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Musicoterapia e saúde

Musicoterapia para crianças e famílias saudáveis

por Jamie Blumenthal. Tradução do Inglês por Etelvina Pereira, Dra.

O QUE É A MUSICOTERAPIA?

Nos últimos 20 anos, perguntaram-me frequentemente “O que é a musicoterapia?”

As pessoas sabem o que é a música e o que é terapia mas a combinação das duas palavras “musico” – “terapia”, parece desafiar, confundir, fascinar e motivá-las a colocar essa questão.

Já alguma vez se sentiu mais relaxado ao ouvir música? Já alguma vez ouviu música que instantaneamente lhe despertou sentimentos fortes ou o transportou para algum momento especial do passado? Já alguma vez sentiu como que uma força interior ou espiritualidade ao ouvir música? Alguma vez cantou uma canção de embalar para tranquilizar um bebé que chorava ou cantou a canção do alfabeto a uma criança que o estava a aprender?

Se respondeu “Sim” a alguma destas questões, então já experimentou o poder da música. A música pode evocar emoções, recordações, e conexões espirituais ou sociais, bem como fornecer um meio para exprimir sentimentos e uma sensação de segurança e conforto para crianças pequenas. A música proporciona às crianças um método de aprendizagem divertido. É o meio que ultrapassa os limites da idade, cultura, deficiência ou doença.

Tradicionalmente, os musicoterapeutas trabalharam em instituições tais como hospitais, casas de repouso, prisões e escolas para crianças com necessidades especiais. Mas à medida que o público se tornou mais interessado em cuidados de saúde “alternativos”, os benefícios da música para o relaxamento e redução do “stress” passaram a ser reconhecidos e fomentados.

À medida que a investigação vai demonstrando os benefícios da música no desenvolvimento do cérebro, os musicoterapeutas musicais estão agora a divulgar o seu trabalho e os seus conhecimentos.

Há infindáveis maneiras de introduzir a música na vida do seu filho (e na sua) para aumentar o bem-estar e a qualidade de vida. Comecemos pela gravidez.

MUSICOTERAPIA PARA A GRAVIDEZ

Os musicoterapeutas são especialmente preparados para ensinar às grávidas como usar a música para relaxar e para trazer à lembrança imagens visuais. A música pode ser um meio de mudar a percepção que uma mulher tem da dor durante o trabalho de parto e o próprio parto, eliminando assim ou reduzindo a quantidade de anestesia usada durante o processo. O terapeuta musical pode frequentemente acompanhar a grávida durante o trabalho de parto e durante o parto.

Durante a gravidez, a música pode também ser usada para o bebé. Antes do nascimento, os bebés podem responder/reagir à música dentro do ventre. Na minha experiência pessoal, verifiquei que o meu filho pontapeava sempre o local exacto do meu abdómen onde eu encostava a minha guitarra. Pontapeava a cada acorde que eu tocava. Parecia tornar-se mais activo quando ouvia e sentia a música.

A minha filha tinha uma reacção diferente. Tornava-se mais sossegada, menos activa quando ouvia e sentia a música. Ambos continuaram com as mesmas reacções após o nascimento. Assim, o meu filho precisava de silêncio para adormecer e a minha filha de música calma.

CANÇÕES DE EMBALAR

Não há dúvida que as canções de embalar de todo o mundo têm um andamento semelhante. O andamento de uma canção de embalar corresponde ao andamento do batimento cardíaco humano. As canções de embalar podem ser usadas para confortar bebés que choram e ajudá-los a sentirem-se seguros quando vão dormir.

Quando cantámos canções de embalar aos nossos filhos, estamos a educá-los e a comunicar-lhes o nosso amor. Ao incluirmos canções de embalar no ritual da hora de deitar podemos ajudar as crianças a fazer a difícil transição para o sono. Essas canções podem ainda ser usadas se a criança acorda a meio da noite, se tem um pesadelo ou está a dormir longe de casa.

Com uma canção de embalar como música de fundo, os bebés e as crianças podem sentir-se ainda emocionalmente mais seguros se forem aconchegadas contra o nosso corpo, enquanto dançamos suavemente pelo quarto ou a embalamos docemente numa cadeira de baloiço.

CHORAR É MUSICAL

Como pais, sintonizamo-nos com o choro do nosso bebé. Sabemos quando é ele que chora e se está a chorar porque tem fome, a fralda molhada, porque está cansado ou tem dores.

O choro de um bebé é o início do discurso e da linguagem. Por mais espantoso que possa parecer, o choro é bastante musical e é o início do canto e da descoberta da nossa voz. Cada choro tem um registo musical específico e uma determinada duração (tal como cantar).

Eventualmente, os choros dão lugar aos sons vocais, ao gritar e ao palrar. Os pais descobrem que, ao imitarem exactamente os sons vocais emitidos pelo seu bebé, este irá começar a emitir ainda mais sons. Sem darmos por isso, estamos a manter uma conversa com o nosso bebé através de sons “sem nexo”.

Mesmo os bebés muito pequenos percebem que estamos a comunicar com eles. E adoram a atenção. Este é o começo da aprendizagem de como falar e manter uma conversa. Eventualmente, os sons tornam-se familiares – da, ba, ma etc. Estes sons podem ser incorporados em canções conhecidas. Em vez de cantarmos a letra de uma canção, podemos cantar “ba ba ba”, ou “da da da” ou “ma ma ma”, ou o sempre muito útil “la, la, la”.

Podemos ficar surpreendidos ao apercebermo-nos de que o nosso bebé está a cantar connosco porque a “letra” lhe é familiar. Dentro de pouco tempo os bebés combinarão estas sílabas formando palavras que serão usadas para comunicar pensamentos e sentimentos.

TOCAR TAMBOR

Na minha experiência de trabalho com crianças de 6 meses, encontrei algumas que não eram capazes de tocar um instrumento ao ritmo de uma canção, mesmo que fossem apenas 2-4 batimentos. O batimento do tambor é o modo de imitarmos o batimento do coração. Lembremo-nos que o batimento do coração é o que o bebé ouviu e sentiu durante os nove meses em que esteve no ventre materno.

Nunca perdemos a nossa resposta a este som tão confortante. Mesmo os doentes de Alzheimer responderão ao batimento de um tambor ainda que mais nada chegue até eles.

As crianças adoram movimentar-se ao som do batimento de um tambor. Podemos usar diferentes ritmos para indicar como se movimentam. Tocamos rápido, e as crianças podem correr.

Tocamos batimentos muito lentos e firmes para passos grandes, docemente para andar em bicos de pés, usamos o silêncio para parar, ou inventamos o nosso próprio ritmo.

Ao fazermos este tipo de actividade com as crianças, ajudámo-las a desenvolver capacidades auditivas, diferenciação de sons, consciência de quando começar e acabar (o que pode tornar-se parte de uma consciência de segurança), bem como a desenvolver capacidades motoras.

Podemos ser nós a tocar e a criança a fazer os movimentos ou, melhor ainda, ao contrário. As crianças não têm muitas oportunidades de assumir o comando. Deixe o seu filho pegar no tambor e faça você o movimento. Elas rapidamente se apercebem do seu “poder” de uma forma muito positiva. Ao fazê-lo, também aprendem muito acerca do ritmo. Esta é uma óptima actividade para dias de chuva.

MÚSICA PARA RELAXAR

Uma música calma, tranquila, pode ser usada para reduzir o “stress” e obter relaxamento. O estado de relaxamento induzido pela música reflecte-se nas alterações dos padrões das ondas do cérebro. O simples facto de haver música de fundo repousante pode mudar o modo como nos sentimos. Podemos pôr a tocar música calma de manhã para reduzir o “stress” da rotina matinal.

Às vezes gosto de pôr música à hora do jantar quando estou cansada, com fome ou tensa. Acho que ajuda a acalmar, quer as crianças quer a mim. A música relaxante pode ser usada para reduzir a ansiedade que antecede uma cirurgia ou numa situação médica em que nos sentimos ansiosos.

Estudos revelaram que a pressão sanguínea é mais estável quando este tipo de música é usado antes, durante e após uma cirurgia. Este tipo de música pode ainda ser usado se tivermos dificuldade em adormecer ou permanecer a dormir. Existem várias gravações para relaxamento e orientação da imagética, para crianças que se sentem tensas ou têm dificuldade em dormir.

MÚSICA PARA A EDUCAÇÃO

A música pode ser usada para ensinar e melhorar o discurso e a linguagem. Ela incorpora ritmo, tom e palavras, todos parte do discurso e da linguagem. Ambos os lados do cérebro são usados com música, logo a informação pode ser aprendida através da música e eventualmente transferida para o discurso e para a linguagem.

Podem usar-se canções populares para ensinar às crianças diferentes capacidades. (…)

Aprender a tocar um instrumento pode fornecer-nos um sentido de auto-estima e ajudar a desenvolver capacidades importantes. Ler música ajuda a desenvolver capacidades matemáticas, de leitura e de coordenação “olhos-mãos”.

Tocar um instrumento desenvolve a coordenação motora, e se o instrumento for de sopro, podem também tornar-se mais desenvolvidas as capacidades motoras orais. Um estudo recente de crianças em idade pré-escolar mostrou que as aulas de piano desenvolviam o seu raciocínio espacio-temporal.

Ouvir música ajuda a desenvolver o cérebro. Uma pesquisa levada a cabo por um grupo de neuro–cientistas descobriu que ouvir Mozart aumenta o raciocínio espacio-temporal em alunos universitários.

Um artigo recente do New York Times revelou uma proposta do governador da Geórgia para utilizar $100,000 de dinheiro do Estado para facultar a cada recém-nascido um CD de música clássica, devido aos efeitos positivos no desenvolvimento do cérebro e nas capacidades espaciais e matemáticas.

MÚSICA PARA DESENVOLVER RELAÇÕES

Cantar ou tocar música em família ou com amigos pode ser uma maneira divertida de termos prazer em estarmos juntos. Há muitas canções para crianças que implicam movimentos com as mãos. Podemos fazê-los com a nossa mão junto à delas.

As crianças adoram o contacto físico, o jogo, o contacto visual e sobretudo o amor que advém do facto de estarem com os pais. Em família podemos assistir a concertos ou outros espectáculos ou fazer a nossa própria música em casa.

MÚSICA PARA EXPRIMIR EMOÇÕES

À medida que crescem e ouvem mais música, as crianças começam a ter preferências por determinados tipos de música. A música pode tornar-se parte da identidade de uma pessoa durante a adolescência. Todos nós temos canções favoritas com as quais nos identificamos. Estas canções podem exprimir uma emoção que sentimos ou falar de uma experiência com que estamos a lidar.

A música é uma expressão de emoção e as palavras uma expressão do pensamento. Mantenha-se em contacto com a música que o seu filho ouve. Junte-se a ele de vez em quando e ouça a sua música favorita. Pergunte-lhe porque é que determinada canção é importante, quais as partes da letra de que ele mais gosta. Esta é uma forma de comunicar com o seu filho e aperceber-se de coisas que de outro modo não saberia acerca dele.

MÚSICA PARA NECESSIDADES ESPECIAIS

Conforme referi, os musicoterapeutas estão facultam serviços para o público em geral. As crianças com necessidades educativas especiais usam uma grande parte desses serviços. A musicoterapia usa a música como um veículo para atingir fins não musicais. Quando uma criança tem necessidades especiais, a música pode ser um dos meios mais poderosos para chegar até ela e ajudá-la a desempenhar as suas funções no seu máximo potencial.

[ Jamie Blumenthal faculta serviços de terapia musical para escolas, agências e pessoas comuns, bem como a pais, organizações ou profissionais de cuidados de saúde. ]

Para esclarecer qualquer questão sobre terapia musical ou para dar mais informações, pode ser contactada para
Family Music Connection:
North Bay Music Therapy Services,
PO Box 869, Windsor, CA 95492 (707) 836-8358

F. H. Rauscher et al., “Music and spatial task performance” Nature 365 (1993): 611.

F. H. Rauscher et al., “Listening to Mozart enhances spatial-temporal reasoning: towards a neurophysiological basis”, Neuroscience Letters 185 (1995): 44-47.

F. H. Rauscher et al., “Music training causes long-term enhancement of preschool children’ spatial-temporal reasoning”, Neurological Research 19 (1997): 2-8.

K. Sack, “Georgia’governor seeks music for babies”, New York Times, January 15, 1998.

Use a informação fornecida como uma fonte educacional para determinar as suas opções e fazer as suas próprias escolhas. Não se pretende que ela seja vista como conselhos médicos, nem para diagnosticar, prescrever ou tratar qualquer doença em particular. Se por acaso o seu filho está seriamente doente, leve-o a um especialista para lhe ser feita uma avaliação cuidada.

www.healthychild.com

Harmony Music Therapy

Harmony Music Therapy

BENEFÍCIOS DA EXPERIÊNCIA MUSICAL

por Anahi Ravagnani

Excerto de A Educação Musical de Crianças com Síndrome de Down em um contexto de interação social, de Anahi Ravagnani, dissertação de mestrado. Curitiba 2009.

(…) O objetivo específico da Educação Musical, segundo V. Gainza, é musicalizar, isto é, tornar o indivíduo sensível e receptivo ao fenómeno sonoro, desenvolvendo simultaneamente, neste indivíduo, respostas de natureza musical.

Para Ilza Joly, durante o processo de musicalização é importante considerar como ponto de partida, o contacto intuitivo e espontâneo que as crianças têm com a música desde os primeiros anos de vida. Durante este processo a criança pode realizar movimentos corporais enquanto ouve ou canta uma música, desenvolvendo-se e expressando-se de modo integrado.

Ainda para a mesma autora, a criança relaciona-se com a música como se fosse uma nova descoberta, e fá-lo por meio de brincadeiras e jogos.

A mesma opinião é defendida por T.A. Brito. Brincar à roda, aprender a cantar canções e participar em brinquedos rítmicos são algumas atividades capazes de desenvolver e despertar as capacidades de percepção e expressão da criança por meio da música. Deste modo, o termo musicalização infantil é definido pela autora como um processo de Educação Musical em que as noções de som, ritmo, melodia, compasso, tonalidade, métrica, leitura e escrita são mostradas para as crianças por meio de atividades lúdicas como jogos, exercícios de movimentos, danças, canções, prática em pequenos conjuntos instrumentais e relaxamento.

O trabalho de musicalização tende a romper barreiras de todo tipo, a abrir canais de expressão e comunicação a nível psicofísico, e, através de suas próprias estruturas internas, promover modificações significativas na mente humana.

W. Howard aponta para o facto de que a Educação Musical ser um importante meio de mostrar à criança como suscitar em si emoções originais e autênticas, além de transformar as emoções que chegam do exterior. Este resultado só pode ser obtido por meio de atividades que instiguem e suscitem respostas, ao mesmo tempo, físicas e psíquicas nas crianças.

T. Brito ainda ressalta que durante o trabalho de musicalização é importante também promover o desenvolvimento de outras capacidades nas crianças, além das musicais, como as capacidades de integração no grupo, de autoafirmação, de expressar-se por meio do próprio corpo, de produzir ideias e ações próprias, de cooperação, solidariedade e respeito. Ou seja, a musicalização é também, uma forma de promover experiências musicais significativas para a criança.

Em relação aos possíveis benefícios suscitados pela experiência musical, B.S. Ilari destaca alguns resultados das experiências vividas desde a mais tenra idade. Essas vivências constituirão a base do pensamento musical do ser humano ao longo da sua vida, a saber:

  • Benefícios psicológicos: o ser humano se comunica afetivamente através da música.
  • Benefícios emocionais: por meio do canto materno, a música pode fornecer ao indivíduo um senso de tranquilidade e proteção.
  • Benefícios culturais: as experiências musicais contam a nossa história, quem fomos, somos e seremos, além de traduzirem e perpetuarem os elementos de cada cultura.
  • Benefícios auditivo-educacionais: a música é uma forma de conhecimento: enriquecer a percepção sonora e educar o ouvido propicia uma base musical sólida para os futuros ouvintes.
  • Benefícios estético-musicais: a música possui códigos estéticos, auditivos e psicológicos próprios, portanto já tem valor em si mesma.

Em relação às pessoas com necessidades especiais, Birkenshaw-Fleming acrescenta que também para estes indivíduos, a Educação Musical traz benefícios importantes como:

  • A valorização da autoestima, uma vez que aos indivíduos é permitido realizar as atividades ao seu próprio ritmo.
  • A interação social. Em muitos casos, algumas incapacidades devem-se ao isolamento do indivíduo.
  • O desenvolvimento das capacidades motoras, da força muscular e da fala, que podem ser alcançados por meio de atividades musicais que contenham movimentos e palavras.
  • O desenvolvimento de todas as facetas da audição, como, por exemplo, a sensibilização ao som, a audição sequencial e a memória.
  • O estímulo total do cérebro. Tanto o lado direito (afetivo) quanto o esquerdo (lógico), são, igualmente, estimulados durante um programa ativo em música. (…)
Menina com Síndrome de Down

Menina com Síndrome de Down

MÚSICA E PARALISIA CEREBRAL

Angelita Maria Vander Broock

Excerto de Música para crianças com paralisia cerebral, Angelita Maria Vander Broock, Curitiba/PR, XIV Encontro Nacional da ABEM, 2005.

Sabe-se, por meio de diversos estudos, que a música influencia no desenvolvimento cognitivo e motor das pessoas, na socialização, no aumento da auto-estima, na percepção, na atenção, na relação afetiva, entre outros fatores. Segundo Alvin, a música pode contribuir para que a criança especial amplie os seus limites físicos ou mentais, despertando sua consciência perceptiva, seu desenvolvimento da audição e do controle motor. Todos estes fatores, sendo desenvolvidos, favorecerão a integração social e emocional da criança.

Além disso, outros fatores também podem ser ampliados, como a
memória e a atenção, por exemplo. Os fatores que serão influenciados variam de pessoa para pessoa e conforme o grau de comprometimento. Desta forma, o professor deve estar atento e conhecer as capacidades e possibilidades de cada aluno, realizando um diagnóstico prévio, a partir do qual poderá designar a melhor forma de educar musicalmente cada criança. Além disso, o estímulo socializador da escola, na figura do professor, promove a interação entre as crianças, possibilitando que aprendam umas com as outras vários aspetos importantes para seu desenvolvimento e, consequentemente, para a vida. É o que Juan Delval (2001) considera como uma das funções fundamentais da escola. A música também serve como auxílio nas inter-relações entre alunos, professores e pais.

Segundo Birkenshaw – Fleming, a música pode estimular qualquer atividade do dia-a-dia dos indivíduos com necessidades especiais, como, por exemplo, a interação social através de atividades musicais, o desenvolvimento do tónus muscular e da coordenação psicomotora através dos movimentos, o desenvolvimento da linguagem através de canções ou lengalengas, a capacidade auditiva e intelectual e o desenvolvimento da memória.

A autora ressalta também a importância de um ambiente previamente preparado para as aulas de música, onde não estejam presentes elementos que desviem a atenção do aluno. A rotina também é um fator relevante para o ensino de música na educação especial, por permitir ao aluno sentir segurança em poder prever o que está por vir.

Para aliviar tensões, a autora sugere que se utilize muito o movimento, incluindo danças, jogos e expressões corporais que podem proporcionar o contacto com as outras crianças, sendo que, em atividades que exijam um certo esforço, devem ser realizados relaxamentos com músicas calmas de fundo.

É necessário um cuidado especial na escolha do repertório a ser utilizado com as crianças, pois músicas muito agitadas, por exemplo, podem gerar tensões nos alunos através da ansiedade, o que pode resultar, em casos extremos, em um ataque convulsivo.

Tratando-se do ensino de música para crianças com paralisia cerebral e levando-se em consideração as tensões naturais desses indivíduos, sugere-se que, nas aulas, o professor posicione as crianças de forma segura, buscando o equilíbrio, a fixação e a manutenção do tónus postural, com o objetivo de estabelecer uma centralização do indivíduo, bloqueando assim padrões ou reflexos patológicos que eventualmente fazem parte da postura normal dessa criança especial.

A música também contribui para a aprendizagem uma vez que “… a música parece provocar mudanças na conduta de crianças com necessidades especiais fazendo com que se adaptem melhor à vida escolar, contribuindo para a sua ação social e melhor rendimento nas atividades de aprendizagem” (Ilza Joly, 2003).

Criança

Criança

RODA E LINGUAGEM

por Benita Michahelles

Excerto da monografia apresentada ao Curso de Musicoterapia do Conservatório Brasileiro de Música sob a orientação de Marly Chagas.

No entender de Fregtman, num espaço definido por pacientes e terapeutas, destacam-se “três níveis de manifestação, de inscrição de um conflito”. Expressando-se simultaneamente, estes níveis são isolados apenas com o objetivo de se obter uma conceituação. São eles:

1) Linguagem sonora (sons, silêncios, entoações, melodias, ritmos…)

2) Linguagem corporal (gestos, posturas, trejeitos, tipos de movimentos…)

3) Linguagem verbal (o discurso do paciente)

Ao trabalhar com a expressão integrada destas linguagens, o musicoterapeuta resgata o papel e a importância do corpo e os seus sons no processo terapêutico.

Diversos são os recursos em Musicoterapia que funcionam como instrumentos de facilitação ou de ampliação destes níveis expressivos, cada qual à sua maneira. Como exemplos temos as canções, os jogos dramáticos… e as brincadeiras de roda.

Tendo como pano de fundo o contexto musicoterapêutico, vejamos como as linguagens sonora, corporal e verbal podem dar-se – e integrar-se – nas cantigas e brincadeiras de roda, analisando os seus aspetos corporal, verbal e musical.

Aspeto corporal

A dança exterior e interior

“… Quem quiser aprender a dançar
vai à casa do Juquinha.
Ele pula, ele roda,
ele faz ‘requebradinha’!…”

(requebradinha – dançar mexendo as ancas)

Segundo Gerwitz, a catarse é um elemento de grande importância no processo terapêutico. Ela pode ser provocada pela atividade física, verbalização ou fantasia. “(…) a relação da Musicoterapia com a catarse existe em todas essas três modalidades de expressão.” Com referência a catarse pela atividade física, a dança é apontada por este autor como um excelente agente. Ela propicia libertação e a ‘ventilação dos sentimentos’ através de padrões de motilidade.

Nas brincadeiras de roda, os aspetos citados desenvolvem-se com as variações coreográficas e de movimentação onde cada participante é ‘convidado’ a rodar: “… roda, roda, roda caranguejo peixe é…”; “…roda, ó pinhão, bambeia ó pinhão!…”; rebolar: “… rebola chuchu, rebola, rebola que se não eu caio!…”; “… rebola pai, rebola mãe, rebola filho, eu também sou da família, também quero rebolar…”; sambar: “… samba, samba, samba, ó Lelê, pisa na barra da saia, ó Lelê…”; remexer: “… dá um remelexo no corpo…”; requebrar: “… Como ele vem todo requebrado, parece um boneco desengonçado!…”; mover a cabeça e o pescoço: “… Olhai p’ro céu, olhai p’ro chão, p’ro chão, p’ro chão…”; ajoelhar: “… para todos se ajoelharem…”; deitar-se: “… Para todos se deitarem…”; e a se levantar novamente: “… Para todos se levantarem!…”; bater palmas e pés: “… palma, palma, palma, ó N., pé, pé, pé, ó N.”, pular: “Ora vai pulando, ora vai pulando, ora vai pulando até parar!…”; correr: “… O tempo passou a correr, a correr, a correr…”; e ainda a se agachar e a gritar: “… do berro, do berro que o gato deu: MIAU!!!!!!!” e outras variações mobilizadoras do corpo todo, e, por consequência, também da emoção.

Muitas cantigas apresentam na sua dinâmica convites – implícitos ou explícitos – para que os participantes se abracem: “… e abraçais a quem quiser…”; “ai, dá-me um abraço que eu desembaraço esta pombinha que caiu no laço…”; beijem: “… da morena mais bonita quero um beijo e um abraço…” ou puxem a orelha uma das outras: “… puxa lagarta no pé da orelha!…”; se toquem com os pés: “… tira tira o seu pezinho bota aqui no pé do meu, e depois não vá dizer que você se arrependeu…”. O contacto corporal e a troca de afetos – tão necessários ao pleno desenvolvimento infantil – ocorrem de forma natural e prazerosa dentro da segurança dos limites das próprias brincadeiras.

São várias as brincadeiras que também têm na sua dinâmica um espaço especial para a manifestação da singularidade de cada criança. Este destaque se dá: ao escolher uma outra criança para ser o seu par:

“Sozinha eu não fico,
não hei de ficar,
porque tenho a N.
para ser meu par!…”;

ou para mostrar afetos e desafetos: “… entrai, entrai, ó linda roseira, fazei careta p’ra quem não gostais e abraçais quem gostas mais… “esta não me serve, esta não me agrada, esta hei-de amar, hei-de amar até morrer…”; seja ao fazer o som de um bicho ou com a tarefa de reconhecer o outro através da sua voz apenas: “Senhor caçador, preste bem atenção, não vá enganar-se quando o gato miar: MIAU!!!”; seja ao aceitar ou ao negar algo para si próprio (exercer o poder de escolha): “… Este ofício não me agrada, de marré, marré, marré, este ofício não me agrada de marré de si !…”; seja ao recitar ou improvisar um verso: “… Por isso dona fulana entre dentro desta roda diga um verso bem bonito diga adeus e vá se embora…”. Diversas vezes este destaque também fica patente pela própria coreografia, pois a criança é convidada a colocar-se no centro da roda: “… Ó dona N., ó dona N., entrarás na roda e ficarás sozinha!…”; “… Entrai na roda, ó linda princesa…” ; “O pinhão entrou na roda, ó pinhão… amostra a tua figura, ó pinhâo!” ; “… Pai Francisco entrou na roda…”

Por todos os aspectos corporais já citados, as brincadeiras de roda tornam-se excelentes pretextos para a realização do “grounding” – termo da psicoterapia corporal e que denota uma função terapêutica que “permite o rebalanceamento do tónus muscular, o enraizamento da postura e a auto-segurança.” (Boadella)

A emissão vocal (o cantar, assim como o gritar e o recitar em alguns casos) é uma constante nas brincadeiras de roda. Ela pode ser considerada como parte da catarse física.

“A emissão da voz provoca, necessariamente, uma vibração corporal (…) O trabalho com a vibração da voz traz interessantes possibilidades de desbloqueio dos anéis de tensão corporal, na medida em que é uma massagem vibratória de dentro para fora, a partir do próprio som do sujeito.” (Chagas, 1990)

A voz está diretamente relacionada com a emoção. O trabalho com esta forma expressiva possibilita a mobilização de uma infinidade de processos subjetivos e que não podem ser resumidos apenas ao processo catártico. Consideremos com um pouco mais de atenção as suas relações com o processo terapêutico.

A voz é um meio expressivo que nos acompanha desde as mais remotas origens individuais e coletivas, numa longa estrada que vai do choro até o canto cultural.

Na sua maleabilidade e dinâmica, as transformações tímbricas, tonais, de intensidade, assim como os ritmos e melodias intrínsecos à voz guardam as mais íntimas relações com o desenvolvimento emocional. Assim a voz modifica-se ao acompanhar as fases e momentos diferentes da vida de um mesmo sujeito, corporificando o seu mundo interior.

Lowen, discípulo de Wilhelm Reich, destacou mais enfaticamente a importância da voz. Segundo ele, o bloqueio de qualquer sentimento vai afetar a expressão vocal. Ao mesmo tempo, o recobrar de um pleno potencial de auto-expressão requer um uso da voz em todos os seus registos e todos os seus matizes de sentimento. Também emissões como o choro e o soluço são descritas como altamente mobilizadoras e eficazes no processo de desbloqueio dos anéis de tensão.

Lowen dá particular atenção ao grito, por ele descrito como: “Uma explosão que sacode momentaneamente a rigidez criada pela tensão muscular crónica e que tem um forte efeito catártico na personalidade.” (Prazeres, 1996)

Utilizando a observação dos matizes vocais como importante recurso para uma plena compreensão do estado emocional dos seus clientes, Lowen concluiu que – em geral – “uma voz alta (tom agudo) indica um bloqueio das notas mais graves e expressivas da tristeza, e uma voz peitoral profunda (tom grave) indica uma negação do sentimento de medo e uma inibição da sua expressão pelo grito.”

Wolfsohn vai ao encontro desta forma de compreensão ao afirmar que, enquanto o sonho reflete os diferentes aspetos da psique em imagens, a voz reflete imagens psicológicas em sons.

Paul Moses foi buscar na voz as causas psicológicas ocultas das desordens fisiológicas. A sua participação para a instauração do método do canto como abordagem terapêutica foi fundamental. Moses pesquisou largamente a fonação no nascimento e o conjunto dos ruídos pré-verbais nos quais a expressividade vocal se expressa livremente. Concluiu que a aquisição da fala representa a submissão de instintos e sentimentos à jurisdição da palavra, acarretando uma grande perda dessa expressividade assim como em vivências traumáticas. Ele via no trabalho terapêutico com a emissão espontânea de sons vocais não verbais, a chave para ir ao encontro das dificuldades relativas a estes traumas, sendo que, para ele o cantar era a atividade que mais respondia às necessidades subsequentes.

“A extensão vocal é a linguagem das emoções em oposição à articulação, linguagem das ideias… Cantar é como um compromisso. Uma recordação voluntária de um eco de satisfação pura da vocalização primitiva. É uma atividade auto-erótica, liberadora das tensões construídas pela nossa repressão.” (Moses)

Penso que, o cantar nasce da necessidade e da urgência do ser humano em expressar o seu mundo interno, com todas as suas nuances e movimentos numa conexão profunda com o seu próprio corpo. Este funciona como caixa de ressonância, instrumento vivo que se transforma no momento mesmo do ato de cantar e que, ao mesmo tempo, permite que interfiramos na vida coletiva com a nossa singularidade.

Nas brincadeiras de roda, o convite ao canto ocorre de maneira natural. Canta-se, em geral em coro, havendo algumas cantigas com espaço para ‘solos’. Há margem para as mais variadas explorações de dinâmica, timbre, e registos vocais e, logo para a auto-expressão pessoal e grupal. Música, corpo e emoção integram-se impulsionando-se entre si.

Aspecto Musical

“Sapo, sapo, sapo,
à beira do rio.
Quando o sapo canta, ,
é porque tem frio…”

As cantigas de roda possuem características musicais particulares. A pesquisadora Henriquieta Braga (1950), selecionou vários aspetos que se destacam na sua caracterização geral. Vejamos, a seguir, alguns deles de acordo com os parâmetros musicais – ritmo, melodia e harmonia.

Ritmo

A grande maioria das nossas cantigas infantis, apresenta-se em compasso binário simples, ritmo anacrúsico e terminação masculina, havendo presença expressiva de síncopas muito peculiares, como as formadas por antecipações de sons finais, deslocamento das sílabas tónicas, acentuações nas partes fracas dos tempos, e interruções por pausas. Apesar do predomínio do compasso binário simples, podemos também encontrar canções em ternário simples, quaternário, e até mesmo em quinário, como se pode examinar em “Na mão direita”.

Melodia

O modo predominante é o maior, geralmente abrangem âmbito de oitava, destacando-se os intervalos de segunda e terceira, assim como os sons rebatidos. Também apresentam-se frequentemente melodias com repetição insistente ou imitação de desenhos, movimento inicial ascendente dominante – tónica, movimento melódico terminal descendente sobre a tónica por graus conjuntos. Modulações tonais são atípicas, ocorrendo de forma rara.
Como exemplos para as melodias com repetição de desenhos, poderíamos CITAR:

“Cai, cai balão
aqui na minha mão.
Não vou lá!
Não vou lá !
Não vou lá!
Tenho medo de apanhar.”

“Bam-ba-la-lão,
Senhor capitão,
Espada na cinta,
Sinete na mão.”

Harmonia

Sendo a voz humana o principal instrumento de execução deste tipo de canção, o acompanhamento harmónico é menos típico. Porém, a harmonia implícita neste tipo de canção é sempre a mais simples possível, em geral sobre o I, IV e V graus da escala acompanhando as tensões e cadências da melodia.

Como o próprio nome já diz – cantigas e brincadeiras de-roda – trata-se de cantigas para se brincar e, pode dizer-se também, de cantigas que nasceram e / ou se desenvolveram em contextos do universo lúdico infantil. Assim, como não podia deixar de ser, estas marcas transparecem em seus parâmetros musicais – ritmo, melodia, harmonia.

A simplicidade e o caráter essencial que figuram nestes três parâmetros, refletem os traços bio-psico-musicais típicos da etapa infantil. Os intervalos e os caminhos melódicos típicos destas cantigas coincidem com os motivos de experimentação melódica mais natural desta etapa.

Por outro lado, também rítmica e estruturalmente falando podemos observar vários aspectos coincidentes. Vale a pena lembrar que são constantes no universo infantil a predileção pela repetição, de uma forma geral, e o próprio prazer na vivência do ritmo marcado e cadenciado. Este último, refletindo a busca da segurança e da continência, aspectos tão necessários para um bom desenvolvimento físico e mental numa etapa da infância em que se está a passar “(…) de um estado de experimentações desordenadas quanto a coordenação dos movimentos a um controle voluntário do uso do corpo (…)” (Chagas, 1990, p. 586)

Aspecto verbal

“Ciranda, cirandinha,
vamos todos cirandar.
Vamos dar a meia volta,
volta e meia vamos dar…”

Veríssimo de Melo (1985) distribuiu as nossas cantigas em cinco grupos, de acordo com o espírito e o estado de ânimo: amorosas, satíricas, imitativas, religiosas e dramáticas.

Cada ‘Cantiga amorosa’ trata da questão afetiva à sua maneira. Ora contendo singelas declarações de amor: “… quem gosta de mim é ela quem gosta dela sou eu!…”; “… você gosta de mim, ó morena, eu também de você ó morena…”; ora contendo expressões de saudades e falta do ser amado: “… Periquito Maracanã, perdeu a sua Iaiá, faz um dia, faz um ano que eu não a vejo passar…”; ora falando em casamento “… vou pedir ao seu pai, ó morena, p’ra casar contigo, ó morena…” “Flores alvas é casamento, dona N. quer se casar, dona N. deixe disso, deixe disso olhe lá!”; Ora contendo juras de amor eterno: “… esta hei-de amar, hei-de amar até morrer…” ora relatando histórias de amor, nem sempre, porém, com final feliz: “…o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouca e se acabou…”. Assim, podemos CITAR entre as cantigas amorosas: “Pirulito que bate, bate”, “Você gosta de mim”; “Periquito Maracanã”; “Esta menina que está na roda”; “Ciranda, cirandinha”; “Na mão direita há uma roseira”; “Estou presa meu bem”; “Tororó”; “”O Cravo brigou com a Rosa”; “Teresinha de Jesus”; “Eu sou pobre, pobre, pobre”; “A Margarida”.

A sátira também ocorre das formas mais variadas. Algumas vezes acompanhada por um toque de crueldade: “Atirei o pau ao gato, to-to, mas o gato, to-to, não morreu, reu-reu, dona Chica-ca, admirou se-se, do berro, do berro que o gato deu. Miau!”; “Tengo, tengo,tengo, ó maninha, é de carrapicho, vou botar Fulana, na lata do lixo”. Outras simplesmente fazendo graça da condição alheia: “Chora mané não chora, chora porque não vê o limão, o limão anda na roda feito um bestaião o limão…”. Mas, de uma maneira ou de outra, sempre com muito bom humor: “… Como ele vem todo requebrado parece um boneco desengonçado!”; “Lagarta pintada, quem foi que te pintou? Foi uma velha que passou por aqui!”. Assim, podemos CITAR como exemplos das cantigas satíricas: “Atirei o pau no gato”; “Tengo, tengo, tengo”; “Chora mané, não chora”; “Pai Francisco”; “O Sindô lelê”; “Lagarta pintada”; “Oh! Sindô lelê”, “Fui a Espanha”.

Poeticamente falando, as cantigas imitativas são talvez, de todas, as mais simples. Em geral, elas trazem no seu seu texto claras propostas de movimentos, a partir das quais os participantes de fato imitam bichos: “Passarinho da lagoa, se tu queres avoar, avoa avoa, avoa já. O biquinho pelo chão, as azinhas pelo ar, avoa, avoa, avoa já.”; “Carneirinho, carneirão neirão neirão, olhai pro céu, olhai pro chão, pro chão, pro chão…”; objetos do cotidiano: “…roda pinhão, bambeia ó pinhão…” profissões: ” … as lavadeiras fazem assim, assim, assim…”; “…os soldados fazem assim, assim, assim…”; ou outros personagens e situações que podem inclusive ser adicionadas de improviso por cada participante , como por exemplo: “… os pioientos fazem assim, assim, assim…”; “…as vaidosas fazem assim, assim, assim…”. Podemos CITAR entre as cantigas imitativas: “Passarinho da lagoa”, “Carneirinho, carneirão”, “O pinhão”, “Lá na ponte da Aliança”; “Seu Lobo”; “Escravos de Jó”.

Contendo referências a elementos ou imagens da religião, como em: “… vamos ver a barca nova que do céu caiu no mar”; ou em: “… Nossa Senhora dentro, os anjinhos a remar…”; ou ainda em: “… que anjos são esses que estão a rodear-me, de noite e de dia, padre nosso Ave Maria?…”. Podemos CITAR entre as cantigas religiosas: “Capelinha de melão”, “Vamos maninha, vamos”, “Senhora Dona Arcanjila”.

Com enredo em que surgem situações de conflito ou ameaça, como em: “… rá, rá, rá, minha machadinha, quem que te roubou sabendo que eras minha…”; ou em : “… Quase que não tomo pé, por causa de um remador que remou contra a maré…” podemos CITAR como cantigas dramáticas: “O baú” e “A Machadinha”.

Canção de roda

Canção de roda

cantigas DE RODA ESPECIAIS

As cantigas de roda são criações musicais anónimas transmitidas oralmente de geração em geração. Podem tratar de vários temas, como os animais, o amor e a amizade. A letra é simples brincalhona, e a rima favorece a aprendizagem e memorização. O seu potencial é enorme e faz todo o sentido recriá-los e adaptá-los de modo a incluir crianças com necessidades educativas especiais.

Brincar em roda, cantando em uníssono de mãos dadas, possibilita a socialização e a coletividade entre as crianças que podem dançar e fazer coreografias divertidas. Pela sua importância cultural, as cantigas de rodas são realizadas em escolas públicas, privadas, em creches ou em espaços de educação não formal e ONG. Muitos professores fazem estas brincadeiras para ensinar as crianças sobre a importância da cultura folclórica.

Cai, cai balão

– Cai, balão! Cai, balão
Cai na rua do sabão!
– Não cai não! Não cai não,
Cai aqui na minha mão!

Cai, balão! Cai, balão,
Aqui na minha mão!
– Não cai não! Não cai não,
Tem cuidado com o cão!

Instruções

As crianças estão numa roda pequena. Quando começa a canção/poema, o balão é lançado e ninguém deve deixá-lo cair tendo, para isso, de o lançar com a mão para cima utilizando a força adequada.

Pode fazer-se em casa, de forma adaptada, entre adulto e criança sem limitações motoras significativas. Se estas limitações impedirem a mão da criança de se mover, a canção e o balão servirão para chamar a atenção da criança e despertar os sentidos. Neste caso, o adulto deixará que o balão caia tocando na mão, na cabeça ou nas pernas da criança. ]

Meu limão

Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de maracujá.
Uma vez, tindolelé,
Outra vez, tindolalá.

Pirulito bate, bate,
Pirulito já bateu!
Quem gosta de mim é ela,
Quem gosta dela sou eu.

Instruções

As crianças estão numa roda. Uma tem um limão, ou maracujá, que passa de mão em mão, na pulsação, sem cair. A criança que tiver o fruto na última palavra da canção/poema vai para o centro, e assim sucessivamente.

Na roda, ou em família, o grupo ajuda as crianças com necessidades especiais a participar tocando e sentindo o cheiro do fruto. Com dois, passam de um para o outro. Se a criança não conseguir passar, será o adulto a fazer os gestos necessários para que os sentidos da criança sejam envolvidos e estimulados. ]

Em casa, uma roda de cantigas pode ser um momento de diversão e desenvolvimento quando existe na família uma criança pequenina. Faz bem às crianças e dá felicidade aos adultos.

Olha o bichinho

Olha o bichinho
que está no meio
Ele é fofinho
e não é feio.

Deixai-o lá!
Está a dormir, a descansar.
Só depois é que o bichinho
diz quem dele vai cuidar.

Bichinho!

Instruções

As crianças estão numa roda, com o bichinho no meio, com os olhos tapados. As crianças recitam ou cantam (com a melodia de Ó Laurindinha) as duas quadras andando na roda. Quando as crianças dizem/cantam “Bichinho!”, depois das quadras, o “bichinho” aponta com o dedo (de olhos fechados) e o que for apontado irá para o meio. Na vez seguinte, a criança escolhida para cuidar será substituída por outra, e assim sucessivamente. Quando há uma criança em cadeira de rodas, pode estar na roda ou no meio. Se não conseguir apontar, uma criança fará de tutor.

Em casa, com um balão cheio, o adulto diz um verso e repete; depois dois e a quadra toda. Não podendo realizar-se em pequena roda de três ou quatro, faz-se só entre adulto e criança.

Em casa, entre adulto e criança com deficiência profunda, coloca-se um animal de peluche entre eles. O adulto recita ou canta as duas quadras, (com a melodia de “Ó Laurindinha”). A criança sente a textura do bichinho e interage conforme as possibilidades. Depois dão uma volta, a pé ou em cadeira de rodas, pela sala, e regressam ao lugar do bichinho.

António José Ferreira

Cantigas de Roda

cantigas de Roda

Jogos musicais de gestos

Comunicação gestual e inclusão

Palavra, gesto, rima: junte ritmo, melodia e improvisação

A comunicação gestual aumenta a capacidade de atenção, integração, simpatia e compreensão mútua. Neste contexto, a comunicação gestual inspirada no método aumentativo ou alternativo de comunicação Makaton pretende ser uma estratégia de inclusão na turma no Jardim de Infância e 1º Ciclo, especialmente em crianças com necessidades educativas especiais.

O método Makaton pode contribuir para aumentar as possibilidades de comunicação de crianças com dificuldades expressivas. Em contexto de terapia da fala, os gestos visam fomentar a expressividade e, para as crianças em geral, a utilização dos gestos pode ser muito interessante no âmbito das AEC, potenciando jogos de vários tipos e criação/recriação de estórias. Esta página é dedicada às crianças com atraso ou deficiência auditiva e psicomotora, passageira ou permanente. Quando é possível, um movimento repetido conforme o número de sílabas ajuda à oralidade, ao ritmo e à distinção das sílabas.

Tendencialmente, as ações fazem-se duas vezes e os objectos uma vez.

A pé:
O indicador e o médio movem-se como se fossem pernas.

Vou a pé, vais a pé,
vamos ambos ao café.
António José Ferreira

Adeus:
Com a palma para fora, a mão roda um pouco para baixo e para cima.

Digo estas palavras
quando está na hora.
Adeus, até logo,
tenho de ir embora.
António José Ferreira

Água:
O polegar e o mínimo abertos dirigindo-se à boca.

A água dá para beber
e bons pratos cozinhar.
Diz-se que a do rio é doce,
e é salgada a do mar.
António José Ferreira

Aranha:
Os dedos de ambas as mãos abrem-se e e fecham-se três vezes, avançando.

Anha é uma aranha
e dizem que é muito feia.
Mas ela não se importa
e lá vai tecendo a teia.
António José Ferreira

Autocarro:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o camião.

[ Como objeto brinquedo a criança usa uma tampa circular que faz de volante. ]

Se queres ser motorista
tens de fazer atenção.
Quando o tempo está de chuva
guia com mais precaução.
António José Ferreira

Árvore:
A palma da mão esquerda está por baixo do cotovelo direito. O antebraço direito está na vertical e a mão, aberta, roda um pouco.

Esta árvore que planto
boa sombra te vai dar,
lindas flores para ver,
frutos p’ra saborear.
António José Ferreira

Avião:
O polegar e mínimo imitam o voo de um avião de fora para a frente do próprio.

Eu já tenho dois bilhetes
para irmos de avião
ver as lindas cerejeiras
que florescem no Japão.
António José Ferreira

Balão:
As mãos abertas partem da boca e desenham a figura oval do balão.

O balão do João
sobe, sobe pelo ar.
‘Stá feliz, o petiz
a cantarolar.
Tradicional

Banana:
Com os dedos da mão esquerda, unidos, a mão direita move-se para fora, como se afastasse a casca da banana.

Eu vou comer, comer, comer,
eu vou comer banana.
Tradicional

Barco:
As mãos, unidas na ponta dos dedos, imitam a quilha de barco e avançam como se estivessem a cortar as ondas.

Um barquinho ligeiro andava,
ligeirinho andava no mar.
Tradicional

Bebé:
Mão direita por baixo do braço esquerdo junto ao cotovelo, movendo-se (como se embalasse).

Bicicleta:
Os punhos fechados descrevendo círculos para a frente, à maneira dos pedais de bicicleta.

Beber:
Os dedos curvos, na posição de agarrar um copo, dirigem-se à boca.

Bebe água natural
que faz bem à digestão.
Ela ajuda a emagrecer,
faz bem à circulação.
António José Ferreira

Bem:
O polegar para cima e os outros dedos fechados em frente do peito.

Bola:
As mãos abertas, com as palmas para baixo e os dedos ligeiramente curvos, descrevem um círculo, de cima para baixo.

A bola passa passa
e vai de mão em mão.
Cuidado para a bola
não te cair ao chão.
António José Ferreira

Bolacha:
A mão direita faz gesto de agarrar com polegar e indicador, mas junto à face direita, na perpendicular.

Fui à caixa das bolachas,
uma só bolacha havia:
A bolacha era dourada
e chamava-se Maria.
António José Ferreira

Bolo:
Com os dedos da mão esquerda arqueados para cima, a mão direita coloca-se por cima com os dedos arqueados, para baixo, como se o próprio colocasse um pequeno bolo num prato.

É hora de cantar,
e os anos festejar.
Ao nosso amigo [ Carlos ],
um bolo vamos dar.
António José Ferreira

Boneca:
Os braços encontram-se na posição de embalar, com o cotovelo esquerdo mais acima que o direito.

Borboleta:
As mãos abertas unidas pelos polegares com as palmas voltadas para o próprio e os dedos a mexer.

Lá vem ela para aqui,
lá vai ela para ali.
Voa leve a borboleta
parte branca, parte preta.
António José Ferreira

Cadeira:
Com as mãos em punho, voltadas para o próprio, movem-se ligeiramente os antebraços na vertical de cima para baixo.

caixa:
As mãos abertas estabelecem duas linhas paralelas (dois lados da caixa) e depois outras duas (os outros dois lados); primeiro com as palmas voltas uma para a outra, depois uma com palma voltada para as costas da outra.

Fui à caixa das bolachas
sem a minha mãe saber.
E da caixa tirei uma
e mais uma p’ra comer.
António José Ferreira, adapt.

Cama:
Unem-se as palmas das mãos e colocam-se junto à face direita.

Camião:
Com ambas as mãos a um volante grande imaginário, roda-se à direita e à esquerda. Como o autocarro.

Sabes, eu comprei um camião.
Vem comigo a Monção,
no camião, a Monção.
António José Ferreira

Cão:
Coloca-se a mão direita com dedos arqueados entre o queixo e o lábio inferior.

O avô comprou um cão
e Badocha é seu nome.
Gosta pouco da ração.
Dou-lhe carne e ele come.
António José Ferreira

Carro:
Faz-se o gesto de rodar um volante imaginário, à direita e esquerda.

Eu já sei guiar o carro
e vou com velocidade!
Viro à esquerda e à direita
até chegar à cidade.
António José Ferreira

Casa:
Mãos e braços fazem um triângulo (como o telhado de uma casa).

– Minha casa tem terraço,
minha casa tem jardim.
– Minha tem espaço
para ti e para mim.
António José Ferreira

Cavalo:
Passa-se o indicador e o médio na testa, na horizontal, por cima da sobrancelha direita, da esquerda para a direita.

Era uma vez um cavalo
que andava num lindo carrossel.
Tinha as orelhas espetadas
e a cabeça era feita de papel.
Tradicional

Cinco:
Mostra-se os dedos da mão com a palma para forma.

Coelho:
O indicador e médio em frente da testa mexem-se para o lado de fora, enquanto os outros dedos da mão estão fechados.

– Coelhinho da monte,
que tens para me dar?
– Tenho muito carinho
e ternura p’ra dar!
António José Ferreira

Comer:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas, vão à boca duas vezes.

Vou comer a sopa toda
e o peixe vou comer.
Não quero refrigerante:
água é o que vou beber.
António José Ferreira

Comida:
Os dedos da mão direita, unidos nas pontas dos dedos, vão à boca uma vez.

Cuida sempre que a comida
faça bem à tua vida.
António José Ferreira

Comboio:
Puxa-se a sineta imaginária de um comboio antigo.

Tchu, tchu, apita o comboio,
tchu tchu, lá vem a apitar.
Tchu tchu, tem muito cuidado,
Passa depois dele passar.
António José Ferreira

Copo:
Os dedos curvos movimentam-se como se agarrassem um copo e o colocassem em cima da mesa.

Copo, copo, passa o copo.
Passa o copo por favor.
Se não passas bem o copo
é que não me tens amor.
António José Ferreira

Dá-me:
Com a mão direita aberta e palma para cima, a pessoa mexe os dedos para si mesmo.

Dá-me, dá-me uma bola,
para eu jogar na escola.
António José Ferreira

Dois:
Indicador e médio levantados, os outros recolhidos.

Dormir:
As mãos estão unidas pelas palmas, junto à face direita.

Elefante:
A mão direita fechada levanta-se e abre-se em frente da boca.

Havia um elefante
que andava numa savana sem fim.
Pequeno elefante,
tinha uma tromba assim!
António José Ferreira

Escova de dentes:
O indicador na horizontal passa para cima e para baixo, como escova, em frente da boca.

Fantasma:
Ambas as mãos por cima da cabeça e um pouco à frente, com os dedos abertos.

Flor:
A mão direita tem os dedos unidos nas pontas, abrindo-se em frente do nariz.

Fui colher a flor mais linda
que havia no jardim:
a rosa que tu adoras
por tudo o que és para mim.
António José Ferreira

Galinha:
Com a mão direita aberta na vertical em frente da cara, representa-se a crista, e fecha-se a mão, imitando uma bicada, na palma da mão esquerda.

Gato:
A mão direita fecha-se e abre-se como se estivesse a arranhar a mão esquerda, que está em punho.

Gelado:
A mão direita em punho passando em frente da boca e rodando ligeiramente.

Iogurte:
A mão esquerda agarra um iogurte imaginário e o indicador e médio dirigem-se para a boca.

Janela:
Mão direita sobre o braço esquerdo, como se estivesse ao parapeito de uma janela.

Leite:
Com a mão direita aberta com polegar junto à têmpora direita, o mínimo, o anelar e o médio fecham-se.

Lavantar:
Ambas as mãos abertas sobem.

Limão:
Com a mão esquerda em punho, a direita a roda como se espremesse um limão.

Livro:
As mãos unidas, palma contra palma, abrem-se e ficam com as palmas para cima, unidas nos dedos mínimos.

Maçã:
Com com os dedos da mão direita unidos, como comer, mas desde a parte inferior do queixo para fora.

Macaco:
A pessoa coça-se com ambas as mãos, em concha, fechando perto dos sovacos.

O macaco imita;
imita o gibão.
Todos começamos
pela imitação.
António José Ferreira

Menina:
Lembramos a menina com o polegar e o indicador agarrando a orelha direita no lugar do brinco.

Mesa:
Unidas pelos polegares, com a palma para baixo, as mãos afastam-e-se na horizontal.

Morango:
A mão esquerda está em punho e a mão direita com os dedos unidos nas pontas realça as pintas dos morangos.

Mota:
Um pulso roda, como se estivesse a dar gás.

Obrigado:
Leva-se a mão aberta ao queixo e desloca-se um pouco para a frente.

A palavra é simples,
fácil de dizer.
Digo “obrigado”
para agradecer.
António José Ferreira

Olá:
Move-se a mão com a palma voltada para a outra pessoa.

Olá, amigos,
olá, como estão?
Tenho um sorriso
na palma da mão.

Ovelha:
Com a mão direita em gancho, descreve-se círculos à volta da orelha, de trás para a frente.

Berra a ovelha, berra, berra.
Não o faz por estar zangada.
É assim que a ovelha fala,
esteja calma ou irritada.
António José Ferreira

Pão:
A mão direita aberta vai ao encontro da mão esquerda, que está aberta com a palma voltada para cima, entre o polegar e o médio.

Pássaro:
Com a mão em bico de pássaro, polegar e indicador ao lado da boca, imita-se um bico a abrir e fechar.

Tem coragem, passarinho,
salta agora do teu ninho.
Tem cuidado com o gatinho
que ele pode ser mauzinho.
António José Ferreira

Pato:
Com a mão em forma de pato – os dedos da mão direita alinhados – faz-se o gesto de abrir e fechar.

Pata aqui, pata acolá,
vai o pato a caminhar.
Se é livre, também voa,
se tem água, vai nadar.
António José Ferreira

Peixe:
A mão direita está em cima da esquerda, ambas com palma para baixo. Os polegares mexem-se, como barbatanas.

Pente:
Com os dedos curvos e unidos, para baixo, a mão direita mexe-se como se fosse um pente.

Pera:
Com o indicador e o médio abertos na horizontal, da face direita para a frente.

Por favor:
A mão direita aproxima-se da boca e desce.

Digo “por favor”
se estou a pedir.
Quando alguém me pede,
gosto de as ouvir.
António José Ferreira

Porco:
Cinco dedos da mão direita, curtos e separados uns dos outros, rodam em frente da boca e do nariz.

Porta:
Mãos abertas levantadas com palma para fora, a direita abre para o próprio ficando com o polegar à direita.

Trus trus!
– Quem é?
É um amigo da Guiné.
António José Ferreira

Quatro:
Os dedos da mão, exceto o polegar, recolhido.

Sopa: Com a mão esquerda em concha, representado o prato, a direita, côncava, vai à boca como se fosse uma colher.

Sopa. Vou fazer sopa,
Sopa de couve ou agrião.
Sopa. Ralo a batata.
Sal só um pouco.
Ponho feijão.
António José Ferreira

Tartaruga:
A mão direita, fechada, desliza por baixo da mão esquerda, em concha, como a cabeça a sair da carapaça.

Devagar, vai devagar.
Não precisas de apressar.
Tu tens tempo para chegar.
António José Ferreira

Telefone:
Com polegar em cima e o mínimo em baixo, abertos, e outros dedos fechados, entre o ouvido e a boca.

Touro:
Coloca-se a mão direita com o polegar, o indicador e o mínimo abertos, em frente da testa.

Três:
Os três dedos centrais, os outros dois recolhidos.

Tu:
Aponta-se com o indicador.

Tu, Makaton

Tu, Makaton

Urso: As mãos, unidas na ponta dos dedos, na cabeça, dirigem-se duas vezes à cabeça.

Ai que medo,
ai que susto.
Há um urso
atrás do arbusto.
António José Ferreira

Um:
Indicador levandado, os outros dedos recolhidos.

Uvas:
A mão esquerda tem o polegar, indicador e médio unidos; a mão direita do mesmo modo indo à boca como se levasse bagos de uva.

Vaca:
O polegar e mínimo estão abertos em frente da testa, como cornos, e afastam-se para o lado direito.

Orientação da Dra. Alexandrina Martins, terapeuta da fala

Makaton é um tipo de signos gestuais que provém da linguagem gestual australiana (AUSLAN). Os sinais utilizados são conceitos/ideias selecionados de acordo com o que é mais apropriado para as necessidades da criança com défices de comunicação. O Makaton usa um discurso gramatical normal com sinais de palavras-chave e usa também figuras e expressões faciais. Utilizar o Makaton com crianças com autismo pode ajudá-las na comunicação. O Makaton proporciona pistas visuais, que a criança pode aprender a associar às instruções. Isto é essencial nas crianças com autismo, pois estas possuem boas capacidades de memória visual. É importante que a família, professores e amigos aprendam a utilizar o Makaton, pois as crianças aprendem através de modelagem e experiência em diferentes contextos.

Stephen von Tetzchner, Harald Martinsen

Música gera conexões

Estudar esta arte favorece o neurodesenvolvimento. Os especialistas acreditam que ajuda também ao tratamento de menores com TEA ou TDAH.

A música pode ajudar a tratar os transtornos do espetro autista (TEA) e os transtornos por défice de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças, conclui a Sociedade Norteamericana de Radiologia (RSNA, sigla em Inglês). Segundo estes peritos, que os mais jovens recebam aulas de música incrementa e cria novas conexões cerebrais e “pode facilitar os tratamentos em crianças com estes transtornos”.

“Já era sabido que a música era benéfica, mas este estudo oferece um melhor entendimento sobre o que está a acontecer no cérebro e onde se produzem estas mudanças”, assegura Pilar Dies-Suárez, chefe de radiologia no Hospital Infantil de México Federico Gómez, num comunicado. “Experimentar a música numa idade precoce pode contribuir para um melhor desenvolvimento do cérebro, para a otimização da criação e o estabelecimento de redes neuronais e a estimulação das vias existentes do cérebro”, acrescenta a perita.

Estudos anteriores já referiam os benefícios da música no desenvolvimento cerebral. Por exemplo, um elaborado pelo Institudo de Aprendizagem e Neurologia da Universidade de Washington (Seattle, EUA) e publicado pela National Academy of Sciences concluiu que “certas melodias melhoram o processamento cerebral de bebés de nove meses, tanto no que se refere à música como a novos sons da fala”. A investigação sugeria que “experimentar padrões rítmicos musicais melhora a habilidade de detetar e pressagiar padrões rítmicos da fala. Isto significa que ouvir música em idades precoces pode ter um efeito global nas habilidades cognitivas dos bebés”, asseguraram os autores.

A importância das conexões cerebrais

Esta última investigação da RSNA consistiu na análise de 23 crianças entre cinco e seis anos, todos livres de transtornos sensoriais, de perceção ou neurológicos. Além disso, nenhuma tinha assistido anteriormente a aulas de música. Os sujeitos foram submetidos a uma avaliação, prévia e posterior, com uma técnica de ressonância magnética avançada – uma tractografia -, o que lhes permitiu identificar as mudanças microestruturais na matéria branca do cérebro. Esta última contém milhões de fibras nervosas – os axões – que trabalham como cabos de comunicação entre distintas áreas do cérebro. O resultado pôde medir o movimento das moléculas de água extracelulares ao largo destes axões. Do ponto de vista de saúde, tudo é normal quando estas células de água se movem de modo uniforme; em contrapartida, quando o fazem de forma aleatória, sugere que existe algo anormal.

Depois de nove meses de estudo com aulas de música, os resultados mostraram o incremento das conexões e da longitude dos axões em determinadas áreas cerebrais, sobretudo “e de maneira mais notória nas fibras que conectam os lóbulos frontais e que em conjunto constituem o chamado fórceps menor”.

“Ao longo da vida”, prossegue a especialista, “a maturação das conexões cerebrais entre as regiões motoras, auditivas e outras zonas permitem o desenvolvimento de um grande número de habilidades cognitivas, entre elas, as habilidades musicais”.

“Quando uma criança recebe aulas de música, o seu cérebro prepara-se para responder a certas solicitações, estas incluem habilidades motoras, auditivas, cognitivas, emocionais e sociais”, acrescenta Dies-Suárez. “Cremos que o aumento é devido à necessidade de criar mais conexões entre ambos os hemisférios cerebrais quando ouves música”, conclui.

Ajudar as crianças com TEA e TDAH

Os investigadores também crêem que “os resultadosdo estudo podem servir para incidir com mais precisão nas estratégias de tratamento em crianças com TEA ou TDAH”. Transtornos que afetam muitas crianças no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 21 em cada 10 000 crianças que nascem no planeta padecem de autismo, estatísticas que levaram em 2008 a declarar 2 de abril como Dia Mundial do Autismo. Estes transtornos afetam o neurodesenvolvimento e manifestam-se habitualmente nos primeiros três anos de vida. Os bebés com o transtorno perdem o contacto visual, em certas ocasiões parece que não ouvem e têm algumas hipersensibilidades ou fazem birras excessivamente fortes. Uma conduta muito característica das crianças com este transtorno são os comportamentos repetitivos.

O TDAH é um transtorno crónico e começa a revelar-se antes dos sete anos. Estima-se que mais de 80% das crianças continuarão a apresentar problemas na adolescência, e entre 30-65%, na idade adulta. Os rapazes são propensos que as meninas a padecer de TDAH, em proporções que variam de quatro a um.

Carolina García, El País, De mamas y de papas, 24 de novembro de 2016, tradução de António José Ferreira a 12 de junho de 2019.

Criança com autismo dedilhando guitarra, créditos Pixabay

Criança com autismo dedilhando guitarra, créditos Pixabay

O contributo da Música na Educação Especial

Josiane Donatone

O contributo da música na Educação Especial consiste em ser facilitar o processo de aprendizagem, como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo, e também ampliar o conhecimento musical do aluno. A música é um bem cultural e o seu conhecimento não deve ser privilégio de poucos.

Desde cedo, a criança demonstra interesse por ritmos e sons musicais. Com o passar do tempo, a criança experimenta sons que pode produzir com a boca e é capaz de perceber e reproduzir sons repetitivos, acompanhando-os com movimentos corporais. Essa movimentação desempenha papel importante em todos os meios de comunicação e expressão que se utilizam do ritmo, tais como a música, a linguagem verbal e a dança.

Josiane Donatone

Som, ritmo e melodia são elementos básicos, essenciais da música e que podem, na plenitude da expressão musical, despertar e reforçar a sensibilidade do aluno, provocar nele reações de cordialidade e entusiasmo, manter a sua atenção e estimular a sua vontade.

Ao envolverem-se em atividades musicais, os alunos melhoram sua acuidade auditiva, aprimoram e ampliam a coordenação viso-motora, as suas capacidades compreensão, interpretação e raciocínio, descobrem sua relação com o meio em que vivem, desenvolvem a expressão corporal e oral.

Quanto mais as crianças têm oportunidade de comparar as ações executadas e as sensações obtidas através da música, mais a sua inteligência e o seu conhecimento se vão desenvolvendo. Numa escola onde muitos têm um histórico de frustrações – escolares e sociais – devido às duas dificuldades, o trabalho com artes e música é de fundamental importância para o seu desenvolvimento.

A música tem importância como meio de expressão e recurso didático no Ensino Especial. Sendo assim, as atividades com música contribuem para o desenvolvimento no convívio dos alunos no meio social, abrangendo os aspectos comportamentais assim como complementando os aspetos didáticos.

Leia AQUI toda a monografia, A Contribuição da Música na Educação Musical, de Josiane Donatone. Ligeiras adaptações.

Crianças em Musicoterapia

Crianças em Musicoterapia

Música e autismo

Patrícia Fernandes

“Viver… é afinar um instrumento. De dentro para fora. De fora para dentro. A toda a hora, a todo o momento…”

Wisnik, 1989

Comunicar e interagir é de uma enorme importância, não só no ensino como na vida quotidiana, onde fica bastante transparente que, quando uma criança ou adulto manifesta complicações significativas nestas áreas, é fundamental uma proposta educacional adaptada para ajudar a afirmar que a criança ou adulto façam um maior progresso.

“É consensualmente considerado que os ambientes educacionais regulares oferecem às crianças com perturbações do espectro do autismo1 (PEA) uma igualdade de oportunidades, e uma melhor preparação para a vida”.

Não há dúvida de que a presença da Música assume já uma importância acrescida, nomeadamente, a Música como opção terapêutica nas crianças com perturbações do espectro do autismo. “… as canções são poemas que “cantam” a natureza na sua grande diversidade e as pessoas com os seus sentimentos, fantasias e ritos, ora despertando ora excitando (…) uma canção, interpretada em diferentes fases de crescimento do indivíduo faz-lhe despertar diferentes vibrações, quer físicas, quer mentais, quer psicológicas”.

Desde cedo que, estas crianças, jovens adultos manifestam um tumulto severo do seu desenvolvimento, concretamente, relacionado com a interacção social e propriamente a sua comunicação. Por outro lado, podem apresentar diversas habilidades a outras áreas, nomeadamente a Música. A presença da Música, cada vez mais forte, tem significado para cada sujeito na medida em que se une à experiência vivida, ao passado e ao presente. Daí, podermos afirmar que os significados da Música são arquitectados, reproduzidos nas relações, e correspondem com o que é vivido.

“Nas últimas décadas, o ensino da linguagem musical tem vindo a ser objecto de reflexão contínua, no sentido de tornar compreensível uma linguagem tão abstracta como é a Música”.

A Música, cujo poder sobre a mente é incontestável, é hoje muito usada como técnica de relaxamento por parte de profissionais, contudo, tende a ser muito apreciada pelos indivíduos com perturbações do espectro do autismo, daí afirmar que a Musicoterapia é uma das técnicas que mais perto consegue ir destes indivíduos.

A Musicoterapia permite uma enorme aproximação por parte destes indivíduos, no que se refere, ao ouvir, sentir e tocar.

Patrícia Fernandes

Através deste tipo de actividades, as áreas a trabalhar são inúmeras, desde trabalhar a motricidade, ao executar gestos e até mesmo a dança, desde desenvolver uma acuidade auditiva e também trabalhar questões como o ritmo, a atenção, entre outras.

A importância da Música na formação e na educação foi proclamada e oficializada na Lei de Bases do Sistema Educativo-LBSE, nº46/86, de 14 de Outubro de 1986, abrangendo todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar ao ensino superior, passando a integrar áreas disciplinares com competências de “ (…) desenvolver capacidades de expressão e comunicação, (…) desenvolver a imaginação criativa e sensibilizar para a actividade lúdica, (…) assegurando às crianças com NEE (…) condições adequadas ao seu desenvolvimento e pleno aproveitamento das suas capacidades” (LBSE, 1986, art.º s 5º e 7º).

Sons e Silêncios. Musicoterapia no tratamento de indivíduos com perturbações do espectro do autismo, de Patrícia Raquel Silva Fernandes. II Ciclo em Ciências da Educação, Educação Especial. Braga, Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional de Braga – Faculdade de Ciências Sociais, 2012.

Menino com espectro do autismo

Menino com espectro do autismo

Música para Necessidades Educativas Especiais

Isabel Ferreira

A Música, quando bem administrada, tem efeitos benéficos ao ser humano e coloca-o em contacto com os seus sentimentos sem causar introspeção. Entre as Expressões, a Música pode ser, se permitirmos, um grande contributo para a ajuda das crianças com NEE. Não só as motiva como também, ajuda a colmatar as suas lacunas. Há Música que condiciona e determina um certo comportamento, uma certa expressão de um sentimento. Isto é, a criança pode estar sob efeito de um nervosismo, de uma depressão ou agressividade e determinada música ou canção mudar o seu estado de espírito, acalmar ou alegrar, servir de estímulo, proporcionar paz. A Música tem aqui a função de uma terapia, a terapia musical.

As crianças com deficiência têm gosto e natural tendência para o ritmo e para a Música. É necessário que se ponha este gosto ao serviço do desenvolvimento da sua expressão corporal e da formação do espírito. É também de muito interesse que as crianças com patologia aprendam a manejar instrumentos de percussão e de sopro pois, estes favorecerão o desenvolvimento auditivo.

A Música como elemento terapêutico é utilizada há mais de trinta mil anos. Ela encontra um grande campo de aplicação em pedagogia, sobretudo na reeducação de pessoas com limitações físicas, com problemas sensoriais tais como a surdez, cegueira e ainda nas pessoas com problemas mentais. Sendo ela um instrumento de disciplina, de pensamento e de expressão de emoções através da motricidade, é capaz de atingir as profundezas do ser que estão inacessíveis e que a Educação entendia no seu aspeto habitual, não é capaz de resolver.

Ao estudar-se o desenvolvimento do ser humano, permite compreender que o som acompanha-nos desde a vida intra-uterina até à nossa morte. Há estudos que comprovam que o feto, através do seu sistema tátil, e posteriormente, através do ouvido, ouve sons e ritmos que fazem parte do universo corporal da mãe. Para além de todos os sons corporais tais como as articulações, os movimentos peristálticos, a voz da mãe, o feto desenvolve-se e vai-se apercebendo da importância vital que este som (batimento cardíaco) tem para a sua vida.

A Música toca em regiões do ser e do inconsciente, impossíveis de obter por outros meios, e exerce uma enorme influência sobre as condições psicofisiológicas do ouvinte. Em consequência, produz efeitos quer a nível físico, quer a nível psíquico. Na medida em que pretende dar resposta a objetivos ora pedagógicos ora terapêuticos, a Música tem um caráter de reeducação. A capacidade que ela tem de desbloquear estados inibidores, de resolver problemas de expressão e de preparar o indivíduo para o acesso a uma psicoterapia essencialmente verbal, faz que seja utilizada no campo psiquiátrico como o meio de comunicação para pessoas com doenças mentais, autistas e outras, que são privadas de certas relações interpessoais.

Podemos considerar a Música como uma outra linguagem, possuindo o seu código específico. A linguagem verbal foi-se desenvolvendo, segundo um processo de evolução cultural permitindo descrições precisas e sendo a base de uma grande parte da nossa cultura. Ela não fornece ao nosso espírito pensamentos claros, mas aparece como um fenómeno global que origina experiências de beleza onde o resultado é a conjugação da sensibilidade e da emoção. Esta dupla linguagem artística, existente na nossa cultura – verbal e musical – encontra-se de maneira surpreendente na função cerebral.

A criança/jovem com défice intelectual, apresenta perturbações e limitações na forma de se relacionar com o meio e com os outros. O facto de essas limitações serem ao nível comunicativo, colocam entraves à forma de ela estar no mundo. É comum constatarem que estas crianças apresentam problemas de ordem emocional e relacional, inibindo o seu potencial de desenvolvimento. Torna-se imperioso reeducá-las de forma a torná-las capazes de desempenhar, dentro de padrões mínimos, as atividades normais para a sua idade, de forma a dar-lhes melhor qualidade de vida.

Segundo Jacques Dalcroze, ”…é indispensável, no campo da Música,…, favorecer na criança a liberdade das suas ações musculares e nervosas, ajudando-o a triunfar sobre as resistências e inibições e harmonizar as suas funções corporais com as do pensamento”. Pelo facto da Música possibilitar a comunicação, ajudar a memória, impulsionar e organizar as ações motoras, ela é de maior importância na (re)educação e desenvolvimento dos deficientes.

Para Jacqueline Verdeau-Paillés e Mario Delli Ponti (1995) “a Música experimentada, compreendida, interpretada como perceção do ritmo e como atividade rítmica, pode ter a sua utilização em pedagogia e em terapêutica, dirigindo-se a indivíduos ou a grupos, a crianças, a adultos, a pessoas idosas; ela permite reunir as luzes de uma fácil aprendizagem, de um melhoramento dos comportamentos, de um desaparecimento de certos sintomas e de uma possibilidade de comunicação para os indivíduos que sofrem de diversos tipos de limitações sensoriais”.

Deste modo, são várias as áreas de conteúdo onde a Música pode atuar: doenças mentais, motoras, sensoriais e outras. Neste sentido, o trabalho tem características distintas, de acordo com as necessidades de cada patologia.
Face a uma criança com deficiência, temos de a encarar como um ser humano com quem se vai estabelecer um meio especial de comunicação, devendo esquecer todas as informações de base sobre a criança, isto é, partir da linha zero, despojar-se de todas as circunstâncias vivenciais que o “deficiente” apresenta para poder exercer nele uma terapia positiva e um meio de comunicação eficaz entre os dois intervenientes nas sessões individuais.

O primeiro contacto com uma criança com deficiência, deverá ser individual, propõe-se começar com algumas sessões individuais, de cinco a dez, para depois se integrar nas sessões de grupo e é nestas que o “deficiente” melhor se enquadra no sentido de uma terapia adequada. Segundo Jacques Dalcroze, “ É indispensável no campo da Música ou qualquer outro domínio, ocupar-se dos ritmos, favorecer na criança a liberdade das suas ações musculares e nervosas, ajudá-la a triunfar sobre as resistências e inibições e harmonizar as suas funções corporais com as do pensamento”.

Com a criança com deficiência todas as obras musicais devem ser do máximo primitivismo, pois trata-se de estimular e tratar um ser humano que apresenta um grave handicap. A regra de ouro desta terapia é a simplicidade. É muito importante que a terapia recorra às canções simples que podem ser inventadas pelo deficiente ou pelo profissional que o acompanha. Deve-se adotar textos primitivos para que sejam entendidos, por exemplo: o cavalo toc-toc, o gato miau-miau, etc. O ritmo cardíaco é outro conceito a ser explorado.

Se a criança com deficiência apresenta agressividade, é importante que se canalize a Música, dando-lhe um tambor para expressar esse sentimento. Deve-se escutar o tempo biológico particular de cada criança, para assim atuar com mais eficácia no tratamento da deficiência. Deste modo, tem de se ter um conhecimento sobre a idade cronológica e o quociente intelectual do indivíduo e, por outro lado tem de se dirigir a um ser humano a quem através de uma linguagem especial vão ser dirigidas uma série de mensagens que servirão para o seu desenvolvimento.

Pelo facto da Música se inserir num contexto não verbal, permite a introdução de mensagens que pareciam difíceis, embora sejam facilmente captadas. Quando a Música e o som se utilizam como agentes de intercâmbio, para estabelecer uma relação terapêutica que possibilite o crescimento e o desenvolvimento da pessoa, encontramo-nos frente a um processo Música/Terapia. Este baseia-se na potencialidade sensório/motor e comunicativa da Música, e é constituída pelo trinómio – ação/relação/comunicação.

A ação consiste em tocar instrumentos, cantar ou mover-se ao som da Música e deve ter um caráter lúdico. O “deficiente” precisa de ser estimulado a brincar, porque só assim é que vai poder manifestar as suas capacidades e criatividade. Através da Música, vão-se desenvolver certas habilidades motoras e as noções de espaço e tempo.

O resultado da ação de tocar, cantar, dançar, chega a todas as pessoas presentes no grupo de trabalho, mesmo àquelas que, aparentemente, não estão a participar na atividade. Começa a ocorrer uma interação e um contacto interpessoal – a relação. Com o decorrer do processo, os membros do grupo ouvem-se e tocam em conjunto. Têm início relações interpessoais mais explícitas. A Música é um meio não verbal de comunicação/expressão de sentimentos e afetos, que mais tarde poderão chegar, ou não, a ser verbalmente explicitados e elaborados.

Leia AQUI toda a dissertação.

A importância da Música no desenvolvimento global das crianças com Necessidades Educativas Especiais: perspetiva dos Professores do 1º Ciclo e de Educação Especial, por Isabel Maria Campos Ferreira, Mestrado em Ciências da Educação na Especialidade em Domínio Cognitivo e Motor, Lisboa: Escola Superior de Educação João de Deus, 2012. Excerto com ligeiras adaptações.

Criança com NEE

Criança com NEE