Jogos musicais

Dinâmicas para o sucesso escolar

Jogos com música para o desenvolvimento global da criança em Atividades Lúdico-Educativas

Esquema de possível formação para professores, educadores e animadores em que cada atividade é constituída por:

  • Quadra
  • Padrão
  • Jogo
  • Canção

Todos os jogos têm variantes conforme sejam realizados ao ar livre ou em sala, e são escolhidos tendo em conta o perfil da turma. Foram criados para celebrações diversas ao longo do ano e alguns deles são brincadeiras escolares tradicionais recolhidos em escolas do concelho de Vila Nova de Gaia.

Muitos jogos têm associados objetos não especificamente musicais como bolas, tampas, baldes, cestos, paulitos, cordas, peluches que aumentam o interesse das crianças.

Devem ser selecionados de maneira a promoverem a autoestima de todos. Se há jogos em que algumas crianças têm muita dificuldade, há que promover a superação dos seus limites mas, ao mesmo tempo, propor jogos em que eles se destacam. Em vez de excluírem, em boa parte dos jogos atribui-se vidas que os alunos podem ir perdendo mas continuando em jogo para não penalizar quem já tem dificuldades. E se uma criança perde todas as vidas (7, 5, ou 3…) há a hipótese de um grande amigo lhe dar uma.

Destes jogos, uns são jogados à mesa, com tabuleiro, papel ou outros materiais; outros podem ser feitos na sala na sua disposição normal; outros devem ser feitos no exterior.

As quadras podem ser recitadas expressivamente, ou ditas como quem canta, ou cantadas com melodias simples, conhecidas ou originais, e acompanhadas ou por instrumentos reciclados ou por percussão corporal prática e eficaz.

Em sala

Quadra de passe picado

Em passe picado
eu passo a bola
e mostro saberes
que aprendo na escola.

Dinâmica para dizer rios, cidades, serras, nomes próprios, cantores, instrumentos musicais, animais, plantas, flores.

Quadra de passagem de palma

Passa a palma,
passa já.
Vai daqui
para acolá.

Dinâmica de palma em roda com apresentação

Quadra da fanfarra

Vai pela rua a fanfarra
a tocar na procissão.
As cornetas e os bombos
chamam logo a atenção.

Dinâmica para percussão em marcha
[ instrumentos de percussão reutilizados ]

Quadra de berlinde em arena

Há um jogo de berlinde
que se faz também com bola.
Numa arena reciclada
rola bem, berlinde, rola.

Dinâmica com berlinde ou bola de desodorizante em tampa circular

Quadra de pião

Gira o pião,
o pião que dança.
Quem for campeão
vai jogar em França.

Dinâmica com tampas de amaciador a fazer de piões
[ tampas de amaciador para todo o grupo ]

Quadra de rolhas

[ rolhas ]

O rato roeu,
roeu a rolha,
a rolha da Rita,
da Rita Ribeiro.

Dinâmica de passar rolha em roda sem perder a pulsação, agarrando e passando na sílaba tónica dos dissílabos.
[ rolhas de cortiça ]

Quadra de castanha

Assa uma, assa duas,
mais castanhas tens de assar.
Dá-me uma, dá-me duas,
dá-me outras p’ra levar.

Dinâmica de passagem de castanha em roda

Quadra de letra e função

Cada letra do alfabeto
traz com ela uma função.
Saberá o que fazer
quem está com atenção.

G (gorila)

Dinâmica com ações e sons de animais associados

Quadra de nomes

A cabrinha já saltou
para cima do rochedo.
A mãezinha a ensinou
a ultrapassar o medo.

Dinâmica para saltar a tempo com o feminino, masculino e nome coletivo (cabra, cabrito, cabrada)

Quadra de agrupamento

Convidei os meus amigos
que já tocam bandolim
p’ra tocarmos em concerto
no coreto do jardim.

Dinâmica em que as crianças se agrupam (ou não) conforme o professor disser solo, duo, trio, quarteto, quinteto, sexteto…

Quadra de notas

Dó ré mi fá sol lá si,
São as notas a cantar.
Se são graves ou agudas
Ouve bem para saltar.

Dinâmica de passos ou saltos de acordo com notas da escala
[ linhas de orientação no chão ]

Quadra de tampa percussiva

Uma tampa destampou,
outra há-de destampar
para percutir na mesa
e no corpo do seu par.

Dinâmica à mesa com duas tampas criativas para cada participante
[ tampas de amaciador ]

Quadra do feijão

Do meu feijoeiro grande
eu colhi este feijão.
‘Stá na esquerda ou na direita?
Adivinha qual a mão!

Dinâmica de adivinhação da mão
[ 1 para cada par ]

Quadra de colher

Quero que a bola
não caia da colher,
mas saberei ganhar
e saberei perder.

Dinâmica de transporte de uma bola em colher reciclada de um ponto de partida até até meta.
[ colher de madeira e bola de desodorizante reutilizadas ]

Quadra de maraca

Fiz em casa esta maraca
E a quem é que a vou dar?
A alguém que esteja pronto
e que goste de tocar.

Dinâmica de passagem de maraca de mão em mão, em roda, e execução
[ maraca ]

Quadra de pares

Bato punho com o punho
e a mão com outra mão.
Com o par eu me divirto
a fazermos percussão.

Dinâmica de palmas em pares com quatro gestos percussivos diferentes

Quadra de micro

Passa o micro, ó colega,
mas não deixes de pensar
qual a canção que apresentas
quando o micro te calhar.

Dinâmica de passagem de microfone de brincar em roda em que aqueles a quem calhar cantam um refrão
[ objeto com formato de micro ]

Quadra de cadeiras

Já dancei em muitas vilas,
Em cidades vou dançar.
Esta dança das cadeiras
É o que agora está dar!

Dinâmica de cadeiras em que o último a sentar-se na cadeira perde uma de cinco vidas
[ cadeiras ]

Quadra de cesto

Pega o cesto cheio de ovos
e vai lá vender na feira.
Tem cuidado pelo caminho
para não fazeres asneira.

Dinâmica de equilíbrio para transporte de tampa circular à cabeça
[ tampa ]

Quadra de batata

A batata foi ao forno,
a batata se queimou.
Ficou triste o cozinheiro
que já nada aproveitou.

Dinâmica para passar uma batata “quente” ao colega na roda.
[ batata ]

Quadra de congelamento

O uso polar caçava,
o urso polar caçou,
mas o frio era tanto
que o urso congelou!

Dinâmica de estátua quando um voluntário competente percute uma padrão previamente combinado
[ tambor ]

Quadra de comboio

Vem comigo no comboio
que se chama Cortesia.
Quando chego de manhã
digo sempre: “Olá! Bom dia!”

Dinâmica para destacar a cortesia em forma de comboio com as mãos nos ombros do colega da frente

Quadra de disco

Quem quiser ser desportista,
para ser um campeão,
tem de fazer exercício
no inverno e no verão.

Dinâmica para lançamento de disco desde uma linha de lançamento
[ uma tampa de balde de azeitonas ou tremoços para cada jogador ]

Quadra de bola

Bate a bola, bate forte,
sem perder a pulsação.
Tem cuidado com a bola
para não rolar no chão.

Dinâmica para bater a bola no chão passando ao colega.
[ bola ]

Quadra do planeta

Tem cuidado com a terra,
tem cuidado com o mar.
Não estragues o planeta
e aprende a reciclar.

Dinâmica com passagem de bola para sensibilização ambiental
[ bola maleável ]

Quadra de balão

Dá um toque muito leve,
dá um toque no balão.
Joga com a tua equipa
para não cair ao chão.

Dinâmica para manter o balão no ar, em equipa, em silêncio e com pés colados ao chão
[ balões ]

Quadra de concha

Vai andando o caracol
no seu passo muito lento
e entre as plantas do jardim
ele encontra o alimento.

Dinâmica para caminhar com tampa nas costas sem a deixar cair
[ tampas ]

Quadra de bola rolante

Roda a bola, roda, rola,
Põe a bola a rolar.
No recreio da escola
É que eu gosto de jogar.

Dinâmica para passar a bola a rolar a um colega dizendo o animal que começa pela primeira letra do seu nome
[ bola ]

Quadra de caranguejo

Na areia da praia marcho,
na água do mar eu nado.
Adivinha quem eu sou,
sabendo que ando de lado.

Dinâmica para andar de lado de uma linha de partida a uma linha de chegada

Quadra de centopeia

Centopeia, centopeia,
Tem cem pés, tem cem patinhas.
Entra nesta centopeia,
Mexe os pés, usa as mãozinhas.

Dinâmica para caminhar com as mãos nos ombros do colega e comer (tocar) vermes e caracóis.

Quadra do Sílabo

O dissílabo convida
Os amigos para dançar:
Saberás pelo teu nome
se o convite é para aceitar.

Dinâmica para identificar o seu nome como monossílabo, dissílabo, trissílabo ou polissílabo

Quadra de carta

Vou mandar uma mensagem
a um amigo especial.
Ele alegra-me e apoia
quando eu me sinto mal.

Dinâmica para mandar mensagem a um amigo.
[ envelope ]

Quadra de memória

É um jogo de memória,
vamos lá emparelhar!
Quando vês um instrumento
tenta descobrir o par!

Dinâmica de memória para emparelhar objetos com identidade voltada para baixo
[ jogo de memória para 4 grupos ]

Quadra de cores

Tem o céu muitas estrelas,
outras tantas tem o mar.
São espécies coloridas
que ultrapassam o milhar.

Dinâmica para encontrar a cor referida na sua roupa ou na proximidade

Quadra de caneta

Passa, passa a caneta
E aproveita p’ra pensar.
Vais dizer a tua rima
Quando a música parar.

Dinâmica para dizer rima com base no seu nome, ou de outra forma.
[ caneta gasta ]

Quadra de dragão

Sou dragão, sou poderoso,
tenho cauda de serpente.
Os meus olhos são de tigre
E assusto toda a gente.

Dinâmica para por o dragão a crescer quando a cabeça toca num colega que passa a ser a cabeça, e assim sucessivamente

Quadra da Europa

Nós temos bonitas danças,
a rusga e o corridinho,
o vira e a cana-verde,
a chula e o bailinho.

Dinâmica para identificar países num mapa imaginário ao ar livre

Quadra de limbo

Quem passou, passou,
se não passou, passasse.
Quem treinou, treinou;
se não treinou, treinasse.

Dinâmica inspirada em dança de Trindade e Tobago em que os jogadores devem passar por baixo de corda
[ corda ]

Quadra do galo

Tenta colocar as peças
numa mesma direção.
Ganhas, perdes ou empatas:
o que vale é a diversão!

Dinâmica para fazer o jogo do galo por equipas (ou em pares)
[ 9 arcos e 5+5 tampas de cor diferente ]

Quadra de Páscoa

Páscoa é tempo de cantar,
de brincar e ser feliz.
Vou oferecer-te um ovo
para ver se tu sorris.

Dinâmica com passagem de ovo em que cada um passa o seu e recebe outro perdendo uma de três vidas se passar mal
[ ovo Kinder ou outro ]

Quadra de funções

Para cada número
há um movimento.
Já que tens ouvido,
fica bem atento!

Dinâmica de audição atenta em que a 4 ou mais números é atribuída uma ação

Quadra de polícia

Neste tempo todos querem
ser aquilo que não são.
Há quem faça de polícia
e quem queira ser ladrão.

Dinâmica para perseguição policial a ladrão durante um tempo determinado para o Carnaval

Quadra do livro

Um bom livro é um amigo
que está sempre ao meu lado.
Aconselha-me e aponta
o que é apropriado.

Dinâmica para passagem de livro e dizer lengalenga ou trava-línguas
[ livro ]

Quadra de titãs

Empurrava o Renato,
Empurrava o João.
Tanto eles empurraram
Que um deles caiu ao chão.

Dinâmica de pares em que cada criança em pares tenta com as mãos fazer que o colega mexa os pés sem mexer os seus

Quadra de carapaça

Vai a tartaruga
muito devagar.
Tem o tempo todo
Para lá chegar.

Dinâmica de andamento lento com carapaça feita de tampa nas costas
[ uma tampa para cada jogador ]

Quadra de saqueta

A saqueta vai na mão.
Ouve se ela cai ou não.
A saqueta está a passar.
Onde é que ela vai parar?

Dinâmica de lencinho com saqueta reciclada
[ saqueta ]

Quadra de condução

Vais de mota ou de automóvel?
Então vai pela direita.
Para no sinal vermelho,
que o perigo está à espreita.

Dinâmica para assimilação de regras de trânsito, lateralidade e atenção ao outro
[ volantes ou guiadores ]

Quadra de túnel

Neste túnel há perigos
que nem estás a imaginar.
Tem cuidado que o teto
até pode desabar.

Dinâmica em que uma criança tem de passar num túnel com crianças com pés fixos ao chão sem levar com o desabamento das mãos

Quadra do cartucho

Já meti uma castanha,
mais castanhas vou meter.
O cartucho vai-se enchendo
de castanhas para comer.

Dinâmica para encestar bola de papel ou “castanha” presa por um fio a um cartuxo reciclado
[ cartucho ]

Quadra de manossolfa

A escala é uma escada
a subir e a descer.
Faço gesto com a mão
para não me esquecer.

Dinâmica para fazer cada gesto de mãos da escala associada à sua nota

Quadra das saquetas

Passa um saco, passa outro,
o terceiro e o quarto,
passa o quinto, passa o sexto.
Acabou! Já estou farto!

Dinâmica de passar saquetas recicladas com conchas, sendo uma delas de cor diferente, o que dá 100 pontos a quem o tiver no momento em que para a canção.

Quadras do Ímpar Par

Qual o número de letras
do teu nome vais mostrar.
Ímpar junta-se com ímpar
e um par com outro par!

Dinâmica para reunir crianças em pares conforme o professor diga Ímpar-Ímpar, ou Par-Par.

Quadras de Manossolfa

A um dó juntou-se um dó
no jogo do emparelhar.
Apareceu então o Ré
Que outro Ré quer ter por par.

Dinâmica em roda em que cada um inicia um novo par um emparelha uma nota com gesto de mãos

Quadra de desafio

O Adão tocava adufe
e um grupo quis formar.
Xavier do xilofone
convidou-o a tocar.

Dinâmica em que cada escolhe um instrumento que começa pela primeira letra do seu nome e desafia um instrumento/colega a fazer música.

Quadra do cocas

Qual o número da sorte?
Qual a letra do azar?
Quero ver o meu destino
e o que me vai calhar.

Ao ar livre

Quadra de encestar

Se és um basquetebolista,
para seres campeão,
tens de bater bem a bola
e lançá-la com a mão.

Dinâmica de encestar bolas ou tampas recicladas, brancas ou coloridas, por equipas, num cesto de papéis.
[ cesto de papéis e bolas de desodorizante, ou tampas de cores ]

Quadra de pontos cardeais

Ora eu visito o Norte,
ora sigo para Oeste.
Ora faço praia a Sul,
ora subo para Leste.

Dinâmica com movimento e deslocação conforme o ponto cardeal mandado
[ tampas verde, azul, amarela e vermelha ]

Quadra de alimentos

É tarefa dos coelhos
arranjarem que comer.
Para quem é a cenoura,
para quem é que vai ser?

Dinâmica com lançamento de tampas por um grupo em direção a uma tampa de cor diferente.
[ tampas, uma delas de cor diferente ]

Quadra de corda

Vamos lá entrar no jogo
que o salto faz-te bem.
Sei que és um bom atleta
se tu saltas até cem!

Dinâmica de salto à corda (grande, presa a um poste)
[ corda grande ]

Quadra de salto

Salto eu e saltas tu,
para vermos quem mais salta.
Salta, corre e caminha:
o exercício faz-te falta.

Dinâmica para saltar na última sílaba tónica de cada verso de uma linha de partida a uma linha de chegada

Quadra de caçada

Se és um animal da selva
Tu precisas de saber
Como deves atacar,
Como podes defender.

Dinâmica de caçadinha criativa com predador, presas e área protegida

Quadra de disco

Voa o disco no recreio
da minha mão para a tua.
Não o lances muito alto,
não vá ele para a Lua.

Dinâmica para lançar disco em pares
[ tampas ]

Quadra de teclas

São 88 as teclas
que um bom piano tem.
Se entre as notas houver saltos,
tu vê lá se saltas bem!

Dinâmica para saltar na proporção de um intervalo entre notas, para a esquerda ou direita (Dó – Dó; Dó -Ré; Ré – Fá)

Quadra de barqueiro

– Quero ir à outra margem
visitar a minha amiga.
– A viagem é barata,
só lhe custa uma cantiga.

Dinâmica de barqueiro adaptada em que só passa quem pedir corretamente e fizer a ação esperada

Quadra de localização

Ora vou à serra,
ora vou à praia.
Ora vou ao Porto,
Ora vou a Gaia.

Dinâmica para localização e acesso rápido a regiões

Quadra de pássaro

Tem coragem passarinho,
tem coragem, melro novo.
Salta agora do teu ninho
que já não estás no ovo.

Dinâmica com passagem amigável de peluche
[ pássaro de peluche ]

Quadra de poldras

No leito do rio há pedras
para chegar ao outro lado.
Salto sem cair ao rio
para não ficar molhado.

Dinâmica para salto de arco em arco individualmente ou por equipas
[ 5 ou 10 arcos ]

À mesa

Quadra da vida

Se soubeste a palavra
Que estava aqui escondida,
És o vencedor do jogo,
E ganhaste uma vida.

Dinâmica em que se deve acertar letras e palavras para não se ser enforcado

Quadra da palavra inesperada

As palavras têm ritmo,
têm vida e sentidos.
Têm música nas letras
e sons muito coloridos.

Dinâmica em que cada um diz uma letra de uma palavra e o colega acrescenta outra
[ folha A5 e lápis ]

Quadra de copo

Olha a taça, agarra e passa
sem perder a pulsação.
Ganha a taça quem trabalha
para ser um campeão.

Dinâmica de passagem de copo ou taça reciclados
[ um copo reciclado de amaciador da roupa para cada jogador ]

Jogo do comboio da gentileza

Jogo do comboio da gentileza

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Na Loja Meloteca saiba mais sobre edições em formato digital ou em papel.

Voz, Corpo, Há Som

de Pedro Filipe Cunha

Voz, Corpo, Há Som nasce de uma vontade imensa de um encontro com a música, de dar a conhecer a magia da forte relação entre sons, corpo e poesia na infância. Um projeto que acolhe e acompanha educadores, professores, pais, cuidadores e… as crianças, sobretudo as crianças, no prazer em levar a música à expressão. A alegria de cantar, mover, dançar, interagir, crescer juntos. A interpretação de canções e temas instrumentais nasce com um forte convite à expressão corporal. Tempo para experimentar e descobrir, para despertar o imaginário, a capacidade de criar, gozar, fruir cada momento, como ser único ou em pequeno e grande grupo.

Este livro presta um contributo à voz e ao corpo, enquanto intérpretes ativos da música e da dança. Não de mãos dadas, mas de corpo dado.

Voz, Corpo, Há Som, de Pedro Filipe Cunha

Biografia

Pedro Filipe Cunha é natural do Porto (n.1971). Completou a licenciatura em Produção e Tecnologias da Música na ESMAE-IPP, o mestrado em Estudos da Criança – especialização em Educação Musical na Universidade do Minho e o doutoramento em Ciências da Educação na Universidade do Porto.

Brinca à música com crianças a partir da Educação Pré-escolar. Tem realizado uma intensa carreira nacional como divulgador de uma pedagogia musical ativa, apaixonante e significante.

É também docente do ensino superior, sendo convidado regularmente por diversos centros de formação de professores a orientar ações de formação e partilhar as suas práticas pedagógicas.

Tem composto diversas obras para crianças, a maior parte gravada e editada. Destaca-se “Fá, Lá, Si” (2003), “Música em Grande… Nos Pequenos!” (2006) e “Sim Som” (2014).

Piano para Pequerruchos

Português

Em agosto de 2022, o mundo da música testemunhou o nascimento de uma obra dedicada aos jovens aprendizes de piano. Piano para Pequerruchos, uma criação da apaixonada professora, pianista e autora Maria João Lopes, surgiu com uma missão clara: transformar a experiência de aprendizagem do piano em algo memorável, motivador e, acima de tudo, divertido.

Nesta primeira edição, Maria João Lopes encontrou uma parceira valiosa em Ana Elisa Aragão, uma ilustradora talentosa e visionária. O papel da Ana Elisa Aragão, na criação e design do livro, foi inestimável, transformando cada página em uma explosão de cor e criatividade. As ilustrações da Ana Elisa Aragão ajudaram a dar vida às lições, criando um ambiente visualmente atraente e envolvente para os jovens aprendizes.

Em 2023, a 2.ª Edição de Piano para Pequerruchos veio para refrescar e oferecer uma nova visão dos conteúdos, com ilustrações cativantes e, desta vez, desenhadas pela própria autora, a Maria João Lopes, com mais autocolantes para os alunos poderem preencher as respostas ao longo do livro, e também mais partes de acompanhamento para o professor! Os professores desempenham um papel crucial no processo de aprendizagem e crescimento dos alunos, e os acompanhamentos convidam o professor a fazer parte da jornada memorável de Piano para Pequerruchos.

Piano para Pequerruchos é mais do que um livro; é uma missão e uma celebração da música. É o primeiro livro em português dedicado aos primeiros passos na aprendizagem do piano, projetado para tornar cada momento memorável, cheio de boa disposição e motivar os alunos a continuarem a sua jornada musical com muito entusiasmo!

No portal www.pianoparapequerruchos.com existem mais materiais didáticos disponíveis para compra, como as cartas interativas conhecidas por Baralhuchos, e o poster informativo sobre a história do piano para que os professores e alunos possam decorar o seu espaço de estudo.

English

In August 2022, the music world witnessed the birth of a work dedicated to young piano learners. Piano para Pequerruchos, a creation by the passionate teacher, pianist, and author Maria João Lopes, emerged with a clear mission: to transform the piano learning experience into something memorable, motivating, and above all, fun.

In this first edition, Maria João Lopes found a valuable partner in Ana Elisa Aragão, a talented and visionary illustrator. Ana Elisa Aragão’s role in creating and designing the book was invaluable, turning each page into an explosion of color and creativity. Ana Elisa Aragão’s illustrations helped bring the lessons to life, creating a visually appealing and engaging environment for young learners.

In 2023, the 2nd Edition of Piano para Pequerruchos came to refresh and offer a new perspective on the content, with captivating illustrations, this time drawn by the author herself, Maria João Lopes. The new edition also includes more stickers for students to fill in their answers throughout the book, as well as more accompanying parts for the teacher. Teachers play a crucial role in the learning and growth process of students, and these accompaniments invite the teacher to be part of the memorable journey of Piano para Pequerruchos.

Piano para Pequerruchos is more than just a book; it is a mission and a celebration of music. It is the first Portuguese book dedicated to the first steps in piano learning, designed to make every moment memorable, filled with enthusiasm, and motivate students to continue their musical journey with excitement.

On the website www.pianoparapequerruchos.com many more pedagogical items are available for purchase, such as the interactive card games called Baralhuchos and the informative poster on the history of the piano so teachers and students may decorate their practice space.

Piano para Pequerruchos, manual de piano para crianças, de Maria João Lopes

Piano para Pequerruchos, manual de piano para crianças, de Maria João Lopes

Maria João Lopes

Desde muito jovem, a autora se magnetizou à Música e ao ramo da Educação. Aos sete anos emigrou para o Reino Unido com a família, onde iniciou os estudos de piano na cidade de Leeds. Em 2007, de volta a Portugal, continuou os estudos de piano no Conservatório Regional de Castelo Branco. Durante a sua adolescência, foi convidada a participar, como pianista, em projectos artísticos com conceituadas orquestras e ensembles juvenis. Ao mesmo tempo, acompanhou, ao piano, vários músicos virtuosos, e ensinou piano a alunos de todas as idades.

Maria João Lopes, pianista e pedagoga

Maria João Lopes, pianista e pedagoga

Em 2014, a jovem pianista foi aceite e premiada com um bolsa para o Bachelor of Music no Royal Welsh College of Music and Drama. Em 2018, foi certificada com o Diploma of the Associated Boards of Royal Schools of Music em Ensino de Piano. Nesse mesmo ano, regressou a Portugal onde ingressou na Universidade de Évora no Mestrado em Ensino de Música, tendo concluído este em 2021 com a nota máxima na dissertação final.

Durante os estudos no ensino superior, a paixão pela área de investigação em Música intensificou-se, tendo já contribuído para a área, e elaborado diversos materiais e guias didáticos para os seus alunos em todo o Mundo. O seu trabalho alcançou sucesso e vale a pena referir que Maria João Lopes tem publicado um artigo científico na Springer – International Publisher. Tem também participado em diversos seminários e palestras científicas e, tem contribuído com o seu trabalho de investigação, para a divulgação e partilha de conhecimentos na área do Ensino de Música. É também membro da European Piano Teachers Associations.

Leciona piano há quase uma década em várias escolas, conservatórios de música e como freelancer e continua ativamente a desenvolver as suas competências como professora, pianista e investigadora científica.

Maria João Lopes é aluna de Doutoramento em Educação Artística na Universidade de Lisboa.

TESTEMUNHOS ESPONTÂNEOS

sobre a Lenga e a Meloteca quando incluía os conteúdos de Educação Musical que se tornariam um portal autónomo em 2022

As crianças de Cabo Verde agradecem! Muitos anos de muita dedicação em prol do desenvolvimento global do ser humano. Os meus respeitos e considerações. Mais de uma década te acompanhando. Confesso que aprendi muito. Vida longa!

(Elda Gonçalves, professor e músico de Cabo Verde)

Elda Gonçalves, professor e músico de Cabo Verde

Elda Gonçalves, professor e músico de Cabo Verde

Deixo aqui o meu agradecimento pelo apoio prestado e quero parabenizar-te pelo excelente profissional que és. A canção “Escola Minha Amiga” é LINDA.”

(Natércia Meireles, professora titular do 1º Ciclo, coordenadora da EB1 de Arnelas, 18 de junho de 2022)

Natércia Meireles, professora, coordenadora da EB1 de Arnelas, 2022

Natércia Meireles, professora, coordenadora da EB1 de Arnelas, 2022

Todos os anos trabalho a canção “Escola, minha amiga” com os meus alunos que a adoram.”

(Patrícia Moura, professora, 27 de maio de 2022)

António José Ferreira é o criador das plataformas Meloteca, Musorbis, Loja Meloteca, Musis e Lenga. É formador, autor e professor de música na infância.

António José Ferreira, criador e gestor dos portais Meloteca, Musorbis, Loja Meloteca, Musis e Lenga

António José Ferreira, criador e gestor dos portais Meloteca, Musorbis, Loja Meloteca, Musis e Lenga

Gillian Lynne

A criança que não conseguia ficar sentada na escola

Gillian era uma criança de sete anos e não conseguia ficar sentada na escola. Levantava-se constantemente, distraía-se, voava com os pensamentos e não seguia as lições. Os seus professores ficavam preocupados, castigavam-na, repreendiam-na, recompensavam-na…. mas nada. Gillian não sabia ficar sentada e não conseguia ficar atenta.

Quando chegava a casa, a mãe também a castigava e pensava que nada podia com o comportamento da menina. Gillian não só sentia a escola como um lugar de punição, como também sentia a sua própria casa como se fosse um castigo. Sentia-se humilhada e triste. Achava que era diferente e distante de todos os aplausos e louvores.

Um dia, a Mãe de Gillian foi chamada à escola. A senhora, triste, como quem esperava notícias desagradáveis, levou a menina e seguiu para a escola aguardando na sala que lhe fora indicada.

Sem a presença da criança, os professores falaram de uma doença, de um distúrbio evidente da menina, de algo que se passava com Gillian que não era normal e que não lhe permitia aprender.

Entretanto, durante a entrevista, apareceu um antigo professor que conhecia a menina e a sua história. Solicitou a todos os adultos, mãe e colegas, que o seguissem até um quarto, onde tinha deixado Gillian sozinha, dizendo-lhe que tivesse paciência que voltaria num instante. Tinha ligado um rádio velho com música de fundo.

Sem que ela se apercebesse que estava a ser observada, e sentindo-se sozinha na sala, imediatamente se levantou e começou a mover-se para cima e para baixo perseguindo com os pés e coração a música no ar. O velho professor sorriu e, enquanto os colegas e a mãe a olhavam entre o perplexo, o compassivo, o incrédulo,… ele exclamou:

“Vejam, a Gillian não está doente, a Gillian é uma bailarina!”.

Aconselhou, então, a mãe a matriculá-la numa aula de dança e aos colegas disse-lhes que a fizessem dançar de vez em quando nas suas aulas.

A menina foi à sua primeira aula e, quando chegou a casa, só disse à mãe: “São todos iguais a mim, ninguém consegue ficar sentado!”

Dame Gillian Barbara Lynne foi uma bailarina, dançarina, coreógrafa, atriz de teatro e apresentadora de televisão britânica. Recebeu prémios e escreveu livros. Nasceu 20 de fevereiro de 1926, Bromley, Reino Unido e morreu a 1 de julho de 2018, com 92 anos, em Londres, onde tem um teatro com o seu nome.

Gillian Lynne, que começou sua carreira como bailarina clássica, trabalhou em mais de 50 espectáculos entre os quais se destacam as coreografias de dois dos mais famosos musicais compostos pelo britânico Andrew Lloyd Webber: Cats (1981), um espetáculo inspirado nos poemas do escritor inglês T.S. Eliot, e O Fantasma da Ópera (1986), inspirado no romance homónimo de Gaston Leroux.

Cats O Fantasma da Ópera conquistaram milhões de espectadores em todo o mundo, e ainda estão em cena em Londres, mais de três décadas após sua criação.

(Marion Nugnes, com adaptações, e Agência Lusa)

Gillian Lynne, bailarina e coreógrafa

Gillian Lynne, bailarina e coreógrafa

Dicas para o Ensino

Excertos de textos sobre pedagogia e música

ATIVIDADE

Estar ativa faz parte da natureza da criança (que não pode ficar a ouvir o professor falar sobre música). A atividade desenvolve capacidades de observação e atenção e leva a criança a participar. É importante envolver as crianças em experiências musicais significativas.

[ Graça Boal Palheiros ]

ADAPTAR

É essencial adaptar os conteúdos, as atividades e as estratégias às situações concretas de ensino e aprendizagem, aos espaços e recursos disponíveis, e também à idade, aos interesses e ao nível de desenvolvimento musical das crianças.

[ Graça Boal Palheiros ]

ATUAÇÃO

O trabalho musical desenvolvido nas aulas ganha um outro sentido e uma outra dimensão quando apresentado em público. Em termos práticos, os efeitos podem ser vistos na fase de elaboração e de ensaios, bem como na atuação em si mesma.

[ José Carlos Godinho ]

AFINAÇÃO

Parece que muitas crianças (ocidentais) seguem uma sequência faseada na qual o acto de cantar completamente afinado é precedido por comportamentos mais simples, menos complexos. Estas fases parecem estar relacionadas com o foco percepcional da criança, que tende a evoluir do texto da canção para um contorno melódico, depois para uma exactidão baseada em expressões e finalmente para uma correcção generalizada mais desenvolvida.

[ Graham Welsh ]

AMBIENTE

As crianças precisam de ser educadas num ambiente musical rico, para que a sua aptidão musical desabroche de maneira positiva.

[ Edwin Gordon ]

ANDAMENTO

Quando os pais ou professores cantam e entoam para as crianças pequenas, devem ter o cuidado de executar a canção ou o canto rítmico num andamento estável e confortável, para que acidentalmente não alterem o andamento ou a métrica.

[ Edwin Gordon ]

APRENDER A TOCAR

Aprender a tocar um instrumento é como aprender a falar outra língua e pode tornar-se um desafio alicante. Uma das qualidades que os músicos possuem é a disciplina.

[ Espie Estrella ]

APRENDIZAGENS

A verificação das aprendizagens desenvolvidas pelas crianças é também um importante indicador sobre a forma como decorreu o processo de ensino. O professor não deve, portanto, confiar unicamente na sua própria impressão sobre o sucesso das suas aulas.

[ José Carlos Godinho ]

APRESENTAÇÃO EM PÚBLICO

A atividade musical envolve inevitavelmente a partilha da música com os outros. Quer o compositor, quer o intérprete consumam a sua criatividade, esforço e pensamento estético no momento em que a obra musical é apresentada ao público. A obra musical só passa a sê-lo efectivamente quando executada em público, transmitida ou distribuída pelos média.

[ José Carlos Godinho ]

APTIDÃO MUSICAL

Uma criança nasce com determinado nível de aptidão musical. Esse nível muda de acordo com a qualidade do seu ambiente musical, formal e informal, até a criança atingir os nove anos de idade. (…) As crianças têm uma fase de desenvolvimento da aptidão musical desde o nascimento até aos 9 anos e uma fase de estabilização da aptidão musical, dos nove anos em diante.

[ Edwin Gordon ]

AUDIÇÃO

A audição é um dos aspectos centrais na aprendizagem musical. Contudo a criança necessita de orientação e de pontos de apoio para ouvir de uma forma discriminada e para ir centrando a sua audição em diferentes tipos de música, estruturas, fontes sonoras e instrumentos, podendo reagir aos diferentes parâmetros musicais de modo espontâneo.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

AVALIAÇÃO

A avaliação é fundamental no processo de ensino e aprendizagem. Se, por um lado, a avaliação permite verificar as aprendizagens realizadas pelas crianças, por outro, é através da avaliação que podemos tirar conclusões sobre o sucesso do processo de ensino desenvolvido e ajustá-lo face aos resultados.

[ José Carlos Godinho ]

CANÇÕES

Elas são capazes de vos dar encorajamento e estímulo; elas podem ensinar-vos a observar e a preservar as coisas; elas podem ensinar-vos a associar, a compreender com profundidade; elas são capazes de apagar a vossa raiva; elas ensinam-vos a ouvir o vosso pai, que conhece todas as regras que regem a vossa longa caminhada; elas ensinam-vos os nomes dos pássaros, dos animais, das árvores”.

[ Confúcio ]

CANTO E EXPRESSÃO

O canto é fundamental para a expressão musical e o melhor meio para exprimir ideias específicas, visto estar na maior parte das vezes ligado a um texto, tantas vezes um poema. A relação entre o texto e a música é, sem dúvida, de uma importância extrema. Deste modo, a existência de uma dicção adequada torna-se essencial.

[ Joana de Quinhones Levy ]

CAPACIDADES

Nascemos com direitos iguais perante a lei, mas isso não significa que nasçamos iguais. Antes do nascimento, todas as crianças têm potencialidades inatas mas, mal nascem, tornam-se logo patentes as diferenças entre elas. Parte dessas diferenças reside no seu potencial para aprender e compreender música. No entanto, todas têm igual direito a atingir o nível máximo de que são musicalmente capazes.

[ Edwin Gordon ]

CÉREBRO

Nós somos musicais: é parte do nosso desígnio humano básico. O cérebro humano tem áreas especializadas cujas funções primordiais trabalham em conjunto para o processamento musical. Somos, também, musicalmente educados, no sentido de que adquirimos comportamentos musicais sofisticados desde a fase pré-natal passando pela experiência da cultura em que nos inserimos.

[ Graham Welsh ]

COMPETÊNCIAS MUSICAIS

As competências musicais incluem, por exemplo, escutar, cantar, mover-se, criar, improvisar, ler e escrever, enquanto os conteúdos musicais se referem, por exemplo, a padrões tonais e rítmicos de diferentes níveis de dificuldade e em várias tonalidades e métricas.

[ Edwin Gordon ]

conjunto

Fazendo música em conjunto, todas as crianças contribuem para o grupo, de acordo com as suas capacidades, podendo ajudar-se mutuamente. No grupo, todos têm responsabilidades.

[ Graça Boal Palheiros ]

CONSTRUÇÃO SOCIAL E HUMANA

A música como construção social e humana interage de modos diversos não só com a construção das identidades, individuais e colectivas, como também com diferentes áreas do saber e do conhecimento artístico, humanístico, científico e tecnológico.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

CORO

Para a interpretação vocal em coro, é necessário treinar outros aspectos. Além de cantar afinada, correta e musicalmente, a criança deve ter uma postura correta, estar atentas às indicações do professor e ouvir os colegas.
[ Graça Boal Palheiros ]

CORPO EM MOVIMENTO

Sentir, no corpo em movimento, o som e a música é, na criança, uma forma privilegiada e natural de expressar e comunicar cineticamente o que ouve. (…) O movimento, a dança, a percussão corporal são meios de que o professor dispõe para, com pleno agrado das crianças, desenvolver a sua musicalidade.

[ Organização Curricular e Programas do 1º Ciclo ]

CRIAÇÃO, IMPROVISAÇÃO E COMPOSIÇÃO

As atividades de criação, improvisação e composição na sala de aula são importantes, como forma de expressão e comunicação musical, para desenvolver o pensamento musical das crianças. E também como forma de comunicação social, pois os exercícios de improvisação individual e/ou em pequeno grupo estimulam as interacções sociais e contribuem para o desenvolvimento social das crianças.

[ Graça Boal Palheiros ]

CRIATIVIDADE E PRÁTICA MUSICAL

A criatividade é importante para a prática musical, podendo ser estimulada em atividades de improvisação, composição e interpretação. Para além do treino – que é necessário – realizado através de imitação e repetição, o professor pode incentivar a criatividade, procurando que em cada aula haja lugar para a improvisação verbal, vocal, instrumental e corporal.

[ Graça Boal Palheiros ]

CURRÍCULO, PROGRAMA, PLANIFICAÇÃO

O currículo, o programa ou a planificação de unidades de ensino não sendo sinónimos, interligam-se e interagem nos seus vários elementos no qual se incluem os seguintes considerados fundamentais (Ribeiro, A. Carrilho; Ribeiro, L. Carrilho, 1990):
– contexto e justificação;
– quadro de objectivos;
– roteiro de conteúdos;
– plano de organização e sequência do ensino-aprendizagem;
– plano de avaliação.
[ Manuela Encarnação ]

DESEMPENHOS

Em educação musical a observação dos desempenhos é fundamental, já que a maior parte do conhecimento musical não se demonstra através de testes escritos, mas é exposta no corpo, na voz, na execução instrumental e nos objectos musicais criados. (…), é necessário que o professor esteja na posse de grelhas de observação adequadas.

[ José Carlos Godinho ]

DESENVOLVIMENTO FÍSICO-MOTOR

O desenvolvimento físico-motor através, por exemplo, do movimento, danças e dramatizações é essencial para a aprendizagem e interpretação musical. A vivência e a reação da criança a diferentes estilos e culturas musicais através do movimento contribui para a aquisição de conceitos, a assimilação de padrões e estruturas e o desenvolvimento da memória musical, a consciencialização da pulsação, do ritmo e do carácter das peças musicais.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

DISPONIBILIDADE

Para que a música seja ensinada através do ouvido, por forma a que os alunos possam realmente aprender música e não simplesmente ser treinados para a executar, os pais e os professores devem dispor de muito tempo; os primeiros para apoio em casa, os últimos para o ensino no dia-a-dia escolar.

[ Edwin Gordon ]

DIVERSIDADE DE MÚSICAS

À medida que os alunos escutam e executam uma vasta gama de trechos musicais, escutam também e executam entre si padrões tonais e rítmicos; em alguns casos, o professor estabelece a tonalidade ou a métrica e os alunos fazem a audiação dos padrões numa sintaxe. Outras vezes, os alunos assimilam os padrões numa tonalidade ou métrica que, seguidamente, eles próprios identificam. Outras vezes ainda podem cantar, entoar, ou passar para padrões tonais ou rítmicos familiares, ou mesmo dar resposta a padrões que não lhes são familiares.

[ Edwin Gordon ]

ESCRITA MUSICAL

A escrita musical é, portanto, uma ferramenta fundamental para registar as nossas criações musicais e partilhá-las com os outros, mas é também um instrumento essencial que permite o acesso a um vasto repertório musical de diferentes estilos.

[ José Carlos Godinho ]

EDUCAÇÃO

A educação monocultural revela poucas hipóteses no desenvolvimento da imaginação, não lhes proporcionando, dessa forma, a capacidade de conhecer alternativas. Eliminando a conciência de alternativas, a educação monocultural limita a imaginação e cultiva a ilusão de que o mundo se restringe ao seu próprio mundo e que a única forma natural de fazer estas coisas é a forma tradicional.

[ Maria do Rosário Sousa ]

ENCENAÇÃO

Um espetáculo musical vive do que se ouve, mas também do que se vê. É importante que a cena se desenrole num ambiente adequado, que pode ser enriquecido não só com cenários e adereços mas também com jogos de luz. As roupas dos intérpretes é também crucial na encenação e contribui decisivamente para o profissionalismo do espetáculo.

[ José Carlos Godinho ]

ENSINO

No ensino de uma peça, cada parte trabalhada com mais pormenor, deve estar relacionada com a sua totalidade; não se ensinam a melodia de uma canção numa aula, o texto, o acompanhamento e o movimento nas aulas seguintes. Será preferível ensinar uma canção mais curta, mas executar a sua totalidade.

[ Graça Boal Palheiros ]

ESPETÁCULO

Um espetáculo de fraca qualidade musical pode ter efeitos contrários em todos os aspectos referidos. Neste sentido, é necessário que os professores assegurem várias condições para levar a cabo projetos musicais que culminem em apresentações públicas.

[ José Carlos Godinho ]

EXPERIMENTAÇÃO, IMPROVISAÇÃO E COMPOSIÇÃO

A experimentação, a improvisação e a composição são outros aspectos essenciais no desenvolvimento das aprendizagens e das competências artístico-musicais. No entanto a liberdade que este tipo de trabalho comporta assenta não só na utilização de material e experiências de aprendizagens diversificadas como também na organização do material sonoro e musical de um modo cada vez mais estruturado.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

EXPRESSIVIDADE

A música enquanto arte enriquece a vida humana. A expressividade e a musicalidade da criança devem ser estimuladas, e a relação entre a música e outras artes (teatro, drama, mímica, dança, pintura, literatura…) contribui também para desenvolver a sensibilidade artística e estética da criança.

[ Graça Boal Palheiros ]

EXPRIMIR

A música é uma expressão de emoção e as palavras uma expressão do pensamento. Mantenha-se em contacto com a música que o seu filho ouve. Junte-se a ele de vez em quando e ouça a sua música favorita. Pergunte-lhe porque é que determinada canção é importante, quais as partes da letra de que ele mais gosta. Esta é uma forma de comunicar com o seu filho e aperceber-se de coisas que de outro modo não saberia acerca dele.

[ Jamie Blumenthal ]

FINALIDADES DA MÚSICA

São finalidades do ensino da Música no 1º ciclo do Ensino Básico:
> Desenvolver competências de discriminação auditiva abrangendo diferentes códigos convenções e terminologias existentes nos mundos da música;
> Desenvolver competências vocais e instrumentais diversificadas, tendo em conta as diferentes épocas, estilos e culturas musicais do passado e do presente;
> Desenvolver competências criativas e de experimentação;
> Desenvolver competências transversais no âmbito da interligação da música com outras artes e áreas do saber;
> Desenvolver o pensamento musical.
[ António Ângelo Vasconcelos, OPEM1CEB ]

GRAUS DE DIFICULDADE

As canções, as peças instrumentais ou os exercícios rítmicos e melódicos, podem ser mais simples ou mais complexos, e o seu grau de dificuldade deve ser adaptado às características das crianças.

[ Graça Boal Palheiros ]

GRUPO

As crianças gostam de trabalhar em grupo, que representa um apoio, sobretudo para as que são mais tímidas ou têm mais dificuldades. A comunidade é um meio privilegiado de experiências sociais e a atividade musical realizada em grupo (cantar, tocar, dançar, ouvir, criar) contribui também para o desenvolvimento de competências sociais.

[ Graça Boal Palheiros ]

IMAGINAÇÃO

É na idade do 1º Ciclo que a imaginação deve ser estimulada; as oportunidades para o desenvolvimento emocional, que integram a experiência da capacidade para sentir e o poder de controlar a expressão desse sentimento, também devem ser proporcionadas. Tudo o que uma criança experimenta nessa idade, tudo o que é despoletado e alimentado é um factor determinante para toda a vida.

[ Carl Orff ]

INFÂNCIA

Não será surpresa que as crianças que tenham tido menos oportunidades para cantar ou que lhes cantassem, entrarão muito provavelmente na escola como cantores menos competentes. Infelizmente, este último grupo será mais facilmente rotulado de “não-musical” por adultos insensíveis e mal informados. Comentários negativos de tais professores com base na observação da capacidade de cantar, gera humilhação pública em frente dos amigos e colegas e uma sensação de vergonha e inadequabilidade que poderá levar a que tenha, durante toda a vida, uma auto-perceção de incapacidade musical.

[ Graham Welsh ]

INSTRUMENTOS

Quer os instrumentos rítmicos feitos em casa quer os comprados na loja, como tambores e clavas, podem ser postos à disposição das crianças para as incentivar a acompanhar o seu próprio canto e movimento, podendo os pais e professores participar nessas atividades.

[ Edwin Gordon ]

INVENÇÃO DE MELODIAS SIMPLES

A invenção de melodias simples pode muito bem fazer-se, sobretudo a partir de certos ritmos corporais, dados ou inventados, ou então, o que é ainda mais natural, partindo de pequenas poesias ou de frases, que podem vir da própria criança.

[ Edgar Willems ]

HARMONIA

As leituras devem ser acompanhadas com instrumentos harmónicos tocados ao vivo ou com orquestrações previamente gravadas. Isto atribui um significado harmónico às notas e às melodias.
[ José Carlos Godinho ]

IMPROVISAÇÃO

As atividades de improvisação e composição exigem algum treino e alguma técnica, o que pressupõe a realização de exercícios. Na sala de aula, os professores não podem pedir às crianças que ‘inventem uma música’ a partir do nada. Deverão dar alguns exercícios, exemplos, e sugestões, que sirvam como modelos, e que ofereçam uma base a partir da qual as crianças possam mais facilmente criar música.

[ Graça Boal Palheiros ]

INSTRUMENTO

Aprender a tocar um instrumento pode fornecer-nos um sentido de auto-estima e ajudar a desenvolver capacidades importantes. Ler música ajuda a desenvolver capacidades matemáticas, de leitura e de coordenação “olhos-mãos”. Tocar um instrumento desenvolve a coordenação motora, e se o instrumento for de sopro, podem também tornar-se mais desenvolvidas as capacidades motoras orais. Um estudo recente de crianças em idade pré-escolar mostrou que as aulas de piano desenvolviam o seu raciocínio espacio-temporal.

[ Jamie Blumenthal ]

INTERPRETAÇÃO

Na interpretação de canções, sobretudo com crianças, pode associar-se o movimento ao canto: os gestos, a mímica, a percussão corporal, as danças, o movimento livre, que as crianças fazem com prazer, são altamente motivadores e formativos. Para a interpretação vocal em coro, é necessário treinar outros aspectos. Além de cantar afinada, correta e musicalmente, a criança deve ter uma postura correta, estar atentas às indicações do professor e ouvir os colegas.
[ Graça Boal Palheiros ]

LEITURA E ESCRITA NA PAUTA

A leitura e escrita na pauta deverá, sempre que possível e desejável, constituir-se como atividade regular nas aulas de educação musical, articulando-se com as atividades de interpretação vocal, corporal e instrumental, de composição ou mesmo de audição musical. Essa articulação e regularidade, atribuirão à música escrita a sua importância, a sua utilidade e permitirão uma aprendizagem eficaz por parte das crianças.

[ José Carlos Godinho ]

LINGUAGEM

A música pode ser usada para ensinar e melhorar o discurso e a linguagem. Ela incorpora ritmo, tom e palavras, todos parte do discurso e da linguagem. Ambos os lados do cérebro são usados com música, logo a informação pode ser aprendida através da música e eventualmente transferida para o discurso e para a linguagem.

[ Jamie Blumenthal ]

LITERACIA MUSICAL

O desenvolvimento da literacia musical constitui-se como o grande objectivo do ensino da música no 1º ciclo do Ensino Básico. A literacia musical além de significar uma compreensão musical determinada pelo conhecimento de música, sobre música e através da música, engloba também competências da leitura e escrita musicais.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

MELODIA E HARMONIA

A melodia e a harmonia devem poder achar um apoio sólido numa educação sensorial auditiva, tornada concreta por meio de um material auditivo tal como nos oferecem certos métodos modernos de educação musical. Isto não significa de forma alguma que o sensorial deva prevalecer sobre o resto. A natureza da música é de outra ordem, mas ela requer a sensorialidade como meio de utilizar a matéria sonora com inteligência e sensibilidade.

[ Edgar Willems ]

MELODIAS E ACORDES

Muitas melodias fazem pressentir os acordes (escalas, modos, intervalos melódicos); uma melodia cantada em cânone é também uma preparação para a harmonia; vêm em seguida as canções a duas vozes, por vezes exclusivamente em terceiras.

[ Edgar Willems ]

MEMÓRIA

É necessário desenvolver a memória musical, fundamental para a audição e a compreensão da música. O facto de se ver uma representação gráfica da totalidade da música é uma ajuda preciosa para a audição. Vários estudos de investigação têm revelado que a audição com a apresentação simultânea de materiais visuais (esquemas da música, gravações video de performances) melhora a perceção musical e ajuda a compreender a totalidade da música.

[ Graça Boal Palheiros ]

MÚSICA E DESENOLVIMENTO PESSOAL

A música estimula o crescimento de estruturas do cérebro e liga muitas áreas cerebrais ativadas. A prática musical requer uma óptima coordenação motora e melhora o círculo fonológico. Não é uma questão de ser processada no hemisfério esquerdo ou direito do cérebro, porque ela promove uma forte interligação e coerência dos dois hemisférios. Como demonstra o tratamento de crianças com implantes da cóclea, a música funciona como um estímulo altamente diferenciado para o cortex auditivo subdesenvolvido.

[ Wilfried Gruhn ]

MUSICOGRAMA

Integrando a metodologia da audição musical ativa, o musicograma utiliza as vantagens da perceção visual para apoiar a perceção auditiva, sendo a sua elaboração baseada em princípios psicológicos da perceção visual. O termo ‘musicograma’ significa a representação gráfica do que se passa na música, segundo o princípio de representar o tempo no espaço.

[ Graça Boal Palheiros ]

NOTAS MUSICAIS

A aprendizagem das notas poderá ser feita através de uma sequência gradual, facilitando, da mesma maneira, a aprendizagem instrumental por etapas pré-estabelecidas.

[ José Carlos Godinho ]

MOVIMENTO

Além de encorajar as crianças a escutar música, os pais e os professores devem encorajá-las a proceder a uma série de atividades de movimento.
O movimento desenvolve a sua coordenação física e esta é essencial para o movimento continuado e fluido que as prepara para o desenvolvimento rítmico.

[ Edwin Gordon ]

LINGUAGEM E POESIA

A linguagem e a poesia, que têm estado muitas vezes ligadas à música e que a têm inspirado, são também fontes fecundas para o ritmo musical; elas têm conservado no compositor uma flexibilidade que a métrica clássica tantas vezes tem banido.

[ Edgar Willems ]

ORGANIZADORES DAS APRENDIZAGENS

De acordo com o Currículo Nacional do Ensino Básico, as aprendizagens e as competências que as crianças vão adquirindo e desenvolvendo ao longo do 1º ciclo do ensino Básico apresentam-se em torno de quatro organizadores:
• Perceção sonora e musical
• Interpretação e comunicação
• Experimentação e criação
• Culturas musicais nos contextos

[ António Ângelo Vasconcelos ]

ORIENTAÇÕES PROGRAMÁTICAS

As actuais orientações programáticas para a educação musical no ensino genérico, não só em Portugal como em muitos outros países, apontam para um ensino da música estruturado em torno de três eixos fundamentais: composição, audição e interpretação. Os principais pressupostos desta orientação de trabalho assentam na ideia que estes três domínios constituem as três áreas possíveis de experiência musical directa.

[ José Carlos Godinho ]

OUVIDO

A canção deve ser aprendida de ouvido, por imitação, porque o treino auditivo e a memória são fundamentais. A observação da partitura da canção pode ser também uma introdução à notação musical, através da leitura das notas. O processo a realizar pelos alunos será ouvir, imitar, cantar, observar, consciencializar, cantar, aprender.

[ Graça Boal Palheiros ]

PALCO

Nem sempre as escolas têm salas apropriadas para a realização de espetáculos nas melhores condições, tendo os professores que improvisar em espaços que nem sempre oferecem as melhores condições. É importante que se garantam, no entanto, condições para quem actua e para quem assiste. O público deve estar bem sentado e ter uma boa visibilidade da cena.

[ José Carlos Godinho ]

PARTITURAS

É fundamental a utilização de instrumentos para com eles proceder também à leitura das partituras. A leitura na pauta ganha assim uma importância e pertinência muito maior, já que as crianças percebem de imediato a sua utilidade prática.

[ José Carlos Godinho ]

PERCEÇÃO AUDITIVA E AUDIAÇÃO

A perceção auditiva tem lugar quando ouvimos realmente um som, no momento em que está a ser produzido. Mas só audiamos realmente um som depois de o termos auditivamente apercebido. Na perceção auditiva lidamos com acontecimentos sonoros imediatos. Na audiação, porém, lidamos com acontecimentos musicais que podem não estar a ocorrer na altura.

[ Edwin Gordon ]

PERTENÇA

A música faz parte da educação das crianças e dos jovens pelas mesmas razões que a linguagem e os números – para alargar e solidificar o sentimento de pertença de cada um ao grupo social e contribuir para a cultura da qual a sociedade depende para a sua unicidade e unidade.

[ J. Terry Gates ]

PLANIFICAÇÃO DE ATIVIDADES MUSICAIS

Na planificação das atividades musicais considera-se fundamental que o professor tenha em conta:
– o que os alunos vão aprender;
– como vão aprender;
– o repertório que vão estudar;
– as competências adquiridas.
[ António Ângelo Vasconcelos ]

PLURALIDADE CULTURAL

A educação musical escolar terá mais sucesso se abranger quer a pluralidade de culturas musicais dentro da comunidade quer as preferências individuais iniciais das crianças por determinados tipos de música (e de canções). A música e as práticas musicais populares são geralmente deficientemente representadas na música na escola, o que conduz a uma ligação inadequada entre os interesses e as identidades musicais dos alunos e os currículos com que contactam. As crianças pequenas gostam de canções dinâmicas, e frequentemente usam as canções para fins específicos e indivíduos que se relacionam com as suas atividades.

[ Graham Welsh ]

POPULAR

Os pais e os professores não devem subestimar o valor da música popular porque, além de ajudar os adultos a recuperarem o entusiasmo pela música da sua infância, a música popular tende a ter uma pulsação forte e estável, a que as crianças são capazes de responder.

[ Edwin Gordon ]

POTENCIAL

Se o potencial inato duma criança não for desenvolvido até aos nove anos – e quanto mais cedo melhor -, as influências do meio ambiente deixarão de ter qualquer efeito sobre esse potencial.

[ Edwin Gordon ]

PRÁTICA INSTRUMENTAL

A prática instrumental é outra dimensão importante na aprendizagem e no desenvolvimento das competências da criança. A introdução da aprendizagem dos instrumentos efectua-se de modo gradual e adequado aos diferentes tipos de desenvolvimento cognitivo, sensório-motor e técnico artístico. É necessário tempo para apropriar os diferentes tipos de técnicas, tocar em conjunto, explorar os instrumentos, para praticar e para melhorar os desempenhos.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM

O processo de ensino e aprendizagem da educação musical consiste na interação de um conjunto de atividades relacionadas com a audição, interpretação e composição. Esta interação caracteriza-se por três aspectos essenciais: O primeiro é que todas estas atividades são atividades criativas; o segundo, diz respeito ao facto de que as práticas musicais podem envolver mais do que uma atividade em simultâneo. O terceiro e último aspecto diz respeito ao facto de ouvir, interpretar e compor estar interligado com os contextos de criação e ação artística.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

PROGRAMA

É também importante que a informação do que for interpretado no espetáculo seja partilhada com o público, quer através da narração durante a atuação, quer através de programas a distribuir aos assistentes. Aqui devem constar os títulos das peças, o nome dos compositores e o nome dos intérpretes e até algumas notas de programa pertinentes.

[ José Carlos Godinho ]

PROJETO

O projeto curricular de escola deverá ter em conta as o Programa de Expressão e Educação Musical do 1º ciclo e as Orientações Programáticas para o ensino da música que é o terceiro nível de concretização do currículo e que por sua vez precede a programação da aula. É fundamental que se parta dos interesses dos alunos, das suas capacidades e do seu desenvolvimento psicossocial. As orientações programáticas para o ensino da música partilham com o projeto curricular da escola, os mesmos fins e contêm, principalmente, os objectivos, as competências específicas a desenvolver, os conteúdos e os critérios de avaliação.

[ Manuela Encarnação ]

QUALIDADE

Face às orientações metodológicas do currículo, a implementação e desenvolvimento desta dinâmica tripla de composição, interpretação e audição em sala de aula constitui uma directiva que deve ser cumprida. De qualquer modo, é fundamental que, acima de tudo, o professor esteja atento à qualidade dos desempenhos musicais, sejam eles nas áreas da criação, da execução ou da análise.

[ José Carlos Godinho ]

REPERTÓRIO

O público espera mais de um grupo de intérpretes de 9 anos do que de um grupo de 6 anos. Tal como o público, também as crianças sentem essa exigência e obrigação, pelo que um repertório muito fácil ou infantil pode desmotivar crianças mais crescidas ou contribuir para o desenvolvimento de inibições.
[ José Carlos Godinho ]

REPRESENTAÇÃO

A representação gráfica do som faz parte de um percurso que se inicia pelo registo do gesto livre, ganha gradualmente concisão e poder comunicativo, organizando-se em conjuntos de sinais e símbolos. A utilização de símbolos de leitura e escrita musical e o domínio de géstica adequada, decorrentes da prática musical contemporânea deve, quando possível, ser integrada.

[ Organização Curricular e Programas do 1º Ciclo do Ensino Básico ]

RÍTMICA

Na educação rítmica de todos os graus, desde os pequeninos até aos profissionais, o ritmo puro, pré-musical – que se acha também nas outras artes e na natureza – pode vivificar o músico. (…) Os ruídos da natureza, a água sob os seus diversos aspectos tais como a chuva, os ribeiros, os rios, as ondas do mar; as avalanchas, as erupções vulcânicas, o trovão.

[ Edgar Willems ]

RITMO, MELODIA, HARMONIA E TIMBRE

A música tem quatro elementos essenciais: o ritmo, a melodia, a harmonia e o timbre, ou colorido tonal. Essses quatro ingredientes são a matéria-prima do compositor. Ele trabalha com eles do mesmo modo que qualquer outro artesão trabalha os seus materiais.

[ Aaron Copland ]

SIGNIFICADO DA MÚSICA

É aprendendo a escutar e a identificar padrões na música que os alunos se preparam para ouvir e executar com compreensão o repertório musical comum, em vez de simplesmente aprenderem de cor e imitando memorizando, sem lhe atribuirem significado musical. Ao atribuir significado à música, os alunos são capazes não só de tocar boa música de outrem mas também de compor a sua própria música.

[ Edwin Gordon ]

SOM

Som em si mesmo não é música. O som só se converte em música através da audiação, quando, como com a linguagem, os sons são traduzidos na nossa mente.

[ Edwin Gordon ]

SUCESSO ESCOLAR

Os cientistas afirmam que as crianças expostas à música, ou que tocam um instrumento, têm mais sucesso na escola do que as outras crianças. Pesquisas recentes sugerem que a exposição à música beneficia a iniciação à leitura, o QI e o desenvolvimento de certas partes do cérebro.

[ Espie Estrella ]

TÉCNICA INSTRUMENTAL

O instrumento, particularmente o piano, ajuda a concretizar os elementos mais ou menos abstractos da música. A técnica instrumental, feita num sentido musical e vivo, pode ser uma fonte de prazer.

[ Edgar Willems ]

TESTE

Seja qual for o valor dum teste, este pode ser utilizado erradamente e negar oportunidades às crianças, ou estigmatizá-las como lentas ou incapazes de atingir as exigências duma aula normal.

[ Edwin Gordon ]

TOCAR

Tocar um instrumento ou participar num programa musical na escola (ou incorporar a música nas atividades da sala de aula em áreas como História ou Ciências), tem provado exercer efeitos muito positivos ao nível da aprendizagem, da motivação e do comportamento.

[ Don Campbell ]

TODAS AS CRIANÇAS CONSEGUEM

O pressuposto é que todas as crianças conseguem desenvolver competências no domínio musical, embora em patamares diferenciados. Ou seja, todas as crianças podem desenvolver o mesmo tipo de competência. A diferenciação situa-se nos diferentes níveis de aprofundamento alcançados.

[ António Ângelo Vasconcelos ]

UNÍSSONO OU A VOZES “A CAPELA”

Cantar em uníssono ou a vozes sem acompanhamento instrumental é igualmente uma atividade rica e fundamental com vista à afinação, à entoação, ao canto coral e à audição interior.

[ José Carlos Godinho ]

VOCAL

A prática vocal está no centro da aprendizagem musical ao longo do primeiro ciclo. Sendo a voz um dos instrumentos principais a utilizar, ela pode ser explorada de diferentes modos contribuindo para o seu bom desenvolvimento. Se numa fase inicial a criança utiliza um âmbito vocal relativamente reduzido, o trabalho a desenvolver deve potenciar o seu incremento através do canto a uma ou a mais vozes, a capela e com acompanhamento instrumental.
[ António Ângelo Vasconcelos ]

VOCALIZOS E DICÇÃO

Para uma dicção correta deve-se sempre incluir nos vocalizos exercícios que descontraiam a língua: exercícios para o legato com vogais e exercícios de articulação de consoantes. Estes exercícios devem ter em conta a sequência de movimentação da língua, ou seja: “I, E, A, O, U”, que leva a um contínuo abaixamento e alargamento da língua. Fazer exercícios em “Ri, ré, rá, ró, ru” ou “Li, lé, lá, ló, lu”, para a ponta da língua, e em “Qui qué cá, có, cu”, para a base da língua, e também exercícios para a descontração do maxilar inferior.

[ Joana de Quinhones Levy ]

VOZ E CORPO

A voz é o instrumento mais natural, que todos possuímos e devemos desenvolver. Em primeiro lugar, estão a voz e o corpo e em segundo lugar, os instrumentos, que representam a extensão do corpo e devem apoiar o canto, não substituindo a expressão vocal. É fundamental cantar bem e ensinar as crianças, desde pequenas, a cantar correta e expressivamente. Como as crianças aprendem a cantar essencialmente por imitação, é essencial que o professor treine a sua voz, para poder cantar bem, emitindo um som de boa qualidade.

[ Graça Boal Palheiros ]

Reciclanda em Santiago do Cacém, 2025

Reciclanda em Santiago do Cacém, 2025

Cortesia e gentileza

As lengalengas cantadas são ferramentas lúdicas fundamentais para a promoção da gentileza na infância. A sua estrutura rítmica e repetitiva transforma conceitos abstratos, como empatia, respeito e cooperação, em mensagens memoráveis e fáceis de internalizar. As letras, muitas vezes, modelam diretamente comportamentos positivos: ensinam a importância de “pedir por favor”, “agradecer”, partilhar e esperar pela sua vez.

Mais do que o conteúdo, o ato de cantar em conjunto é uma prática de gentileza. Exige que as crianças oiçam os colegas, sincronizem vozes e participem numa atividade comunitária, fortalecendo laços e a escuta ativa. A música ajuda na regulação emocional, acalmando e criando um ambiente seguro para praticar interações sociais positivas. Desta forma, as lengalengas não ensinam apenas sobre a gentileza; elas proporcionam a prática da mesma, normalizando-a como parte da interação social diária.

Amigo do amigo

Quem é amigo do Simão,
é amigo do seu cão.

Quem é amigo do Renato,
é amigo do seu gato.

Quem é amigo da Maria
é amigo da sua tia.

Quem é amiga da Joana
é amiga da sua mana.

Quem é amigo da Emília,
é amigo da sua família.

Amigos

Os amigos se ajudam,
cada um como que tem:
ora dando o bom dia,
ora só com querer bem.

Das palavras fiz poema,
do poema fiz canção,
para dar-te aquele abraço
que me sai do coração.

Eu comprei um carro novo
p’ra levar-te a passear.
Vamos conhecer a serra
e depois a beira-mar.

Dia da Amizade: 30 de julho
Dia de São Valentim (dos Namorados, da Amizade, dos Afetos): 14 de fevereiro

Catrapás

Catrapás, catrapás.
– Não à guerra, sim à paz!

Catrapés, catrapés.
– Mostra-me o bom que tu és!

Catrapis, catrapis.
– Sou feliz se és feliz!

Catrapós, catrapós.
– Ama e cuida dos avós!

Catrapus, catrapus.
– Para mim és uma luz.

Comboio da gentileza

António José Ferreira

Vem comigo no comboio
que se chama Alegria.
Quando chegas à escola,
de manhã, dizes “Bom dia!”

Vem comigo no comboio
Que se chama Educação.
Diz palavras delicadas
E evita o calão.

Vem comigo no comboio
onde vai o Professor.
Quando queres uma coisa
deves pedir “Por favor!”

Vem comigo no comboio
do menino educado.
Fará toda a diferença
tu dizeres “Obrigado!”

Vem comigo no comboio
Para o Desenvolvimento.
É melhor seres delicado
Do que seres violento.

Vem comigo no comboio
Da Sustentabilidade.
Equilíbrio no consumo
Dá-te mais felicidade.

[ Indicado para o Dia Mundial da Gentileza. Depois de as crianças declamarem ou cantarem o poema sobre uma melodia tradicional, uma criança faz de locomotiva e move-se pela sala. Toca num colega, que por sua vez tocará outro, até todas as crianças entrarem no comboio. ]

Dá-me um abraço

Dia do abraço: 22 de maio

Dá-me,
dá-me um abraço,
forte como um laço.

Dá-me,
dá-me um sorriso,
é o que eu preciso.

Mágicas palavras

Mágicas palavras
que dão alegria,
quando amanhece
digo “Olá! Bom dia!”

Mágicas palavras,
boas de dizer:
digo “por favor”,
se algo quero ter.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
digo “com licença”,
se um arroto der.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
“olá!”, “boa tarde”
a quem estiver.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
“muito obrigado”
para agradecer.

Mágicas palavras
boas de dizer:
“perdão”, ou “desculpe”,
se asneira fizer.

Mágicas palavras,
que deves lembrar:
digo “Boa noite!”
antes de deitar.

São palavras doces
que uso dia a dia.
Fico mais contente
como por magia.

António José Ferreira

Músculos gentis

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
nem sequer eu te sorria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
nem sequer saudaria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
nem sequer acenaria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
que abraços eu daria?

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
como é que te ajudaria?

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
gargalhadas não daria!

No lugar do outro

Imagino o que sentes,
ponho-me no teu lugar
p’ra saber o melhor modo
de te poder ajudar.

Imagino como estás
mesmo que tu não mo digas
e escolho entre as palavras
as que são tuas amigas.

Tu

Tu és forte:
sabes apoiar;
tu és meigo:
sabes abraçar;
tu és rico:
sabes o que dar:
tu és tu,
quem te pode igualar?

Loja Meloteca

Aceda à Loja Meloteca.  Adquira recursos em formato digital em versões pedagógicas enriquecidas, e o “Brincar Azul”, livro com 700 jogos que promovem a educação para a cidadania, a sensibilização ambiental, a reforma dos recreios e o sucesso escolar.

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Abraço de crianças

Abraço de crianças

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

Saiba mais na Reciclanda e contacte-nos:

António José Ferreira:
962 942 759

Na Meloteca, as boas práticas musicais são uma fonte de inspiração. “Aprender Inglês a cantar” relata uma experiência realizada num colégio do estado de São Paulo, Brasil.

APRENDER INGLÊS A CANTAR

FESTIVAL DE MÚSICA PROMOVE ENSINO DO INGLÊS EM COLÉGIO DO BRASIL

Os alunos enfrentam o palco: sozinhos, em grupo

Por volta do ano 2000, o Colégio Nossa Senhora do Morumbi, da rede particular paulistana, (Brasil) criou uma forma original de incentivar o ensino da Língua Inglesa. Partindo do interesse dos alunos pelos exercícios do idioma com músicas, o colégio criou o Song Festival, um festival anual em que só entram canções com letras em inglês. A ideia foi de duas professoras do idioma, Vívian Rosio Figueredo e Rosa Mina Sakamoto. “O grande resultado é que nossos alunos aprendem com prazer”, disse Vívian.

O festival contou com a adesão do Colégio Mopyatã, que funciona em conjunto com o Nossa Senhora do Morumbi. Enquanto o Morumbi tem turmas de 1ª a 8ª série, o Mopyatã atende alunos de educação infantil e ensino médio. Participaram no festival os estudantes de 5ª a 8ª série e do ensino médio dos colégios.

INGLÊS DESDE O PRIMEIRO ANO DE ESCOLARIDADE

Na primeira etapa, todos os alunos das séries envolvidas escrevem pelo menos um poema em inglês, na sala de aula. “Como no Morumbi as aulas de Inglês começam na 1ª série, mesmo os de 5ª dão conta da tarefa”, diz Vívian. “Eles descobrem que podem escrever apesar de ter um vocabulário restrito e ainda melhoram sua pronúncia”, garante a professora.

O colégio contratou uma banda para compor as músicas a partir dos poemas dos alunos. Os estudantes podem concorrer na categoria de compositor e também como cantores ou instrumentistas. Nos dois últimos casos, eles podem participar do festival com qualquer música, não é necessário utilizar o poema. No festival do ano passado, quarenta concorrentes participaram, doze deles como compositores e 28 como intérpretes. Pais de alunos, professores e funcionários da escola também concorrem, mas numa categoria especial. Os prémios, o equipamento de som e a divulgação do festival são pagos com patrocínios.

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Um exercício de redacção que se transforma em aula de música

1. Criação do poema

O festival é realizado em etapas, ao longo do ano. A primeira fase dele é feita no mês de Abril. Durante duas ou três aulas, os alunos, sozinhos ou em pares, escrevem o poema. Nessa tarefa, usam o vocabulário que estão a utilizar na aula, trabalham com rima e lidam com questões gramaticais, com ajuda do professor. “Damos ideias para o tema e tiramos dúvidas sobre tempos verbais, adjectivos, preposições e outras dificuldades de gramática”, conta Vívian. “Muitos escrevem mais de um poema para ter mais hipóteses de classificação”, diz Rosa.

2. Correcção e seleção inicial

Todos os poemas são avaliados pelas professoras Rosa e Vívian. Elas corrigem os erros de gramática e ortografia, e ainda fazem comentários sobre a coerência, a organização e a originalidade dos textos. Apenas os trabalhos escolhidos por elas passam para a segunda fase de selecção do festival. “Escolhemos os que têm mais coerência, profundidade e que não apresentem problemas graves de gramática e ortografia”, descreve Vívian.

3. Inscrição

Em Junho, os alunos recebem fichas de inscrição para o Festival e escolhem se vão participar como intérpretes, compositores ou em ambas as categorias. Quem concorre como intérprete diz na ficha que música vai cantar e pode inscrever uma banda completa, na qual pode haver pessoas de fora do colégio. Essa categoria é a mais procurada. “Os alunos acham que, se cantarem uma música baseada nos poemas deles mesmos, não farão sucesso porque a canção não é conhecida”, diz Rosa.

4. Segunda selecção

Durante as férias de Julho, o músico Marcelo Zurawski, contratado pelo Colégio, recebe de Rosa e Vívian a selecção inicial de poemas e escolhe entre eles os que possam ser adaptados a uma música. Apenas esses escolhidos concorrem na categoria compositor.

Em Agosto, no regresso às aulas, Marcelo, a sua banda e os alunos que escreveram os trabalhos aprovados nas duas selecções compõem juntos as músicas, a partir dos poemas. Com os que concorrem como intérpretes, o primeiro passo é conseguir a letra completa da música escolhida. Os professores treinam a pronúncia de todos os participantes.

Versos adolescentes

Trecho do poema Jail of Soul (Prisão da Alma), da aluna de 7ª série Mariana Vieira.

Everybody says what I have to do
I don’t know why
Maybe’cause they think that I’m a fool

My words won’t fly (…)

Telling lies about me
Just because I’m free
I choose my way
But they don’t let me go (…)

Todo mundo diz o que eu tenho que fazer
Não sei porquê
Talvez seja porque eles pensam que sou um tolo

Minhas palavras não vão voar (…)
Dizendo mentiras sobre mim
Apenas porque sou livre
Eu escolho meu caminho
Mas eles não me deixam ir (…)

Observe que a estudante utilizou várias aplicações da gramática inglesa, como os verbos “to do” e “to be”, vários tipos de pronomes e de tempos verbais e até uma expressão com abreviatura: maybe’cause, cuja forma extensa seria maybe it is because.

Adriana Vera e Silva (1998, adaptado pela Meloteca)

Cantando ao micro

Cantando ao micro

MÚSICA NO 3º CICLO

REORGANIZAÇÃO CURRICULAR

ORIENTAÇÕES CURRICULARES

OBJECTIVOS GERAIS

Os objectivos gerais para a educação musical no 3º ciclo são entendidos como elementos estruturantes para o trabalho no domínio das aprendizagens musicais, ao longo de cada ano do ciclo, articulando o desenvolvimento e os saberes do aluno com as necessidades de apropriação dos conhecimentos técnico-artístico musicais.

O envolvimento em actividades musicais centradas no canto, em pequenos ou grandes grupos, potenciam não só a oportunidade de apropriação de diferentes vocabulários musicais como também, são um meio, individual e colectivamente considerado, de fomentar e experienciar diferentes obras da literatura musical.

A aprendizagem e a utilização de diferentes tipos de instrumentos musicais (tradicionais, electrónicos, inventados) são primordiais no desenvolvimento da literacia musical quer na sua vertente prática e lúdica, quer na descoberta e apropriação de diferentes tipos de elementos e conceitos musicais e outros existentes nas diferentes culturas musicais.

Produz e participa em diferentes tipos de espectáculos musicais, vocais e instrumentais

A criação, produção e participação em diferentes tipos de espectáculos musicais é um instrumento poderoso para colocar os diferentes saberes em acção. Neste sentido, potenciar o desenvolvimento das práticas artísticas na sala de aula, na escola e na comunidade constitui-se como um dos aspectos centrais da aprendizagem.

Aprofunda a compreensão e a utilização do vocabulário musical e dos princípios composicionais

Aprendizagem de como os diferentes elementos sonoros e musicais interagem e se organizam na criação de diferentes tipos de obras musicais. Os princípios e técnicas composicionais são instrumentos que ajudam a organização dos sons e das ideias que permitem a coesão e a singularidade de cada obra. A compreensão e a manipulação destes princípios e técnicas possibilitam o entendimento das maneiras como os diferentes compositores os utilizam para a criação artística, bem como as formas pessoais de expressão e comunicação.

A exploração, o reconhecimento e a reflexão sobre diferentes mundos sonoros que integram o seu quotidiano real e imaginário, a familiaridade com a multiplicidade de sons, contribui para o desenvolvimento de competências no domínio da percepção e discernimento sonoro e musical bem como apropria a diversidade de formas de utilização do som.

Com este objectivo pretende-se que o aluno adquira competências para comunicar e expressar ideias, sentimentos, imagens utilizando a voz e diferentes tipos de instrumentos manipulando diferentes códigos e convenções, desenvolvendo o seu pensamento musical Assim neste ciclo de aprendizagem o aluno deverá ser estimulado para usar o seu conhecimento sobre os diferentes mundos sonoros, para o desenvolvimento dos seus trabalhos composicionais e interpretativos, para comunicar as suas ideias através de sons. Deve desenvolver as suas competências no domínio das diferentes formas de representação gráfica dos sons.

Por outro lado, a utilização de uma variedade de instrumentos musicais e de fontes sonoras, incluindo a voz, potencia a compreensão dos diferentes tipos de recursos que o músico e o compositor dispõe para a elaboração das suas obras. possibilitando respostas inovadores a determinados problemas de carácter técnico, estético e musical.

Compreende a música como construção humana, social e cultural e as inter-relações com os diferentes quotidianos e áreas do saber

Consoante as diferentes sociedades e culturas, grupos e comunidades, a música adquire usos e papéis diferenciados. Da evocação de determinadas imagens e sentimentos, às formas de expressão pessoal, da utilização para fins políticos e religiosos ao entretenimento. O entendimento destes propósitos serve também identificar e compreender como é que os seus quotidianos são influenciados pelos diferentes tipos de música que ouvem e consomem. Assim, perceber o papel dos músicos na sociedade, os períodos históricos, as localizações geográficas, por exemplo, são aspectos que deverão ser investigados e analisados. Estilos musicais, técnicas e formas utilizadas, as diferentes utilizações que as sociedades e os compositores utilizam os instrumentos são outras componentes importantes a ter em consideração.

Por outro lado, a música está intimamente ligada a diferentes artes e outras áreas de conhecimento. Daí a necessidade da compreensão destas relações e das diferentes formas como os criadores as utilizaram, articulando-as com determinados tipos de tecnologias.

Aprofunda o conhecimento do trabalho de músicos e compositores de culturas musicais diferenciadas

No desenvolvimento da literacia e cultura musical a compreensão do papel desempenhado pelas artes e pelos artistas nas diferentes sociedade e culturas, do passado e do presente, é outro aspecto que se afigura importante para a compreensão das diferentes subjectividades artísticas. Assim, o aluno deve ouvir e reflectir sobre um conjunto alargado de obras musicais estudando os contextos onde essas obras são produzidas. Investigando as histórias individuais de diferentes músicos e compositores o aluno vai incorporando as diversas complexidades existentes no mundo artístico-musical. Os artistas contemporâneos de diferentes estilos (erudito, jazz, pop, experimental, world music, etc) devem estar incluídos no âmbito deste trabalho de forma a possibilitar uma compreensão mais aprofundada da diversidade de propósitos, estilos e pressupostos existentes na música que se produz nas sociedades contemporâneas.

Desenvolve o pensamento crítico que sustente as opiniões, as criações e interpretações

O aluno deve ser encorajado a investigar e a discutir fundamentadamente acerca dos diferentes tipos de música que escutam na sala de aula e no seu quotidiano, através da apropriação de um vocabulário que lhes permita descrever as suas percepções e reacções.

Assim, a utilização de um vocabulário apropriado permite construir um processo de análise, discussão, e compreensão mais consciente dos vários aspectos que compõem as diferentes culturas musicais e dos princípios comunicacionais e estéticos associados.

Aprofunda os conhecimentos de utilização de diferentes tecnologias e software

No sentido lato, tecnologia, inclui todos os tipos de meios de comunicação e produtos como os instrumentos acústicos, rádios, televisão, gravação áudio e vídeo, sintetizadores computadores e programas de software. A utilização de diferentes tipos de programas musicais e de multimédia contribuem para que o aluno explore e desenvolva composições musicais, sistemas de representação dos sons e recolha de informações relacionados com compositores. Por outro lado, a sequenciação, a criação e edição musical e os controladores multimédia, por exemplo, são meios importantes para a exploração sonora dos instrumentos, para a manipulação, organização e comunicação de diferentes tipos de ideias musicais e outras.

Coro Infanto-Juvenil do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins

Coro Infanto-Juvenil do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins na Praça da Alegria

O MÉTODO HÚNGARO

Excerto de Música Tradicional na Iniciação Musical, por Ana Sofia Alves Amorim Lopes, 2014

O Método Húngaro começou a ser desenvolvido apenas nos finais de 1940, apesar das recolhas etnomusicológicas de Kodály e Bartók terem começado em 1905 e de Kodály ter escrito textos e materiais didácticos a partir dos anos 20. Diferentes factores conduziram o pedagogo húngaro e seus colaboradores a elaborar este novo sistema público de ensino da música, sendo central a necessidade de reforçar a identidade cultural nacional.

Durante séculos a Hungria foi ocupada por diferentes povos, tendo perdido a sua independência para o Império Otomano, para a Áustria, a Alemanha Nazi e a URSS. Os húngaros viram o seu território reduzido para um quarto, em 1920, pelo Tratado de Trianon. Sob o domínio austríaco, a população, sobretudo a citadina, passou a falar maioritariamente o alemão e não o húngaro. No início do século XX, Kodály viu na música um meio que possibilitava a unificação do povo húngaro, através de uma cultura comum que incluía a língua e as tradições musicais. A voz – o instrumento musical acessível a todos – seria essencial em todo este processo.

Foi neste contexto que Béla Bartók e Zoltán Kodály fizeram recolhas sistemáticas de música tradicional da Hungria e países vizinhos e começaram a harmonizar melodias tradicionais e a compor a partir dos materiais recolhidos. Conscientes de que a estética da sua música não seria compreendida pelo público húngaro, sentiam a necessidade de o educar culturalmente, dando-lhe acesso a uma educação musical baseada na música tradicional e na música erudita, para formar músicos e ouvintes esclarecidos.

Apesar de ser conhecido como “Método Kodály”, o Método Húngaro resultou de um trabalho etnomusicológico feito inicialmente com Bartók e depois com discípulos de ambos, e de uma organização pedagógica orientada por Kodály e feita com a colaboração de professores, entre os quais se destacam Jenő Ádám, Katalin Forrai e Erzsébet Szőnyi.

Os princípios e os objectivos deste método de educação musical foram enunciados por Kodály. Seleccionou técnicas utilizadas noutros países da Europa, como as desenvolvidas por Guido d’Arezzo (991/2-depois de 1033) e Angelo M. Bertalotti (1666-1747) em Itália, Sarah Glover (1786-1867) e John Curwen (1816-1880) no Reino Unido, Émile Chevé (1804-1864) em França e Fritz Jöde (1887-1970)7 na Alemanha. Mais tarde, seguiu os princípios pedagógicos de Émile Jacques-Dalcroze (1865-1950), no que respeita ao movimento, que enformam o método conhecido como A Rítmica de Dalcroze (Dalcroze’s Eurhythmics). (…)

Princípios do CEMK

Os princípios do Conceito de Educação Musical de Kodály são citados por diversos autores. Salientam-se os seguintes princípios:

  • “Se quiséssemos tentar expressar a essência desta educação numa só palavra, ela só poderia ser – cantar.” (Kodály).
  • O canto a cappella é a melhor actividade para desenvolver as competências musicais.
  • A aprendizagem deve começar com a música tradicional do próprio país para formar a “língua-materna musical” (Kodály), e para posteriormente estabelecer paralelos com a música erudita.
  • A música utilizada na aula deve ser de grande qualidade e de elevado valor artístico.
  • Quanto mais jovem for a criança, mais eficiente é a educação musical.
  • O currículo de educação musical deve ter em conta as fases de desenvolvimento da criança, acompanhando o desenvolvimento das suas capacidades físicas, mentais e emocionais.
  • A música contribui para o bem-estar geral, para o desenvolvimento intelectual, físico, estético e social da criança, bem como para a sua felicidade.
  • A música é um bem de todos e não apenas de uma elite.

Objetivos do Método Húngaro

Os objectivos do Método Húngaro também são referidos por vários autores. Destacam-se os seguintes objectivos:

  • Encorajar a performance musical dos estudantes, sobretudo vocal e coral.
  • Promover a literacia musical.
  • Dar a conhecer à criança a música tradicional húngara e a música erudita ocidental.
  • Alargar os horizontes estético-musicais da criança.
  • Promover um desenvolvimento social e artístico equilibrado.
  • Formar músicos profissionais e ouvintes esclarecidos.

(…)

Excerto de Música Tradicional na Iniciação Musical – Uma Proposta de Ordem de Aprendizagem Projecto de Aplicação do Método Húngaro no Ensino Especializado da Música, por Ana Sofia Alves Amorim Lopes, sob orientação de Cristina Brito da Cruz, 2014

Zoltan Kodály, pedagogo

Zoltan Kodály, pedagogo