Cuida sempre da alimentação. Doces? Com moderação. Aos salgados, tu dizes que não: Fazem mal ao coração.
Come sopa de couve ou feijão, de espinafre ou agrião. Come coco, laranja, mamão, Melancia e melão.
Musicatividades
1. O adulto diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e a criança repete.
2. Diz uma quadra toda e a criança repete.
Acompanham com a ponta dos dedos da mão direita (exceto polegar) na beira da mesa e, em simultâneo o pé direito no chão; alternando com mão esquerda/pé esquerdo da mesma forma.
II. Bebo um copo
A atividade pode realizar-se tanto em casa como na escola. Pode fazer-se com um copo de plástico, ou uma tampa reciclada de amaciador da roupa. Promove a coordenação motora e competências nas áreas do Português e da Música.
Bebo um copo, Bebo outro. Está calor, Sabe-me a pouco.
Musicatividades
1. Criança e adulto (ou duas crianças) estão sentadas à mesa. Um deles tem à sua frente um pequeno copo. (Ao início, é mais simples fazerem com um só copo).
2. Um agarra e passa, o outro agarra e passa, de forma regular, mecânica, sem perder a pulsação, sempre na mesma velocidade (andamento). Primeiro, aprendem a passar. Para ajudar, o adulto diz: agarra e passa, gar pas.
3. Depois dizem as rimas. O adulto reforça que beber água faz bem à saúde. Quando a criança já consegue dizer (ou cantar) o texto e passar corretamente o copo, juntam-se as duas atividades. Conheça AQUI os produtos Meloteca!
III. Um, dois, feijão com arroz
A atividade desenvolve competências vocais, rítmicas, linguísticas e matemáticas.
As canções de roda são um tesouro cultural com um papel insubstituível na infância. Ao unirem música, movimento e brincadeira coletiva, promovem o desenvolvimento global da criança.
Em termos sociais, a roda estimula a cooperação, o respeito às regras, a escuta ativa e a superação da timidez, fortalecendo o sentido de pertença ao grupo.
A nível psicomotor, os gestos e as danças associadas aos cantos desenvolvem a coordenação motora (ritmo, equilíbrio e noção espacial).
No campo cognitivo e linguístico, as rimas e a repetição das letras fáceis de memorizar expandem o vocabulário, estimulam a memória e a concentração, além de familiarizarem a criança com riqueza do folclore e da cultura popular.
A viuvinha está triste
[ Jogo da Viuvinha ]
A viuvinha está triste Que lhe morreu seu marido Não tem quem lhe aqueça a cama Anda com o sono perdido.
A Senhora Viuvinha Com quem é que quer casar É com o Senhor da Alemanha Ou com o Senhor General.
Eu não quero esses homens Que eles não são para mim Eu sou uma pobre viúva Ninguém tem dó de mim
Tradicional da Madeira ]
Ai, eu entrei na roda
Ai, eu entrei na roda. Ai, eu não sei como se dança. Ai, eu entrei na “rodadança”. Ai, eu não sei dançar.
Sete e sete são quatorze, com mais sete, vinte e um. Tenho sete namorados só posso casar com um.
Namorei um rapazinho do colégio militar. O diabo do garoto, só queria me beijar.
Todo mundo se admira de a macaca fazer renda. Eu já vi uma perua ser caixeira de uma venda.
Lá vai uma, lá vão duas, lá vão três pela terceira. Lá se vai o meu benzinho, de avião para a Madeira.
Essa noite tive um sonho que chupava picolé Acordei de madrugada, chupando dedo do pé.
Tradicional do Brasil ]
Cai, cai, balão
Cai, cai, balão, cai, cai, balão Aqui na minha mão. Não cai, não, não cai, não, não cai, não, Cai na rua do Sabão.
Tradicional do Brasil ]
Ciranda
Ciranda, cirandinha, Vamos todos cirandar. Vamos dar a meia-volta, Volta e meia vamos dar.
O anel que tu me deste Era de vidro e quebrou. O amor que tu me tinhas Era pouco e acabou.
Por isso, colega Ana, Entre dentro desta roda. Diga um verso bem bonito, Diga adeus e vá-se embora.
Escravos de Jó
Escravos de Jó Jogavam caxangá. Tira, bota, deixa ficar. Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá. Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá.
Tradicional do Brasil ]
Ó condessa
[ Condessinha de Aragão ]
Ó condessa, ó condessinha, Ó condessa de Aragão, Venho pedir-te uma filha Destas três que aqui estão.
Minhas filhas não as dou, Nem por ouro nem por prata, Nem por sangue de zaragata Que me custou a criar Com a ponta da minha agulha E com o rabo do meu dedal.
Ai que contente que eu vinha, Que triste me vou achar! Pedi a filha à condessa, Condessa não ma quis dar.
Volta atrás ó cavaleiro Se fores homem de bem Entra aqui no meu chiqueiro E escolhe a que for capaz.
Esta quero, esta levo Por seres a minha condessa Que me come o pão da cesta E o vinho da Calheta.
Tradicional da Madeira ]
Olha a Rosa
Olha a Rosa amarela, Rosa Tão Formosa, tão bela, Rosa Olha a Rosa amarela, Rosa Tão Formosa, tão bela, Rosa
Iá-iá meu lenço, ô Iá-iá Para me enxugar, ô Iá-iá Esta despedida, ô Iá-iá Já me fez chorar, ô Iá-iá
Vai correndo o lindo anel
Vai correndo o lindo anel, corre, voa, sem parar. Onde está, onde se encontra? Quem o pode adivinhar?!
Quem o pode adivinhar, se é que não adivinhou? Onde pára o lindo anel que da minha mão voou?!
T. Nogueira ]
Vai de galho em galho
Vai de galho em galho Vai de flor em flor Vai de braço dado Vai de braço dado mais o seu amor.
Muito chorei eu num Domingo à tarde Aqui este meu lenço Aqui está o meu lenço que fala a verdade.
Ah, seu ladrão, seu ladrão manjerico Não queiras ficar Não queiras ficar na praia sozito.
Na praia sozito não hei-de eu ficar Eu hei-de ir à roda Eu hei-de ir à roda escolher meu par.
Tradicional da Madeira ]
Canções de roda
Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/04/cancao-de-roda.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-04-17 15:08:572026-04-29 12:59:35Canções de roda
As brincadeiras cantadas representam uma das expressões culturais mais ricas e importantes na infância, funcionando como um veículo para o desenvolvimento infantil. Ao fundirem a música, o movimento e a interação social, estimulam o crescimento da criança de forma global.
No âmbito cognitivo e linguístico, as letras simples, ritmadas e repetitivas, típicas das cantigas de roda, facilitam a aquisição de novo vocabulário, o desenvolvimento da memória e da concentração. As regras implícitas nas brincadeiras exigem atenção, raciocínio lógico e coordenação.
A nível psicomotor, o ato de cantar, bater palmas, bater os pés e dançar em roda desenvolve a coordenação motora (fina e grossa), o sentido rítmico, a consciência corporal, a noção de tempo e de espaço.
No plano socioafetivo, estas atividades são essenciais. Brincar em grupo fomenta a socialização, a colaboração, a aprendizagem do respeito por regras e a capacidade de espera. Além disso, as brincadeiras cantadas transmitem valores morais e éticos, reforçam o sentimento de pertença cultural e promovem a expressão de emoções de forma segura e divertida.
A bola bate
A bola bate, bate, ao ritmo da canção. Vai agarrar a bola quem está com atenção.
A bola passa, passa, ao ritmo da canção. Não deixes que a bola escape da tua mão.
António José Ferreira ]
A cabrinha saltou
A cabrinha saltou p’ra cima do rochedo. A cabrinha saltou e nunca teve medo. A cabrinha desceu, não tremeram os seus pés. Cabrinha, que brava que tu és.
O cabrito saltou p’ra cima do rochedo. O cabrito saltou e nunca teve medo. O cabrito desceu, não tremeram os seus pés. Cabrito, que bravo que tu és.
O rebanho saltou p’ra cima do rochedo. O rebanho saltou e nunca teve medo. O rebanho desceu, não tremeram os seus pés. Rebanho, que bravo que tu és.
António José Ferreira ]
A escola
A escola é tua casa e casa dos teus pais, lugar para aprenderes e seres muito mais.
A escola é para amar, é quase tua mãe. Aplica o que ela ensina e vais sentir-te bem.
António José Ferreira ]
Bati à porta do número um
Bati à porta do número um, vi uma foca a beijar um atum.
Refrão: Isto é uma loucura! Isto é uma loucura!
Bati à porta do número dois, vi a jogar uma junta de bois.
Bati à porta do número três, vi um burrinho a falar japonês.
Bati à porta do número quatro, vi uma ovelha a comer do prato.
Bati à porta do número cinco, vi a dançar um ornitorrinco.
Bati à porta do número seis, vi um leão a ditar as leis.
Bati à porta do número sete, vi um besouro a tocar trompete.
Bati à porta do número oito, vi um texugo a correr afoito.
Bati à porta do número nove, um fantasma que não se move.
Bati à porta do número dez, vi um palhaço a tirar cafés.
Dizem as galinhas
Dizem as galinhas: cacaracacá! Dizem as peruas: glu glu glu glu glu!
Dizem os cachorros: ão ão ão ão ão! Dizem os gatinhos: miau miau miau miau miau!
Dizem as ovelhas: mé mé mé mé mé! Dizem as vaquinhas: mu mu mu mu mu!
António José Ferreira ]
Domina
Domina! Se tu visses o que há, Domina, em casa da Salomé, Domine, uma tarte de kiwi, Domini, e um belo pão-de-ló, Domino; mas dele não comes tu, Dominu.
Domina! Se tu visses o que há, Domine, em casa da Salomé, Domini, uma tarte de kiwi, Domino, e um belo pão-de-ló, Dominu; mas dele não comes tu, Dominu!
António José Ferreira ]
É o cavalo a relinchar
É o cavalo a relinchar e a vaca a mugir. É o gato a miar e o cachorro a latir.
É o burro a zurrar, e a cigarra a fretenir. É o touro a berrar e a abelha a zumbir.
É a pega a palrar, e a ovelha a balir. É o pombo a arrulhar e o porco a grunhir.
É o lobo a uivar e o tigre a rugir. É o mocho a piar e o mosquito a zunir.
António José Ferreira ]
Já fui à China
Já fui à China uma vez! Um, dois, três! Nunca eu vi tanto chinês! Um, dois, três!
De olhos em bico está a Inês! Um, dois, três! Nunca ela viu tanto chinês! Um, dois, três!
Fica espantado um chinês! Um, dois, três! Como é difícil o Inglês! Um, dois, três!
António José Ferreira ]
Quem soube escutar
Quem soube escutar, tocou, quem soube escutar tocou. Escolho para tocar, aquele que sabe escutar, Quem sabe ouvir e calar, este tambor vai tocar.
Listen to my big drum: bang, bang, bang. Listen to my triangle: tang, tang tang. Listen to my trumpet: too too too. Listen to my tambourine: shoo shoo shoo.
Bate as mãos nas pernas
Bate as mãos nas pernas, bate os pés no chão. Bate as mãos nos ombros, dá-me a tua mão.
Nesta casa antiga mora um grande gato. Quem disser o “1” vai tornar-se um rato!
António José Ferreira ]
O rapaz se apaixonou
O rapaz se_apaixonou por uma menina que com ele_estudou.
Foram juntos ao cinema. Viram uma animação! [ Panda kungfu, ou outro ] Foram juntos ao cinema. Viram filme de ficção! [ Robô ] Foram juntos ao cinema. Viram um bonito drama! [ Choro ] Foram juntos ao cinema. Viram filme de terror! [ Dizem aú ] Foram juntos ao cinema. Viram filme de cowboys! [ atirar um laço com corda ] Foram juntos ao cinema. Viram ótima comédia. [ Gargalhada ] Foram juntos ao cinema. Viram um filme de amor. [ Beijinho ]
O Vasco foi a Angola
O Vasco foi a Angola p’ra ver como era Angola. Que linda que era Angola. América! Angola!
Salsa, salseirinha, ó-i-o-i-ó-ai, assim faz o baterista, assim, assim, assim. (bis)
Salsa, salseirinha, ó-i-ó-i-ó-ai, assim faz o pianista, assim, assim, assim. (bis)
Salsa, salseirinha, ó-i-ó-i-ó-ai, assim faz o trompetista, assim, assim, assim. (bis)
Salsa, salseirinha, ó-i-ó-i-ó-ai, assim faz a maestrina, assim, assim, assim. (bis)
Salsa, salseirinha, ó-i-ó-i-ó-ai, assim faz o organista, assim, assim, assim. (bis)
António José Ferreira, adapt. ]
Segunda-feira . Dias da Semana
Segunda-feira, que canseira! Terça-feira, que canseira! Quarta-feira, que canseira! Quinta-feira, que canseira! Sexta-feira, que canseira!
Após os cinco dias úteis, declamado:
Sábado não tem feira, nem canseira. Domingo não tem feira nem canseira. Posso descansar na espreguiçadeira, e ficar mais tempo à tua beira.
António José Ferreira ]
Solifá
Solifá, toma leite de manhã. Solirré, come peixe com puré. Solimi, come pera e kiwi. Solidó, não abuses da filhó. Solitu, come carne de peru.
Solifá, minha mãe gosta de chá. Solirré, e o meu pai toma café. Solimi, minha avó come kiwi. Solidó, eu gosto de pão-de-ló. Solitu, diz-me o que comes tu?
A aprendizagem da gentileza na infância é crucial para o desenvolvimento de indivíduos socialmente competentes e emocionalmente equilibrados. A gentileza é a manifestação de empatia e respeito pelo próximo e por si próprio.
Ao praticar atos de bondade, as crianças desenvolvem a capacidade de se colocar no lugar do outro, compreendendo sentimentos e necessidades alheias. Esta habilidade é fundamental para a construção de relacionamentos saudáveis e duradouros, melhorando o convívio em casa, na escola e na comunidade.
Além de beneficiar os outros, a gentileza tem um impacto positivo no bem-estar emocional da própria criança, promovendo um maior sentimento de pertença, melhor autoestima e felicidade. Ajuda a reduzir conflitos e a resolver problemas de forma pacífica e cooperativa, contribuindo para uma sociedade mais harmoniosa e solidária.
A gentileza é, sobretudo, um valor que se aprende pelo exemplo dos adultos. Ao modelar comportamentos gentis, os pais e educadores fornecem às crianças as ferramentas essenciais para que elas se tornem jovens e adultos atenciosos, responsáveis e dispostos a fazer do mundo um lugar melhor.
Amigo do amigo
Quem é amigo do Simão, é amigo do seu cão.
Quem é amigo do Renato, é amigo do seu gato.
Quem é amigo da Maria é amigo da sua tia.
Quem é amiga da Joana é amiga da sua mana.
Quem é amigo da Emília, é amigo da sua família.
Amigos
Os amigos se ajudam, cada um como que tem: ora dando o bom dia, ora só com querer bem.
Das palavras fiz poema, do poema fiz canção, para dar-te aquele abraço que me sai do coração.
Eu comprei um carro novo p’ra levar-te a passear. Vamos conhecer a serra e depois a beira-mar.
Dia da Amizade: 30 de julho Dia de São Valentim (dos Namorados, da Amizade, dos Afetos): 14 de fevereiro
Catrapás
Catrapás, catrapás. – Não à guerra, sim à paz!
Catrapés, catrapés. – Mostra-me o bom que tu és!
Catrapis, catrapis. – Sou feliz se és feliz!
Catrapós, catrapós. – Ama e cuida dos avós!
Catrapus, catrapus. – Para mim és uma luz.
Com as mãos
Com as mãos Se guia e conduz. Com as mãos Se amassa o pão. Com as mãos Se acende uma luz. Com as mãos Se ajuda o irmão.
Com as mãos Se dá um aperto. Com as mãos Se faz poesia. Com as mãos se faz um enxerto. Com as mãos Se acena e guia.
António José Ferreira, baseado no poema “As mãos” de Manuel Alegre ]
Comboio da delicadeza
Vem comigo no comboio que se chama Alegria. Quando chegas à escola, de manhã, dizes “Bom dia!”
Vem comigo no comboio Que se chama Educação. Diz palavras delicadas E evita o calão.
Vem comigo no comboio onde vai o Professor. Quando queres uma coisa deves pedir “Por favor!”
Vem comigo no comboio do menino educado. Fará toda a diferença tu dizeres “Obrigado!”
Vem comigo no comboio Para o Desenvolvimento. É melhor seres delicado Do que seres violento.
Vem comigo no comboio Da Sustentabilidade. Equilíbrio no consumo Dá-te mais felicidade.
António José Ferreira ]
Dentro de nós
Dentro de mim, dentro de ti, dentro de nós existe Alguém. Eu sou assim, tu és assim, diferentes, e ainda bem.
Todos dif’rentes, todos iguais, diferentes e iguais.
A escola é minha, a escola é tua, a escola é de todos nós. A trabalhar, a estudar, toda a gente fica a ganhar.
Isabel Carneiro ]
Lojas
Fazes-me um favor? Vai à peixaria. E eu comprei sardinhas como a mãe queria.
Fazes-me um favor? Vai à frutaria. E eu comprei laranjas como a mãe queria.
Fazes-me um favor? Vai à padaria. E eu comprei regueifa como a mãe queria.
Fazes-me um favor? Vai à confeitaria. E eu comprei bolinhos como a mãe queria.
Fazes-me um favor? Vai à pizzaria. E eu comprei a pizza como a mãe queria.
Fazes-me um favor? Vai à charcutaria. E eu comprei fiambre como a mãe queria.
Fazes-me um favor? Vai à retrosaria. E eu comprei as linhas como a mãe queria.
António José Ferreira ]
Mágicas palavras
Mágicas palavras que dão alegria, quando amanhece digo “Olá! Bom dia!”
Mágicas palavras, boas de dizer: digo “por favor”, se algo quero ter.
Mágicas palavras, boas de dizer: digo “com licença”, se um arroto der.
Mágicas palavras, boas de dizer: “olá!”, “boa tarde” a quem estiver.
Mágicas palavras, boas de dizer: “muito obrigado” para agradecer.
Mágicas palavras boas de dizer: “perdão”, ou “desculpe”, se asneira fizer.
Mágicas palavras, que deves lembrar: digo “Boa noite!” antes de deitar.
São palavras doces que uso dia a dia. Fico mais contente como por magia.
António José Ferreira
Mãos
Uso as mãos para tocar, nunca para magoar. Uso as mãos para acenar nunca para arranhar.
Uso os pés p’ra caminhar, Nunca p’ra pontapear. Uso os pés p’ra ir e vir, Nunca para agredir.
Uso as pernas para jogar, Nunca para rasteirar. Uso a boca p’ra falar, Nunca para ameaçar.
António José Ferreira ]
Mulher
Hoje é dia da grande mulher que ensina, que escreve ou canta, e que esteja ela onde estiver nos apoia, acarinha e levanta.
Hoje é dia da mãe e da mana, da madrinha, da avó e da tia, da Matilde, da Bruna e da Ana, da Filipa, da Inês, da Sofia.
Hoje é dia da minha professora, da doutora e da cabeleireira, da flautista e da compositora, da autarca e da cozinheira.
António José Ferreira ]
Músculos gentis
Músculos! Músculos! Se eu não os tivesse, nem sequer eu te sorria.
Músculos! Músculos! Se eu não os tivesse, nem sequer saudaria.
Músculos! Músculos! Se eu não os tivesse, nem sequer acenaria.
Músculos! Músculos! Se eu não os tivesse, que abraços eu daria?
Músculos! Músculos! Se eu não os tivesse, como é que te ajudaria?
Músculos! Músculos! Se eu não os tivesse, gargalhadas não daria!
No teu lugar
Imagino o que sentes, ponho-me no teu lugar p’ra saber o melhor modo de te poder ajudar.
Imagino como estás Mesmo que tu não mo digas E escolho entre as palavras As que são tuas amigas.
António José Ferreira ]
Nomes coletivos
Se eu fosse um músico, queria-te na minha orquestra. Se eu fosse um cantor, queria-te no meu coro.
Se eu fosse um sino, queria-te no meu carrilhão. Se eu fosse uma tecla, queria-te no meu teclado.
Se eu fosse um disco, queria-te na minha discoteca. Se eu fosse uma corda Queria-te no meu encordoamento.
Se eu fosse um soldado, queria-te no meu batalhão. Se eu fosse pescador, Queria-te na minha companha.
Se eu fosse um navio, queria-te na minha armada. Se eu fosse um avião, queria-te na minha esquadrilha.
Se eu fosse um ator, queria-te no meu elenco. Se eu fosse um poeta, queria-te na minha plêiade.
Se eu fosse uma ilha, queria-te no meu arquipélago. Se eu fosse uma serra, queria-te na minha cordilheira.
António José Ferreira ]
Peixe-palhaço
Peixe-palhaço, ‘stás a nadar. Quem é que escolhes p’ta te adotar.
É quem tiver Tempo p’ra de mim cuidar E precisa de dinheiro Para me alimentar.
António José Ferreira ]
Saber estar na escola
Distraído é que não, pois não se aprende a lição. Ser atento, isso sim, é bom p’ra ti, é bom p’ra mim.
Falar sempre é que não pois não se aprende a lição. Levantar o dedo, sim! É bom p’ra ti, é bom p’ra mim.
Ter a mesa suja não que isso faz-me confusão. Manter limpa a sala, sim! É bom p’ra ti, é bom p’ra mim.
Brigar c’os amigos, não, que até perdes a razão. Ser prestável, isso sim! É bom p’ra ti, é bom p’ra mim!
Chamar nomes é que não, ou serás tu malcriadão? Educado, isso sim, é bom p’ra ti, é bom p’ra mim.
Fazer troça é que não, que o colega é como irmão. Ajudá-lo, isso sim, é bom p’ra ti, é bom p’ra mim.
António José Ferreira ]
Singular e plural
Singular é apenas um, é ser tão especial como o Dia da Criança, a Páscoa, o Carnaval.
Singular é ser o amigo, dizer palavra certa, o beijo de boa noite, o rádio que te desperta.
Singular é coisa rara, singular é ser um só como o sorriso da mãe ou o bolo da avó.
Singular é não ter “s” colado ao nosso artigo, ser colega de escola, ser a amiga, ser o amigo.
Um presente é singular, mais do que um já é plural: prendas, bolas e brinquedos, e enfeites de Natal.
Um disfarce é singular, singular é o Carnaval; mascarados e caretos, serpentinas é plural.
António José Ferreira ]
Tu
Tu és forte: sabes apoiar; tu és meigo: sabes abraçar; tu és rico: sabes o que dar: tu és tu, quem te pode igualar?
1. Alargai-vos, raparigas, que o recreio não é estreito. (bis) Quero dar minhas voltinhas, quero dá-las a meu jeito. (bis)
2. Ó rapazes, batei palmas que hoje é dia de alegria. (bis) Quem se quiser divertir venha para a romaria. (bis)
3. Alargai-vos, ó colegas, que o recreio não é estreito. Quero dar umas voltinhas, quero dá-las a meu jeito.
Numa roda dança
Numa roda dança, pula, dança. Numa roda dança dando a mão.
Numa roda dança, pula, dança. Numa roda dança dando os dedos.
Numa roda dança, pula, dança, numa roda dança dando o braço.
Numa roda dança, pula, dança, numa roda dança dando o cotovelo.
Numa roda dança, pula, dança. Numa roda dança, dando o pé.
Ó abre a roda
[ Tradicional do Brasil ]
As crianças estão numa roda. Realizam as ações sugeridas pela letra da canção.
Ó abre a roda, tingolelé. Ó abre a roda, tingolalá. Ó abre a roda, tingolé, tingolelé, tingolalá.
1. Ó abre a roda… 2. Ó fecha a roda… 3. Ó gira a roda… 4. Ó bate o pé… 5. Ó dá um pulo… 6. Ao pé coxinho… 7. Ó bate palmas… 8. Ó dá um abraço…
Vamos, amigos
1. Vamos, amigos, vamos dançar. Vamos que a dança é de arrasar.
Vamos lá, toca a mexer. Vamos, que esta dança está a aquecer.
2. Vamos, amigos, escolham um par. Vamos que a dança é espetacular.
As crianças cantam e dançam. Quando o professor ou uma criança indicada bate com a baqueta num bombo, todos ficam como estátuas. O último a tornar-se estátua perde uma de 5 vidas. Se, claramente, não estiver a dançar no ritmo da canção, perde também uma vida.
Vamos dançar
[ Autor desconhecido ]
Vamos dançar: Começa devagar; Depois de começar, Não podes mais parar.
Falado:
1. Um dedo 2. Outro dedo 3. Uma mão 4. Outra mão 5. Um cotovelo 6. Outro cotovelo 7. Um ombro 8. Outro ombro 9. Um pé 10. Outro pé 11. Uma perna 12. Outra perna 13. A cabeça 14. O corpo inteiro
Uma criança acompanha com nota lá de tubos, lâminas ou teclado.
Crianças dançam em roda, créditos GettyImages/iStockphoto
Vimos para o Baile
[ Tradicional de Portugal ]
1. Vimos para o Baile, vamos lá dançar. Vamos dar a meia volta, adiante e troca o par.
2. Dançai esta dança, ponde aqui o pé. Vamos dar a meia volta, ó tirolé, ó tirolé!
Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.
Brincar Azul, Reciclanda 2026
Na Loja Meloteca saiba mais sobre edições em formato digital ou em papel.
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/04/criancas-dancam-em-roda-getty-imges-istockphoto.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-04-16 00:15:082026-04-29 12:45:59Brincadeiras com dança
Canções Reciclanda que promovem a educação ambiental, a biodiversidade e sustentabilidade do planeta, da autoria de António José Ferreira
A árvore
[ António José Ferreira ]
A árvore que planto tem ramos a crescer, (bis) muita sombra p’ra dar, muitas aves p’ra acolher. (2 v.)
A árvore que rego…
A árvore que podo…
Árvores eu vou plantar
Árvores eu vou plantar na floresta e no pomar. Árvores eu vou plantar para a terra ter bom ar.
Castanheiros vou plantar para o souto aumentar. Castanheiros vou plantar e a castanha exportar.
No fim da primeira estrofe, um voluntário levanta o dedo e diz, com orientação do professor, uma árvore. O professor pode pretender que se plantem árvores, eventualmente de fruto, com caule lenhoso; arbustos, de fruto ou flor; plantas herbácias.
Bons arbustos vou plantar no jardim e no pomar…
Boas ervas vou plantar, semear, regar, cuidar…
Criado para o 3º Ano, em especial para o Dia da Árvore, mas também no Outono/Inverno, aplica a frase declarativa e classes de palavras: nome, verbo.
Quando se planta uma laranjeira
[ Mel. trad. Itália, Quando si pianta la bella polenta, adapt. António José Ferreira ]
1. Quando se planta uma laranjeira, uma laranjeira se planta assim. Ai, ai, ai! Planta-se, planta-se assim. Saxapum, saxapum.
2. Quando se rega uma laranjeira…
3. Quando se aduba uma laranjeira…
4. Quando se poda uma laranjeira…
5. Quando se colhe o fruto à laranjeira…
6. Quando se come o fruto à laranjeira…
No fim de cada letra, repetem-se as anteriores da primeira para a última, recitando-as: – se planta assim. – se planta assim, – se rega assim.
Se eu fosse uma árvore
Se eu fosse uma árvore queria dar sombra à gente, oliveira, laranjeira com a folha persistente.
Se eu fosse uma árvore folha caduca teria; quando as folhas me nascessem, “Primavera!” se diria.
Se eu fosse uma árvore folha caduca teria; quando as folhas me caíssem, “É Outono”, se diria.
SUGESTÃO Nesta canção criada para o 2º ano de escolaridade (Estudo do Meio/Português), voluntários memorizam e cantam a sua quadra. Por ordem saem do lugar e plantam-se dispersos pela sala. Cantam e ficam em silêncio, parados, podendo apenas mexer ramos, com o vento, não as raízes e o tronco
Castanheiros
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2022/07/castanheiros.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2022-07-08 11:17:132025-10-27 00:52:26Canções de árvores
Ao longo do século XX, o ensino primário em Portugal sofreu mudanças, reflectindo transformações políticas, ideológicas e sociais. Apesar das várias reformas, o ensino da música constou sempre do currículo do 1ºCEB, embora sofrendo diversas designações, nomeadamente, Música e Canto Coral no ano 1911, Música no ano 1921, Canto Coral em 1928 e 1937 e Educação Musical em 1960.
Com a revolução de 1974, foram implementados novos currículos e novos programas, onde a área de Movimento, Música e Drama no 1ºCEB, reflectia ideias inspiradas no movimento internacional da “Educação pela Arte”, que contemplava cursos de formação de professores.
Desde 1989, a área das expressões integra o plano curricular do CEB, onde estão definidas as principais linhas orientadoras do Programa, estando estas assentes em estratégias de ensino, desvalorizando a definição de um quadro conceptual.
Reconhecendo as dificuldades de leccionação demonstradas pelos professores generalistas, a Lei de Bases do sistema educativo, em vigor desde 1986, define as Expressões como Áreas Curriculares, prevendo a possibilidade da existência do professor especialista que coadjuva o professor titular no desenvolvimento destas mesmas áreas, quando refere que, no 1º ciclo, o ensino é globalizante, da responsabilidade de um professor único, que pode ser coadjuvado em áreas especializadas, (Lei nº46/86, art.8º, nº1 alínea a). As alterações de 1997 e de 2005 não prevêem qualquer alteração no currículo do 1ºCEB, continuando em vigor o que foi definido em 1986, em que as expressões são parte integrante do Currículo, e como tal, têm de ser desenvolvidas conforme o previsto na Lei de Bases (1986).
Em 2006, o Ministério da Educação, instituiu uma norma para as escolas públicas do 1ºCEB, através do Despacho 12 591/2006 de 16 de Junho, onde o conceito de “Escola a tempo inteiro” prevê a permanência dos alunos por mais tempo na escola de forma a promover o sucesso escolar e apoiar as famílias, surgindo então as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) que asseguram o prolongamento do horário em todas as escolas do 1ºCEB.
Este programa inclui obrigatoriamente o ensino de inglês para os alunos do 3º e 4º ano de escolaridade, e o apoio ao estudo com uma duração semanal não inferior a 90 minutos. Para além de frequentarem estas actividades de carácter obrigatório, destes planos podem constar outras actividades de enriquecimento, como o ensino da música, prática física e desportiva, bem como o ensino de outras línguas estrangeiras ou expressões artísticas. No entanto, quando se fala das AEC é necessário ter em conta a função da monodocência coadjuvada, uma vez que o professor titular de turma passa a partilhar o trabalho pedagógico com outros profissionais, tendo este a responsabilidade da coordenação pedagógica.
Nos últimos quatro anos, as alterações preconizadas pelo Ministério da Educação relativamente às AEC, trouxeram alguma esperança relativamente a um maior desenvolvimento da educação artística no 1º CEB. As actividades extra curriculares e o conceito de escola a tempo inteiro, salvaguardado no Despacho 12 591/2006 de 16 de Junho, seriam em teoria uma mais-valia para o desenvolvimento da educação artística no ensino básico. No entanto, no Despacho n.º 14460/2008 de 26 de Maio de 2008, que regulamenta as AEC, é referido que estas não são de carácter obrigatório, sendo frequentadas apenas por alunos inscritos nas mesmas, mediante autorização dos encarregados de educação. As áreas que têm de estar contempladas nas AEC são o inglês e o apoio ao estudo, ficando o ensino de outras línguas estrangeiras, as actividades físicas e desportivas, o ensino da música e o de outras expressões artísticas, assim como de outras possíveis actividades indicadas nos domínios identificados no despacho, de carácter opcional, a gerir pela autarquia em cooperação com a escola.
Para a Comissão de Acompanhamento do Programa 2007/2008, existem alguns constrangimentos, nomeadamente no (…) Ensino da Música continua a deparar-se com um conjunto de constrangimentos de professores habilitados, mas também à articulação horizontal e vertical nas escolas e agrupamentos, reforçando a ideia dos professores titulares que podem dispensar as actividades nas áreas das Expressões. Paralelamente, e segundo a mesma autora, a insistência na recuperação dos alunos nas áreas consideradas prioritárias – Português e Matemática – e o surgimento das Expressões como AEC induz nos professores titulares de turma o esquecimento das Expressões como componentes do currículo, uma vez que sentem, e afirmam, que as AEC colmatam essas áreas do currículo.
No entanto, é esquecido que as AEC não são de frequência obrigatória e como tal são áreas de frequência facultativa, podendo os alunos chegar ao 2º CEB sem nunca terem desenvolvido actividades na área das Expressões. Também a contratação de professores com formação específica para leccionar as AEC, reforça nos professores titulares a ideia de que não possuem formação especializada no ensino das Expressões, assim como a urgência em trabalhar as áreas consideradas prioritárias, faz com que deleguem esta responsabilidade nos professores das AEC. Por outro lado, também se torna difícil motivar os professores titulares das turmas para a formação e para a necessidade de articulação dos programas das áreas das Expressões, reportando esta responsabilidade para os professores que a leccionam.
Um outro constrangimento e de acordo com a mesma autora, prende-se com a formação dos professores que leccionam as AEC, sendo professores com formação muito diversa no que diz respeito à Música, necessitando por isso de apoio e enquadramento, que os responsáveis pelo recrutamento destes professores não podem dar, nomeadamente, as Câmaras Municipais. Segundo o Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, e ao analisar o Relatório de Actividades de Enriquecimento Curricular 2009/2010, referente ao ensino da Música no âmbito das AEC, verifica-se que a percentagem de estabelecimentos de ensino, a dinamizar esta área de expressão é de 81,4%, devido à falta de professores habilitados para colocar em prática estas actividades. Por outro lado, a taxa de adesão dos alunos que frequentam esta área é de 67,4%, devendo-se ao facto de estas actividades não serem de carácter obrigatório.
Na perspectiva de Gabriela Canavilhas, a educação artística constitui uma dimensão importante da educação, a que todos os cidadãos devem ter acesso, independentemente das suas aptidões ou talentos específicos, devendo fazer parte da formação geral de todos os alunos, constatando-se com o disposto na Lei nº 46/86, art.7º alínea c, onde menciona que o ensino básico deve promover a educação artística, de modo a sensibilizar para as diversas formas de expressão estética, detectando e estimulando aptidões nesses domínios.
Também o Currículo Nacional do Ensino Básico (ME, 2001) salienta que o lugar das Artes, em geral, e da Música em particular, continua a ter contornos pouco explícitos e a ser encarado como algo que aparentemente está assumido, ficando, no entanto à margem, quer em termos conceptuais como programáticos. Neste sentido, Jos Wuytack e Graça Palheiros, afirmam, que ao longo do século XX,
(…) a educação artística, em geral, e a educação musical em particular, têm percorrido um caminho, por vezes difícil, entre a imposição de currículos baseados no saber “ler, escrever e contar”, e a ideia elitista de que a música é um privilégio reservado a seres particularmente dotados.
Para estes autores, esta situação, repercute-se na falta frequente de uma prática musical no ensino genérico, mais significativa no 1ºCEB, onde é leccionada por professores que possuem, em geral, uma formação insuficiente nas áreas artísticas, necessitando de serem apoiados por professores especialistas para que assim o currículo possa ser cumprido. No entanto, é hoje aceite que a educação musical é uma disciplina importante no currículo escolar, com um programa próprio, e que, enquanto tal, faz parte integrante na educação global da criança.
Ao consultar-se o Currículo Nacional do Ensino Básico (ME, 2001), verifica-se que este documento apresenta um conjunto de competências musicais bastante ambicioso. No que refere à música, esta é um elemento importante na construção de outros olhares e sentidos, e as competências artístico-musicais desenvolvem-se através de vários processos de experiências e reprodução. No entanto, estas potencialidades nem sempre se verificam na prática. A educação do corpo, da audição, e da voz, desenvolve nas crianças, a capacidade de compreender o mundo, exprimir sentimentos e de criar. Segundo a Organização Curricular e Programas do 1ºCEB, o canto é a base da expressão e educação musical para este nível de ensino, sendo este o primeiro instrumento que as crianças devem explorar. Para além da voz, a exploração do corpo, é igualmente importante, pois permite através de actividades lúdicas, como a dança e os jogos, proporcionar o enriquecimento das vivências sonoro-musicais das crianças.
De acordo com J. Tafuri a educação musical no 1ºCEB, tem como objectivo dar à criança oportunidade e meios para uma explosão e utilização dos materiais sonoros que possam ajudar no seu desenvolvimento psico-físico e ao seu desenvolvimento da realidade. No entanto, um currículo musical que tem por base somente as experiências dos alunos resulta, segundo Swanwick, estéril e empobrece a inspiração e o desenvolvimento musical.
Uma Educação Artística, completa, não se pode resumir a um simples somatório de disciplinas, mas sim, a uma organização curricular, em que as letras, as ciências e as artes, tenham a mesma ponderação, possibilitando aos alunos uma formação equilibrada. Como menciona o Currículo Nacional do Ensino Básico (ME, 2001, p.169), a música deve atravessar todas as áreas disciplinares, tais como, as Ciências Humanas e Sociais, as Ciências Físicas e Naturais, a Matemática, a Expressão e Educação Físico-Motora, as Línguas e as Tecnologias.
Segundo C. Freitas,
(…) o currículo das escolas portuguesas é efectivamente mutilado porque lhes não é concedido desenvolver áreas fundamentais para a educação das crianças e jovens, entre as quais a música.
C. Freitas
Subjacente a esta afirmação, pode-se concluir que o currículo não é uma mera soma das diferentes disciplinas que tradicionalmente são oferecidas aos estudantes durante a sua vida escolar, mas, e segundo este autor, deve entender-se por currículo tudo o que a escola promove para que os alunos tenham aprendizagens significativas. Como advoga Roldão, o currículo assume um lugar central na educação escolar, sendo este um conjunto de aprendizagens consideradas socialmente desejáveis e necessárias num dado tempo e sociedade, que a instituição escola tem a responsabilidade de assegurar (…).
No caso específico da música, é necessário que na concepção de currículo esta tenha o seu lugar. Como afirma Eisner, se às crianças não forem dadas oportunidades para compor música, nunca terão possibilidade de se aperceberem o que significa a criação musical. Ainda segundo este autor a música tem de ser ensinada para que ganhe significado, sendo para isso necessário ter espaços próprios para que os alunos aprendam. Também Dalcroze, afirma que só uma educação que dê relevância à Educação Musical, nos contextos educativos, pode promover a evolução de um povo. Como argumenta a mesma autora, a cultura musical deveria ser pertença de todas as pessoas e não só pertença de uma certa elite.
Importa ainda referir o número de horas que é dedicado a cada uma das áreas, curriculares e não curriculares, para a leccionação dos programas e o desenvolvimento dos currículos, sendo estas distribuídas da seguinte forma: oito horas por semana para a Língua Portuguesa; sete horas para a Matemática; cinco horas para o Estudo do Meio, sendo que metade destas últimas devem ser dedicadas ao Ensino Experimental das Ciências; cinco horas para a área das expressões e restantes áreas curriculares, (Despacho nº19 575/2006 de 25 de Setembro).
É importante referir que este tempo lectivo deveria estar devidamente expresso no programa do 1ºCEB, para não existirem dúvidas nas horas que devem ser dedicadas às expressões. Também Canavilhas consolida que para além dos tempos lectivos ou do currículo, a valorização da Educação Artística no ensino básico implica o reforço do estatuto das disciplinas artísticas, de forma a garantir o seu contributo para a formação global do aluno e o seu justo reconhecimento enquanto disciplinas estruturantes do ser humano.
Esta realidade é salientada por A. Sousa, ao afirmar que,
Uma Educação Artística pressupõe, antes de tudo, que na organização curricular, letras, ciências, técnicas e artes tenham a mesma ponderação, haja equilíbrio e não preferências ou predominâncias, concorrendo em igualdade de circunstâncias para proporcionar aos alunos uma equilibrada formação cultural geral, homogénea e congruente – a harmonia estética na harmonia educacional.
A. Sousa
Operacionalização da Expressão Musical no 1º Ciclo do Ensino Básico, por Maria Salomé Araújo Alves Dias, Mestrado em Educação, Área de Especialização em Educação Artística, Trabalho efectuado sob a orientação do Professor Doutor Carlos Alberto dos Santos Almeida: Viana do Castelo, Instituto Politécnico de Viana do Castelo 2011
Este artigo aborda a questão do papel da Música no currículo do Ensino Básico em conjugação com o despacho do Ministério da Educação quanto à implementação das Actividades de Enriquecimento Curricular. Assume uma posição divergente, na medida em que contesta a forma como a decisão ministerial ignora o facto de a música, enquanto disciplina do currículo, manter um estatuto de clara precariedade. Preconiza uma educação musical de qualidade e intrinsecamente democrática enquadrando, neste âmbito, a formação de professores de Educação Musical levada a cabo pelas Escolas Superiores de Educação nas duas últimas décadas. Finalmente, procura estabelecer um ponto de confluência operacional entre o professor generalista e o professor especialista de música.
Contexto
Como docente de uma Escola Superior de Educação (ESE do IPPorto) e co-responsável, desde a abertura desta instituição no ano de 1986/87, pelo curso de Professores do Ensino Básico/Variante de Educação Musical, gostaria de, numa primeira parte, colocar algumas questões relacionadas com o lugar da Música no currículo do Ensino Básico e lembrar como há mais de vinte anos essa preocupação norteou as nossas discussões e as nossas decisões. Decorria na nossa instituição o debate na Assembleia da República em torno da Lei de Bases do Sistema Educativo Português, precisamente no mesmo momento em que se elaboravam os currículos de Formação de Professores que haviam recentemente sido cometidos às ESEs. Na Área de Música lutávamos por uma formação capaz de assegurar uma qualidade musical de elevado nível, aliada a uma formação pedagógica e didáctica que permitisse encarar a Educação Musical desde os primeiros anos de escolaridade como algo a que todos os cidadãos portugueses deveriam ter acesso. Como resultado dos nossos debates foram criados, pela primeira vez em Portugal, os Cursos de Formação de Professores para esta área do saber, nomeadamente os Cursos de Professores do Ensino Básico (EB) /Variante de Educação Musical (professor generalista para o 1º ciclo e especialista para o 2º ciclo do EB). Por outro lado, o art.º 8 da LBSE consignava a figura do professor coadjuvante, o qual deveria apoiar os professores generalistas predominantemente nas áreas da educação artística, entre estas na Expressão Musical. Abria-se, assim, uma porta para o reconhecimento de que o professor do 1º ciclo do EB não poderia ser responsável único por todas as áreas curriculares e sobretudo por aquelas que exigem um perfil de competências com base numa sólida formação especializada.
A Educação Musical na Escola Pública
Nas últimas décadas, assistiu-se ao desenvolvimento de uma filosofia, cujas raízes se encontram no movimento internacional de Educação pela Arte, que preconiza um tipo de inserção das várias artes no currículo do ensino geral, essencialmente facilitadora da interdisciplinaridade e transversalidade das mesmas e destas com outras áreas do saber.
Esta perspectiva é, em si, aliciante. O saber globalizante, a integração e a complementaridade dos saberes, a transferência de conhecimentos, representam um outro tanto número de questões que nos têm absorvido enquanto educadores de há uns anos a esta parte. No entanto, a nossa própria formação transformou-nos, salvo raras excepções, em senhores feudais dos nossos conhecimentos e disciplinas, impedindo-nos de vislumbrar com alguma clareza, por um lado, as perspectivas possíveis e desejáveis no mundo de hoje no ensino de uma arte, neste caso, a Música e, por outro, as possibilidades que se oferecem à interpenetração das artes. Na verdade, uma compreensão algo desfocada destas questões contribuiu sistematicamente para uma definição do papel das expressões artísticas como sendo essencialmente propedêutico do domínio de destrezas necessárias à leitura, escrita e cálculo e um suporte de aprendizagens que se consideram indispensáveis ao desenvolvimento da criança e ao seu processo de socialização.
Esta questão é, aliás, de âmbito internacional. Elliott Eisner refere-a como algo que “ao nível prático ou político torna a educação musical e, na verdade, as outras artes, vulneráveis a qualquer outra forma de ensino ou conteúdo capaz de fazer apelos semelhantes. Se as artes não têm nenhuma contribuição específica a fazer, então porquê preocuparmo-nos com elas?”. Por outro lado, vários investigadores vêm abordando de forma consistente a questão da Educação Musical na escola pública e, pesem embora as diferenças entre países, reconhece-se uma linha comum que nos diz que as coisas não vão bem para a Educação Musical como parte integrante do currículo da educação básica. A partir destas considerações será talvez possível identificar dois aspectos que têm vindo, mesmo que de forma não assumida, a prevalecer em muitas das decisões de política educacional nesta matéria:
1. A Música é encarada como subsidiária de outras aprendizagens;
2. A Música não se constitui como uma disciplina com os seus objectivos próprios, inerentes a esta Arte.
A filosofia subjacente a estes aspectos carece claramente de fundamentação científica e não resulta de qualquer estudo ou investigação sistemática. Como tal, será talvez chegado o momento de tentar estabelecer resumidamente algumas linhas que nos conduzam a uma outra forma de pensamento.
A Música é uma Arte com características muito próprias. Como linguagem tendencialmente não-verbal, ela existe completamente independente da sua representação. Por outro lado, coloca problemas sérios em termos das hipóteses de produção comuns, atendendo à necessidade que impõe do conhecimento de um código elementar que permita a compreensão do seu funcionamento estrutural. Na prática, isto coloca-nos perante uma arte essencialmente abstracta que, embora profundamente ancorada no domínio dos afectos e emoções, faz apelo a uma conceptualização de tipo específico, nomeadamente auditivo, e ao domínio de uma linguagem básica capaz de traduzir um território sonoro que se mantém sempre infinitamente mais vasto do que a sua própria representação.
Em termos de um processo de ensino estamos, assim, perante um desafio que situa a Música claramente num corpo central de aprendizagens também estruturantes dos mecanismos cognitivos, para já não falar dos afectivos, psicomotores e sociais sempre tão sobejamente enunciados. Nesse sentido, educar musicalmente, terá sempre um e um só objecto: a Música. A Música entendida como uma arte com todo o código que lhe é inerente e a Música entendida através dos múltiplos idiomas que percorrem a sua própria história.
Em suma, a Música nas suas três vertentes fundamentais de composição, audição e performance e entendida globalmente como prática musical a qual envolve sempre um sujeito, um processo e um produto. Se acrescentarmos a isto a mediatização do contexto, do qual qualquer tipo de ensino da arte ou das artes é inevitavelmente inseparável, poderemos começar a encarar uma educação musical em que as competências musicais são geradas na experiência directa com as múltiplas formas do fazer música.
A partir da perspectiva atrás enunciada, torna-se evidente que o lugar da Música no currículo do EB continua a ter contornos pouco claros e a ser encarado como algo que, embora esteja aparentemente assumido, se situa numa zona de alguma marginalidade tanto em termos conceptuais como pragmáticos. A mais ou menos recente publicação pelo Ministério da Educação (Setembro de 2001) das Competências Essenciais do Currículo Nacional do Ensino Básico, parece ter contribuído para uma clarificação quanto ao lugar que a Música deverá assumir no currículo, em paridade com as outras disciplinas.
Por outro lado, embora lhe seja conferido um estatuto epistemológico inequívoco quanto à sua estruturação e desenvolvimento no conjunto de todas as outras aprendizagens, a verdade é que não se conseguiu ainda ultrapassar as dificuldades inerentes à sua real implementação curricular, essencialmente por uma razão: a manifesta falta de vontade política para estabelecer as bases que levariam ao cumprimento daquilo que foi consignado no atrás referido art.º 8º da LBSE.
Quais os possíveis caminhos da mudança?
Após estas considerações, julgo importante começar por afirmar que, com a criação das Escolas Superiores de Educação, se encetou um processo irreversível no âmbito da Formação de Professores do EB, consignado num perfil de formação que contribuiu nos últimos quinze anos para modificar radicalmente o panorama da Educação Musical no 2º ciclo do EB. As críticas que, sem dúvida, possam ainda subsistir quanto à qualidade da implementação desta disciplina, não podem ignorar a diferença significativa entre os professores cuja formação os direccionou especificamente para um trabalho de pedagogia musical no âmbito das escolas do 2º ciclo e o antigo sistema em que, directamente saídos dos conservatórios de Música (hoje ensino Secundário de Música), os jovens concorriam directamente para o ensino geral sem qualquer tipo de preparação pedagógica e metodológica para a especificidade de um ensino não vocacional, dirigido a todo o cidadão.
Gostaria de referir ainda dois aspectos. O primeiro relaciona-se com a criação das Licenciaturas em 1º ciclo do EB nas Escolas Superiores de Educação e em algumas Universidades. A qualidade global da formação proporcionada no âmbito da Música, se bem que porventura mais consistente face aos antigos cursos dos Magistérios Primários, continua a não constituir muito mais do que uma área de formação pessoal. Tendo em conta que a população discente, na esmagadora maioria dos casos, não possui qualquer formação musical prévia ao ingresso no Ensino Superior, o espaço curricular que é dedicado à Música, por exemplo no currículo da ESE do IPPorto, visa apenas a aquisição de um esquema conceptual básico que permita aos futuros docentes exprimirem-se através da linguagem musical, ao nível da voz, do corpo e de alguns instrumentos musicais (pequena percussão, guitarra, flauta), pondo em evidência os parâmetros musicais e a sua articulação e procurando fazer a passagem do fenómeno sonoro ao fenómeno musical. Infelizmente, como a apropriação deste esquema conceptual básico exigiria uma continuidade temporal capaz de permitir a futura transferência de saberes numa perspectiva pedagógica, e que tal se torna pouco exequível no âmbito da formação generalista, formam-se docentes quiçá mais competentes, enquanto perfil global para o exercício da profissão, mas não parece possível, apenas por esta via, resolver o problema da abordagem sequencial da Música enquanto disciplina do currículo do 1º ciclo do EB.
O segundo aspecto refere-se à implementação dos Cursos de Complemento de Formação para atribuição do grau de Licenciatura aos professores do 1º ciclo do EB. Esta formação permitiu, de algum modo, tomar o pulso à situação dos professores que há muito trabalham neste sector de ensino e que, em relação ao ensino da Música, vivem num estado de instalada baixa auto-estima profissional quanto a orientações programáticas que manifestamente não têm competências para implementar. No entanto, e mais uma vez cito o trabalho que a este nível se desenvolveu na ESE do IPPorto, a simples criação de algumas condições para que possam trabalhar, mesmo que a um nível muito básico, alguns conteúdos de Educação Musical, tem vindo a demonstrar o interesse com que procuram desenvolver as suas competências musicais, por um lado, e, por outro, como um trabalho continuado permitiria, se não formar professores especialistas, pelo menos criar um perfil de competências capaz de compreender e desenvolver um trabalho musical em colaboração com o professor especialista.
Atrevo-me a pensar que, após o que acabei de referir, se torna claro por que caminho entendo que a mudança pode passar no que respeita ao conceito, aos seus agentes e à sua organização. Em síntese, diria que não considero possível modificar o panorama que todos conhecemos sem 1. ter em conta a presença no terreno, de todos os docentes do 1º ciclo do Ensino Básico e 2. mobilizar de forma absolutamente preferencial os professores de Educação Musical do 2º ciclo do Ensino básico. Em termos organizativos são estes os agentes que devem integrar uma rede de trabalho colaborativo que, essa sim, poderá vir a ser alargada a outros possíveis intervenientes no desejado processo de mudança.
O Programa de Actividades de Enriquecimento Curricular
Do Perfil dos Formadores
Dos Promotores
Das Orientações Programáticas
No âmbito do parecer que me foi solicitado pela APEM e das reuniões em que participei, tive ocasião de manifestar as minhas mais sérias preocupações quanto ao projecto defendido pela senhora ministra da educação, ou seja, o programa de actividades de enriquecimento curricular. Parecia-me completamente impensável que se passasse por cima dos esforços de tantos anos para encontrar uma solução para o problema da inserção da Música no 1º ciclo do EB, remetendo para um programa de enriquecimento curricular uma área que já estava contemplada no Currículo Nacional. Com a publicação do Despacho 12591/2006 que regulamenta estas actividades, confirmaram-se as minhas piores expectativas. Na verdade, este ignora pura e simplesmente o debate de que anteriormente falei, fazendo tábua rasa da presença da música no currículo e dando-lhe o mesmo tratamento que à actividade de ensino do inglês. A partir daqui as coisas não podiam correr bem.
Comecemos pelo perfil de formadores (art.º 16, Secção III do Cap. III). Após mais de vinte anos de formação de professores de Educação Musical, os professores passam a poder ser recrutados de novo directamente dos conservatórios, Escolas e Academias de Música, hoje Ensino Secundário de Música. Julgo que, após o que atrás expressei, não há lugar a mais comentários.
Quanto aos promotores (ponto 14.), começa-se por privilegiar as autarquias locais, as quais deverão celebrar acordos de colaboração preferenciais com as escolas vocacionais e profissionais de música (art.5º, Cap. III). Os agrupamentos de escolas, listados em último lugar, por alguma razão se candidataram em número tão reduzido a este programa. Do meu ponto de vista, precisamente porque não foram devidamente sensibilizadas para a importância de o fazerem.
Finalmente, no que diz respeito ao ponto que, neste particular, até me parece o mais pacífico, o das Orientações Programáticas, tive, em devido tempo ocasião de me pronunciar acerca do programa da autoria do Dr. António Vasconcelos. Apesar das reformulações que veio a sofrer, considero que continua a inscrever-se na linha das Competências Essenciais do Currículo Nacional do Ensino Básico a cuja equipa de redacção também pertenceu. Como tal, integram-se na filosofia que presidiu à elaboração das bases para uma literacia musical, na relação estabelecida com o desenvolvimento de competências gerais e na respectiva explicitação das experiências musicais. Globalmente, trata-se de um trabalho que pouco ou nada pode ser distinguido do que são as próprias orientações curriculares para a Educação Musical no 1º ciclo do EB o que, mais uma vez, nos vem lembrar que, a haver enriquecimento curricular, este só poderia ser entendido como um expansão do próprio currículo.
Deste modo, o programa de enriquecimento curricular de música, não poderia, do meu ponto de vista, ignorar ou passar por cima dos vários agentes que, de uma ou outra forma actuam neste campo, e também não poderia ser uma mera duplicação de um programa que, esse sim, desejamos ver realizado no âmbito do espaço curricular regular dos alunos. Se se trata de ‘enriquecer’ deveríamos entender este conceito como uma área em que as aprendizagens podem ser concretizadas no fazer música que atrás enquadrei, numa perspectiva muito mais operacionalizada do que conceptualizada e sobretudo no âmbito de um trabalho colaborativo com o contexto sociocultural em que a acção vai decorrer. Acção essa que se pretende situada, envolvendo, tal como atrás propus, todos os que podem contribuir para o verdadeiro sentido de ‘enriquecimento’.
Operacionalizar, neste contexto, significa, trabalhar essencialmente em projectos musicais que poderão ir da criação de um coro de escola, ao agrupamento instrumental, de acordo com as valências do professor especializado que deverá ser o pivot de todo processo, até a projectos que se enquadrem no projecto educativo de Escola e que se possam vir a configurar em termos de uma performance integrada em que a música recebe um enfoque especial. Deste modo, as competências musicais poderiam ser trabalhadas de forma mais aprofundada, combinando as vantagens da riqueza do processo com a chegada a um produto, numa perspectiva necessariamente gratificante para todos os intervenientes. É, no entanto por demais evidente que, na ausência de uma Educação Musical já implementada no terreno do 1º ciclo do EB, não está clarificado a que é que nos referimos quando falamos em ‘enriquecer’. Assim, como não podia deixar de ser, o programa adoptado acaba por se constituir como um programa prescritivo em termos curriculares, através do tácito reconhecimento de que é necessário partir quase do zero, e, assuma-se claramente, fazer no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular o que não é cumprido no âmbito das Competências Essenciais previstas para a Educação Musical neste patamar do EB.
Em busca da sustentabilidade tendo por base as boas práticas
Do que acabo de expor, independentemente das questões de fundo, ressalta a convicção de que neste país e na educação em particular, se continua a impor as medidas a partir de cima antes de procurar a sustentabilidade no terreno. Em algumas zonas do país já se vinha ensaiando um modelo de Educação Musical nas escolas do 1º ciclo do EB, quer através do envolvimento dos próprios agrupamentos escolares quer através das autarquias, o qual deveria ter sido objecto de avaliação não só como forma de auscultação da situação real mas também para descobrir quais as boas práticas que haveria que apoiar e desenvolver. Porque não se começou por aqui? Porque não se teve em conta o projecto que vem sendo implementado há quase trinta anos na Região Autónoma da Madeira pelo Gabinete Coordenador da Educação Artística e que contempla a Educação Musical em toda a região, em todas as escolas do 1º ciclo do EB? Felizmente, posso aqui anunciar que o CIPEM (Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical) da Área de Música da Escola Superior de Educação do IPPorto, acabou de ver aprovado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) um projecto de investigação que é precisamente um estudo de caso sobre essa realidade. É assim que, a partir da análise sistemática de um projecto com muitos anos de implementação, esperamos sinceramente poder vir a contribuir para que este debate tenha continuidade.
Por um modelo efectivo de acompanhamento
Uma última palavra para a Comissão de Acompanhamento do Programa e para o Relatório produzido pela mesma e a que todos tivemos acesso através da sua publicação na Internet. Formulado na permanente ambiguidade entre o conceito de acompanhamento e o conceito de avaliação, produz afirmações e apresenta uma metodologia de recolha de dados no mínimo bizarra. Se estamos perante uma comissão de acompanhamento, sem dúvida necessária e louvável, qual o sentido de trabalhar com uma amostra, ela mesma altamente questionável do ponto de vista do rigor metodológico em investigação (16% em Dezembro de 2006, dois meses depois do projecto estar no terreno e sem um universo estabilizado?). Na prática, da leitura cuidada do relatório fica claro que não estamos nem perante uma verdadeira comissão de acompanhamento nem perante um relatório de avaliação.
Independentemente de, como procurei argumentar neste espaço, não concordar com o modelo das Actividades de Enriquecimento Curricular em relação à Educação Musical, acompanhar deverá traduzir-se num apoio efectivo aos docentes em termos da planificação das actividades, da sua execução em termos de coerência pedagógica e didáctica, do levantamento de necessidades em termos de recursos humanos e materiais, da reflexão e da avaliação sustentada do desempenho do docente e dos alunos.
A avaliação de todo o processo só pode, do meu ponto de vista, ser levada a cabo numa perspectiva de investigação longitudinal. Nunca por nunca à pressa, sem tempo de decorrência que justifique a análise e sobretudo nunca para mostrar ‘bons resultados’. O país já conhece demasiadas práticas que se inscrevem neste registo e não precisa de mais. Só a avaliação longitudinal na perspectiva da metodologia de estudo de caso, levada a cabo por uma entidade verdadeiramente independente, pode revelar as potencialidades do projecto e as suas deficiências.
Deveria terminar dizendo que, apesar de tudo, a experiência está a valer a pena quanto mais não seja pelo mercado de trabalho que abriu. Mas não posso, em bom rigor, afirmá-lo. Temo que se tenham perdido oportunidades fundamentais e feito estragos que, em alguns casos, podem ser irreparáveis. De entre eles, o mais doloroso seria chegarmos à conclusão de que a Educação Musical foi, por esta via, definitivamente arredada do Currículo do 1º Ciclo do EB. Oxalá me engane e, se assim for, voltarei com gosto a falar sobre este tema, neste ou noutro espaço que entenda aceitar o meu contributo. (…)
Revista de Educação Musical Nºs 128-129 – Maio a Agosto e Setembro a Dezembro 2007
Nas escolas de ensino oficial obrigatório, a área da Música é introduzida pela primeira vez nas reformas de Passos Manuel e Costa Cabral, com a progressiva institucionalização dos liceus entre 1836 e 1850, porém, funcionava apenas como Canto Coral; sendo submetida a várias modificações, relativamente ao currículo, programa e habilitações dos respectivos professores.
No entanto, a primeira grande reforma do ensino da Música nas escolas oficiais surge em 1968, cuja disciplina passou a ser obrigatória no quinto e sexto anos de escolaridade; e importa salientar que surge com um programa regulamentado, alterando-se o seu nome para Educação Musical. A disciplina de Canto Coral continuou no nono ano, funcionando como disciplina opcional.
Em 1990, a disciplina de Educação Musical é integrada em todos os anos curriculares até ao sexto ano como disciplina obrigatória, e, nos anos seguintes até ao décimo segundo como disciplina de opção. O Ensino Primário (actual Ensino Básico – 1º Ciclo) incluía no seu currículo desde 1936 a disciplina de Canto Coral que passou a chamar-se Educação Musical no programa de1960.
Em 1974, surge a disciplina de Música que apresenta já um misto de objectivos, conteúdos e metodologias (ME, 1974). Sugerindo uma ideia de Educação Musical mais evoluída, surge, em 1975, um programa elaborado para a disciplina de Música, Movimento e Drama que, entretanto, substitui a de Música e perdura até à publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE).
Violeta Hemsy, refere que a crise que a Educação Musical atravessa nestes últimos anos, não tem a ver com a falta de uma informação actualizada, mas sim com uma série de 45 obstáculos que persistem na prática pedagógica. A autora defende que, impera ao mundo da pedagogia musical, hoje, manejar-se com relativa fluidez na promoção da mudança e da transformação educativa, não só especificamente no que concerne à Música, como também na sua articulação com as outras disciplinas (1997).
O nosso sistema educativo abarca o ensino da Música no 1º Ciclo. Inicialmente, de uma forma bastante irregular, uma vez que era arrogada de forma deficitária no currículo. Todavia, no ano lectivo de 2006/2007, pelo Despacho nº 12591/2006 (2º série) de 16 de Junho de 2006, o Ministério da Educação promove diversas Actividades de Enriquecimento Curricular no 1º Ciclo do Ensino Básico, o qual implica o ensino da Música. Salientamos, ainda, que em 2008 o Ministério da Educação emite o Despacho nº 14469/2008 que, não só regulamenta de forma mais veemente as Actividades de Enriquecimento Curricular, como, também, lhes confere um maior grau de fiabilidade, uma vez que lhes atribui um carácter normativo, com uma carga horária semanal definida (90 minutos) e estabelece requisitos específicos para a leccionação desta área.
Educação Musical e Animação Socioeducativa no 1º Ciclo no âmbito das Actividades de Enriquecimento Curricular, Helena Maria Portugal do Canto, Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, Área de Especialização em Animação Sociocultural. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Chaves 2010.
Música no Ensino Básico
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/03/antonio-bernardo-da-costa-cabral.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-03-22 13:29:482022-06-30 14:21:52Música no Ensino Básico
Além de as canções serem conveniente para apresentações no final de ano letivo ou de ciclo, a importância de hinos e canções sobre a escola na infância é significativa, atuando como poderosos veículos de pedagogia afetiva e cidadania institucional.
Em termos de cidadania, as canções são fundamentais para o desenvolvimento do sentimento de pertença e identidade. Ao cantar um hino ou uma canção sobre a escola, as crianças reforçam o seu vínculo com a comunidade educativa, aprendendo a valorizar o espaço, as pessoas e as regras que regem o seu convívio. Cantar com acompanhamento de instrumentos didáticos ou reutilizados inculca, de forma lúdica, os princípios de respeito, solidariedade e responsabilidade cívica dentro do contexto escolar.
Pedagogicamente, as canções sobre a escola usam a força mnemónica da música para fixar valores e rotinas. Servem para celebrar a alegria de aprender, tornando o ambiente educativo mais acolhedor. Além disso, a prática coletiva do canto melhora a escuta ativa, a coordenação de grupo e a disciplina, preparando as crianças para a participação em atividades comunitárias e para a compreensão de que a sua voz contribui para a harmonia do todo. Transformam a escola num espaço cultural e cívico onde os valores são cantados e sentidos.
Escola amiga
Escola minha amiga ajuda-me a crescer. Já faço tantas coisas, muitas mais vou fazer.
Com todos os amigos a brincar aprendi. Nos livros, nas estórias, quanto já descobri.
Bate o Verão à porta, leva-me a passear. Quero ouvir as cigarras e as ondas do mar.
António José Ferreira ]
Quando estou na minha escola
[ António José Ferreira ]
Quando estou na minha escola, gosto muito de aprender, de ouvir os professores e o que têm para dizer.
Gosto de estar c’os amigos que me ajudam a crescer. Eu respeito. Eles respeitam – é assim que deve ser.
Falo com os meus amigos e escrevo em Português. Sei dizer tão bem “Hello!” que até pareço inglês.
Gosto de estudar História: já sei quem foi o Marquês. E domino bem a bola co’a cabeça e com os pés.
Eu já sei fazer as contas de somar e subtrair; sei como é boa e bonita a palavra dividir.
Ao fazer o meu desenho já me estou a divertir. A aprender Estudo do Meio quanto posso descobrir!
Gosto de contar estórias com princesas de encantar. Leio fábulas e contos e até sei representar.
Quando me for desta escola que saudades eu vou ter. Vou levá-la no meu peito e continuar a crescer.
Sei falar [ Final de Ano ]
Sei falar contigo e escrever em Português, sei dizer “Hello” como se fosse mesmo inglês. Sei fazer as contas de somar e subtrair. Sei como é bonita a palavra dividir.
Refrão: Sei que é muito bom estar aqui: minha vida não é igual sem ti.
Sei fazer ginástica e jogo futebol, sei que há planetas e outros astros como o sol. Sei alguns estilos e figuras musicais, sei que ser amigo vale ainda muito mais.
Sei contar estórias com princesas de encantar, sei dizer os rios que a correr vão para o mar. Sei pintar as flores e arbustos do jardim, sei o que é a urze, o loureiro, o alecrim.
António José Ferreira ]
Uma bruxinha [ Halloween ]
Uma bruxinha andava a varrer com uma lata no rabo a bater. Quanto mais a bruxa varria, mais a lata no rabo batia.
Uma bruxinha andava a voar, porque adorava a vassoura montar. Quanto mais a bruxa voava, mais a vassoura cansada ficava.
Uma bruxinha ‘stava a cozinhar, com a colher a mexer o jantar. Quanto mais a bruxa mexia, mais o cheiro do tacho saía.
António José Ferreira ]
Criança na sala de aula
Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.
Brincar Azul, Reciclanda 2026
Na Loja Meloteca saiba mais sobre edições em formato digital ou em papel.
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/04/crianca-na-sala-de-aula.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-04-16 18:14:352026-04-17 09:18:43Canções sobre a Escola