Dinâmicas musicais de localização, concentração, movimento e catalogação
As dinâmicas musicais (cantadas ou acompanhadas e instrumentos) são cruciais na infância por ativarem simultaneamente várias áreas de desenvolvimento.
Localização e orientação espacial:
Atividades que pedem à criança para se mover e interagir com o espaço ajudam a construir o esquema corporal e a perceção espacial. O som pode servir de guia, reforçando a lateralidade e a noção de localização.
Concentração e escuta ativa:
Seguir uma melodia, um ritmo ou a letra de uma canção exige um esforço sustentado de atenção. As dinâmicas musicais treinam a concentração, a capacidade de inibir distrações e a escuta ativa – competências essenciais para a aprendizagem formal.
Movimento e expressão corporal:
O movimento inerente às dinâmicas desenvolve a coordenação motora, o equilíbrio e o controlo do corpo. Permite a expressão de emoções e sentimentos de forma não verbal, fundamental para a saúde mental.
Catalogação (organização cognitiva):
Canções de categorização ajudam as crianças a catalogar e a sequenciar informações. A música oferece uma estrutura rítmica que organiza o pensamento, ensinando a classificar o mundo e a criar ordem mentalmente.
Arrumar a casa
[ António José Ferreira ]
Arrumar a tua casa,
arrumar a tua mesa
é estares preparado
a trabalhar com destreza.
JOGO
A casa é composta por 4 divisões (4 arcos de 4 cores diferentes). Cada grupo de crianças tem à sua responsabilidade uma divisão. O jogo inicia-se com a casa toda desarrumada com um indeterminado número de objetos (papéis de 4 cores diferentes, as mesma cores que os arcos) desarrumados e fora do sítio. O objetivo é arrumar a casa, ou seja, cada grupo de crianças terá de apanhar o objeto da cor da sua divisão e colocá-lo no seu arco. Após apanharem todos os objetos da sua divisão e os colocarem no seu arco a equipa senta-se à volta do seu arco. A equipa mais rápida é a vencedora. (Sílvia Faria)
Depois de cantada ou recitada a quadra, o professor toca uma padrão rítmico combinado em tambor ou outro instrumento e as equipas começam a arrumar. Quando a primeira equipa acaba, toca “Tá” (um som), Titi (dois sons) na segunda; Tríola (três) na terceira; e Tirititi (quatro) na quarta.
Em alternativa, a cada arco corresponde uma categoria de instrumentos: cordofones (de corda), aerofones (de sopro), membranofones (de pele), idiofones (é o próprio corpo que vibra, como a caixa chinesa, ou o prato suspenso, a maraca, ou o reco-reco). Em vez de usarem cores, as crianças arrumam papeis com imagens de instrumentos. Podem ser fotocopiadas para o jogo ou recortes de jornais ou revistas.
Jogo de arrumar a casa, Cabanões, professora Sílvia Faria, 10/01/2019
Ora vou ao Porto
Ora vou ao Porto,
ora vou a Gaia.
Vou num dia à serra,
no outro vou à praia.
No exterior, de preferência, o professor atribui a quatro lugares os seguintes destinos, ou outros, de Norte a Sul:
Braga!
Porto!
Coimbra!
Lisboa!
Ou
Viana!
Aveiro!
Setúbal!
Faro!
As crianças começam por estar relativamente próximas do professor mas com espaço entre elas para não se atrapalharem na atividade. Depois de cantarem, o professor diz, alto e bom som uma das quatro cidades, percutindo em tambor.
O último a chegar ao destino (em cada jogada) perde uma de 7 vidas virtuais dadas a todos no início.
Nas primeiras vezes é provável que o professor diga uma cidade onde as crianças já se encontram e alguns distraídos ainda se movam.
Ribatejo, Alentejo, Algarve
No chão há duas linhas, marcando três regiões tendo em conta a orientação dos pontos cardeais.
Os jogadores começam no espaço do Algarve, a Sul. O espaço entre as linhas Alentejo e o último é do Ribatejo. O dinamizador do jogo diz uma das três palavras, podendo repeti-las, e os jogadores dão um salto para o espaço referido.
Pode dizer também uma cidade (Faro, Évora, Santarém). Da mesma forma se faz o jogo com uma linha, que representa o rio, e as cidades Porto/Gaia, Lisboa/Almada e outras em situação semelhante.
A atividade desenvolve a agilidade de decisão, a literacia geográfica e a coordenação de saltos.
Terra mar: salto geográfico
Ora vou à serra,
ora vou ao mar,
mas aprendo muito
só de viajar!
O jogo exige apenas um risco ou uma corda no chão, que dividem a terra e o mar. Todos começam do lado da terra. Quando o dinamizador do jogo diz uma das palavras, podendo repeti-las, os jogadores saltam para a área correta.
No Algarve, pode-se usar também as palavras Sotavento, do lado onde o sol nasce, e Barlavento (onde o sol se põe). Ou Norte (do lado esquerdo de quem vê o sol a nascer) e Sul (do lado direito de quem vê o sol a nascer).
Podem usar-se cidades “separadas” por rios: Porto/Gaia; ou Lisboa/Almada. Ou: rio e margens, com duas linhas, e tantas variantes que em cada região é possível descobrir.
A atividade desenvolve a orientação espacial, a velocidade de reação e a literatura geográfica.
António José Ferreira
Porto, Gaia e o rio Douro, créditos António José Ferreira, 2022
Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.
Brincar Azul, Reciclanda 2026
Na Loja Meloteca saiba mais sobre edições em formato digital ou em papel.
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2022/06/jogo-arrumar-a-casa-silvia-faria-cabanoes-10012019.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2022-06-27 18:51:122026-04-29 12:30:09Canções de localização
Os pais podem melhorar a escola fazendo em casa jogos que os filhos podem fazer na escola, como jogos de palmas em pares, enigmas e outros jogos que não exigem outros recursos além do próprio corpo.
Copos com ritmo
Jogos musicais de copos são muito fáceis de fazer em casa e são muito benéficos para o filho, especialmente quando tem necessidades educativas especiais, dificuldades de aprendizagem ou atraso. Obviamente os jogos de copos podem ser realizados com crianças que não tenham qualquer necessidade especial, ou entre adultos. Crie o seu conjunto de pequenos objetos reutilizados, como uma ou duas tampas de amaciador.
Exercício prévio
O adulto e a criança colocam-se à mesa, um de frente para o outro. O adulto dirá “Eu passo, tu passas”, para ajudar a passar o copo sem perder a pulsação. Em “eu”, o adulto agarra o copo; em “passo”, coloca o copo em frente da criança; em “tu” é a criança que agarra; em “passas”, coloca o copo em frente do adulto. Primeiro fazem com a mão direita; depois com a mão esquerda. Depois, dizem a lengalenga passando o copo.
Unidades, dezenas, centenas, milhares
O adulto agarra e diz “um” quando bate o copo em frente da criança, e ela fará o mesmo, até 10. Em seguida, faça o mesmo com dezenas (10, 20, até 100); e centenas (100, duzentos, até 1000).
Lengalenga criativa
Copo copo jericopo, jericopo copo cá. Quem lavar melhor o copo sumo fresco beberá.
Copos reutilizados
Jogo de bola à mesa
Criança com criança – ou criança com adulto – sentam-se frente a frente nas cabeceiras da mesa, tendo uma pequena bola. Têm perto da mesa um papel e uma caneta para anotar os resultados. Cada um faz a bola rolar em direção à cabeceira adversária. Se a bola cair pelos lados, o adversário ganha um ponto. O jogador que fizer a bola entrar na “baliza” contrária também marca um ponto. Quando um jogador chega aos 5 pontos, venceu o jogo. Aponta-se o resultado e dá-se início a mais um jogo. António José Ferreira Dia Internacional da Família (15 de maio)
O barqueiro
Antes da jogada, o adulto entrega uma pequena soma de dinheiro à criança, conforme a sua competência e desenvolvimento, dando as explicações que sejam necessárias. Em seguida, o adulto faz de barqueiro e a criança de cliente. E fazem o diálogo:
– Ao chegar ao barco, Disse-me o barqueiro. – diz a criança. – São 5 euros. Dê-me o dinheiro. – responde o adulto.
– Tome 1, mais 1 são 2, mais 1 são 3, mais 1 são 4, mais 1 são 5. Tome lá o seu dinheiro.
Em seguida, o adulto dá duas moedas de dois euros e uma moeda de um euro, adaptando o diálogo. A criança deve somar corretamente as parcelas.
Em seguida, fazem o diálogo, como se estivessem a fazer um teatro musical.
António José Ferreira, jogo testado em criança com NEE
Moeda para jogos musicais em família
“A voz e o corpo da criança, bem como os objetos do seu quotidiano, são os recursos privilegiados para o desenvolvimento musical neste ciclo de ensino. As atividades musicais deverão ser exploradas a partir dos elementos musicais de melodia, harmonia, ritmo, pulsação, divisão, métrica, dinâmica, textura, forma e timbre.” Direção Geral da Educação, Aprendizagens Essenciais, Música, 1º Ciclo
Um abraço faz-me feliz
Este é um poema/canção para os pais abraçarem, tocarem, massajarem, brincarem com a criança com (ou sem necessidades educativas especiais).
Um sorriso faz-me feliz. Um sorriso te quero dar. Eu sorrio e tu sorris. Que bom ter-te para brincar. Um sorriso!
Um abraço faz-me feliz, um abraço te quero dar. Eu te abraço e tu sorris. Que bom ter-te para brincar. Um sorriso! Um abraço!
Uma bola faz-me feliz, uma bola te quero dar. Passo a bola e tu sorris. Que bom ter-te para brincar. Um sorriso! Um abraço! Uma bola!
Criança abraça a mãe
Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Saiba mais na Reciclanda e contacte-nos: António José Ferreira: 962 942 759
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2022/06/crianca-abraca-mae.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2022-06-21 22:27:012026-04-18 14:19:22Jogos em família
O Adufando é o novo método de ensino do toque de adufe a crianças e jovens. Nasceu pelas mãos da Filarmónica Idanhense, em Idanha-a-Nova, município que tem neste instrumento o símbolo maior da sua riqueza e tradição musical.
O projeto da Filarmónica Idanhense, que tem a parceria da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e do Agrupamento de Escolas José Silvestre Ribeiro, surge da necessidade de criar um método intuitivo para aplicar no ensino de adufe no 1º Ciclo do Ensino Básico.
O Adufandotem por base 12 cantigas do concelho de Idanha-a-Nova, Cidade Criativa da Música da UNESCO. Com uma forte componente de imagem e ilustração, o método combina os suportes de livro e de plataforma digital e é composto por 72 fichas de trabalho (multidisciplinares).
Além das fichas de toque de adufe, o Adufando tem ainda fichas de trabalho para possibilitar o desenvolvimento de outras capacidades, entre elas, português, artes plásticas e expressão dramática. Até para lecionar disciplinas como Estudo do Meio ou Matemática é possível usar este método original.
Nasceu assim, nesta configuração, um dos primeiros métodos de ensino dedicados ao adufe, que além de intuitivo e prático, tem uma enorme facilidade de aplicação a todas as faixas etárias, logo a partir dos três anos.
É o resultado do trabalho realizado pela Filarmónica Idanhense nos campos da pesquisa, preservação e promoção do adufe, da música tradicional e das tradições do concelho de Idanha-a-Nova.
A autoria é de Carla Costa (toques de adufe e adaptação musical), Eugénia Lyubykh (ilustrações), João Abrantes (conceção original, toques e adaptação musical), Margarida Abrantes (toques de adufe) e Pedro Miguel Reis (adaptação musical).
Para dia 27 de setembro, está marcado o Workshop “Trabalhar com o Adufando”, que é gratuito e pretende contextualizar as múltiplas formas de utilização deste método, tanto através da plataforma como do livro.
Em paralelo, Filarmónica Idanhense lança também o projeto Musicando, um método de ensino de música a crianças e jovens que dá primazia à imagem e às atividades lúdicas para fortalecer a aprendizagem.
Os projetos integram o Plano Integrado e Inovador de Combate Contra o Insucesso Escolar, promovido pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) e financiado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e UE – Fundo Social Europeu.
Adufando, método de adufe
Fonte:
Câmara Municipal de Idanha a Nova, 14 setembro 2020
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/09/adufando.jpeg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-09-15 15:07:022025-10-27 21:44:38Método de adufe
A Meloteca (com a Loja Meloteca, Lenga e Reciclanda) tem vindo a criar brincadeiras para o desenvolvimento global da criança, pensadas desde o início para o Pré-Escolar e 1º Ciclo, em especial no âmbito das Atividades de Enriquecimento Curricular. Com a Reciclanda, a Educação para a Cidadania e a urgência de uma dos recreios impulsionou a criação de dinâmicas sustentáveis que facilitam a socialização e contribuem para o sucesso escolar.
Características dos recursos Meloteca
Ao longo de duas décadas António José Ferreira tem criado conteúdos musicais para crianças, conteúdos que deram origem a aulas, formações e recursos da Loja Meloteca e a artigos da plataforma Lenga.
Algumas características e intencionalidades se destacam:
Tradinovação (diálogo entre a tradição e a novidade)
Ludicidade (caráter de jogo inerente ao próprio conceito de música)
Inclusividade (atenção às crianças com dificuldades ou necessidades especiais)
Curricularidade (articulação entre música e conteúdos do currículo)
Criatividade (abertura criação e à atividade)
Cidadania (utilização da música para assimilar valores sociais)
Sustentabilidade (reutilização sustentável de instrumentos e brinquedos)
OBJETOS
Canções de copos
Exemplo:
“Copo copo jericopo,
Jericopo copo cá.
Bebe sumo de morango,
Pera e maracujá.“
As crianças estão à volta de uma mesa, ou sentadas no chão se o espaço o permitir, cada uma com um copo de plástico reutilizado à sua frente, tampa de amaciador da roupa, por exemplo. Cada criança agarra mecanicamente o seu copo e passa-o ao colega (com a mão direita ao colega da direita; ou com a mão esquerda ao colega da esquerda).
O professor ou um voluntário cantam em andamentos diversos enquanto as crianças se movem pela sala, depois de as cadeiras estarem em posição que facilite o sentar. Quando percute em tambor tiri tiri tá, ou tríola tá, as crianças sentam-se numa cadeira disponível, não podendo sentar-se duas vezes na mesma cadeira.
Canções de corda
Exemplo:
“A vaca leiteira
Disse ao leiteiro:
– Paga-me a renda
Do mês de janeiro.
Janeiro, 1; fevereiro, 2; março, 3…
Recitada ou cantada, a lengalenga acompanha o salto à corda. Na falta de mais cordas, uma criança pode saltar individualmente enquanto os outros aguardam a sua vez cantando ou recitando; com uma corda presa a um ferro e um adulto a lançar a corda; ou com duas crianças a lançar a corda e uma ou mais crianças a saltar. Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, a atividade desenvolve a memória, o conhecimento do Estudo do Meio e da Matemática. Estas brincadeiras cantadas e saltadas contribuem ainda “para que os alunos desenvolvam competências relativas à performance/execução musical, ou seja, cantar, tocar, movimentar, bem como as relativas a formas de comunicar/partilhar publicamente as performances e/ou criações.” (Direção Geral da Educação, Aprendizagens Essenciais, Música, 1º Ciclo). A música contribui para o desenvolvimento psicomotor.
Canções de bola
Exemplo:
“Roda a bola, roda, rola,
No recreio da escola.”
As crianças estão num círculo, sentadas no chão. Enquanto cantam com uma melodia simples de duas notas, ou declamam, a bola (tipo futebol), vai rolando no sentido dos ponteiros do relógio, ou em sentido contrário. Cada criança só pode tocar com a mão na bola uma vez. Pode ser feito em casa com uma criança e um familiar, sentados nas pontas da mesa. Neste caso, cada jogador terá de mandar a bola a rolar no sentido da ponta. Se a bola fora para o lado, o jogador entrega um ponto ao adversário. Se o jogador não conseguir agarrar a bola mandado pelo adversário, perde um ponto. Podem jogar até 5, ou 10.
Com termos portugueses alatinados, foi recriada uma brincadeira de mãos em pares que se pode cantar com pequena melodia, ou em reto tono, ou a duas vozes em reto tono. Com punho de lados de lado com punhos do colega, palmas com palmas e costas das mãos com as costas das mãos.
AÇÕES
Canções de imitação
Exemplo:
“Quem quiser dançar melhor
Vai a casa da Bianca.
Ela pula, ela roda,
Ela mexe bem a anca.”
Com base numa dança brasileira, foram criadas diferentes quadras com nomes de crianças da turma. À frente da turma, um voluntário dança de forma criativa e os colegas imitam.
Canções de representação
Exemplo:
“O pai manda sair da cama. Fai quello che dice papà.
A mãe manda lavar a cara. Fai quello che dice mamma.”
O adulto diz ou canta as frases, uma em Português, outra depois em Italiano, e o grupo faz os gestos de rotina diária correspondentes. Este texto/canção ajuda a desenvolver o jogo simbólico e explorar/educar em rotinas diárias.
Canções de saudação
Exemplo:
“Olá, boa tarde,
olá, meu amigo.
Vamos lá cantar,
depois vou jogar contigo.”
As crianças cantam enquanto passam a palma (a direita bate na esquerda do colega da direita, ou vice-versa). O que recebe a palma no momento em que termina a canção, dirá outra ação (“depois vou brincar contigo”, por exemplo, apontando um colega). A dinâmica promove boas práticas de gentileza, exprime afetos e permite ao adulto conhecer as relações interpessoais no grupo.
Canções de salto
Exemplo:
“A cabrinha saltou
Para cima do rochedo.
A cabrinha saltou
E até perdeu o medo.
A cabrinha saltou
Não tremeram os seus pés.
Cabrinha, que brava que tu és.”
Este é exemplo perfeito da importância da observação na criação musical e pedagógica, de uma cabrinha que vi efetivamente em cima do telhado de uma casa em ruinas. Há uma versão que fala de telhado, esta de rochedo. As crianças estão dispersas num espaço amplo mas próximas do professor. A atividade pode fazer-se na própria sala de aula, com menos sucesso e mais cuidados. Quando o professor canta ou recita e percute em tambor, as crianças dão um salto, o mais longe possível, mas sem cair. Se o professor disser “cabrinha”, saltam as meninas; se dizer “cabrito”, saltam os rapazes; se dizer o nome comum coletivo “cabrada”, saltam todas as crianças. O professor pode percutir de várias formas que determinarão os saltos das crianças: na última sílaba tónica de cada verso; ou na sílaba tónica dos nomes comuns; ou nas formas verbais no pretérito perfeito. Desta forma, as crianças estão a assimilar noções de nome comum, masculino e feminino, e nome comum coletivo.
Canção de comboio
Exemplo:
“Vem comigo no comboio
que se chama Alegria.
Quando chegas à escola,
de manhã, dizes “Bom dia!”.
A quadra, que é uma forma poética popular embora tenha sido utilizada por grandes poetas, recorre à redondilha maior, rima ABCB, apelo ao movimento e à cidadania. Nesse comboio da cidadania, entram outras palavras essenciais de cortesia (obrigado, por favor, desculpa, com licença). Além disso, a ideia de comboio permite uma atividade interessante em que uma criança fará de locomotiva e as crianças entram para o comboio, em determinadas estações.
Canções de caçada
Exemplo:
“Se nasceste na savana
Tu precisas de saber
Como deves atacar,
Como podes defender.
1. Foge zebra, foge impala,
Corre e salta sem parar.
Vai a perseguir-te um tigre
Pronto p’ra te devorar.”
Estas quadras permitem jogos com caçadinhas que ajudam a assimilar noções de presa/predador, o conhecimento dos animais selvagens, promover o respeito pela natureza, e desenvolver a psicomotricidade.
Canções de passe
Exemplo:
“- Fui ao saco das amêndoas
Que a minha avó me deu.
Eu tirei uma dezena,
minha mãe apareceu!
Tirei uma, tirei duas… tirei dez.
– Que gulosa (o) que tu és, filha(o)!!!
Em roda, as crianças dizem passando uma saqueta. Quando esta para, na mão de uma criança, as outras dizem: “- Que guloso que tu és! (ou “Que gulosa”, conforme o caso!)”
Canções de palpite
Exemplo:
“A aveleira deu um fruto
Que eu apanhei do chão.
‘Stá na esquerda ou na direita?
Adivinha qual a mão!”
Um jogador tem uma avelã. Colocando as mãos atrás das costas, passa de uma para a outra. O parceiro tenta acertar na mão apontado ou dizendo: “a tua direita”, ou “a tua esquerda”. Esta dinâmica é especialmente indicada para o mês de dezembro, mas pode ser realizada em qualquer mês. É propícia para experienciar frutos secos e assimilar a noção de direita/esquerda.
Canções de bomba
Exemplo:
“Bomba, olha a bomba,
Olha a bomba, bomba, bomba.
Tem cuidado, tem cuidado,
Tem cuidado, dado, dado.
Ela explode, ela explode,
Ela explode, plode, plode! Arrebenta, arrebenta,
Arrebenta, benta, benta.”
As crianças estão dispersas por um espaço amplo. Uma delas tem a bomba (pode ser o Bomb dos Angry Birds, ou uma bola adequada). Todos se podem mexer, exceto o que tem a bomba. Se a bomba tocar numa criança, passa ela a ter a bomba. Se não acertar, continua. Não vale acertar na cara.
Canções de atleta
Exemplo:
“Salto eu, saltas tu
Para vermos quem mais salta.
Não sou eu,
Não és tu.
Quem mais salta é o canguru.”
As crianças estão lado a lado, numa linha de partida. Quando percute, os jogadores saltam o mais longe possível em direção à linha de chegada. Quando saltam, ficam com os pés “colados” ao chão. Quem mexer os pés, fica fora da jogada. Ganha quem primeiro alcançar a meta. Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências na área do Português. Além de promover o exercício físico e a coordenação motora, esta atividade desenvolve competências nas áreas do Português e do Estudo do Meio.
Canções de centro
Exemplo:
“Olha aquele cachorrinho
Tão bonito e brincalhão.
Vamos ver quem ele quer
Que o leve p’ra adoção.
Cachorrinho!”
As crianças estão numa roda. O professor escolhe um entre voluntários com dedo levantado. O escolhido irá para o meio, e será um cachorrinho a fazer cenas de cão juvenil. Quando as crianças chamam: “Cachorrinho”, ela olha todas as crianças e aponta uma. Essa criança deve dizer uma pequena frase sobre cachorrinhos. Se a frase lhe agradar, encontrou nova casa. O jogo prossegue com menos duas crianças em jogo, com novo animal de estimação, que pode ser previamente destinado pela direita.
Canções de embarque
Exemplo:
– Quero ir à outra banda
Visitar a minha amiga.
– A viagem é barata:
Só lhe custa uma cantiga!
– Quero ir à outra margem
Visitar a namorada.
– A viagem é barata:
Só lhe custa uma piada.
Há uma criança que faz de bilheteiro. As outras crianças estão na fila para comprar bilhete. O passageiro diz os dois primeiros versos de uma quadra à sua escolha e o bilheteiro deixa passar ou não conforme disser bem ou mal.
TEMAS
Canções de pássaros
Exemplo:
“Tem coragem, passarinho,
Salta agora do teu ninho.
Tem cuidado c’o gatinho,
Como faz o teu paizinho.”
As crianças aprendem a cantar ou recitar o texto. Depois o professor executa e percute na última sílaba tónica de cada verso e as crianças saltam como o pássaro juvenil que aprende a voar. As crianças estão no recreio, aleatoriamente, a uma distância umas das outras que lhes permita saltar sem pisar colegas. Podem estar na sala de aula e passar um passarinho de peluche (ou Angry Bird) a um colega que esteja pronto para receber. Quem passar mal ou deixar cair fica fora de jogo.
Canções de ciência
Exemplo:
“É um esqueleto
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de mexer e de dançar.
Vai um dia ao Baile,
baila, baila com o par.
Deixa lá o fémur:
– Como é que vai andar?”
Depois de aprenderem alguns ossos principais do esqueleto, as crianças movem-se de acordo com o texto.
Canções de profissão
Exemplo:
“Olá, bom dia,
Ó Senhor Doutor.
Veja o meu ouvido
Que tenho uma dor.”
As crianças estão sentadas aos pares, sendo uma o médico, outra o paciente. Quando o professor canta, com um ou mais voluntários, as crianças estão atentas. Quando o professor improvisa em percussão – durante 8 compassos – , doente e médico falam baixo, como se estivessem num consultório médico. (Testa . Olhos . Ouvidos . Nariz . Garganta . Dentes . Peito . Costas . Barriga . Perna . Pé).
ESTRATÉGIAS
Canções de ritmo com bola
Exemplo:
“Bate forte, bate a bola
no recreio da escola.
Bate forte contra o chão
Para seres campeão.”
Esta canção com partes do corpo em Italiano promove a percussão corporal, individualmente e em grupo.
Sílabas percussivas
Exemplo:
01. Tacho (tá sh)
02. Tic tac (tá tá)
03. Toca tu! (titi tá)
04. Toca toca toca tu! (titi titi titi tá)
05. Tiqui taca (tá tá tá tá)
06. Rápido toco! (tríola titi )
07. Rápido vou! (tríola tá)
08. Toca, Sofia! (tá titi tá tá )
09. Rápido, Cândida! Rápido Rui! (tríola, tríola tríola tá)
10. Tu cá! Tu lá! (ti tá tá tái)
Indicações percussivas: “Tu cá! Tu lá!” são palavras que permitem fazer jogos rítmicos com percussão corporal ou instrumentos, ou dar saltos, ou fazer movimento livre na sala, em andamentos e intensidades diferentes. Estas pequenas frases percussivas permitem assimilar conteúdos do currículo como a rima, os monossílabos, os pronomes pessoais, o singular e o plural, mantendo o caráter de brincadeira.
António José Ferreira
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Brincadeira Cantada
Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.
Brincar Azul, Reciclanda 2026
Na Loja Meloteca saiba mais sobre edições em formato digital ou em papel.
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/08/brincadeira-cantada.jpeg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-08-13 17:20:352026-04-29 12:42:56Canções de brincar
Excerto de O Ensino da Música no Ensino Básico, por Mariana Sofia da Silva Adrego, Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico, ESEC, Coimbra, 2016
«De todos os talentos com que os indivíduos podem ser dotados, nenhum surge mais cedo do que o talento musical» (Gardner).
Gardner, no seu livro “Estruturas da Mente” para apresentar a inteligência musical, começa por dar um exemplo hipotético de 3 crianças que, em idade pré-escolar, apresentam performances musicais extraordinárias. Apesar desta suposição, o psicólogo considera estes desempenhos como um fenómeno genuíno devido a «um regime de instrução soberbamente delineado» (Gardner). No entanto, o talento que estas podem deter não será suficiente para determinar o seu sucesso.
Gardner indica que a inteligência musical «permite às pessoas criar, comunicar e compreender significados compostos por sons.» Ao contrário da inteligência linguística, que se desenvolve nas diferentes culturas sem instrução formal, a inteligência musical requer uma exposição mais intensiva. Para os povos do ocidente atingirem elevado nível de habilidade são necessários anos de prática.
Os autores indicam ainda que esta capacidade é autónoma relativamente a outras capacidades podendo-se revelar num alto nível em pessoas cujas outras capacidades são médias ou mesmo deficientes.
Esta inteligência destaca-se em compositores, maestros, instrumentistas, peritos em acústica e engenheiros áudio.
Como principais elementos constituintes da música, Gardner considera o tom, o ritmo e, por último, o timbre. Para a identificação destes elementos, assim como para a participação musical é crucial o sentido da audição. No entanto, relativamente à organização rítmica, esta «pode existir independentemente de qualquer realização auditiva» (id.). Assim, pode-se dizer que determinados aspetos da experiência musical são acessíveis a indivíduos que não podem usufruir do sentido auditivo. O psicólogo indica ainda que especialistas, além dos constituintes da música já mencionados, colocaram também perto do centro os aspetos afetivos podendo residir aqui «o enigma central em relação à música» (Gardner).
Apesar da ciência positivista descrever a música em termos físicos e objetivos, certo é que ela consegue produzir efeitos emocionais em quem a ouve. O psicólogo cita Rogers Session, Arnold Shoenberg ou Stravinsky como compositores que reconhecem esse efeito que a música pode provocar nas pessoas.
«A música não pode expressar medo, que é certamente uma emoção autêntica. Mas seu movimento, seus sons, acentos e padrões rítmicos podem ser inquietantes, agudamente agitados, violentos e até mesmo repletos de suspense… Ela não pode expressar desespero, mas pode movimentar-se lentamente numa direção predominantemente descendente; sua textura pode tornar-se pesada e, conforme é nosso hábito dizer, “escura” – ou ela pode desaparecer totalmente» (Sessions cit in Gardner).
Gardner alude ainda a estudos do psicólogo Paul Vitz que demonstraram que sons agudos evocam um afeto mais positivo tanto em ouvintes como em intérpretes.
Relativamente ao desenvolvimento da competência musical, o autor recorre a Mechthild e Hanus Papousek, indicando que estes notaram que bebés entre os dois e os quatro meses prestam mais atenção a aspetos musicais como a altura, volume e contorno melódico das canções, do que propriamente às propriedades centrais da fala. Por volta dos dois anos, os bebés começam a compor músicas espontâneas e, posteriormente, reproduzem pequenos trechos de canções ouvidas no seu ambiente familiar.
No entanto, pelo 3º ou 4º ano, as melodias do ambiente dominante prevalecem em detrimento das músicas espontâneas e brincadeiras de sons exploratórios. Por volta da idade escolar, a criança (na cultura ocidental) já possui um esquema de como uma canção deveria ser, reproduzindo-a com alguma precisão. A partir dessa idade o desenvolvimento musical não é relevante (a não ser em casos de crianças com talento musical incomum ou com oportunidades excecionais).
Caberia à escola desempenhar um papel importante no desenvolvimento das habilidades musicais, no entanto os saberes da língua e da matemática sobrepõem-se sendo, na nossa cultura aceitável o «analfabetismo musical» (Gardner).
Excerto de A Música como Veículo Promotor de Ensino e Aprendizagens, por Paula Cristina Viveiros da Silva. Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Universidade dos Açores, Ponta Delgada 2012.
“A palavra currículo é de origem latina e significa o caminho da vida, o sentido, o percurso de uma pessoa ou grupo de pessoas.”
Poder-se-á dizer que é um projeto, algo que não está pronto e acabado, mas sim trata-se de algo que está a ser construído permanentemente, no dia a dia das nossas escolas, mais precisamente com a participação ativa de toda a comunidade escolar, nomeadamente os educadores, professores e restantes membros da comunidade escolar em que a escola se integra.
O currículo deverá ser encarado como um instrumento que favorece os princípios e orientações dos educadores/professores numa ação prática efetiva em prol do desenvolvimento dos seus alunos, ou seja, este instrumento, deverá ser um guia, uma ferramenta útil que permite orientar a prática pedagógica.
Para tal, importa salientar que o currículo deverá ser abrangente, deverá ser flexível, adequar-se aos diferentes conteúdos e métodos de aplicar o conhecimento aos alunos, para que assim permita um melhor desenvolvimento dos mesmos relativamente ao seu próprio processo de avaliação.
Neste sentido, as Orientações Curriculares/Programas, incluem as áreas de Expressão Artística, nomeadamente a Área de Expressão Musical, dada a importância que as mesmas têm no desenvolvimento global da criança. As áreas de Expressão Artística, tal como afirma Reboredo devem fazer parte de “qualquer área de transmissão do conhecimento, para além de ser [em] um instrumento harmonioso para a aquisição das aprendizagens, [são] também uma ferramenta que proporciona o incentivo dos alunos na realização de determinadas actividades que à partida para estes poderão lhes ser difíceis de concretizar”.
Ainda no respeitante ao conceito de currículo, Roldão considera que repensar a escola implica que os profissionais de educação deverão examinar, analisar, avaliar e constantemente ajustar “o modo como organizam o seu ensino ao efectivo sucesso da aprendizagem de cada um dos seus diferentes alunos”.
Para que tal percurso se faça concretizar nas nossas escolas, há que ter em conta as condições para que o currículo se cumpra, nomeadamente, os recursos de que o professor dispõe para lecionar as suas aulas, as especificidades dos alunos (se estes têm todas as condições para que aprendam e desfrutem das suas aprendizagens), o contexto do ambiente escolar, as caraterísticas dos materiais didáticos disponíveis e ainda a participação da comunidade na realização das atividades escolares.
No respeitante à gestão de recursos das escolas, Afonso refere que
“A autonomia da organização da escola é constitutiva da própria realidade organizacional, resulta da capacidade de gerir as relações com o exterior, e de produzir internamente uma identidade própria.”
Assim sendo, o currículo não deverá ser visto como algo que substitua o professor, mas sim como um meio ao seu serviço e da comunidade escolar. Cabe ao educador/professor nortear o processo de ensino-aprendizagem, modificar se possível, o próprio currículo de acordo com as aptidões, interesses e caraterísticas culturais da turma de alunos que leciona, bem como as características dos recursos existentes na escola.
Para Dinis
“A gestão curricular integrada na escola visa a melhoria da qualidade educativa pela abordagem ecológica e contextual dos problemas concretos de cada comunidade educativa.”
No entanto, o papel do currículo leva-nos a refletir, sobre o seu papel no desenvolvimento integral dos alunos, isto é, se este percurso é coerente, significativo e devidamente amplo contemplando as necessidades de cada aluno de modo a que este se sinta capaz de prosseguir no seu percurso escolar, fazendo face às suas exigências.
Por exemplo, como hoje em dia dá-se mais importância a determinadas áreas de saber, nomeadamente à Matemática, ao Português e ao Estudo do Meio, áreas mais privilegiadas pelos professores e até mesmo os encarregados de educação, no que se refere às áreas das «Artes», na Educação Básica as Expressões Artísticas, estas vão sendo tratadas como domínios de conhecimento secundários na educação dos seus educandos.
Ora, se um aluno que possuí uma determinada apetência para as artes, nomeadamente para a pintura, a música, o teatro, o cinema, entre outros, deverá este aluno enveredar para outros caminhos que não sejam aqueles que mais ambiciona, apenas porque os pais ou os professores consideram esta sua área preferida, menos importante?
Esta questão leva-nos a refletir sobre a importância destas áreas, atualmente tão pouco implementadas pelos educadores/professores, serem reforçadas na educação básica. Daí a possibilidade de se pensar na interdisciplinaridade nas nossas escolas, como um modo de viabilizar as interações e inter-relações entre as diferentes disciplinas existentes, permitindo assim que cada aluno construa o seu conhecimento em respeito ao que é comum e ao que é individual.
A interdisciplinaridade deverá ser encarada como um processo de troca de reciprocidade entre as diferentes disciplinas ou áreas de conhecimento.
“Por interdisciplinaridade, deverá então entender-se qualquer forma de combinação entre duas ou mais disciplinas com vista à compreensão de um objecto a partir da confluência de pontos de vista diferentes e tendo como objectivo final a elaboração de uma síntese relativamente ao objecto comum. A interdisciplinaridade implica, portanto, alguma reorganização do processo de ensino/aprendizagem e supõe um trabalho continuado de cooperação dos professores envolvidos.” (Pombo).
Os mesmos autores ainda reforçam a ideia ao afirmar que
“(…) a interdisciplinaridade implica um esforço de exploração de contributos e resultados das diversas disciplinas, de confronto e cruzamento das suas metodologias, de transposição conceptual, de procura de linguagens comuns, numa palavra, de convergência e complementaridade dos discursos. Ela está fundada na crença de que é possível alcançar uma síntese relativamente ao objecto comum e que essa síntese exprime melhor a verdade desse objecto do que cada uma das perspectivas parciais que, sobre ele, cada disciplina oferece.” (Ibid.)
Além disso, esta deve ser entendida como um modo de organizar os conteúdos das diferentes áreas de conteúdo e domínios com o intuito de os integrar num processo flexível de aprendizagem que vá de encontro aos objetivos educativos e que tenha sentido para a criança.
Pois, e no caso mais específico da música, esta arte deve ser encarada como uma construção social e humana que interage de modos diversos não só com a construção das identidades, individuais e coletivas, como também com diferentes áreas do saber e do conhecimento artístico, humanístico, científico e tecnológico.
O desenvolvimento do trabalho artístico-educativo pode ser, por um lado, um meio aglutinador de diferentes saberes e conhecimentos e, por outro, servir para despoletar a curiosidade e o conhecimento acerca dos modos como nos outros saberes se utilizam, manipulam e inventam ideias e conceitos.
“Acredita-se que a educação estética e artística, processando-se num continuum ao longo da vida, tenha implicações no apuramento da sensibilidade e do sentido crítico, podendo constituir uma condição necessária para um nível cultural mais elevado das populações, prevenindo novas formas de iliteracia, facilitando a integração dos indivíduos na nossa Sociedade.” (Funch)
Ao escutar e cantar a criança está a desenvolver capacidades ao nível da linguagem. Ao dançar e tocar é explorada e desenvolvida a sua motricidade. A construção de instrumentos e de adereços de suporte à música ou à dança relaciona-a com a expressão plástica, bem como a outras áreas de expressão artística. Assim, a música tem a capacidade de aglutinar em seu torno as variadas áreas do conhecimento e do saber.
De acordo com os diversos autores, Lino & Niza
“A articulação curricular deve promover a cooperação entre docentes da escola, procurando adequar o currículo aos interesses e necessidades específicas de cada aluno (…)”.
cabe ao educador/professor, articular a teoria com a prática, numa maneira interdisciplinar sem perder de vista os objetivos fundamentais elencados para a sua disciplina, pois ao projetarmos esse olhar interdisciplinar, chegaremos à transdisciplinaridade.
Nesta perspetiva,
“o perfil do professor actual é o de um profissional apetrechado com os instrumentos teóricos, técnicos e práticos que lhe permitem desempenhar uma prática reflexiva, capaz de dar resposta à diversidade de exigências com que é confrontada a escola de hoje e do futuro”. (Alonso)
Esta perspetiva permite-nos a compreensão do conhecimento, a busca da inclusão dos nossos alunos e também dos conceitos de aprendizagem, bem como a procura de parcerias em que se torna possível compartilhar, cooperar e agregar o conhecimento.
Acima de tudo e segundo a opinião de Dinis
“O currículo é uma construção histórica e social complexa e expressa o conflito de interesses, forças, poderes e valores que se constituem referência de uma cultura.”
Os alunos estão relacionados com o currículo, tal como a organização dos tempos e espaços escolares, bem como o conhecimento e a cultura, a diversidade e inclusão social, fazem parte de todo o processo de integração e avaliação do currículo escolar.
Ainda segundo a mesma autora,
“O currículo é então um projecto amplo e global, em permanentemente desenvolvimento e aperfeiçoamento que, ao ser construído ‘na/ pela escola’ e ‘para a escola’, contribui, também, decisivamente para construção ‘da escola’ de qualidade, enquanto comunidade reflexiva e autónoma. A sua construção implica a participação e a colaboração de todos os agentes educativos (professores, alunos, pais, pessoal não docente, autarquias, museus e outros parceiros locais) e a articulação coerente de recursos, necessidades, interesses, experiências e aprendizagens visadas.” (Ibid.)
Deste modo, o educador/professor de hoje deverá pensar na pessoa do aluno, como sendo um ser humano, e que pela sua própria natureza é um ser de múltiplas dimensões, que aprende em tempos e em ritmos diferentes. Por isso, o seu conhecimento deverá ser construído e reconstruido processualmente e abordado numa perspetiva integrada e organizada.
(…)
Menina tocando flauta de bisel
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/06/menina-tocando-flauta-de-bisel.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-06-14 00:00:502022-07-04 00:03:13Currículo na Ed. Básica
Excerto de O lugar da Música no Ensino Básico: Música para todos, por Mário Relvas 2009
O debate sobre o que se deve aprender vem desde os gregos: Platão estabeleceu uma hierarquia de saberes com a Filosofia no topo e no século XX John Dewey defende a importância de realizar na sala de aula atividades com valor intrínseco em 7‐8 áreas de saber, estas últimas retomadas por Gardner na Teoria das Inteligências Múltiplas.
Há quem use a Música apenas quando mais nada resulta — veja‐se o que se passa nos TEIP — ou então para “abrilhantar” as festas em que o “prato forte” é a História, o Português ou a Matemática.
Para além destas razões, importantes, mas colaterais, devemos fazer Música no 1º ciclo porque:
ela é um sistema simbólico dos nossos sentimentos, ligada à nossa vida emocional;
as estruturas e padrões musicais desencadeiam em cada pessoa associações e significados;
ao trabalharmos Músicas de várias partes do mundo ou mesmo do interior do nosso País vamos ajudar os alunos a desenvolver o respeito e a compreender as outras culturas;
há várias inteligências que precisam ser desenvolvidas e a musical é uma delas.
No pré‐escolar e no 1º ciclo Educar a função do educador e do professor é não só instruir e formar, mas também, e principalmente, desenvolver. Assim, o entendimento atual em vários Sistemas Educativos Ocidentais é o de ensinar MÚSICA a todos, de desenvolver as capacidades musicais de todas as crianças e não apenas de algumas, numa perspetiva do desenvolvimento global das capacidades inatas do ser humano. Por isso é que em Portugal a Música é uma área curricular disciplinar, tal como o Português e a Matemática.
Educador de infância e professor de 1º ciclo ensinam Música
A obrigatoriedade de Música no currículo parece que põe em confronto a extensa preparação de um músico instrumentista profissional e a parca preparação em Música dos professores generalistas. A resposta é simples: há muitas maneiras de fazer Música, muitas das quais ao alcance do generalista.
Não há dúvida que é necessário um especialista para ensinar a tocar um instrumento, dirigir um agrupamento instrumental ou coral, mas como educar musicalmente é muito mais do que isto, o professor generalista tem um papel
indispensável, sendo aquele que melhor pode integrar a Música com as outras áreas do saber.
Como ensinar Música
A Música é parte integrante do desenvolvimento intelectual, cultural, emocional e espiritual das crianças e não deve ser lecionada à parte, nem ser um reduto do especialista, antes deve ser integrada com as outras áreas. Os professores generalistas devem abordar o desenvolvimento musical como abordam o desenvolvimento da linguagem e da leitura, com encorajamento, com atividades estruturadas. Ensinar Música passa por experiências diretas de criar, tocar e ouvir. Tudo o que justifica a existência de Música no Ensino
Básico passa por fazer, por estar ativamente envolvido a fazer Música.
Objetivos a alcançar
O que é que os professores pretendem alcançar quando ensinam música?
desenvolver o potencial criativo,
compreender as funções da música na sua comunidade e no mundo,
compreender a música como forma de comunicação emocional.
Momentos musicais
Durante um dia de escola existem muitos momentos, espaços e situações para realizar atividades musicais:
toda a turma escuta uma pela musical gravada;
as sessões de movimento são acompanhadas de música gravada;
cantar para começar e acabar o dia de aulas;
cantar para memorizar outros assuntos;
cantar em línguas estrangeiras;
toda a turma.
O lugar da Música no Ensino Básico: Música para todos, por Mário Relvas, ESEL. Comunicação apresentada no Congresso do 1º ciclo “De Pequenino se Trilha o Caminho”, promovido pela editora Gailivro e realizado na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, em 12 de dezembro de
2009.
Crianças tocando percussão e flauta
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/06/criancas-tocando-percussao-e-flauta.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-06-13 23:50:232022-06-22 12:14:03Música para todos
Este é um álbum de instrumentos reciclados inclusivos que podem ser replicados e tocados por todas as crianças, na escola e em casa, com a ajuda de familiares adultos. As fotografias deste artigo apresentam crianças portadoras de multideficiência e de necessidades especiais em ação e foram feitas ao longo de anos. Representam parte do trabalho em Unidade de Apoio Especializado à Multideficiência e crianças com NEE do Ensino Regular. Tendo em conta as vantagens económicas, pedagógicas e ambientais, são um recurso que beneficia a prática de educadores de infância e professores de Música nas Atividades de Enriquecimento Curricular/Música Adaptada.
Bloco sonoro
reciclagem de extremidades de varão de cortina de madeira
Bloco sonoro percutido por paulito (idiofone, de madeira)
castanholas de mão
reciclagem de taças de musse, de plástico
castanholas de mão (idiofone de entrechoque, de plástico)
chincalho de argolas reutilizado
reciclagem de argolas e suporte de varão de cortina
chincalho de argolas (idiofone)
Chincalhão
reciclagem de varão de cortinas e argolas
chincalho reutilizado (idiofone, de madeira)
Chocalhos de vento
reciclagem de cabide e chocalhos de animais
Chocalhos de vento (idiofone, de metal)
Clavas de cana de bambu
reciclagem de cana de bambu
Clavas de cana de bambu (idiofone)
Colar de argolas
reciclagem de argolas de cortina
chocalho de argolas (idiofone)
Frascos de vento
reciclagem de cabide e frascos
Frascos de vento (idiofone, de plástico)
Geme-geme
reciclagem de cabo e lata
Geme-geme (idiofone de fricção)
Litofone de mão
reciclagem de pedras
Litofone de mão (idiofone de pedra)
Maraca cilíndrica grande
reciclagem de recipiente de toalhitas
Maraca cilíndrica (idiofone de agitamento)
Maraca cilíndrica
reciclagem de recipiente de ração para tartarugas
Maraca cilíndrica (idiofone de agitamento)
Maraca de água
Maraca de água
Maraca-lagarta
reciclagem de tampas de amaciador encaixadas, com arroz dentro (exceto numa tampa)
Maraca lagarta (idiofone de agitamento)
maracas de tampas de amaciador
reciclagem de tampas de amaciador
maracas (idiofone de agitamento)
paulitos
reciclagem de varas de madeira
paulitos (idiofone percutido)
Reque serra
Reque serrote (idiofone de raspagem)
Requemola
reciclagem de mola e vara
Reque de mola (idiofone de raspagem)
Saqueta sonora
reciclagem de saquinho e conchas
Saqueta sonora (idiofone)
Tambor de frasco
(reciclagem de frasco percutido por bocado de cana com roda de borracha na extremidade
Tambor de frasco reciclado
Tampas mágicas
reciclagem de tampas de balde de azeitona e tremoço para finalidades diversas conforme a criatividade das crianças
O som da água quando a toco na bacia faz-me sentir uma secreta alegria.
O som da água quando cai na banheira faz relaxar o meu corpo da canseira.
O som do mar, quando recua e avança, faz-me tentar uma verdadeira dança.
O som da chuva, quando cai no meu telhado, faz-me pensar como é bom estar deitado.
O som da neve, quando avanço em cima dela faz-me lembrar que pode ser fria e bela.
[ António José Ferreira ]
Musicatividades
1. Coloca três copos de vidro iguais em cima da mesa. Enche o primeiro, põe água no segundo até um pouco mais de meio, deixa o terceiro vazio. Coloca-os à tua frente, um à frente do outro (cheio, meio, vazio). Pega uma colher de pau e toca sabendo que estão por ordem do grave para o agudo. Cria melodias suaves.
2. Com a ajuda de um adulto, professor ou familiar, faz um pau de chuva e utiliza-o em introdução e conclusão do poema.
3. O adulto coloca arroz dentro de um frasco de iogurte vazio, ou outro recipiente. A criança sentirá a textura do arroz e, se possível, ajudará a colocar. A própria criança (ou o adulto) agitarão a maraca reciclada de modo a imitarem o som do mar, ondas mais fortes ou ondas mais fracas.
4. Acompanha com pulsação em quatro níveis corporais, um por cada verso, por exemplo: palmas, mãos no peito, mãos nas pernas, pés no chão.
Praia e búzio
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/05/mar-e-buzio.jpeg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-05-14 15:03:382022-06-28 10:06:21O som da água
Este jogo em pares desenvolve competências sociais, linguísticas e matemáticas. Basta um pequeno objeto que a criança ou adulto em jogo possa esconder na mão sem que se note onde está. Pode ser uma moeda, um feijão, um berlinde, entre outras coisas. A primeira criança agarra um desses objetos e coloca as mãos atrás das costas, passando de uma mão para a outra enquanto diz:
Vamos lá fazer um jogo p’rà gente se divertir. ‘Stá na esquerda ou na direita? É o que deves descobrir!
Coloca as mãos à frente e o outro jogador diz (esquerda ou direita, do parceiro) ou aponta com o dedo. Se acertar ganha uma moeda, ou feijão, ou berlinde… e assim sucessivamente, jogando cada um com o seu objeto. Tratando-se de moedas de 5, 10, 20, 50 cêntimos, valoriza-se o desenvolvimento de competências na área da Matemática.
II. Quem descobre o instrumento?
Para este jogo é necessário que cada jogador tenha uma rolha de cortiça lavada. No caso de o jogo ser presencial, não se pode transmitir a rolha a ninguém. A criança ou adulto que está em jogo coloca a rolha na boca – o que dificultará a compreensão por parte dos outros jogadores – e diz um instrumento. O primeiro a descobrir ganha um chocolate imaginário. O outro jogador procede da mesma forma, e assim sucessivamente.
No caso de a criança ter necessidades educativas especiais, o jogo em pares, em casa, pode ajudá-la a fazer contagens e somas simples.