Poesia sobre música para crianças

Poemas do tempo

Brincadeiras cantadas de temática temporal

Tempo, matemática, português e música podem andar de mãos dadas para, de forma lúdica, desenvolver a noção de tempo no 1º Ciclo.

As lengalengas, rimas, provérbios e jogos focados no tempo constituem ferramentas pedagógicas de valor inestimável para o desenvolvimento infantil. Estas formas de literatura oral e lúdica não são apenas entretenimento; elas funcionam como estruturas que ajudam a criança a organizar a sua perceção do mundo e da continuidade biológica e social.

O relógio

O relógio, meu amigo,
diz-me sempre que horas são,
se devo sair da cama
ou vestir o meu roupão,
se devo ir para a Escola,
ou comer a refeição,
se é tempo de atividades
ou de brincar com o cão,
se devo ir à ginástica
ou vejo televisão,
se vou da escola p’ra casa,
ou merendo meu o pão.

[ António José Ferreira ]

Horas

Quando dá a uma,
corres como um puma.

Quando dão as duas,
andas pelas ruas.

Quando dão as três,
comes à chinês.

Quando dão as quatro,
vais fazer teatro.

Quando dão as cinco,
vais comprar um brinco.

Quando dão as seis,
tocas para os reis.

Quando dão as sete,
comes esparguete.

Quando dão as oito,
comes um biscoito.

Quando dão as nove,
tu vais ver se chove.

Quando dão as dez,
vais lavar os pés.

Quando dão as onze,
tu apanhas bronze.

Quando dão as doze,
podes fazer pose.

Dias da semana

No domingo
vou a Seia
comer um gelado
de aveia.

Na segunda
vou a Viseu
comer um gelado
de Oreo.

Na terça
vou a Mação
comer um gelado
de de limão.

Na quarta
vou a Almoçageme
comer um gelado.
de leite creme.

Na quinta
vou a Penela
comer um gelado
de Nutella.

Na sexta
vou a Camarate
comer um gelado
de chocolate.

No sábado
vou a Condeixa
comer um gelado
de ameixa.

No domingo
vou à Malcata
comer um gelado
com sabor a nata.

No domingo fui ao coreto

No domingo, fui ao coreto
para ouvir um quarteto.

Na segunda, fui à quinta
apanhar uva tinta.

Na terça, fui ao quintal
semear o nabal.

Na quarta, fui ao mercado,
comprar queijo ralado.

Na quinta, fui à drogaria
comprar quinquilharia.

Na sexta, fui ao patrão
resolver uma questão.

No sábado, fui à esquina
p’ra tocar concertina.

[ António José Ferreira ]

Domingo passeei

Domingo passeei
e cheguei cansado.

Segunda, estudei
e fiquei fatigado.

Terça, corri
e fiquei exausto.

Quarta nadei
e fiquei enfraquecido.

Quinta pintei
e fiquei afadigado.

Sexta, escrevi
e fiquei extenuado.

Sábado, dormi
e fiquei descansado.

Do meu cansaço
fiquei recuperado.

MUSATIVIDADES

1. As crianças estão sentadas à mesa com a cadeira à distância que lhes permita percutir na mesa.
2. No primeiro dia da semana marcam a pulsação com um dedo, segunda com dois e assim sucessivamente.

Meses do ano

No mês de janeiro
quero ir a Vizela
e comer gelado
de canela.

No mês de fevereiro
quero ir a Sendim
e comer gelado
de amendoim.

No mês de março
quero ir ao Minho
e comer gelado
de rosmaninho.

No mês de abril
quero ir a Ançã
e comer gelado
de hortelã.

No mês de maio,
quero ir à ilha
e comer gelado
de baunilha.

No mês de junho
quero ir à praia
e comer gelado
de papaia.

No mês de julho
quero ir a Angeja
e comer gelado
de cereja.

No mês de agosto
quero ir a ria
e comer um gelado
de melancia.

No mês de setembro
quero ir ao Dão
e comer gelado
de limão.

No mês de outubro
quero ir a Monsaraz
e comer gelado
de ananás.

No mês de novembro
quero ir a Loulé
e comer um gelado
de café.

No mês de dezembro
quero ir à Lousã
e comer gelado
de avelã.

Meses e números

O mês de Janeiro é 1;
como o primeiro não há nenhum.

O mês de fevereiro é 2;
tremem de frio vacas e bois.

O mês de março é 3;
lá vem a Páscoa outra vez.

O mês de abril é 4;
usa galocha, bota ou sapato.

O mês de maio é 5;
cresce a ovelha e cresce o pinto.

O mês de junho é 6;
ao fazer praia, não leves anéis.

O mês de julho é 7;
sê moderado com o esparguete.

O mês de agosto é 8;
nunca abuses do biscoito.

O mês de setembro é 9;
dias de praia, nos outros chove.

O mês de outubro é 10;
cuida de não molhar os pés.

O mês de novembro é 11;
foi-se o sol que me deu o bronze.

O mês de dezembro é 12;
couve da horta ao lume se coze.

Caracóis, Aldeia de Santo André, Santiago do Cacém, Junho de 2025

Caracóis, Aldeia de Santo André, Santiago do Cacém, Junho de 2025

No mês de janeiro

No mês de janeiro
Quero ir a Vizela
E comer gelado
De canela.

No mês de fevereiro
quero ir a Sendim
E comer gelado
De amendoim.

No mês de março
Quero ir ao Minho
E comer gelado
De rosmaninho.

No mês de abril
quero ir a Ançã
E comer gelado
De hortelã.

No mês de maio,
Quero ir à ilha
E comer gelado
De baunilha.

No mês de junho
Quero ir à praia
E comer gelado
De papaia.

No mês de julho
Quero ir a Angeja
E comer gelado
De cereja.

No mês de agosto
Quero ir a ria
E comer um gelado
De melancia.

No mês de setembro
Quero ir ao Dão
E comer gelado
De limão.

No mês de outubro
quero ir a Monsaraz
E comer gelado
De ananás.

No mês de novembro
Quero ir a Loulé
E comer um gelado
De café.

No mês de dezembro
Quero ir à Lousã
E comer gelado
De avelã.

[ António José Ferreira ]

O mês de Janeiro é 1

O mês de Janeiro é 1;
como o primeiro não há nenhum.

O mês de fevereiro é 2;
tremem de frio vacas e bois.

O mês de março é 3;
lá vem a Páscoa outra vez.

O mês de abril é 4;
usa galocha, bota ou sapato.

O mês de maio é 5;
cresce a ovelha e cresce o pinto.

O mês de junho é 6;
ao fazer praia, não leves anéis.

O mês de julho é 7;
sê moderado com o esparguete.

O mês de agosto é 8;
nunca abuses do biscoito.

O mês de setembro é 9;
dias de praia, nos outros chove.

O mês de outubro é 10;
cuida de não molhar os pés.

O mês de novembro é 11;
foi-se o sol que me deu o bronze.

O mês de dezembro é 12;
couve da horta ao lume se coze.

António José Ferreira

Menina na praia

Menina na praia

Actividades sobre o tempo

(Isabel Cláudia Nogueira)

1º ano
  • Estabelecer relações entre factos e acções que levem à distinção de noções temporais:
    – antes/entre/depois;
    – ontem/hoje/amanhã;
    – muito tempo/pouco tempo;
    – ao mesmo tempo.
  • Relacionar dia/semana.
  • Reconhecer o carácter cíclico de alguns fenómenos e actividades (noite/dia, refeições, dias da semana…)
2º ano
  • Reconhecer a necessidade de escolha de uma unidade para efectuar medições.
  • Construir instrumentos de medida.
  • Efectuar medições com esses instrumentos e registá-las.
  • Construir sistemas provisórios de medida e dentro de cada sistema relacionar as diferentes unidades.
  • Estabelecer relações entre factos e acções que envolvam noções temporais.
  • Relacionar hora/dia/semana/mês/ano.
  • Reconhecer o carácter cíclico de alguns fenómenos e actividades:
    – entrada/saída da escola;
    – aulas/férias;
    – estações do ano, etc.
  • Registar a duração de algumas actividades.
  • Assinalar no calendário datas e acontecimentos.

3º ano

  • Relacionar a hora, o minuto e o segundo.
  • Utilizar instrumentos da vida corrente relacionados com o tempo.
  • Ler e escrever as horas.
  • Reconhecer o carácter cíclico de alguns fenómenos (fases da lua).
  • Registar e comparar a duração de algumas actividades (tempo gasto a percorrer determinada distância…)
4º ano
  • Utilizar instrumentos da vida corrente relacionados com o tempo: relógios, calendários, horários.

Fonte: Isabel Cláudia Nogueira, Como vai o tempo no 1º Ciclo, Reposotório ESEPF

Sugestão amiga

Lenga, Reciclanda e Loja Meloteca são projetos irmãos com inúmeros recursos pedagógicos. Na Lenga encontra lengalengas, estórias, poemas, adivinhas, provérbios, trava-línguas, piadas, onomatopeias, jogos, canções, dinâmicas, instrumentos úteis a profissionais que trabalham com crianças da Creche, Jardim de Infância, 1º Ciclo e Crianças com NEE.

Depois de entrar na Lenga, no computador, no lado direito ao cimo, clique nos três pontinhos. Pode guardar a Lenga como se fosse uma aplicação no seu computador; criar um atalho; copiar a ligação e partilhar o sítio com amigos.

Lenga

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Ritmo e Poesia

Rimas para executar com ritmo

Ajudei a minha avó

[ António José Ferreira ]

Ajudei a minha avó
a fazer o pão de ló.

Ajudei o meu avô
a desmontar o robô.

Ajudei a minha mãe,
a levar pastéis de Belém.

Ajudei o meu pai,
a pesquisar sobre o Havai.

Ajudei a minha tia
a cortar a melancia.

Ajudei o meu tio
a levar peixe do rio.

Ajudei a minha irmã
a descascar a maçã.

Ajudei o meu irmão
a dar banho ao seu cão.

Ajudei a minha prima
a fazer a sua rima.

Ajudei o meu primo
a subir até ao cimo.

Ritmo para acompanhamento: mãos alternadas na beira da mesa + mãos alternadas nas pernas. Indicado para o Dia Internacional da Família.

Com boa azeitona

Transformação [ António José Ferreira ]

Com boa azeitona da oliveira,
meu pai fez azeite de primeira.

A preparar polpa de tomate,
à minha mãezinha ninguém bate.

Com o grão de trigo da seara,
fez o meu avô farinha clara.

Com morangos frescos do pomar,
a avó fez compota p’ra lanchar.

Com cachos de uvas Moscatel,
farei vinho doce como o mel.

Indicado para o conhecimento de algumas profissões e o dia 1 de maio (Dia do Trabalhador) e o conhecimento da transformação na indústria e na agricultura.

De vermelho foi a rosa

[ António José Ferreira ]

De vermelho foi a rosa,
perfumada e vaidosa.

Quis vestir-se o céu de azul
e levou calor para o sul.

Foi castanho o ouriço
para ser o mais castiço.

Vestiu a neve de branco
e pintou jardim e banco.

[ Estações do ano ]

Quis ser muito verde o prado
e ficou almofadado.

Disse o pinto amarelo:
– Digam lá se não sou belo?

Nas sílabas sublinhadas na primeira estrofe (e nas outras quadras, do mesmo modo): mão esquerda na beira da mesa; palma direita nas costas da esquerda; mão esquerda na beira da mesa; mão direita na perna direita.

Encontrei um lindo búzio

[ António José Ferreira ]

Encontrei um lindo búzio
Que uso para ouvir o mar.
Quando o colo ao ouvido,
sou marujo no alto mar.

Com um búzio verdadeiro ou reciclado as crianças ficam em silêncio para ouvir ondas. Depois dizem o poema, alternado declamação e silêncio.

Gosto de ouvir

Sons [ António José Ferreira ]

Gosto de ouvir
o galo a cantar,
som tão poderoso
para me acordar.

Gosto de ouvir
o cuco a cantar,
som tão musical
para passear.

Gosto de ouvir
as ondas do mar,
som tão agradável
para relaxar.

Não gosto de ouvir
carros a apitar,
som desagradável
a evitar.

Enquanto um grupo recita, outro cria uma sonoplastia para o texto (com onomatopeias ou recorrendo a objetos).

Mãe é fofa, sabe acarinhar

[ António José Ferreira ]

Mãe é fofa,
sabe acarinhar;
mãe é atenta,
sabe escutar;
mãe é esperta,
sabe ensinar;
mãe é mãe;
tem sempre algo p’ra dar!

Verso a verso, de dois em dois, a estrofe completa, a turma memoriza o texto. Voluntários dizedores sobem ao estrado da sala para declamar, com expressividade.

No Dias das Bruxas

[ António José Ferreira ]

No Dias das Bruxas
bater o dente;
no Magusto,
castanha quente;
no Natal,
dar um presente;
no fim de ano,
ser diferente.
no São João,
dançar a gente,
no aniversário
‘star contente.
(Esqueci o Carnaval?
Ele nunca leva a mal.)

As crianças estão sentadas à mesa. Nas sílabas que rimam em “en”, as mãos abertas batem na beira da mesa e em seguida, fechadas, batem nas pernas.

Ouve o som da savana

[ António José Ferreira ]

Ouve o som da savana,
O grito da selva,
O canto do mar!
Cuida bem do planeta,
É teu, é nosso,
Há que o salvar!

Vê o encanto da fonte,
O curso do rio
Da serra ao mar.
Olha as cores da serra,
As aves em festa,
O sol a brilhar.

Segue o voo do cuco,
O tigre correndo,
O peixe a nadar.
Olha para os filhotes
E isso já basta
P’ra te encantar.

Tantas são as espécies
Que estão em risco
De se extinguir.
Temos de fazer algo
Para salvá-las
Há que intervir!

Indicado para o Dia Internacional do Ambiente (5 de junho), o Dia do Animal (4 de outubro) e educação para a cidadania.

Pai é forte: sabe apoiar

[ António José Ferreira ]

Pai é forte: sabe apoiar;
pai é meigo: sabe abraçar;
pai é rico: sabe o que dar:
pai é pai, quem o pode igualar?

O meu pai é meu amigo.
Ele joga e brinca comigo.

Indicado para o Dia do Pai (19 de março).

Depois de memorizarem o texto, dizedores voluntários vão à frente da sala declamar o poema.

Passa, passa

[ António José Ferreira ]

Passa, passa, caracol,
Passa, passa, carapaça!
Tem cuidado com o sol
Para não haver desgraça.

As crianças aprendem a quadra tornando-se ótimos dizedores, com expressividade, em andamento moderado. Como o caracol anda lentamente, o exercício será as crianças dizerem a quadra num andamento uniformemente lento, sem parar.

Rimar não custa

Não custa nada fazer uma rima:
joga com a prima.

Não custa nada rimar com geleia.
É uma boa ideia.

Não custa nada rimar com cantiga:
canta se és amiga.

Não custa nada rimar com cadela:
é brincar com ela.

Não custa nada rimar com o cão:
é dar-lhe ração.

Não custa nada rimar com o gato:
é encher-lhe o prato.

Não custa nada rimar com cavalo:
é saber montá-lo.

Não custa nada rimar com o burro:
é não ser casmurro.

Não custa nada rimar com o galo:
basta alimentá-lo.

Não custa nada rimar com galinha:
é fazer canjinha.

António José Ferreira ]

Roda, roda, rodopia

[ António José Ferreira ]

Roda, roda, rodopia,
Roda, roda meu pião.
Roda, roda, rodopia,
Mostra que és um campeão.

Cada criança tem uma tampa de azeitonas que no centro seja um pouco mais baixa que nas bordas. Com as duas mãos, as crianças fazem o “pião” rodopiar, com um só impulso. O pião que se aguentar mais tempo é o vencedor.

Se eu fosse uma fruteira

Nomes coletivos

[ António José Ferreira ]

Se eu fosse uma fruteira,
queria-te no meu pomar.

Se eu fosse uma oliveira,
queria-te no meu olival.

Se eu fosse um castanheiro,
queria-te no meu souto.

Se eu fosse um sobreiro,
queria-te no meu montado.

Se eu fosse um camelo,
queria-te na minha cáfila.

Se eu fosse um bisonte,
queria-te na minha manada.

Se eu fosse um porco,
queria-te na minha vara.

Se eu fosse uma ovelha,
queria-te no meu rebanho.

Se eu fosse um cão,
queria-te na minha matilha.

Se eu fosse peixe,
queria-te no meu cardume.

Se eu fosse um pintainho,
queria-te na minha ninhada.

Se eu fosse uma formiga,
queria-te no meu formigueiro.

Se eu fosse cabra,
queria-te na minha cabrada.

Se eu fosse uma pomba
queria-te no meu bando.

Se eu fosse um livro,
queria-te na minha biblioteca.

Se eu fosse uma carta,
queria-te no meu baralho.

Se eu fosse abelha,
queria-te no meu enxame.

Se eu fosse uma estrela,
queria-te na minha constelação.

Se eu fosse uma casa,
queria-te no meu casario.

Se eu fosse um foguete,
queria-te na minha girândola.

Como sou aluno,
adoro ter-te na turma.

Depois de dizer todos os duetos, o professor joga com as crianças dizendo o primeiro verso, devendo as crianças responder com o segundo.

Serra, serra, carpinteiro

António José Ferreira

Serra, serra, carpinteiro
P’ra fazeres uma porta.
Tem cuidado e vê bem
Para que não fique torta.

1. O professor diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e as crianças repetem.

2. Diz uma quadra toda e a turma repete.

3. Cada criança diz a quadra na sua vez, com acompanhamento rítmico pelo professor; quem não conseguir, nomeia um colega para o acompanhar.

4. Com reco-recos, todos representam o movimento da serra e escutam o som.

Sou pirata aventureiro

[ António José Ferreira ]

Sou pirata aventureiro
e adoro o cheiro a mar.
Sei usar a minha espada,
defender e atacar.

Tem o céu muitas estrelas,
outras tantas tem o mar.
São espécies coloridas
que ultrapassam o milhar.

Depois de aprenderem as quadras, o professor dá duas espadas de material reutilizado que não tenha riscos para a segurança das crianças. As duas primeiras a memorizarem e dizerem, vão lutar cuidadosamente com espadas.

Um bom livro

[ António José Ferreira ]

Um bom livro é um amigo
Que está sempre ao meu lado.
Aconselha-me e indica
O que é apropriado.

Um bom livro é um presente
Que está sempre comigo.
Com os seus ensinamentos
Eu estudo e consigo.

Texto indicado para o Dia do Livro Português (26 de março), ou Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor (23 de abril).

Veio o setembro

[ António José Ferreira ]

Veio o setembro
como pintor;
pinta as folhas
com muita cor.

Veio o setembro
com muita uva.
Para os campos
manda a chuva.

Veio o setembro
cheio de vento:
movem-se as nuvens
no céu cinzento.

Veio o setembro
com muito sono.
Foi-se o verão,
viva o outono!

Texto criado para o tempo de regresso às aulas e o início do outono.

Veste roupa adequada

[ António José Ferreira ]

Veste roupa adequada,
não te faça mal o sol.
Se há neve ou geada
usa sempre cachecol.

Não te faça mal o frio,
não te faça mal o vento.
Se a casa está gelada,
liga o aquecimento.

Não te faça mal a água
quando molhas os teus pés.
Usas botas ou galochas?
Que prudente que tu és!

Texto indicado para o inverno. Uma sugestão de acompanhamento rítmico é marcar a pulsação com pés alternados no chão, o que também ajuda a aquecer os pés.

Verão quente

[ António José Ferreira ]

Verão quente,
muita gente
ou na praia ou a nadar.

Muito sol,
caracol
no meu prato é um manjar.

Canta o gaio,
o papagaio,
o meu, voa se ventar.

Grandes dias,
alegrias
e histórias p’ra contar!

Alternadamente, dedos da mão esquerda na mesa; punho direito na beira da mesa, alternadamente, nas sílbas sublinhadas da primeira estrofe e, nas outras, de forma semelhante. Indicado para o mês de junho.

A maneira de búzio

A maneira de búzio

Poemas de gentileza

Poemas e canções promotores de gentileza e educação para a cidadania

Poemas e canções sobre gentileza são ferramentas poderosas para a construção da cidadania na infância. Utilizam a rima e o ritmo, incutem valores sociais de forma memorável e emocionalmente envolvente.

Ao declamar ou cantar sobre gestos de bondade, como dizer “por favor” ou “obrigado”, ou ajudar um colega, a criança assimila o comportamento gentil não como uma regra, mas como uma expressão natural de afeto e respeito. A musicalidade e a poesia estimulam a empatia, fazendo com que os pequenos compreendam a perspetiva do outro e o impacto positivo das suas ações.

Estes poemas transformam conceitos abstratos como respeito e solidariedade em práticas concretas e diárias. Ao promover um ambiente de cooperação e consideração, a poesia e a música atuam na formação de cidadãos ativos e responsáveis, capazes de interagir harmoniosamente em sociedade e de valorizar o bem-estar coletivo.

Amigos apoiam

António José Ferreira

Os amigos nos apoiam
cada um com o que tem,
ora com a sua ajuda,
ora só com querer bem.

Os amigos nos ajudam
com a sua alegria.
Basta uma brincadeira,
é melhor o nosso dia.

Das palavras fiz poema,
do poema fiz canção,
para te dar o abraço
que me sai do coração.

Vou mandar uma mensagem
a um amigo especial.
Ele alegra-me e apoia
quando eu me sinto mal.

Em roda, um envelope passa de mão em mão e quando um elemento exterior à roda toca um padrão rítmico determinado, quem tiver o envelope diz umas palavras amigáveis a um colega da roda.

Catrapás

António José Ferreira

Catrapás, catrapás.
– Não à guerra, sim à paz!

Catrapés, catrapés.
– Mostra-me o bom que tu és!

Catrapis, catrapis.
– Sou feliz se és feliz!

Catrapós, catrapós.
– Ama e cuida dos avós!

Catrapus, catrapus.
– Para mim és uma luz.

[ O professor diz ritmicamente um dueto e as crianças descobrem o ritmo escondido (titi tá titi tá, titi titi titi tá). Em seguida o professor, recita um dueto e a turma repete. Finalmente, diz o primeiro verso e as crianças completam a rima. ]

É tão forte o teu abraço

António José Ferreira

É tão forte o teu abraço
e tão bom o teu sorriso!
E eu fico ao teu lado
a apoiar se for preciso.

Imagino o que sentes,
quero pôr-me em teu lugar
e saber de que maneira
eu te posso ajudar.

Imagino como estás
mesmo que tu não mo digas
e escolho entre as palavras
as que são tuas amigas.

Já o comboio apita

Já o comboio apita
quando chega à cidade.
Vou com os meus colegas
por quem tenho amizade.

Entra no meu comboio
que é o da Cortesia.
Quando é pela manhã,
tu deves dizer “Bom dia!”

Entra no meu comboio,
não ficará lotado.
Faz toda a diferença
dizeres “Muito obrigado!”

Entra no meu comboio
que tem animação.
Se magoaste o amigo,
não custa pedir perdão.

Lojas

António José Ferreira

– Fazes-me um favor?
Vai à peixaria.
– E eu comprei sardinhas
como a mãe queria.

– Fazes-me um favor?
Vai à frutaria.
– E eu comprei laranjas
como a mãe queria.

– Fazes-me um favor?
Vai à padaria.
– E eu comprei regueifa
como a mãe queria.

Fazes-me um favor?
Vai à confeitaria.
– E eu comprei bolinhos
como a mãe queria.

– Fazes-me um favor?
Vai à pizzaria.
– E eu comprei a pizza
como a mãe queria.

– Fazes-me um favor?
Vai à charcutaria.
– E eu comprei fiambre
como a mãe queria.

– Fazes-me um favor?
Vai à retrosaria.
– E eu comprei as linhas
como a mãe queria.

[ Esta brincadeira cantada é indicada para as crianças apropriarem conhecimentos sobre o comércio no âmbito de Estudo do Meio. Pode dramatizar-se com várias crianças a fazerem de comerciantes e outras de clientes. ]

O professor manda

António José Ferreira

Fica atento, muito atento,
Ao que o professor te diz.
Se fizeres o que pede
Também tu és mais feliz!

Pede o professor Moisés
Que tu contes até dez.

Instrumental + toque de alerta à escuta

Pede o professor José
Que vás praticar ballet.

Instrumental + toque de alerta à escuta

Manda o professor Martim
Que tu andes à pinguim!

Instrumental + toque de alerta à escuta

Manda o professor Zé Mário:
Diz lá o abecedário!

Instrumental + toque de alerta à escuta

Manda a professora Ester
Que te ponhas a correr!

Instrumental + toque de alerta à escuta

Manda-te o professor Beto
Que digas o alfabeto!

Instrumental + toque de alerta à escuta

O professor diz forte e expressivamente as rimas e durante 4 ou 4 pulsações improvisa em tambor, tempo durante o qual as crianças cumprem a ordem dada. Para parar a ação e alertar para nova ordem, percute um padrão rápido e curto, como “tríolotá”, podendo mesmo trizer em vez de percutir.

Mãos

António José Ferreira

Uso as mãos para tocar,
nunca para magoar.

Uso as mãos para acenar
nunca para arranhar.

Uso os pés p’ra caminhar,
Nunca p’ra pontapear.

Uso os pés p’ra ir e vir,
Nunca para agredir.

Uso as pernas para jogar,
Nunca para rasteirar.

Uso a boca p’ra falar,
Nunca para ameaçar.

[ As crianças acompanham marcando a pulsação com pés alternados, lado a lado, com a mão direita a agarrar o pulso esquerdo, de braços cruzados, de braço dado ou abraçando, à maneira do cante alentejano. ]

Mariana

Na casa da Mariana
há um piano muito antigo.
Ela toca uma cantiga
quando lá vai um amigo.

Um amigo especial,
António é como se chama,
que fica maravilhado
quando escuta a Mariana.

A tocar o seu piano,
mesmo sem ter muito jeito,
o António fica ali
a escutá-la satisfeito.

O som daquele piano
parece-lhe um som perfeito.
Um piano tão antigo
é uma coisa de respeito.

Que importa que ela não saiba
o piano tocar bem?
Para ele, a Mariana
toca melhor que ninguém.

Porque um amigo é assim:
aprecia o que fazemos,
e num amor sem ter fim
gosta de nós como somos.

Autor desconhecido

Mulher

António José Ferreira

Hoje é dia da grande mulher
que ensina, que escreve ou canta,
e que esteja ela onde estiver
nos apoia, acarinha e levanta.

Hoje é dia da mãe e da mana,
da madrinha, da avó e da tia,
da Matilde, da Bruna e da Ana,
da Filipa, da Inês, da Sofia.

Hoje é dia da minha professora,
da doutora e da cabeleireira,
da flautista e da compositora,
da autarca e da cozinheira. (…)

[ Poema para o Dia da Mulher, a 8 de março ]

Músculos e delicadeza

António José Ferreira

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem sequer eu te sorria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem sequer saudaria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem sequer acenaria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Que abraços eu daria?

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que te ajudaria?

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Gargalhadas não daria!

Em “Músculos! Músculos!”, as crianças realçam o bíceps braquial, esquerdo e direito, fazendo depois os gestos ajustados ao texto.

Jogo de mãos em pares (tá tá tá shiu)
1. mãos no peito em x;
2. costas com costas da mão do par;
3. palmas com as palmas do par.

Nomes coletivos

António José Ferreira

Se eu fosse um músico,
queria-te na minha orquestra.

Se eu fosse um cantor,
queria-te no meu coro.

Se eu fosse um sino,
queria-te no meu carrilhão.

Se eu fosse uma tecla,
queria-te no meu teclado.

Se eu fosse um disco,
queria-te na minha discoteca.

Se eu fosse uma corda
Queria-te no meu encordoamento.

Se eu fosse um soldado,
queria-te no meu batalhão.

Se eu fosse pescador,
Queria-te na minha companha.

Se eu fosse um navio,
queria-te na minha armada.

Se eu fosse um avião,
queria-te na minha esquadrilha.

Se eu fosse um ator,
queria-te no meu elenco.

Se eu fosse um poeta,
queria-te na minha plêiade.

Se eu fosse uma ilha,
queria-te no meu arquipélago.

Se eu fosse uma serra,
queria-te na minha cordilheira.

[ Depois de praticar com as crianças, o professor diz o primeiro verso e aponta uma criança que dirá o nome comum coletivo correspondente. A atividade é especialmente indicada para o 3º ano de escolaridade. Depois, podem as crianças que o desejarem levantar o dedo e dizer um dueto. ]

Passo-te a letra

António José Ferreira

Passo-te a letra A
P’ra poderes escrever Ana.
Passo-te a letra E
P’ra poderes escrever Eva.
Passo-te a letra I
P’ra poderes escrever Igor.
Passo-te a letra A
P’ra poderes escrever Olga.
Passo-te a letra A
P’ra poderes escrever Ursula.

[ Sentadas à mesa no seu lugar, as crianças têm um copo que passam de uma mão para a outra, batendo suavemente da mesa (agarra e bate). Para o Dia Mundial da Gentileza, a 13 de novembro, e todos os dias do ano. ]

Rimar não custa

António José Ferreira

Não custa nada
fazer uma rima:
joga com a prima.

Não custa nada
rimar com geleia.
É uma boa ideia.

Não custa nada
rimar com cantiga:
canta se és amiga.

Não custa nada
rimar com cadela:
é brincar com ela.

Não custa nada
rimar com o cão:
é dar-lhe ração.

Não custa nada
rimar com o gato:
é encher-lhe o prato.

Não custa nada
rimar com cavalo:
é saber montá-lo.

Não custa nada
rimar com o burro:
basta ser casmurro.

Não custa nada
rimar com o galo:
basta depená-lo.
Não custa nada
rimar com galinha:
é fazer canjinha.

[ Para o Dia Mundial da Poesia, a 21 de março, e outros dias ao longo do ano ]

São Valentim

São Valentim, São Valentim,
São Valentim, tim tim tim tim.

Neste dia tão bonito
quero dar-te um presente
p’ra saberes quanto gosto
e ficares mais contente.

[ Poema/canção criado com sugestões de texto de melodia da Escola EB1 da Gestosa, Vila Nova de Gaia. ]

Singular

António José Ferreira

Singular é apenas um,
é ser tão especial
como o Dia da Criança,
a Páscoa, o Carnaval.

Singular é ser o amigo,
dizer palavra certa,
o beijo de boa noite,
o rádio que te desperta.

Singular é coisa rara,
singular é ser um só
como o sorriso da mãe
ou o bolo da avó.

Singular é não ter “s”
colado ao nosso artigo,
ser colega de escola,
ser a amiga, ser o amigo.

Um presente é singular,
mais do que um já é plural:
prendas, bolas e brinquedos,
e enfeites de Natal.

Um disfarce é singular,
singular é o Carnaval;
mascarados e caretos,
serpentinas é plural.

Para as crianças apropriarem as noções de singular, e gostarem da poesia e da língua portuguesa
Jogo de mãos em pares (tá tá tá tá)
1. mãos no peito em x;
2. mãos no peito em x;
3. costas com costas da mão do par;
4. palmas com as palmas do par.

Valores

António José Ferreira

Os valores importantes
são a ajuda ao amigo,
escutar com atenção
quem está a falar comigo.

Os valores importantes
não são roupa nem dinheiro,
mas cumprir bem as tarefas,
ser honesto e verdadeiro.

Os valores importantes
são respeitar os seus pais
e tratar bem os amigos,
incluindo os animais.

[ Quatro crianças, ou quatro grupos de crianças, dizem cada uma sua quadra, com percussão com dedos da mão direita na palma esquerda, mão direita no peito, mão esquerda no peito, mão direita na perna direita, mão esquerda na perna esquerda, com o ritmo titi tá tá tá. ]

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

Saiba mais na Reciclanda e contacte-nos:

António José Ferreira:
962 942 759

Canções do esqueleto

Aprender os ossos do esqueleto humano a brincar é uma estratégia de ensino eficaz para crianças. A importância das brincadeiras cantadas para aprender os nomes dos ossos do esqueleto humano reside na forma como o cérebro processa e retém informações.

É um esqueleto

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de mexer e de dançar.
Vai um dia ao Baile,
baila, baila com o par.
Deixa lá o fémur:
– Como é que vai andar?

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de sonhar e de pensar.
Vai um dia à China
de avião com o seu par.
Deixa lá o crânio:
– Como é que vai pensar?

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de correr e de saltar.
Vai à maratona
com desejo de ganhar.
Deixa lá a rótula:
– Como vai continuar?

É um esqueleto –
um esqueleto de brincar.
Como ele gosta
de comer um bom jantar.
Vai a um restaurante
muito fino à beira-mar.
Deixa lá a mandíbula:
– Como é que vai mastigar?

1. O professor recita de dois em dois versos e as crianças repetem; diz uma quadra e as crianças repetem.
3. Diz depois as quadras seguidas e as crianças movem-se pela sala realçando o osso referido.

António José Ferreira

Quando o relógio bate à uma

Esta brincadeira cantada pode ser realizada tanto em casa como na escola, no 1º Ciclo (1º-3º anos) e na educação pré-escolar.

Duas ou três crianças estão em casa na sala, deitados no chão com os olhos fechados, em condições de higiene adequadas. O professor (ou criança competente) é uma espécie de mandador. Aos verbos que diz, às crianças respondem com ações, umas em movimento, outras paradas. O refrão Tumba lacatumba tumba ta acompanhado com percussão permite prolongar as ações. Para tornar a atividade mais interessante é em geral conveniente apagar as luzes. No início e no fim, dizem (ou cantam) a onomatopeia tiquetaque.

Relógio antigo

Tiquetaque tiquetaque
tiquetaque tiquetaque.

1. Quando o relógio bate à uma,
os esqueletos saem da tumba.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

2. Quando o relógio bate às duas,
os esqueletos andam nas ruas. [ ou assustam ]

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

3. Quando o relógio bate às três,
os esqueletos jogam xadrez. [ou comem no chinês ]

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às quatro,
os esqueletos fazem teatro.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às cinco,
os esqueletos compram um brinco.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às seis,
os esqueletos imitam os reis. [ ou comem pastéis ]

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às sete,
os esqueletos tocam trompete. [ ou põe a babete; ou comem esparguete ]

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às oito,
os esqueletos fazem biscoito.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às nove,
os esqueletos vêem se chove.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às dez,
os esqueletos lavam os pés.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às onze,
os esqueletos correm para o bronze.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate às doze,
os esqueletos comem a dose.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

Quando o relógio bate à uma
os esqueletos voltam à tumba.

Tumba latumba latumbabá.
Tumba latumba latumbabá.

[ Adaptação de António José Ferreira ]

Variante

Tumba lacatumba tumba ta. (2v)

Loja Meloteca

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Brincar Azul, Reciclanda 2026

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Aprender os ossos a brincar

Aprender os ossos a brincar é uma estratégia de ensino eficaz para crianças. A importância das brincadeiras cantadas para aprender os nomes dos ossos do esqueleto humano reside na forma como o cérebro processa e retém informações.

1. Facilitação da memória (mnemónica)

O cérebro humano é programado para lembrar padrões, ritmos e melodias com muito mais facilidade do que listas de palavras secas.

Ritmo e repetição:

A música utiliza o ritmo e a repetição, que são ferramentas mnemónicas poderosas. É o mesmo princípio que nos faz lembrar letras de músicas que não ouvimos há anos, ou o canto do alfabeto. Tentar memorizar “crânio, clavícula, úmero, rádio, ulna, fêmur, tíbia, fíbula” é difícil. Cantá-los numa melodia simples torna a sequência memorável.

2. Aprendizagem multissensorial e cinestésica

Aprender os ossos não é apenas saber os nomes; é saber onde eles estão. As brincadeiras cantadas quase sempre envolvem ação.

Conexão corpo-mente:

Ao cantar “o meu fêmur está na coxa” e ao mesmo tempo tocar na coxa, a criança cria uma ligação física e neurológica direta entre o termo abstrato (“fêmur”) e a sua localização concreta no próprio corpo.

Aprendizagem ativa (Cinestésica):

As crianças, especialmente as mais novas, aprendem “fazendo”. O movimento (dançar, apontar, tocar) solidifica a aprendizagem de uma forma que a leitura passiva não consegue. O clássico “Cabeça, ombro, joelho e pé” é o exemplo perfeito disto, embora se foque em partes do corpo e não especificamente em ossos.

3. Empenho e motivação

Aprender a anatomia pode ser um tópico visto como “chato” ou “difícil”.

O lúdico:

A brincadeira remove a pressão do “estudo”. A criança está focada na diversão, na música e no movimento. A aprendizagem torna-se um subproduto agradável da atividade, em vez de um objetivo árduo.

Foco e atenção:

Uma canção cativante mantém a atenção da criança por muito mais tempo do que uma aula expositiva tradicional.

4. Redução da ansiedade e aumento da confiança

Termos científicos como “clavícula” ou “falanges” podem ser intimidantes.

Ambiente de baixa pressão:

Um contexto de brincadeira reduz o medo de errar. Se a criança errar a letra ou o gesto, ela simplesmente continua a cantar e a dançar, corrigindo-se naturalmente na próxima repetição.

Acessibilidade:

A música torna esta terminologia complexa acessível e menos “estranha”, normalizando as palavras.

5. Contextualização e associação

Uma canção fornece uma estrutura e um contexto para os nomes. Os ossos não são apenas uma lista aleatória; eles estão ligados numa sequência lógica (muitas vezes de cima para baixo, como na música “O Esqueleto”).

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

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Crianças do 1º Ciclo em brincadeira de comboio

Crianças do 1º Ciclo em brincadeira de comboio

A voz e a saúde

Cuidados a ter com a voz

Uma formação com Luís Pacheco em 2020 desafiou-me a criar dinâmicas poético-musicais que levem as crianças a usar melhor a voz e a brincarem com rimas e lengalengas originais promotoras de boas práticas e de criatividade musical individualmente e em grupo.

Algumas das conclusões que os profissionais da voz devem ter em conta:

  • A voz não é apenas um instrumento, é relação com o outro.
  • A postura correta preserva a saúde, previne doenças e problemas e facilita a comunicação em diversos contextos profissionais.
  • As componentes fisiológica e psicológica são indissociáveis na utilização e preservação da voz. A qualidade da respiração é essencial ao nosso bem-estar e à atuação em público, cantando a solo ou em grupo.
  • Seja na sala de aula, perante um grupo de formandos ou uma Plateia, é fundamental ter em conta o ouvinte e não cultivar uma atitude narcisista sobre a qualidade da própria voz.
  • A voz não é o único suporte do pensamento, mas foi ao longo da História um veículo de transmissão de histórias e de História, provérbios e seus saberes, canções passadas oralmente.
  • O conhecimento de si mesmo, com capacidades e limites, da voz e timbre, é importante para que a mensagem passe para os ouvintes, e para que os ouvintes mantenham a atenção.

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

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Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

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A voz

António José Ferreira

Produzida na laringe
e pelas pregas vocais,
tua voz é preciosa,
se és cantor, ainda mais!

Se tu falas, se tu cantas,
põem-se as pregas a vibrar
com ar vindo dos pulmões
quando estás a expirar.

O som vai ser ampliado
pelas partes ressonantes
e assim se articulam
as vogais e as consoantes.

Não há voz igual à tua,
Tua voz é diferente.
Eu consigo distingui-la
No meio de muita gente.

É importante beber água,
Ter um sono regular,
Fazem mal refrigerantes
e também é mau gritar.

Tua voz é a tua voz,
é uma voz especial.
Cuida dela, trata-a bem,
não há outra voz igual.

Se a voz se alterou
sem teres explicação,
deves ir ao otorrino
e acabar co’a rouquidão.

Quando tu perdeste a voz,
há que ir ao Senhor Doutor!
Se estás rouco há 15 dias,
marca consulta, por favor!

Se te cansas quando falas,
há que ir ao Senhor Doutor!
Se tens dores de garganta,
marca consulta, por favor!

Pigarreias muitas vezes?
há que ir ao Senhor Doutor!
Custa-te a engolir?
Marca consulta, por favor!

Acompanhamento rítmico [ tá tá tá tá ]:

À mesa, mão esquerda na mesa; punho direito na mesa (com o polegar para cima); mão esquerda na mesa; mão deireira nas costas da esquerda.

Alimentação

António José Ferreira

Atenção ao que ingeres,
vê o que provoca azia.
Vais poder cantar melhor
e viver com alegria!

Bebidas

António José Ferreira

Tem cuidado co’as bebidas,
não as tomes muito quentes.
Fazem mal à tua voz,
prejudicam os teus dentes!

Bebe água e bom sumo
e prefere o natural,
que as bebidas muito frias
diz quem sabe: fazem mal!

Cuidado com a voz

António José Ferreira

O tabaco e o álcool
podem ser um grande vício!
Bebe água natural,
dorme bem, faz exercício.

Digo assim um trava-línguas

António José Ferreira

Digo assim um trava-línguas
com o lápis entre os dentes
e as palavras que eu digo
te parecem diferentes.

A criança coloca entre os dentes um lápis desinfetado e diz o trava-línguas, em andamento progressivamente mais rápido.

Língua

António José Ferreira

Põe a língua para trás:
mostra lá do que és capaz!
Põe a língua para a frente
a imitar uma serpente!

Dinâmica musical de desafio em que uma criança nomeia outra para dizer a quadra e fazer as ações.

Ponha a mão no seu umbigo

António José Ferreira

Ponha a mão seu no umbigo
e inspire calmamente.
Ponha o ar cá para fora,
depois diga-me o que sente.

As crianças declamam e cumprem as indicações da quadra.

Postura correta

António José Ferreira

Dá atenção à postura,
fala de forma pausada
e verão pelos teus modos
que és pessoa educada!

Se levantas muito o queixo
com as cordas em tensão,
fazes muito mais esforço:
não é vantajoso, não!

Acompanhamento rítmico [ tá tá tá tá ]:
À mesa, mão esquerda na mesa; mão direita na mesa; mão esquerda na mesa; estalinho com médio e polegar da direita.

Roupas

António José Ferreira

Na cintura ou no pescoço,
roupas apertadas, não!,
pois limitam movimentos
próprios da respiração.

Vai ao médico

António José Ferreira

Se a voz se alterou
sem teres explicação,
deves ir ao otorrino
e acabar co’a rouquidão.

Quando tu perdeste a voz,
há que ir ao Senhor Doutor!
Se estás rouco há 15 dias,
marca consulta, por favor!

Se te cansas quando falas,
há que ir ao Senhor Doutor!
Se tens dores de garganta,
marca consulta, por favor!

Pigarreias muitas vezes?
há que ir ao Senhor Doutor!
Custa-te a engolir?
Marca consulta, por favor!

Voz, o instrumento

António José Ferreira

Tenho um novo instrumento
que te quero demonstrar.
Sai o ar p’la minha boca,
põe os lábios a vibrar.

Loja Meloteca

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Brincar Azul, Reciclanda 2026

Brincar Azul, Reciclanda 2026

Rafaela Albuquerque, cantora de ópera, foto João Gomes

Rafaela Albuquerque, cantora de ópera, foto João Gomes

Rap dos instrumentos

Com “ritmo e poesia” promove-se a literacia, o desenvolvimento global da criança, a economia circular e a transformação de objetos em instrumentos funcionais que enriquecem a escola e a família.

Percussão

Com objetos reciclados
há instrumentos a fazer,
tabuinhas e sinetas
que até vão surpreender.

Se tens um objeto duro
que é fácil de agarrar,
talvez seja um idiofone
pronto pronto para utilizar.

Latas, chaves e canetas,
baldes, cordas e tecidos,
são recursos com que faço
instrumentos divertidos.

Ora bato, ora chocalho,
ora raspo o metal
e encontro novos timbres
em cada material.

Raspa, raspa o reco-reco,
raspa o reque, o raspador.
Bate, bate co’a baqueta,
timba, tumba, no tambor.

maracas

Na família Percussão
maracas a agitar.
Têm grãozinhos ou missangas
que eu escolho reciclar.

É um cilindro? É um cubo?
É opaco? É transparente?
Que agradável o seu timbre,
com arroz ou com semente!

Em formatos variados
sejam esferas ou ovais,
tu agitas e descobres:
tem sons especiais.

Cima, baixo, frente, trás,
sê artista ao abanar.
E as canções de que tu gostas
quererás acompanhar!

Pela forma como agito,
eu consigo insinuar
uma grande cascavel
entre as folhas a passar.

Reco-recos

Não tem cordas, não tem peles,
nem tubinho para soprar.
Quando raspo o meu reque,
ponho o corpo a vibrar.

Cabe bem na minha mão,
toco com uma vareta.
P’ra raspar ou p’ra bater,
posso até usar caneta.

A vareta vai e vem,
é tão bom improvisar.
Deste som suave e grave
quem é que não vai gostar?

Médio, grande ou pequeno,
faz um reque para ti.
E raspando bem raspado
parece que o reque ri.

Pede lá ao teu avô
que te faça um reco-reco
com um timbre agradável
e, no cimo, um boneco!

tambores

Há algumas embalagens
que se batem com baqueta.
Podem-se usar os dedos,
ou usar uma vareta.

Frascos de óleo do motor
que têm asa para a mão
podem ser bons instrumentos
para uma apresentação.

De uma tampa faz tambor
e põe gosto em praticar.
Tocas tu, alguém imita,
pode-se depois mudar.

Seja cana ou madeira,
seja plástico ou metal,
bate-se até descobrir
onde há um som brutal!

Pratos

Se tens chapas de metal,
gongos podes simular.
Quando pratos entrechocam,
é impossível não notar.

Uns pequenos, outros grandes,
de diversos materiais,
uns são fáceis de obter,
outros são especiais.

Com dois testos de panela
cada um na sua mão,
quando bate um no outro,
que impacto! É ou não?

Se suspendes um no dedo
e exploras co’a baqueta,
tu produzes sons diversos
e a banda é mais completa.

Chincalhos

Com tampinhas e caricas
há instrumentos a criar,
belos sistros e chincalhos
muito fáceis de agitar.

Sinos de vento

Prende tampas canas num cabide
para poderem chocar
se mexeres levemente
ou com vento a soprar.

Paus

Uma cana com a outra,
um paulito com paulito,
faz-se ritmo entre amigos
e o efeito é bem bonito.

Pau-de-chuva

Na família Percussão,
gosto muito de escutar
o comprido pau-de-chuva,
que a chuva quer imitar.

Bastões

De vassoura muito gasta
para mim fiz um bastão.
Faço música com ele,
basta eu bater no chão.

Sopros

Se em cana ou tubo eu sopro,
bate o sopro numa aresta.
Uma simples melodia
já ajuda a fazer festa.

António José Ferreira

Vantagens da percussão sustentável

A combinação de rimas cantadas com instrumentos de percussão didáticos e criados a partir de materiais reutilizados oferece uma riqueza pedagógica tripla na educação.

1. Reforço rítmico e linguístico:

As rimas cantadas já são poderosas para desenvolver a consciência fonológica e facilitar a memorização. Ao adicionar a percussão, o aluno materializa o ritmo. Tocar um instrumento simples (como maracas feitas recipientes de desodorizante e arroz) na batida da rima reforça a cadência, a acentuação e a estrutura das palavras. Isto solidifica as competências de literacia e matemática (contagem de tempos).

2. Aprendizagem cinestésica e motora:

A percussão introduz a componente cinestésica. O movimento de tocar e a coordenação necessária para seguir o ritmo melhoram a motricidade fina e grossa. A criança associa o conceito (veiculado pela rima) ao som e ao gesto, garantindo uma aprendizagem multissensorial mais profunda e duradoura.

3. Educação ambiental e criatividade:

A utilização de materiais reutilizados (tampas, latas, frascos) confere uma dimensão de educação ambiental e artística. Os alunos aprendem que o valor reside na criatividade e na transformação, e não apenas no consumo. Construir o próprio instrumento é um projeto STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics)) disfarçado de arte, promovendo a autoestima e a ligação pessoal com o material didático.

Loja Meloteca

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Brincar Azul, Reciclanda 2026

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Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

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Reis de Portugal a brincar

As rimas com ritmo são ferramentas pedagógicas cruciais na infância. A sua principal importância reside no desenvolvimento da consciência fonológica: treinam o ouvido da criança para identificar padrões sonoros, sílabas e aliterações, competência essencial para a futura aprendizagem da leitura e da escrita.

O ritmo facilita a memorização, ajudando a reter vocabulário, sequências e conceitos complexos de forma lúdica. Esta cadência previsível capta a atenção, motiva e organiza o pensamento. Além disso, quando associadas a movimento (bater palmas, dançar, tocar instrumentos reutilizados), as rimas promovem a coordenação motora e a noção de tempo, estruturando o desenvolvimento cognitivo e linguístico da criança.

O rei manda

Rimas de mandar ações (cantadas ou recitadas) com os nomes dos reis de Portugal

Dinastia Afonsina:

Manda D. Afonso Henriques
que nos mostres os teus tiques.

Manda-te o rei D. Sancho
que tu vás dançar no rancho.

Manda-te o rei D. Afonso
que lhe cantes um responso.

Manda D. Sancho II
que escaves muito fundo.

Manda Afonso III
que tu toques o pandeiro.

Manda-te o rei D. Dinis
que assoes o nariz.

Manda D. Afonso IV
que imites o lagarto.

Manda-te o rei D. Pedro
que tu vás plantar um cedro.

Manda-te o rei D. Fernando
que caminhes coxeando.

Dinastia de Avis:

Manda-te o rei D. João
que comeces um refrão.

Manda o rei D. Duarte
que tu grelhes o espadarte.

Manda D. Afonso V
que apertes bem o cinto.

Manda D. João II
que durmas sono profundo.

Manda o rei D. Manuel
que tu comas um pastel.

Manda o rei D. João III
que hoje sejas pasteleiro.

Manda D. Sebastião
que dês banho ao teu cão.

Manda-te o rei D. Henrique
que tu cantes ao despique.

Manda-te o rei D. António
que tu toques o harmónio.

Dinastia Filipina:

Manda o rei D. Filipe
que conduzas o teu jipe.

Manda Filipe II
Que tu fiques furibundo.

Manda Filipe III
Que contes bem o dinheiro.

Dinastia de Bragança:

Manda o rei D. João IV
que arrumes sempre o quarto.

Manda D. Afonso VI
que tu leias bem o texto.

Manda D. Pedro II
Que faças de vagabundo.

Manda D. João V
que vás dar comida ao pinto.

Manda o rei D. José
que me sirvas um café.

Manda a D. Maria
que tu toques bateria.

Manda o rei D. João VI
que tu leias alto o texto.

Manda o rei D. Pedro IV
que vás arrumar o quarto.

Manda D. Miguel
que tu comas o farnel.

Manda Maria II
que batas co’a mão na bunda.

Manda o rei D. Pedro V
Que saias do labirinto.

Manda o rei D. Luís
que dês milho à perdiz.

Manda D. Carlos I
que plantes um pessegueiro.

Manda Manuel II:
Lava-te que estás imundo!

Rei D. Pedro IV de Portugal

Rei D. Pedro IV de Portugal

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

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Brincar Azul, Reciclanda 2026

Brincar Azul, Reciclanda 2026

História da poluição

Poema/canção sobre a poluição criado para projeto numa escola do 1º Ciclo de Vila Nova de Gaia, apresentado ao público no Auditório do Olival com a EB1 dos Carvalhos.

Foi há muito, muito tempo,
‘stava a história a começar.
Tinham homem e mulher
todo o dia p’ra caçar.

Ninguém tinha a sua horta
nem plantava o pomar.
O céu era mesmo azul
e o ar bom p’ra respirar.

Foi há muito, muito tempo,
ninguém sabia escrever;
nem sequer era preciso
as florestas abater.

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Apresenta-se nas áreas da educação e da sustentabilidade em festivais.

Saiba mais na Reciclanda e contacte-nos:

António José Ferreira:
962 942 759

O homem não sabia ainda
fazer fogo p’ra aquecer;
um raio caiu num ramo
que logo ficou a arder.

O homem não descansou
até fogueiras acender.
O fogo chegou à carne
e ai que bom era o comer!

O homem fazia o fogo
mas não o sabia conter.
Com incêndios na floresta, 
fauna e flora a morrer.

Por vezes faltava caça,
havia que produzir.
E a floresta onde caçara
passou a diminuir.

Abatia-se uma árvore,
outra árvore a seguir.
Pouco a pouco, a humanidade
começou a poluir.

O homem do vale fez
muros p’ra se defender
e com pedras criou armas
p’ra os animais abater.

Com o frio que chegara
precisou de se aquecer
e usava peles quentes
para o corpo proteger. 

Começou a polir pedra,
fez anzóis para pescar.
Dos ossos criou agulhas
para a roupa costurar.

Já fazia esculturas
e gostava de pintar.
Tinha arte, inteligência
e gostava de tocar.

Com os troncos que rolavam
mudou coisas do lugar,
coisas grandes e pesadas
conseguia transportar.

Da roda passou ao carro
com animais a puxar;
e descobriu o petróleo
que tudo veio mudar.

Com o séc’lo XIX,
tudo estava a progredir,
e o homem já pensava
tudo poder conseguir.

Os comboios circulando,
tanto fumo a subir,
e as chaminés das fábricas
era sempre a poluir.

As cidades e as vilas
‘stavam sempre a aumentar.
Os esgotos e o lixo
iam p’ra qualquer lugar.

Monumentos escurecem
c’o a poluição do ar.
Quero um planeta limpo
e feliz para habitar.

Hoje tantos são os carros
e gazes que há no ar
que desejo andar a pé
e ter ar p’ra respirar.

É tão bom voltar ao campo,
ouvir pássaros cantar;
o meu sonho é um céu azul
e o meu lema, reciclar.

Se quer’s ter muita saúde
p’ra correr e p’ra jogar,
faz que muita coisa mude,
vamos reutilizar.

Numa lata, bom tambor
escondido pode estar.
Só tens de estar bem atento
e de experimentar.

António José Ferreira

Saiba mais e adquira recursos originais na Loja Meloteca.

Lagoa poluída na Patagónia, Argentina

Lagoa poluída na Patagónia, Argentina

Poemas para pensar

Ler e ouvir poesia cultiva o gosto pela estética literária e amplia o vocabulário. A poesia na infância é um portal para a sensibilidade e a descoberta linguística. Ao recitar, a criança explora a musicalidade das palavras, o ritmo e a rima, o que fortalece a memória e a dicção de forma lúdica. Mais do que entretenimento, o poema estimula o pensamento crítico e a abstração, permitindo que os mais novos organizem emoções e compreendam o mundo através de metáforas.

Circo

No circo cheio de luz
Há tanto que ver!…
“Senhores!”
– Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores –
“Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga…”
(…)
O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo á multidão.
Ri, palhaço!
Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir! (…)

José Régio, As Encruzilhadas de Deus ]

Cravo

Canção

Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo,
– mãe, dou-lho ou não?

Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo,
– mãe, dou-lho ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir,
– mãe, dou-lho ou não?

Eugénio de Andrade ]

Jarrinho e tostão

Levava um jarrinho
Para ir buscar vinho.
Levava um tostão para comprar pão
e levava uma fita para ir bonita.

Correu atrás
De mim um rapaz:
Foi o jarro para o chão.
Perdi o tostão,
Rasgou-se-me a fita…
Vejam que desdita!

Se eu não levasse um jarrinho
nem fosse buscar vinho
nem trouxesse a fita para ir bonita
nem corresse atrás
de mim um rapaz
para ver o que eu fazia
nada disto acontecia.

Fernando Pessoa ]

Liberdade

Quem a tem…

Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondendo tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber,
qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena

Mãe

Só por isso, mãe

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,
Vale a pena!

Lopes Morgado, Mulher Mãe ]

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa ]

Máscara

Parei
Espreitei
Entrei
Comprei
Saí
Subi
Abri
Sorri
Peguei
Coloquei
Ajeitei
Desci
Apareci
Rugi
E ri
Um leão!
Que aflição!
Mas não!
É o João.

Maria Cândida Mendonça ]

Ninho

Segredo

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar…

Miguel Torga, Diário VIII ]

Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem neve
ou se tem neve e não se tem chuva!

Ou calço a luva e não ponho o anel,
ou ponho o anel e não se calça a luva!

Ou subo ao céu e não fico no chão,
ou estou no chão e não subo ao céu.

É uma pena que eu não consiga
‘star em dois sítios ao mesmo tempo!

Guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Isto ou aquilo: e vivo escolhendo
todo o dia e toda a vida!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio a correr ou se fico tranquilo.

É tão difícil saber com certeza
o que é melhor, se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles ]

Para ser grande

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis ]

Patas

Caminhada

Nessa mata ninguém mata
a pata que vive ali,
com duas patas de pata,
pata acolá, pata aqui.

Pata que gosta de matas
visita as matas vizinhas,
com as suas duas patas
seguidas de dez patinhas.

E cada patinha tem,
como a pata lá da mata,
duas patinhas também
que são patinhas de pata.

Sidónio Muralha ]

Professor

Professor diz-me porquê?
Porque voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?
Professor diz-me porquê?
Porque roda o meu pião?
Ele não tem nenhuma roda
e roda gira rodopia
e cai morto no chão…
Tenho nove anos professor
E há tanto mistério à minha roda
que eu queria desvendar!
Porque é que o céu é azul?
Porque é que marulha o mar?
Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber!
E tu que não me queres responder!

Alice Gomes ]

Sonho

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos ]

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade ]

Francisca com instrumento de frasco e tampas

Francisca com instrumento de frasco e tampas

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

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Poemas de natureza

Aranha, anha

[ Ladainha da aranha ]

Aranha, anha
tão muda e mole
teu fio da lua
soluça ao sol.

Aranha, anha
que ninguém ama
teu fio de lua
é a tua cama.

Aranha, anha
de noite e dia
teu fio de lua
ninguém o fia.

Aranha, anha
que o mundo mata
teu fio de lua
ninguém desata.

Matilde Rosa Araújo ]

É importante aproximar a poesia das crianças, desde cedo, com benefícios a nível da fala e do vocabulário, bem como referir junto das crianças a importância dos escritores e poetas e lembrá-los pelas estórias e poemas.

Matilde Rosa Araújo (Lisboa, 20 de junho de 1921 – Lisboa, 6 de julho de 2010) foi uma escritora portuguesa especializada na literatura infantil. Entre muitas outras obras escreveu O Cantar da Tila (poemas para a juventude, 1967), e O passarinho de Maio (literatura infantil, 1990).

Aranha

Aranha

Sugestões

O professor apresenta o texto no quadro interativo ou escreve-o em outro quadro. Declama o poema com expressividade e apresenta a vida da autora. Desafia um ou mais voluntários para recitarem.

O poema pode ser acompanhado com percussão corporal com dois níveis, mãos nas pernas e palmas, por exemplo. Na sua vez, as crianças podem sugerir outras formas de acompanhamento rítmico.

Podem fazer-se jogos com uma aranha que vai passando de mão em mão. Quando o poema termina, a criança que tem a aranha vai para o meio, e assim sucessivamente.

Estando as crianças à volta de uma mesa, o poema pode ser dito com a ponta dos dedos na beira da mesa e mãos nas pernas, ou mãos alternadas na mesa.

A criação de maracas eficazes e resistentes é muito fácil com tampas de amaciador de roupa. As crianças podem criar o seu próprio instrumento e acompanhar com estas maracas, projetando-as para a frente, em cima e em baixo.

Bate a chuva

[ Canção da chuva ]

Bate a chuva, tic… tic…
nas vidraças da janela.
Canta a chuva, tic… tic…
Que linda canção aquela!

Tic… tic… tic… tic…
Que linda canção aquela
de meninas ao despique:
— Qual de nós será mais bela?

Meninas a fazer meia
com as nuvens de novelo,
nenhuma delas é feia!
Tic… tic… tic… tic…

Tenho um medo que me pelo,
que alguma delas me pique.

António de Sousa ]

Sugestões

O professor declama calmamente o poema. Da segunda vez, desafia as crianças para que o acompanhem fazendo sons que considerem adequados ao tema.

Em seguida, apresenta o pau de chuva e oscila, para a direita e para a esquerda, para baixo e para cima. Cada criança poderá experimentar também, em pé.

Finalmente, apresenta também umas clavas reutilizadas, que dobrarão a onomatopeia “tic”.

Na segunda ou terceira sessões, as crianças recitarão todo o poema com acompanhamento de sons vocais e instrumentais.

Instrumento sugerido

Especialmente indicado para acompanhar este poema, o pau de chuva é um idiofone, isto é, um instrumento musical em que o próprio corpo produz o som. Tem formato cilíndrico alongado. É um instrumento de percussão de altura e ritmo imprecisos próximo do que se chama ruído. Em algumas regiões do mundo, o pau de chuva é decorado com símbolos indígenas e marca presença em cerimónias religiosas. São desta família diversos instrumentos africanos, alguns formados por um corpo com uma malha de fios e contas.

O pau de chuva dá algum trabalho mas não é difícil de fazer em casa. Arranje um tubo de cartão comprido e uma sovela de metal. Faça furos de modo a poder inserir palitos em posições diferentes ao longo do tubo. Os palitos vão obrigar o arroz (que depois será colocado) a cair lentamente, imitando o som da chuva.

Depois de colocados os palitos, deverá colocar em cada extremidade uma tampa metálica de garrafas de sumo, por exemplo. Com algodão colado na parte de dentro, para que depois não se oiça um som metálico do arroz a cair na tampa.

António José Ferreira ]

Borboleta verde

Borboleta verde
Aqui não há flores.
— Procuras nas pedras
jardins interiores?

Borboleta verde,
aqui não há zumbidos.
— Procuras nas pedras
perfumes dormidos?

Borboleta verde,
aqui não há calçadas.
— Procuras nas pedras
as flores geladas?

Borboleta verde
chama quase morta.
— Também eu, também
aos tombos nas pedras
não encontro a porta.

José Gomes Ferreira ]

Caquerá-cá-cá!

— Caquerá-cá-cá!… Caquerá-cá-cá!…
Minha ama, venha já,
pus ovo, rico ovo,
saiba-se no povo.
Cuidado com a vizinha,
é esgorjada e cainha!
— Caquerá-cá-cá!… Caquerá-cá-cá!…
Senhora, onde está?
Ronda a fuinha por aqui,
pai galo não olha por mi!,
Caquerá-cá-cá!… Caquerá-cá-cá!…
Minha ama, venha já,
desta vez, custou-me muito,
traga-me migas de unto,
senão eu deixo de pôr,
já consultei um doutor;
escravas já não há,
Caquerá-cá-cá!… Caquerá-cá-cá!…

Aquilino Ribeiro ]

Cão

Conheci um cão
Que falava
Que escutava
Que cantava
Que brincava
Que ladrava
Que fazia o pino
E que era um grande dançarino.
Que jogava à bola
Que perdia
Que ganhava.
Que estudava
E que andava
Comigo na escola.
E que tal?
Era ou não
Uma perfeição de cão?
Não acreditam?
Fazem mal.
Era um cão
De imaginação…

Maria Cândida Mendonça, O Livro do Faz-de-Conta

Cão D. Pantaleão

– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão…
– Tenho um barbeiro e uma criada, um casaco e uma almofada!
– E eu cá não tenho nada!
– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão…
– Tenho uma casa aquecida, boa cama e comida!
– Não é lá muito boa a minha vida…
– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão…
– Tenho sombrinha e cachecol, luvas e chapéu mole!
– Eu cá tanto ando à chuva como ao sol.
– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão…
-Tenho uma coleira amarela,
que parece uma estrela!
– Mas eu cá não gosto da trela!
– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão…

José Barata Moura ]

Chuva

Espanto

Uma gota de chuva
suspensa de um telhado.
Dá-lhe o sol e parece
pequena maravilha.
É um berlinde, dizem
crianças entre si.
É uma bola, e bela,
mas não rebola, brilha!
É a Lua? Uma bolha
de sabão de brincar?
Um balão? Um brilhante
de uma estrela vaidosa?
Diz a velhinha olhando:
Quem chorou esta lágrima?
Uma gota de chuva
Suspensa de um telhado:
Chegou uma andorinha
engoliu-a e voou.

Maria Alberta Menéres ]

Chuva, porque cais?

Chuva, porque cais?
Vento, porque vais?
Pingue, pingue, pingue
Vu… vu… vu…
Ó vento que vais,
Vai devagarinho.
Ó chuva que cais,
Cai de mansinho.
Pingue, pingue, pingue
Vu… vu… vu…
Que canto tão frio,
Que canto tão terno
O canto da água,
O canto do Inverno…
Pingue, pingue, pingue
Vu… vu… vu…

Matilde Rosa Araújo ]

Mar

História do Sr. Mar
Deixa contar…
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda…
Com muita onda…
E depois?
E depois…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
E depois…
A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe…

Matilde Rosa Araújo, O Livro da Tila ]

Rola

O canto da rola rola
Rola com saudade tanta…
– Ó rola, que cantas tu?
E a rola responde e canta:
-Trru, trru.. trru, trru…

O canto da rola geme…
Parece o vento passando.
– Ó rola, que cantas tu?
E a rola diz-nos, cantando:
-Trru, trru.. trru, trru…
-Trru, trru.. trru,trru…

Afonso Lopes Vieira ]

Primavera

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Alberto Caeiro [ Fernando Pessoa ]

Peixinho

O peixinho
Vivia no mar largo
e era feliz
feliz.
Sabia os sítios seguros
onde os maiores e os mais duros
não podiam atacar
não o podiam caçar
não o podiam comer.

E continuava a viver.

Quando nadar o cansava
uma alga procurava
e dormia um bocadinho
e a onda que o embalava
era amiga do peixinho.

Alice Gomes ]

Pulguinha

A pulguinha dançarina
Uma menina tinha um cão que tinha
uma pulga no focinho
O nome da menina era Gisela
O cão chamava-se Piloto.
Só a pulguinha
não tinha
um nome
que fosse pequenino como ela.
Quando a menina cantava
e o cão Piloto ladrava
a pulguinha
que havia de fazer ela?
Como não cantava nem ladrava
a pulguinha
dava pulos e dançava.
Foi por isso que a menina
mais o cão dela que tinha
uma pulga no focinho
que dava pulos, dançava
apesar de pequenina
lhe puseram
o nome de dançarina.

António José Forte

Vento

Baixinho

Eu gosto de te ouvir, oh Vento!
Mas não andes agora a ramalhar
ao pé de mim.

Um só momento, Vento, sossegado!
Deixa-me aqui afogado
no silêncio da mata…

Porque eu sinto a minh’alma a querer falar;
Porém tão em segredo fala ela
que, se continuas, Vento, a ramalhar,
não consigo entendê-la…

Sebastião da Gama ]

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

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