopa de carne
que era um manjar perfeito
e serviu o seu petisco
num jarro bastante estreito.

A raposa comeu pouco
e ficou aborrecida.
A cegonha, afinal,
devolveu-lhe a partida.

As queixas do pavão

Lamentava-se o pavão
de não cantar nada bem,
de não ter a voz bonita
que o rouxinol sempre tem.

– Não reclames – disse Deus -,
pavãozinho despeitado!
Não vês que, p’las tuas cores,
és famoso em todo o lado?

Cada um tem seu encanto:
a águia tem a coragem,
o melro tem o seu canto,
o pavão, rica plumagem.

A ave compreendeu:
não se podia queixar.
Ninguém é perfeito em tudo,
em tudo há que se alegrar.

O corvo e a raposa

No ramo de um arbusto,
o corvo mostrava um queijo:
a raposa aproximou-se
atraída p’lo desejo.

Muito esperta, a raposa
foi o corvo elogiar,
suas penas e seu canto,
e até a forma de andar.

Cego pelo seu orgulho,
o corvo pôs-se a cantar:
o queijo caiu do bico
e à raposa foi parar.

O esquilo e as avelãs

Muitas nozes e avelãs
tinha o Senhor Esquilo:
lembrou-se de partilhar
alguns frutos do seu silo.

Pegou na melhor bandeja,
para as nozes of’recer,
e mandou o seu filhote
ao vizinho, a correr.

Quando viram a bandeja
os olhos do seu vizinho,
nem se lembraram das nozes
of’recidas com carinho.

Nem o esquilo viu de volta
a bandeja preferida,
nem na casa do vizinho
houve prenda parecida.

O pescador e o peixinho

Havia um pescador,
um pescador havia.

Um dia foi à pesca,
foi fraca a pescaria.

Pescou só um peixinho,
levou-o à Maria.

Quando chegou a casa,
ouviu o que não queria.

– Se fosse um peixe grande,
que almoço não daria!

– O peixe é pequenino
e muito cresceria!

José pegou no balde,
deitou o peixe à ria.

O veado e os amigos

No meio de uma floresta,
um veado adoeceu.
Um grupo dos seus amigos
foi ver o que aconteceu.

Foram para socorrê-lo,
ou talvez o consolar,
para cumprir o dever
de o amigo ajudar.

No fim da sua visita,
tiveram um bom repasto:
e da erva do veado,
quase não deixaram rasto.

Com pouco alimento perto,
aquele velho veado,
morreu ainda mais cedo,
infeliz, esfomeado.

A fábula mostra que…

Um amigo que não presta
E uma faca que não corta,
Que se percam pouco importa.

Provérbio

O velho rei da selva

O leão, o rei da selva,
perdeu forças e poder:
tornou-se apenas um velho
preparado p’ra morrer.

Os burros davam-lhe coices
e os lobos davam dentadas;
gazelas faziam troça
e os bois davam cornadas.

Mal conseguia rugir
o cansado rei leão:
chegara a hora de os fracos
lhe poderem dizer não.

A fábula mostra que…

Em leão morto até cãezinhos dão dentadas.
(Provérbio latino)

Leão

Leão

O lobo e o capuchinho

Um dia, o Senhor Lobo
que andava a passear,
avistou o Capuchinho
e foi logo perguntar:

– Aonde vais, ó menina,
com essa linda cestinha?
– Vou levar um bolo e mel
à minha rica avozinha.

Mais depressa foi o lobo
à casa da avozinha
enquanto ia praticando
falar com voz de netinha.

(Alguém bate à porta)

– Quem está a bater à porta?
– É a tua qu’rida netinha.
– Ai meu Deus, é o lobo mau.
– Não te como, avozinha.

(Entretanto, o Capuchinho Vermelho chega a casa da avó e vai ter com ela.)

– Que grandes são os teus olhos!
– São para te observar!
– Que grande é o teu nariz!
– É p’ra melhor te cheirar!

– Que fofas as tuas mãos!
– São p’ra melhor te tocar!
– Que grande é a tua boca!
– É p’ra melhor te beijar!

“Capuchinho Vermelho é um conto de fadas clássico, cujas origens podem ser traçadas a fábulas europeias do século X. O nome do conto vem da protagonista, uma menina que usa um capuz vermelho. Publicada pela primeira vez pelo francês Charles Perrault, e depois pelos Irmãos Grimm (da versão mais conhecida), o conto sofreu inúmeras adaptações, mudanças e releituras da cultura popular mundial, é uma das fábulas mais conhecidas de todos os tempos em todo o mundo.” (Wikipédia)

Os meninos e as rãs

Dois colegas de turma iam a pé para a escola e entretinham-se às vezes a fazer asneiras. Certa manhã, o Bruno viu o Hélio e disse:

– Hélio, espera por mim!

– Despacha-te, Bruno…

Quando chegaram à ponte, puseram-se a olhar o rio e a ver os peixes.

– Olha rãs… Vamos atirar-lhes pedras? – disse o Hélio.

– Grande ideia… – disse o colega. E atirou uma pedra que estava no chão.

– Olha maçãs… vamos atirar maçãs…

– Come esta maçã que faz-te bem à saúde! – disse o Bruno, achando que tinha muita piada.

A professora ia de carro e disse para consigo:

– Ah, estes são os meus alunos Bruno e Hélio… Que estarão a fazer?… Coisa boa não será… Atirar pedras aos peixes… Vão já ver o que é doce…

E foi para a escola.

Os alunos chegaram e bateram à porta:

– Entrem…

– Bom dia, Senhora Professora…

– Bom dia! Divertiram-se muito no caminho?

– Sim, Professora…

– Pois agora vão divertir-se muito mais! – disse ela com ironia.

– Que bom… – responderam os meninos…

– Digam comigo:

– Quem maltrata um animal,

Tem castigo especial!

A professora deu-lhes um papel e disse:

– Copiem 50 vezes!

– 50 vezes?!
– Isso mesmo! – confirmou a professora.

– Quem maltrata um animal,
tem castigo especial!

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

Saiba mais na Reciclanda e contacte-nos:

António José Ferreira:
962 942 759