As rimas são ferramentas pedagógicas que aproveitam a musicalidade e o ritmo da linguagem para facilitar a memorização. Ao associar a palavra do sentido à sua função e órgão, a rima cria um vínculo auditivo forte e duradouro. A natureza lúdica e rítmica das rimas torna a aprendizagem dos sentidos (visão, audição, tato, olfato, paladar, e até conceitos como propriocepção) mais divertida e envolvente, transformando a aquisição de vocabulário e o conhecimento sobre o corpo humano numa brincadeira.
A sentir
[ António José Ferreira ]
A sentir,
a cheirar,
que tens bom olfato
vais mostrar.
A tocar,
a apalpar,
que és bom no tacto
vais mostrar.
A comer,
a mascar,
mostra que lá que tens
bom paladar.
A olhar,
a piscar,
mostra a visão
para o teu par.
A ouvir, a escutar,
Que és bom de ouvido
vais mostrar.
MUSICATIVIDADES
1. O professor diz uma frase e todos repetem.
2. As crianças fazem gestos relacionados com o sentido respetivo enquanto o professor marca o ritmo (titi tá titi tá tiritiri titi titi tá, ou equivalente).
Recursos musicais Meloteca para a infância
Na escola dizia
[ António José Ferreira ]
Na escola dizia
um dia
o Edgar:
o sentido da visão
está no meu olhar.
Na escola dizia
um dia
a Beatriz:
o sentido do olfato
está no meu nariz.
Na escola dizia
um dia
o João:
o sentido do tato
está na minha mão.
Na escola dizia
um dia
o Rodrigo:
o sentido da audição
está no meu ouvido.
Na escola dizia
um dia
a Gracinda:
o sentido do paladar
está na minha língua.
Sinto com a minha pele
Sinto com a minha pele,
se me fazes um miminho.
Há quem diga que é o tato,
mas eu sei que é carinho.
Sinto com a minha língua
se um chupa me quer’s dar:
faz bem à nossa amizade
e é doce ao paladar.
Sinto com o meu nariz
quando sou o cozinheiro.
Há quem diga que é olfato
e quem diga apenas cheiro.
Sinto com os meus ouvidos
quando é linda a canção:
inda antes de eu nascer
já tivera uma audição.
Sinto também com olhos
que até chegam a brilhar.
Há quem diga que é visão,
mas eu sei que é gostar.
Tenho olhos
[ António José Ferreira ]
Tenho olhos pequeninos,
mas sou muito bom a ver;
tenho boca pequenina
mas sou ótimo a comer.
Tenho dedos pequeninos,
mas sou bom a escrever;
tenho pernas pequeninas
mas sou rápido a correr.
Tenho nariz pequenino
mas sou ótimo a cheirar;
tenho dedos pequeninos
mas sou ótimo a pintar.
Tenho braços pequeninos
mas sou ótimo a abraçar;
tenho dois pés pequeninos
mas sou bom a caminhar.
Tenho lábios pequeninos
mas sou muito bom a rir;
tenho pernas pequeninas
mas sou rápido a fugir.
Tenho língua pequenina
mas sou ótimo a falar;
tenho duas mãos pequenas
mas sou ótimo a tocar.
Depois de apresentado o texto, o professor diz o primeiro verso de cada dueto e a turma, ou uma criança só, responde com o segundo. Poderão dizer uma ação diferentes da que o professor propôs, desde que faça sentido.
Recursos musicais Meloteca para a infância
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2022/07/sentidos-bebe-e-mae.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2022-07-10 23:27:022026-04-18 19:38:24Canções dos sentidos
As brincadeiras cantadas são uma ferramenta lúdica e essencial para o conhecimento do corpo na infância. Ao aliar a música ao movimento, como em “Cabeça, ombro, joelho e pé”, a criança constrói ativamente o seu esquema corporal de forma integrada. O ritmo e a melodia facilitam a memorização das partes do corpo, transformando a aprendizagem numa experiência prazerosa. A repetição dos gestos, sincronizada com a canção, desenvolve a coordenação motora ampla, a lateralidade e a consciência espacial, ou seja, a criança aprende a situar-se no espaço e a controlar os seus movimentos.
Cabeça, tronco e membros
[ António José Ferreira ]
Cabeça, tronco e membros,
com música é que é!
Abana todo o corpo,
o braço, a mão, o pé!
Cabeça, tronco e membros,
ai que bom que será:
abana todo o corpo,
mexe-te todo já.
Cabeça, tronco e membros,
que gira esta cantiga:
uma mão na testa,
a outra na barriga.
Cabeça, tronco e membros,
o ritmo está perfeito:
ponho uma mão nas costas,
a outra está ao peito.
Eu fui ao senhor doutor
Eu fui ao senhor doutor,
eu fui ao senhor doutor,
que me disse que eu tenho um tique,
que me disse que eu tenho um tique,
eu tenho um tique,
eu tenho um tique,
tique tique,
tique tique.
[ Dando estalos com ambas as mãos, ou piscar o olho. ]
Eu fui ao Senhor doutor (2 v.)
que mandou mexer as pernas… (2 v.)
Eu tenho um tique (2v.)
tique tique. (2v.)
… mexer a anca… … mexa os braços… … mexa os ombros… … mexer a cabeça…
Acumulam-se os gestos.
MUSATIVIDADES
O professor recita de forma expressiva e as crianças repetem e fazem gestos cumulativos.
Músculos! Músculos! [ Atividade ]
[ António José Ferreira ]
Músculos! Músculos!
São mais de seiscentos:
É o que diz a anatomia!
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Nem os membros eu mexia.
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Nem sequer me sentaria.
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Como é que eu me ria?
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Como é que me aquecia?
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Nem falava nem comia!
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Em pé não aguentaria.
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
O esqueleto cairia!
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Como é que eu pintaria?
Músculos! Músculos!
Se não os tivesse,
Como é que eu escreveria?
Músculos [ Bola ]
[ António José Ferreira ]
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que eu jogaria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que eu fintaria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que eu chutaria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que eu passaria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que eu defendia?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem a bola lançaria.
Tocando guizeira
Músculos [ Desporto ]
[ António José Ferreira ]
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que eu marcharia?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que eu correria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Que troféus levantaria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Que flexões é que eu faria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Que combates venceria?
Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem a taça ergueria!
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais. Promove edições, instalações, exposições, formações, residências, oficinas.
Brincar Azul, Reciclanda 2026
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https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2022/06/tocando-guizeira.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2022-06-30 15:32:422026-04-29 12:14:29Canções do corpo
Aprender os ossos do esqueleto humano a brincar é uma estratégia de ensino eficaz para crianças. A importância das brincadeiras cantadas para aprender os nomes dos ossos do esqueleto humano reside na forma como o cérebro processa e retém informações.
É um esqueleto
É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de mexer e de dançar.
Vai um dia ao Baile,
baila, baila com o par.
Deixa lá o fémur:
– Como é que vai andar?
É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de sonhar e de pensar.
Vai um dia à China
de avião com o seu par.
Deixa lá o crânio:
– Como é que vai pensar?
É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de correr e de saltar.
Vai à maratona
com desejo de ganhar.
Deixa lá a rótula:
– Como vai continuar?
É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de comer um bom jantar.
Vai a um restaurante
muito fino à beira-mar.
Deixa lá a mandíbula:
– Como é que vai mastigar?
1. O professor recita de dois em dois versos e as crianças repetem; diz uma quadra e as crianças repetem.
3. Diz depois as quadras seguidas e as crianças movem-se pela sala realçando o osso referido.
António José Ferreira
Quando o relógio bate à uma
Esta brincadeira cantada pode ser realizada tanto em casa como na escola, no 1º Ciclo (1º-3º anos) e na educação pré-escolar.
Duas ou três crianças estão em casa na sala, deitados no chão com os olhos fechados, em condições de higiene adequadas. O professor (ou criança competente) é uma espécie de mandador. Aos verbos que diz, às crianças respondem com ações, umas em movimento, outras paradas. O refrão Tumba lacatumba tumba ta acompanhado com percussão permite prolongar as ações. Para tornar a atividade mais interessante é em geral conveniente apagar as luzes. No início e no fim, dizem (ou cantam) a onomatopeia tiquetaque.
Relógio antigo
Tiquetaque tiquetaque tiquetaque tiquetaque.
1. Quando o relógio bate à uma,
os esqueletos saem da tumba.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
2. Quando o relógio bate às duas,
os esqueletos andam nas ruas. [ ou assustam ]
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
3. Quando o relógio bate às três,
os esqueletos jogam xadrez. [ou comem no chinês ]
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às quatro,
os esqueletos fazem teatro.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às cinco,
os esqueletos compram um brinco.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às seis,
os esqueletos imitam os reis. [ ou comem pastéis ]
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às sete,
os esqueletos tocam trompete. [ ou põe a babete; ou comem esparguete ]
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às oito,
os esqueletos fazem biscoito.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às nove,
os esqueletos vêem se chove.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às dez,
os esqueletos lavam os pés.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às onze,
os esqueletos correm para o bronze.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate às doze,
os esqueletos comem a dose.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
Quando o relógio bate à uma
os esqueletos voltam à tumba.
Tumba latumba latumbabá. Tumba latumba latumbabá.
[ Adaptação de António José Ferreira ]
Variante
Tumba lacatumba tumba ta. (2v)
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Aprender os ossos a brincar
Aprender os ossos a brincar é uma estratégia de ensino eficaz para crianças. A importância das brincadeiras cantadas para aprender os nomes dos ossos do esqueleto humano reside na forma como o cérebro processa e retém informações.
1. Facilitação da memória (mnemónica)
O cérebro humano é programado para lembrar padrões, ritmos e melodias com muito mais facilidade do que listas de palavras secas.
Ritmo e repetição:
A música utiliza o ritmo e a repetição, que são ferramentas mnemónicas poderosas. É o mesmo princípio que nos faz lembrar letras de músicas que não ouvimos há anos, ou o canto do alfabeto. Tentar memorizar “crânio, clavícula, úmero, rádio, ulna, fêmur, tíbia, fíbula” é difícil. Cantá-los numa melodia simples torna a sequência memorável.
2. Aprendizagem multissensorial e cinestésica
Aprender os ossos não é apenas saber os nomes; é saber onde eles estão. As brincadeiras cantadas quase sempre envolvem ação.
Conexão corpo-mente:
Ao cantar “o meu fêmur está na coxa” e ao mesmo tempo tocar na coxa, a criança cria uma ligação física e neurológica direta entre o termo abstrato (“fêmur”) e a sua localização concreta no próprio corpo.
Aprendizagem ativa (Cinestésica):
As crianças, especialmente as mais novas, aprendem “fazendo”. O movimento (dançar, apontar, tocar) solidifica a aprendizagem de uma forma que a leitura passiva não consegue. O clássico “Cabeça, ombro, joelho e pé” é o exemplo perfeito disto, embora se foque em partes do corpo e não especificamente em ossos.
3. Empenho e motivação
Aprender a anatomia pode ser um tópico visto como “chato” ou “difícil”.
O lúdico:
A brincadeira remove a pressão do “estudo”. A criança está focada na diversão, na música e no movimento. A aprendizagem torna-se um subproduto agradável da atividade, em vez de um objetivo árduo.
Foco e atenção:
Uma canção cativante mantém a atenção da criança por muito mais tempo do que uma aula expositiva tradicional.
4. Redução da ansiedade e aumento da confiança
Termos científicos como “clavícula” ou “falanges” podem ser intimidantes.
Ambiente de baixa pressão:
Um contexto de brincadeira reduz o medo de errar. Se a criança errar a letra ou o gesto, ela simplesmente continua a cantar e a dançar, corrigindo-se naturalmente na próxima repetição.
Acessibilidade:
A música torna esta terminologia complexa acessível e menos “estranha”, normalizando as palavras.
5. Contextualização e associação
Uma canção fornece uma estrutura e um contexto para os nomes. Os ossos não são apenas uma lista aleatória; eles estão ligados numa sequência lógica (muitas vezes de cima para baixo, como na música “O Esqueleto”).
Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.