O conhecimento musical está na atividade da experienciação, isto é, na experiência ativa e partícipe como ação poética, pro-dutiva e concreta e não numa representação fora do ato, no ex-ato, se há música há sempre ato, ação, gesto criativo e criador de espaço e tempo.
Tal modelo não se adequa às representações estáticas das escolas que se orientam apenas por uma certeza matemática e não dão ouvidos à verdade da música, que não está na estatística, na matemática ou na exatidão.
Os modos de representação da música se constituem como ferramentas para o seu aprendizado e ensino, mas não são e não podem ser os únicos caminhos e nem a forma certa de atestar se o aluno sabe ou não sabe música.
Portanto, necessitamos considerar que a escrita musical não é condição e sinônimo de conhecimento musical. É legítimo e viável conhecer música, apreender o sentido musical sem a premissa de dominar os códigos da escritura de partituras, cifras, notações e outros sistemas de representação musical.
A representação tem fundamental contribuição na história da música e do ensino e aprendizagem nas culturas em que a escrita musical se faz presente, no entanto é irrelevante em culturas orais que não dependem da escrita para sua transmissão
A poética em Homero, por exemplo, era baseada na oralidade e sua estrutura de compreensão dependia da memória e de um padrão específico para que pudesse ser sustentada com os recursos disponíveis.
A complexidade ulterior se apoia na escrita, pois esta justaposição de símbolos compreensíveis trouxe uma atemporalidade àquilo que deveria ser transmitido como um corpo cultural sem necessitar ser memorizado.
A disposição na poética é baseada no concreto e no sentido didático, necessitando do verso e do cenário narrativo, dos recursos rítmicos, imagéticos que fornecem a força da ação em que o evento-coisa-forma acontece sobrepondo-se ao significado e à ideia, o sentido concreto sobre o signo abstrato.
Nos séculos XII e VII a. C. a preservação precisava se apoiar nas memórias vivas dos seres humanos obtendo auxílio dos artifícios mnemônicos possíveis que pudessem gravar essa palavra indelevelmente na consciência
Havelock, 1996
Pensando a partir das estruturas de registro mnemônico e escrito ao longo da história, qual o sentido da música nas escolas e como ela deveria se dar? Deve preservar uma compreensão através dos símbolos e conservação de convenções ou proporcionar uma vivência musical que em essência se opõe e contraria as metodologias abstratas instituídas nas escolas?
Perspectivando o aprender e ensinar música: experienciando e refletindo desde o subprojeto PIBID-Música da UFRJ, por Celso Garcia de Araújo Ramalho, Anderson Carmo de Carvalho, Camila Oliveira Querino PPG em Ciência da Literatura Rio de Janeiro – RJ Eliete Vasconcelos Gonçalves, in Educação: Políticas, Estrutura e Organização 10, Gabriela Rossetti Ferreira, org. Atena Editora 2019. [ Excerto ]
Roda de samba, artista Caribe, pormenor
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/04/roda-de-samba_artista-caribe-pormenor.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-04-25 20:57:372025-10-27 17:32:39Experienciação do saber
Excerto de O Ensino da Música no 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico, por Luís Alberto Andrade Telheiro. Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico. FCSH-UNL 2010.
A Educação Musical visa, citando Sousa, um despertar para o mundo dos sons, onde se destacam o contributo de importantes pedagogos da música como Dalcroze, Willems, Orff, Schafer entre outros, dos quais destacamos alguns como Gordon que desenvolveram metodologias com este propósito.
Émile Jaques-Dalcroze, compositor austríaco, foi um dos primeiros pedagogos musicais da primeira metade do século XX que defendeu que a música é um património de todos, rompendo com o sistema tradicional dos finais do século XIX em que a música erudita era um privilégio de uma pequena elite e a formação de músicos era feita por professores particulares e em conservatórios pouco acessíveis por serem dispendiosos.
Dalcroze primou pela necessidade de uma generalização e acessibilidade ao ensino da Música para todos os estratos sociais, defendendo o ensino da música na escola, a par do ensino da leitura, escrita e ciências.
Segundo Dalcroze “o progresso de um povo depende da atenção que dá aos seus jovens” e “ o ensino obrigatório da música nas escolas é o único meio de estimular as forças vivas de um país”.
Deste modo, Dalcroze criticou a actuação formal, ditatorial e repressiva dos mestres da música da época, defendendo que o papel do professor não é o de transmitir conhecimentos para serem memorizados, mas o de estimular e incentivar o aluno a fazer experiências que o levem a aprender.
Este pedagogo propôs uma didáctica voltada para as actividades de ritmo, para a formação do ouvido e para a improvisação, incluindo um repertório de músicas clássicas e populares, tendo em consideração as idades dos alunos, as suas capacidades e o conteúdo das aprendizagens anteriores.
O conceito de ritmo é uma outra das bases do método de Dalcroze, argumentando que os alunos devem entrar na estrutura rítmica, não de uma forma passiva e mecânica como no solfejo, mas de uma forma activa e participativa, associando o movimento corporal ao ritmo da música, fazendo uma fusão entre a dimensão corporal e a dimensão musical. Defendia que não se deveria portanto estudar o ritmo musical de um modo mecanizado e afastado da sensibilidade, o ritmo deveria ser experimentado directamente, sensivelmente, com envolvimento emocional, pois a sensibilidade surge quando se envolve todo o corpo em movimento.
O método de Dalcroze é “ uma educação de base, uma disciplina do senso rítmico – muscular, que regula a coordenação do movimento e do ritmo, colocando em jogo simultâneo as principais actividades do nosso ser: a atenção consciente, sem deixar escapar nada do que se sente e registando-o imediatamente; a inteligência, porque é necessário compreender e analisar o que é sentido; a sensibilidade, porque se deve “sentir” a música escutada, deixando-se penetrar pelo movimento musical. O corpo é também colocado em acção, em movimentação efectuada em conformidade com os tempos da música, dando-se atenção à percepção, à compreensão e à sensibilidade”.
O método dalcroziano baseia-se no estudo coordenado de três elementos: o ritmo, a movimentação e a improvisação. A prática rítmica, graças ao estudo conjunto do ritmo musical com o ritmo natural do corpo, robustece o senso métrico e o senso rítmico, ordena funções de tipo sensorial e nervoso, educa imaginação e harmoniza as faculdades corporais com as espirituais.
O estudo do escutar educa a função auditiva, as faculdades analíticas, o instinto tonal e o senso harmónico, procurando-se criar a audição interior. A parte final do método inclui a improvisação, o conhecimento da notação musical, a leitura à primeira vista, a interpretação e os conhecimentos musicais teóricos.
De acordo com Sousa, o objectivo didáctico geral da metodologia dalcroziana está ainda bastante orientado para a aprendizagem da teoria e conceitos musicais, contudo a ênfase no uso do corpo, na liberdade de expressão e o foco noutras capacidades não estritamente musicais como a concentração, a memória, as estruturas temporais e espaciais e a coordenação motora dão uma abertura a este método que permite ao professor renovar os conteúdos a partir da sua experiência musical e educacional quotidiana.
Edgard Willems, foi um pedagogo que nasceu na Bélgica em 1981, tendo o seu método sido largamente difundido nos países europeus a seguir aos anos 40. O seu método foi particularmente popular por não recorrer ao uso de dispendiosos instrumentos musicais, podendo ser facilmente aplicável tanto a crianças do ensino préescolar como a outros alunos mais velhos. Este pedagogo aprofundou as teorias de Dalcroze, considerando também importante o ouvido musical, contudo ao nível do estudo do ritmo, enfatizou mais os aspectos psicológicos como a sensorialidade, a afectividade e a inteligência auditiva, desligando-se assim da tónica motora enfatizada por Dalcroze.
Willems chamou a atenção sobre os riscos de uma centralização exclusiva do ensino da música na aprendizagem da técnica, que embora levasse a resultados rápidos, atrofiava a sensibilidade inata dos alunos, referindo que “ a arte deve ser o objectivo e a técnica apenas um dos meios de a atingir” (Sousa). A técnica instrumental, deveria assim segundo Willems, ser precedida pela musicalidade, através da educação do senso auditivo dos alunos, pois o ouvido é a base essencial da música e não a técnica.
A educação da sensibilidade auditiva poderia ser conseguida, de acordo com Willems, através por um lado da discriminação de sons sucessivos e por outro pela discriminação de sons simultâneos. Seria função do professor suscitar no aluno o seu amor pelos sons, num processo de educação auditiva de vários anos. Numa segunda etapa viria o solfejo e só posteriormente a técnica instrumental.
Esta preparação auditiva era desenvolvida, segundo o pedagogo, ao nível fisiológico, afectivo e mental. O nível fisiológico compreendia a recepção sensorial dos sons, o afectivo estaria relacionado com os estados emocionais que o som despoleta e o mental com a compreensão dos sons.
Assim, citando Willems
“a aquisição sensorial é um ponto de partida para o desenvolvimento de outras capacidades humanas”; (…) “A sensibilidade afectiva começa no momento em que passamos do acto passivo de ouvir para o activo e sugestivo”; (…) “A inteligência auditiva pode ser considerada como uma síntese da experiência sensorial e afectiva, pois que é elaborada a partir delas. Tal inteligência é o entender, o entender a música”.
Os trabalhos desenvolvidos por Willems sobre a educação das capacidades auditivas foram baseados em investigações experimentais em ambientes educacionais, o que lhe permitiu relacionar a música com a psicologia. Esta relação sustenta toda a base da sua metodologia, em que de acordo com Sousa (2003) coloca em estreita co-relação as áreas então consideradas pela psicologia da pessoa (vida fisiológica, vida afectiva e vida mental) com os elementos fundamentais da música.
Willems defendia que a inteligência auditiva pode ser educada através da orientação de um professor que leve o aluno a tomar consciência das suas próprias experiências auditivas, sejam sensoriais ou afectivas, defendendo que esta educação deveria começar na infância através do desenvolvimento do gosto musical e favorecendo a imaginação na criação de pequenas melodias, afirmando que “ A educação musical deve seguir as mesmas leis psicológicas que as da educação da linguagem” (Sousa).
Carl Orff, compositor alemão, foi um dos pedagogos que deu também um grande contributo para a didáctica da música actual. O seu trabalho emergiu a partir da escola e ginástica e de dança que fundou, a “Guentherschule” onde Orff decide unir a música à ginástica e à dança, não de um modo passivo mas activo. Os alunos criam a própria música, são os alunos que tocam e dançam ao mesmo tempo. Os alunos são incentivados a criarem ritmos estimulantes e motivadores de movimento.
Orff inspirou o seu trabalho na música oriunda dos Estados Unidos fortemente influenciada pelos ritmos africanos que os escravos negros das colónias de África, Ásia e Oceânia trouxeram para o continente americano.
tambores, tamboretes, bongós, timbales e outros instrumentos de percussão em pele ou madeira, são de inspiração africana; xilofones, metalofones e jogos de sino são criados a partir de instrumentos indonésios; pratos, ferrinhos, triângulos e percussão de metais procuram reproduzir sonorizações asiáticas; as flautas de bisel e os instrumentos de corda foram copiados da Idade Média Europeia. Toda a música teria que ser totalmente criada pelos seus componentes – este era precisamente o objectivo de Orff.
A ideia pedagógica de Orff consistia em conduzir os alunos ao ponto deles poderem conceber o seu próprio movimento e os respectivos acompanhamentos musicais. As crianças dançavam e tocavam ao mesmo tempo, músicos e bailarinos tocando e dançando ao mesmo tempo ou trocando de posições, sempre improvisando sobre ritmos primitivos.
Orff, a pedido do Ministério da Cultura, chegou a realizar alguns estudos para o estabelecimento de um programa para o ensino da música, que não tiveram prosseguimento porque o quadro político alterou-se. Orff passou a dedicar-se à composição. Em 1984 retoma a dimensão pedagógica da música – movimento, mas agora numa perspectiva inteiramente dirigida à criança.
Orff constatou que as unidades da música -movimento que pacientemente tinha ensinado na sua escola aos adolescentes, existiam naturalmente na criança, o que passou a ser a tónica-chave do seu trabalho posterior. Observou que o mundo infantil era extraordinariamente rico a partir da voz. Os gritos, as onomatopeias, os trava-línguas, as lengalengas, as adivinhas e as canções, fazem parte integrante da vida das crianças.
Baseando-se nessa constatação, Orff une o movimento, o cantar e o tocar, num todo único, deixando uma perspectiva pedagógica assente na forma de música- movimento para um sistema de educação musical especialmente pensado para as crianças, englobando canções, o movimento dançado e a improvisação musical em simultâneo, com canções simples, movimentação elementar e música simples com instrumentos simples e elementares.
Baseado nas concepções de Haechel acerca do desenvolvimento da criança, Orff começa na sua metodologia por imitações, evoluindo para exercícios de pergunta – resposta e para formas de rondó, sempre com modelos e esquemas muito elementares, para depois passar à improvisação.
O sistema Orff aborda uma visão geral do mundo musical resumida ao mais simples possível, constando essencialmente de uma iniciação através das lengalengas e das canções infantis tradicionais, quase sempre de ritmo simples e repetido, que são cantadas pelas crianças com acompanhamentos de batimentos de palmas, pés, de mãos nas coxas etc.
Progressivamente era aumentada a complexidade das canções e dos acompanhamentos musicais, passando depois para os instrumentos de percussão mais rudimentares, cânones e ritmos acompanhados pelos ostinatos, evoluindo na natureza dos instrumentos e nas formas de criação musical. No que diz respeito ao movimento, Orff partia do princípio que há um impulso natural que leva a criança a acompanhar um movimento com um som rítmico ou a mover-se ritmicamente ao som de um ritmo, pelo que estes movimentos deveriam constituir a base motivacional de toda a actuação musical da criança, movendo-se, cantando e tocando ao mesmo tempo. Esses movimentos começam no método de Orff também pela imitação, passando pela pergunta -resposta para evoluir para a livre criação.
Edwin E. Gordon é sem dúvida uma das grandes referências actuais mais importantes para a didáctica da música. Gordon propõe com a sua metodologia um ensino da música que, citando Sousa (2003), passe de um magiscentrismo para uma didáctica puerocêntrica, isto é, em vez de o professor ensinar conceitos e teorias da música, deverá criar estratégias programáticas e metodológicas para que o aluno aprenda música por si, em função das suas capacidades de aprendizagem.
Gordon refere os seguintes postulados básicos da sua perspectiva pedagógica:
Todos os alunos são capazes de aprender música;
Ensinar é uma arte, mas aprender é um processo;
É no potencial da criança que nos devemos centrar, se queremos ajudar a criança a desenvolver o seu potencial musical;
Deve-se prestar atenção às diferenças e necessidades individuais, adaptando a formação ao aluno;
A programática proporciona aos alunos os fundamentos para a compreensão do que estão a aprender, quando se lhes ensina a escutar e a executar música;
Uma programática de aprendizagem musical, na sua aplicação prática, é referida como uma série de sequências de aprendizagem da música;
A música deve ser ensinada através do ouvido, de modo a que os alunos possam realmente aprender música e não simplesmente ser treinados para a executar;
Para terem bons resultados em música, os alunos devem aprender a audiar (termo criado por Gordon) de modo eficaz, passando por todos os tipos e estados de audiação.
A programática de aprendizagem musical proposta por Gordon é constituída por quatro áreas de vocabulário: Audiação, Expressão, Leitura e Escrita. A audiação é uma forma de apreciação e compreensão da música. A expressão musical é constituída por actividades de canto, de entoação verbal e por movimentos expressivos que se vão efectuando, acompanhando a audiação. A leitura e a escrita dizem respeito a formas de notação, procurando-se registar ritmos, melodias ou frases da música que se está a audiar.
Gordon refere que a audiação está para a música como o pensamento para a fala. Audiam-se padrões rítmicos e tonais (lografismos), mas pensa-se em alturas e durações individuais dos sons (o alfabeto musical). O autor citado identificou seis estados de audiação que actuam numa complexa interacção de sequência e actividade mental circular e recomendava uma educação musical precoce, que devia ser iniciada deste modo logo na primeira infância.
(…)
Movimento Dalcroze
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/06/dalcroze-movimento.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-06-14 11:52:402022-06-26 01:52:22Pedagogos e métodos
Excerto de O ensino da Música no 1.º Ciclo do Ensino Básico: Das orientações da tutela à prática lectiva. Dissertação de Mestrado em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores Dina Maria de Oliveira Soares. Coimbra, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade de Coimbra 2012.
Natural de Munich, Carl Orff (1895-1982) fez os seus estudos de música e regência, sendo autor de várias obras ligadas ao ensino da música, nomeadamente Schulwerk. Em 1930 apresentou Elementare Musikubung, e nos anos 50 foram editados novos volumes com o título Musik fur Kinder, que constituiram uma colectânea de músicas cuidadosamente organizada por níveis progressivos de dificuldade, para uso nas escolas.
O título Schulwerk (do alemão e significando Música para crianças) indica a natureza do princípio educacional Orff: a aprendizagem através do trabalho – oficina de experimentação, de criação e de aprendizagem e, principalmente, o incentivo ao trabalho em grupo, que reforça a aprendizagem e desenvolve o reflexo estímulo-resposta, antes da interpretação de simbologia, que constitui a etapa seguinte.
Este método, quando trabalhado em grupos activos, permite o desenvolvimento do sentido da responsabilidade do grupo e da capacidade de atenção e da memória da criança (García).
Pratica-se música em conjunto com instrumentos elementares e o valor de Orff foi também o de ter redescoberto, para o ensino, instrumentos tradicionais de muitas partes do mundo, criando, para as escolas, um conjunto de percussão, cujos movimentos de execução são semelhantes aos que produzem os ritmos corporais.
As crianças movimentam-se, cantam e tocam os instrumentos mais apropriados, principalmente percussão nos primeiros níveis de dificuldade: começa com padrões rítmicos simples e progride até complexas peças para conjuntos de xilofones, glockenspiels e outros. São levadas, através das próprias experiências, a interpretar uma grande variedade de escalas e ritmos, adquirindo assim uma grande compreensão da música (Grout).
Para Orff a aprendizagem tinha que dar prazer e este conseguia-se através do conhecimento adquirido para fazer algo de novo, daí que a maior importância tenha sido dada às actividades criativas. Aprende-se fazendo: a voz é falada; a improvisação é feita com palavras e rimas; o repertório são as rimas os provérbios, canções de roda ou populares, danças e folclore.
Valoriza-se a experiência sobre a intelectualização e o grande objectivo é o de sensibilizar todas as crianças para a Música (criação e audição) mostrando um caminho de conhecimento e prazer através da experiência musical pessoal (Wuytack).
Orff fundou com a dançarina Dorothea Günther, a Günther School, escola onde se ensinava Música, Dança e Ginástica a crianças; treinava-se a Música elementar, que é uma integração dos elementos da linguagem falada, ritmo, movimento, canção e dança, onde a improvisação ocupa um lugar fundamental.
Os poemas, rimas, provérbios, jogos, ostinatos, canções e danças, usados como exemplos e como material básico, podem ser tradicionais, folclóricos ou composições originais (Orff). Tal como o método e os materiais de Kodály, o método Orff mereceu grande aceitação por parte dos professores de muitos países. (…)
(…) O ensino da música tem um papel activo na educação e no desenvolvimento das crianças. Desta forma, este é inserido no processo regular da educação escolar de todos os alunos, com carácter obrigatório.
Devido à importância da música no desenvolvimento do ser humano como ser cultural, intelectual e artístico, existe uma vertente mais particularizada e especializada no ensino e aprendizagem da música. Assim, surge o ensino vocacional, não obrigatório.
Vários
É uma vertente de ensino que possibilita uma aprendizagem individualizada e mais aprofundada desta arte. Tal como em todas as áreas académicas, a música carece, também, do processo de avaliação, independentemente do seu carácter: teórico, prático, individual ou em conjunto.
Avaliação em Música no Ensino Regular e no Ensino Vocacional, artigo desenvolvido no âmbito da Unidade Curricular de Diagnóstico e Avaliação em Educação Musical, na Escola Superior de Educação do Instituto Piaget de Viseu, com docência e coordenação científica de Levi Leonido (UTAD), por Inês Mendes – Conservatório de Música de Coimbra, Nancy Brito – Conservatório Regional de Música Dr. Azeredo Perdigão (Viseu) | Conservatório de Música e Artes do Dão (Santa Comba Dão), Rui Ferreira e Tânia Ferreira.
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/03/matilde-margalho-violino.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-03-07 00:14:362022-06-22 18:41:07Avaliação em Música
A importância que a prática instrumental assume na vida atual e futura da criança será fomentada pela valorização atribuída a essa atividade no meio social onde a criança está inserida.
Vânia Moreira
A aprendizagem de um instrumento musical em contexto individual e em contexto de grupo, por Vânia Filipa Tavares Moreira – Mestrado em Ensino de Música – Instrumento e Música de conjunto – Orientadora Doutora Maria Luísa Faria de Sousa Cerqueira Correia Castilho, Coorientadora Especialista Catherine Strynckx. Instituto Politécnico de Castelo Branco, Escola Superior de Artes Aplicadas, janeiro de 2015
Nos casos em que alguns membros da família tocam um instrumento musical e a criança cresce tendo instrumentos musicais ao seu redor, em princípio essa criança tenderá a sentir que tocar um instrumento é uma atividade perfeitamente comum e, tendencialmente, sentirá vontade em explorar os instrumentos e em aprender a tocar um instrumento musical. Contudo, mesmo nas famílias em que ninguém tem experiência musical, a importância atribuída à música pode ser perfeita e naturalmente transmitida à criança.
Na infância, a opinião dos pais é extremamente valorizada pela criança, pelo que, quão mais os pais valorizarem a aprendizagem e o desempenho musical da criança, maior será a sua motivação para se envolver ativamente na prática instrumental. A valorização por parte dos pais será tão mais eficaz quão maior for a sua envolvência no processo de aprendizagem musical dos filhos. Nesse sentido, será extremamente importante para a criança que os pais se empenhem também no que envolve todo este processo – como, por exemplo, assegurar o transporte para as aulas, assistir às aulas para que em casa possa acompanhar e ajudar na prática do instrumento e orientar o estudo. Este apoio e encorajamento por parte dos pais, sobretudo numa fase inicial da aprendizagem de um instrumento musical, serão cruciais para que a criança desenvolva em si, progressivamente, uma valorização pessoal relativamente a esta aprendizagem e autonomia.
O envolvimento parental na aprendizagem musical das crianças tem sido destacado por variadíssimos autores como sendo o fator mais importante e influente na realização musical. Portanto, este será o primeiro passo para que, a partir de fatores externos, a criança desenvolva progressivamente em si uma motivação intrínseca relativamente à aprendizagem musical.
A aceleração da síntese de dopamina dependente de cálcio deve ser o mecanismo pelo qual a música modifica os valores de pressão arterial e age sobre outras funções encefálicas.
Mara Cláudia Ribeiro
A musicoterapia influencia o mecanismo de recompensa, motivação e prazer.
Os sentimentos subjetivos ligados a tais mecanismos são mediados pelo sistema mesolímbico, o qual compreende a área tegumentar ventral, no corpo estriado ventral, incluindo o núcleo accumbens, no globo pálido ventral, e também em áreas do córtex pré-frontal que inclui o córtex cingulado anterior e o córtex orbito frontal.
A sensação prazerosa ligada à recompensa implica na secreção de dopamina e opióides endógenos nas estruturas do tronco encefálico. A música é capaz de influenciar o sistema de recompensa, motivação e prazer, em estudos que realizaram mapeamento cerebral com técnicas de imagem, foi verificada ação substancial na região mesolimbica, no núcleo accumbens, no tronco encefálico, assim como no tálamo, cerebelo, insula, córtex cingulado anterior e córtex orbito frontal. Muitas destas áreas são os locais onde tem origem os neurônios dopaminérgicos.
Estes achados sugerem que os sentimentos de recompensa, motivação e prazer desencadeados pela musicoterapia dependem de transmissão dopaminérgica, envolvendo o sistema mesolímbico. Valorie Salimpoor e outros realizaram um estudo no qual combinaram testes psicofisiológicos, neuroquímicos e hemodinâmicos a fim de investigar os efeitos de escutar músicas, consideradas prazerosas pelos participantes, em determinadas regiões cerebrais.
Foi observada liberação de dopamina endógena no corpo estriado durante o pico de excitação emocional, enquanto os sujeitos escutavam música. Os resultados indicaram que houve uma sensação de intenso prazer relacionado com o ato de ouvir música, o qual culminou com a liberação de dopamina.
Em estudo realizado por D. E. Sutoo e K. Akiyama verificou-se a eficácia da musicoterapia na diminuição da pressão artéria de ratos naturalmente hipertensos, observou que o efeito hipotensor da música se deve ao aumento dos níveis circulantes de cálcio periférico. Foi observado que este íon foi transportado por via hematogênica ao cérebro e potencializa a atividade da calmodulina, levando ao aumento da síntese de dopamina pela fosforilação da tirosina hidroxilase em regiões específicas, como o corpo estriado e o núcleo accumbens.
Portanto, a musicoterapia foi capaz de promover aumento na síntese de dopamina dependente de cálcio no cérebro. Em decorrência do aumento dos níveis de dopamina centrais, verificou-se redução da pressão arterial por meio ativação da via de receptores dopaminérgicos. Diante destes achados, os autores sugeriram que a aceleração da síntese de dopamina dependente de cálcio deve ser o mecanismo pelo qual a música modifica os valores de pressão arterial e age sobre outras funções encefálicas.
Mara Cláudia Ribeiro, Aplicabilidade da Musicoterapia nas complicações neurológicas decorrentes da hipóxia hisquêmica encefálica, induzida experimentalmente por nitrito de sódio, tese de doutorado, Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, 2017.
Dopamina
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2018/11/dopamina.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2018-11-30 11:06:212025-10-27 16:55:03Recompensa e prazer
Música para todos é uma iniciativa lançada em 2010 pelo Município do Porto, através da Fundação Porto Social, em parceria com o Curso de Música Silva Monteiro e o Agrupamentos de Escolas do Cerco do Porto e do Viso. O principal objetivo do projeto é a promoção do ensino articulado da música a alunos dos 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico, de Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) da cidade do Porto, de forma a combater o insucesso e o abandono escolar.
Novos Horizontes – A OCP Solidária no Bairro dos Navegadores é um projeto da Orquestra de Câmara Portuguesa no âmbito dos Contratos Locais de Segurança de Oeiras. O projeto engloba um conjunto de workshops que decorrem nas escolas do Agrupamento de Escolas Aquilino Ribeiro, bem como no centro de convívio do Bairro dos Navegadores. O projeto integra ainda uma Oficina de Instrumentos Musicais, para construção de instrumentos por parte dos alunos. Visa promover o acesso à música e à arte, enquanto ferramentas para o estabelecimento de laços com a comunidade artística, com objetivos de intervenção em contextos de risco, e de inclusão social dos seus participantes. Os formadores são artistas/músicos profissionais e pedagogos com uma experiência única, cuja estratégia passa pelo estabelecimento de relações de proximidade com a população alvo com base em metodologias criativas e de responsabilização do sujeito. O projeto pretende potencializar as capacidades de cada participante, promovendo o acesso à cultura e a integração na sociedade, desenvolvendo a autonomia e a igualdade de oportunidades, criando laços culturais.
A Orquestra Geração é um projeto de intervenção social através da prática orquestral. Foi criada em 2007 na Escola Básica Miguel Torga no Casal de S. Brás na Amadora e encontra-se actualmente instalada em 22 escolas básicas e secundárias nos municípios de Almada, Amadora, Lisboa, Loures, Oeiras, Sesimbra, Vila Franca de Xira (Orquestra de Vialonga) e em Coimbra. O projeto aplica a metodologia do El Sistema criado na Venezuela pelo Dr. José António Abreu (prémio Príncipe das Astúrias e Erasmus). Abrange alunos da pré-primária (Orquestra de Afectos) até ao 12º ano (Orquestra Juvenil Geração). Durante a sua existência tem sido várias vezes galardoado com as seguintes distinções: Prémio Nacional de Professores (inovação) em 2010, em 2013 e 14 foi considerada uma das 50 melhores práticas de intervenção social de toda a União Europeia; em 2017 foi menção honrosa da Fundação Mota Engil e já em 2018 foi considerado o projeto do ano pela AGEAS e recebeu da Assembleia da República a medalha de ouro comemorativa dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Da Humanidade. A Orquestra Geração é membro do Sistema Europe, de cuja direção faz parte.
Menina flautista, Orquestra Geração de Sacavém, créditos Inês Leote
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/02/menina-flautista-orquestra-geracao-de-sacavem-ft-ines-leote.jpg400400BlendUp_admnistrador-2021http://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgBlendUp_admnistrador-20212020-02-28 17:19:572022-06-26 01:54:00Música para o desenvolvimento
[ “As investigações sobre o efeito da música no cérebro infantil coincidem em que esta provoca uma ativação das zonas envolvidas no processamento espacio-temporal.” ]
10 BENEFÍCIOS DA MÚSICA
À música, sobretudo a música clássica, são atribuídos vários tipos de benefícios. Entre outras coisas, diz-se que servem para reduzir a tensão, melhorar o ânimo ou que, inclusive, afeta positivamente plantas e animais. Aponta-se uma imensidão de benefícios para as crianças, assumindo grande importância no seu desenhvolvimento intelectual, auditivo, sensorial, linguístico, motor. As investigações sobre o efeito da música no cérebro infantil coincidem em que esta provoca uma ativação das zonas envolvidas no processamento espacio-temporal.
Nos seus primeiros anos, as crianças são recetores absolutos de todo o tipo de estímulos e, ao sentir a música de uma forma tão intensa, esta pode exercer uma influência muito poderosa e positiva, sempre que saibamos utilizá-la de forma correta, não a encarando como uma obrigação e sabendo escolher a música adequada para cada momento.
Sublinhamos 10 benefícios da música nas crianças:
Melhora a capacidade de memória, de atenção e concentração das crianças.
Estimula a sua inteligência ao melhorar a habilidade para resolver problemas matemáticos e raciocínios complexos.
É um modo de exprimir-se e, inclusive, com a música a expressão corporal da crianças é mais estimulada.
Introduz as crianças nos sons e significados das palavras, fortalece a aprendizagem e contribui para melhorar a linguagem. As letras das canções, por exemplo, além de favorecerem a discriminação auditiva, enriquecem o seu vocabulário. Comprovam-no as canções para crianças.
Torna-as mais sociáveis, na medida em que a música cria a oportunidade de as crianças interagirem entre si e com os adultos.
Desenvolve a criatividade e estimula a imaginação infantil, posto que a música estimula o hemisfério direito do cérebro, melhorando a capacidade para realizar qualquer outra atividade artística, como a pintura.
Ao combinar-se com a dança, estimula os sentidos, o equilíbrio, e o desenvolvimento muscular das crianças, ao adaptar o seu movimento corporal aos ritmos, contribuindo também desta forma para potenciar o controle rítmico do seu corpo e melhorar a sua coordenação.
Fomenta a evocação de recordações e imagens com a qual o intelecto se desenvolve.
Estimula o desenvolvimento integral da criança, ao atuar sobre todas as áreas do desenvovimento.
E, finalmente, ajuda a criar rotinas, estabelecendo assim as bases de uma futura disciplina, criando associações entre a música e outras atividades.
Por isso, não se pode ignorar que a música desempenha um papel muito importante no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Os professores, as instituições educativas, os pais e pessoal de saúde devem conhecer os alcances e benefícios da música nas crianças como parte importante da educação.
Criança com professora ao piano
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2018/07/crianca-com-professora-ao-piano.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2018-07-17 08:42:202022-06-22 18:40:28Benefícios da música
[ “Um instrumento musical é um grande aliado de uma boa educação. Pais sábios sabem que, quando a criança toca um instrumento, aprofunda a sua personalidade, melhora a sua memória e percepção estética. A música cria um tipo particular de prazer, sem o qual a essência humana não pode existir.” ]
O que desejam os pais
Os pais desejam que o seu filho cresça bem. Desejam que os seus filhos se tornem pessoas bem sucedidas, inteligentes, que tragam alegria a todos à sua volta. A vida, porém, é uma longa jornada cheia de obstáculos. (…)
Como espantar o tédio da vida e substitui-lo por atividades proveitosas?
Um instrumento musical é um grande aliado de uma boa educação. Pais sábios sabem que, quando a criança toca um instrumento, aprofunda a sua personalidade, melhora a sua memória e percepção estética. A música cria um tipo particular de prazer, sem o qual a essência humana não pode existir.
Música melhora a capacidade motora, a concentração, a memória e o QI.
Pesquisas mostram que ouvir música e tocar um instrumento com frequência estimula o cérebro a melhorar não somente o seu desempenho, mas também a sua constituição física. Há cada vez mais evidências de que músicos são organizacional e funcionalmente mais avançados em comparação com não músicos. Se aprendes a tocar um instrumento, estimulas as partes do teu cérebro que controlam as habilidades de concentração, treinas a cordenação motora (por exemplo o movimento das mãos e o equilíbrio) e manténs teu centro de memória em atividade constante.
Sugestão
Para crianças que estão a iniciar-se no mundo da música, indicam-se as guitarras clássicas com cordas de nylon. A vantagem destas cordas é o conforto que oferecem aos dedos dos miúdos, se comparadas com as cordas de aço. Além disso, as guitarras clássicas são oferecidas em diversos tamanhos, para melhor adaptar-se à estrutura e demanda dos guitarristas de qualquer idade.
Com a ajuda da música é mais fácil organizar o teu tempo.
Um bom músico sabe que a qualidade do ensaio é muito mais importante que a quantidade. Planificar sabiamente o tempo de prática melhora a habilidade de planificação, de tomada de decisões e a capacidade de solucionar problemas da vida cotidiana.
Tocar um instrumento musical melhora a tua capacidade de trabalhar em grupo.
O homem é uma criatura social. Durante toda a vida pertencemos a diferentes grupos. O primeiro é a família. O segundo são nossos colegas de escola e, mais tarde, os de trabalho. Como a música também desenvolve a conciência social, muitos músicos vão logo sentir a necessidade de formar bandas e partilhar as suas habilidades com outros. Tocar um instrumento musical ensina como trabalhar com os outros, ser tolerante, flexível e compreensivo.
A música promove habilidades sociais.
Tocar um instrumento musical é uma ótima maneira de melhorar as habilidades sociais. Em bandas e orquestras frequentemente surgem belas amizades que duram toda a vida e que podem ser comparadas à relação que temos com os membros da própria família. Tais relações não seriam possíveis sem os instrumentos musicais.
O instrumento musical ensina paciência, perseverança e disciplina.
Ninguém agarra um instrumento musical e sai a tocar perfeitamente na primeira tentativa. Aprender a tocar um instrumento leva tempo e exige esforço. Na realidade, todo o músico atravessa um caminho espinhoso de repetições e prática até ter a alegria de um bom resultado e do domínio de uma obra musical. Os músicos tornam-se mestres apenas através de treino duro e disciplina, qualidades necessárias não só no momento do ensaio, mas também em outros momentos da vida.
Sugestão
Quando se fala em baterias, muitos imaginam o caos, o barulho e o fim do bom relacionamento com os vizinhos. Tudo isso pode ser resolvido com as baterias eletrónicas, que reproduzem o som nos auscultadores de quem a toca e mantém o silêncio ambiente.
Tocar um instrumento aumenta a responsabilidade e o cuidado.
Normalmente, os cuidados com um instrumento musical são essenciais para mantê-los em funcionamento. Cada instrumento requer procedimentos diferentes para assegurar o funcionamento adequado (limpeza, lubrificação, manutenção de um ambiente limpo). A construção de um sentimento de responsabilidade e cuidado para com os seus pertences é um impacto positivo na primeira infância e no desenvolvimento da personalidade.
O instrumento incentiva a auto-expressão e alivia a tensão.
Quando tocas uma música de que gostas, exprime a tua personalidade, emoções e identificação com certo estilo de vida, como um pintor exprime os sentimentos sobre a tela. Estes sentimentos ajudam a aliviar a tensão e são uma ótima forma de terapia. Todos sabemos que a musicoterapia é muito eficaz no tratamento de autismo, depressão e várias outras doenças.
Tocar um instrumento melhora a leitura, as habilidades matemáticas e fortalece o sistema respiratório.
Anos de prática de um instrumento musical, com programas de exercícíos rítmicos e tonais, melhoram os resultados na compreensão da matemática e da leitura. Tocar um instrumento de sopro é um dos elementos-chave para uma respiração adequada. Os treinos e exercícios repetidos por longa data, fortalecem consideravelmente o sistema respiratório humano.
Sugestão
Uma boa flauta pode mudar a vida do teu miúdo para melhor e, por vezes, custa menos que uma ida ao cinema com um hamburger no “Fast Food”. Um violino pode abrir os horizontes musicais da criança e elevar o seu potencial cultural de maneira significativa.
Tocar um instrumento musical proporciona um intenso bem-estar.
Tocar um instrumento musical é muito divertido e emocionante. Não só é prazeroso tocar a música de que gostas como é incrível ouvir o público a apreciar e a recompensar o teu desempenho por meio do aplauso. Ver o reconhecimento nos rostos das pessoas de tua comunidade é um motor muito poderoso que irá impulsionar-te a ir cada vez mais longe.
O instrumento musical ensina a combater os teus medos.
O “medo do palco” está presente em vários momentos da nossa vida. Assim que tomamos consciência da nossa personalidade, naturalmente começamos a exprimir preocupações quanto aos resultados de uma ampla variedade de desafios (exames de admissão na escola, no emprego, comunicação no local de trabalho etc.). Muitas vezes a causa do fracasso é apenas o medo de falhar. A experiência adquirida com as apresentações musicais, no palco, seja sozinho, com uma banda, ou com uma orquestra ensina a lidar com a ansiedade.
Sugestão
Uma boa diversão para toda a família e um luxuoso elemento da mobília doméstica são os pianos digitais. Eles podem ser comprados por um preço surpreendentemente acessível, iguais aos de um smartphone de ponta ou consolas de jogos de última geração.
Os músicos levam uma vida mais fácil?
Como podes ver, tocar um instrumento musical ajuda os seres humanos de muitas maneiras. A música ajuda a preparar o homem para melhor lidar com os problemas. Quando uma dificuldade se apresenta no caminho, o músico escapará dela mais rápido que os seus amigos não-músicos.
Então? É um boato ou é verdade que os músicos têm uma vida mais fácil? Bem, embora tenhamos bons argumentos, não há nenhuma prova inegável ou conclusiva. Cabe a cada um tirar suas próprias conclusões. Quem concorda, levanta a mão!
Pedagogia musical Orff e novos paradigmas, por Enny Parejo (Brasil)
[ “A Pedagogia Musical Orff é uma das estratégias afinadas com as propostas do novo paradigma humano e educacional para o século XXI.” ]
Existem dois temas básicos que vêm permeando estes pequenos artigos que escrevo para o Musicante Jornal: a mudança de paradigma existencial que vivemos na atualidade e a Pedagogia Musical Orff. Torna-se imprescindível, neste contexto, analisar com mais clareza e profundidade os laços que promovem a ligação entre os dois temas. Mas antes disso, o que seria um paradigma?
Na revista Exame deste mês David Cohen analisa o conceito de paradigma com base nas palavras de seu criador, Thomas Kuhn, brilhante filósofo da ciência: conjunto de teorias, ou um modo de ver o mundo, que consegue atrair a unanimidade dos cientistas. Ao mesmo tempo em que deixa vários problemas para serem resolvidos. Sem um paradigma, diz Kuhn, a ciência não pode se desenvolver, porque cada cientista atira para um lado. O paradigma permite que os resultados dialoguem, que os avanços se somem. Até que a ciência chegue a um novo impasse: então é a chance de outro paradigma ser proposto.
A citação acima é densa de aspectos que interessam à nossa discussão sobre pedagogia musical: um paradigma é então um modo de ver o mundo; um conjunto de teorias e idéias que criam um arcabouço filosófico amplo a partir do qual a diversidade pode desenvolver-se. Pode-se dizer que o Pensamento Sistêmico (…) está à frente de uma evolução que criará condições para a mudança paradigmática que se anuncia em nossa civilização, dando sustentação às profundas transformações necessárias à história de nossas mentalidades. O processo da vida apresenta-se como obra aberta, onde tudo é passível de mudar, transformar-se através da interação de diferentes formas de ver, sentir e atuar no mundo; ao mesmo tempo um paradigma – possibilita a comunicação entre as diversas partes dessa obra, entre os diversos segmentos da sociedade e entre indivíduos e suas diferentes formas de pensar e sentir.
A mudança de paradigma iniciou-se na ciência com as descobertas da Física quântica e da Teoria da Relatividade e neste momento estende-se a todas as áreas do conhecimento, através do pensamento sistêmico. Se este, ao princípio, desenvolveu-se como uma forma de compreender as novas descobertas da física subatômica em termos de conexões e interconexões entre as partículas mais elementares da matéria, pouco a pouco, através da filosofia, a importância destas conexões, do conceito de rede e da concepção de tudo aquilo que existe como sistemas integrados, totalidades indissociáveis, estende-se a todos os domínios epistemológicos, inclusive à educação que aqui nos interessa.
Disse anteriormente que o pensamento sistêmico define organismos, sistemas sociais e ecossistemas como unidades integradas. As idéias de sistema e totalidades integradas podem ser consideradas de vanguarda na elaboração de uma nova concepção do que seja o processo de ensino/aprendizagem. Atualmente, como reflexo desses questionamentos filosóficos, resgatamos a necessidade de um ensino que recupere dimensões negligenciadas na formação da criança e do professor, integrando-as harmoniosamente ao processo. Em educação, estamos vivenciando um processo que procura retirar a ênfase da disciplina, do currículo pré-estabelecido – como sempre ocorreu na visão tradicionalista – colocando-a nos processos de ensino/aprendizagem e nas diferentes maneiras de pensar, sentir e aprender dos indivíduos. Esta inversão de valores reflete uma nova forma de pensar a educação, integradora, sistêmica, ecológica.
Uma das dimensões da qual falava antes é justamente a do ser humano em todas as suas nuances fisiológicas, emocionais, intelectuais, e sociais. O foco desloca-se portanto, da disciplina, do tecnicismo para o humano. Claro está que tão pouco se pode negligenciar as formas de viver a educação no passado, somente é necessário ressaltar que existe uma abertura atualmente para a concepção de processos educacionais integradores onde as dimensões sensoriais, afetivas, relacionais, cognitivas e sociais, entre outras, podem encontrar seu lugar e sua inter-relação.
É precisamente neste ponto de nossa discussão que se constrói a ponte para a Pedagogia Musical Orff. Ao analisarmos os diferentes métodos de pedagogia musical tradicionais existentes, e mesmo alguns dos métodos tidos como inovadores, veremos que uma grande fragmentação do aluno e dos processos de ensino/aprendizagem subsistem. Para ilustrar tal afirmação pode-se partir de vários pontos de vista, no entanto, consideremos simplesmente a relação aluno/disciplina. Tradicionalmente, a disciplina, ou seja, o currículo musical a ser transmitido assume a ênfase no processo: a técnica (instrumental, leitura e escritura) torna-se uma finalidade em si mesma e não um meio para se atingir à finalidade expressiva; o desenvolvimento da técnica instrumental, o domínio intelectual dos conceitos, a memorização de eventos torna-se mais importante que a forma individual de experimentar o fenômeno sonoro, vivenciando-o, interiorizando-o, fazendo-o pulsar vívida e significativamente.
Nesse sentido, a Pedagogia Musical Orff, por suas características intrínsecas, afina-se perfeitamente com o novo conceito sistêmico de educação musical. Quais seriam estas características? Uma visão holística e integradora do aluno e da matéria com a valorização de dimensões muitas vezes esquecidas por outras metodologias, a exemplo das dimensões emocional e relacional; uma forma lúdica de interpretar a vivência musical abrindo espaço para o imaginário, a criatividade, o inusitado e o experimental; uma abertura para a música de todos os povos do mundo, tanto quanto para a tradição ocidental popular e clássica; acessibilidade a todos através do conceito de música elementar, ou seja, um tipo de expressão musical que busca manifestar a sensibilidade artística natural existente em cada criança, em cada pessoa que toma contato com a metodologia – nesse sentido, é ilustrativo o fato de que mesmo nos cursos de verão promovidos pelo Instituto Orff em Salzburgo, a presença de leigos no assunto não impede o desenvolvimento das práticas -; integração entre diversas formas de expressão artística: música, dança, teatro, literatura, pintura, escultura, tornadas acessíveis a um público inexperiente nestas áreas; o uso corrente de procedimentos de improvisação onde os alunos têm participação ativa no processo criativo; existência de um material didático extremamente bem estruturado criado por Orff e seus sucessores, incluindo o Instrumental Orff (xilofones, metalofones e percussões), o Orffschulwerk (composições didáticas de Carl Orff) e suas diversas adaptações ao folclore de diferentes povos; os desenvolvimentos dessa filosofia de ensino musical na área da Musicoterapia.
Enfim, por tudo o que vimos discutindo, pode-se concluir que a Pedagogia Musical Orff é uma das estratégias afinadas com as propostas do novo paradigma humano e educacional para o século XXI. (…).
Citando
A Pedagogia Musical Orff é uma das estratégias afinadas com as propostas do novo paradigma humano e educacional para o século XXI.