As rimas cantadas são extremamente valiosas para a aprendizagem dos deuses da Grécia Antiga, especialmente para memorizar a hierarquia e as associações mitológicas. A melodia e o ritmo funcionam como dispositivos mnemónicos poderosos, facilitando a retenção de nomes difíceis e das suas áreas de domínio.
A abordagem lúdica e estruturada torna o panteão acessível, transformando uma lista de estudo em algo divertido e envolvente, e permitindo que os alunos compreendam as relações entre as divindades de forma contextualizada e duradoura.
Poema canção sobre os deuses gregos para projeto com crianças do Ensino Básico
Os deuses da Grécia antiga eram gente como nós: casavam-se, tinham filhos, não gostavam de estar sós.
Zeus, o grande pai dos deuses, do Olimpo era o Senhor. Era casado com Hera, que tinha muito amor.
Saxapum, saxapum, saxapum, pum pum. (pratos)
Os deuses de antigamente contavam-se por dezenas. Do Olimpo adoravam ver os jogos em Atenas.
Te te te, te te te, Te te te, te te. (trombeta)
Poseidon, irmão de Zeus, era o rei dos oceanos. Se fazia tempestades assustavam-se os humanos.
Tum tum, tum tum tum, tum tum tum, tum tum. (tambor)
Artémis, filha de Zeus, protegia os animais. Bebia néctar puro como seus irmãos e pais.
Te te te, te te te, Te te te, te te. (trombeta)
Deméter, irmã de Zeus, passou por muita aventura. Gostava muito de plantas, protegia a agricultura.
Fi fi fi, fi fi fi, fi fi fi, fi fi. (flauta)
[ António José Ferreira ]
Apolo, deus do sol, da juventude e da música
Manda-te a deusa
Manda-te a deusa Irene que tu toques a sirene.
Instrumental + padrão de alerta
Manda-te a deusa Potnia: canta uma melodia!
Instrumental + padrão de alerta
Manda-te a deusa Atena que tu faças uma cena.
Instrumental + padrão de alerta
Mando-te a deusa Hera que tu fujas da pantera.
Instrumental + padrão de alerta
Manda-te a deusa Gaia que apanhes sol na praia.
Instrumental + padrão de alerta
Manda-te a deusa Cibele: Põe o protetor na pele.
Instrumental + padrão de alerta
Manda a deusa Panaceia que dês uma volta e meia.
Instrumental + padrão de alerta
Mando-te a deusa Megera que te tornes uma fera.
[ António José Ferreira ]
O professor diz uma rima e faz oito pulsações de improvisação em tambor, dando tempo às crianças para realizarem as atividades relacionadas aprender a seguir instruções. Jogos deste tipo trabalham a motricidade, a expressividade e a capacidade de respeitar regras. Para parar a ação e alertar para nova ordem, percute um padrão rápido e curto, como “tríolotá”, podendo mesmo dizer em vez de percutir.
Ordenou o deus Saturno
Ordenou o deus Saturno Que tu toques um noturno.
Ordenou o deus Plutão Que tu faças percussão.
Ordenou o deus Neptuno Que tu sejas bom aluno.
Ordenou o deus Vulcano Que tu vás tocar piano.
Mandou a deusa Lucina Que tu toques concertina.
Ordenou a deusa Minerva Que te deites sobre a erva.
Ordenou a deusa Ceres Que imites as mulheres.
Ordenou a deusa Vesta Que tu durmas uma sesta.
Ordenou o deus Baco Que tu faças um buraco.
Ordenou o deus Cupido Que tomes um comprimido.
Ordenou a deusa Terra Que caminhes pela serra.
Ordenou a Proserpina Que pratiques ocarina.
Ordenou o deus Marte Que apresentes o estandarte.
Ordenou a deusa Diana Que toques flauta de cana.
[ António José Ferreira ]
O professor seleciona as rimas adequadas para determinada aula. Depois de dizer tudo, diz o primeiro verso e a turma, um grupo ou uma criança, responde com o segundo. Em seguida, diz, expressivamente, seguindo a declamação de quatro ou oito compassos de percussão improvisada enquanto as crianças, em pé, representam a ação referida pelo professor.
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/05/apolo-deus-do-sol-da-juventude-e-da-musica.jpeg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-05-08 13:16:352026-04-18 22:07:02Deuses da Antiguidade
As canções compostas por quadras alusivas ao mundo animal representam um recurso pedagógico de excelência, funcionando como um veículo privilegiado para o desenvolvimento integral na infância. Ao cruzar a literatura de tradição oral com a musicalidade, estas composições oferecem uma estrutura rítmica e rimada que facilita a memorização e a expansão do vocabulário, consolidando competências essenciais na área da literacia e da comunicação.
Através destas dinâmicas, a criança experiencia o conhecimento de forma profundamente lúdica. Ao cantar e tocar, desenvolve a sua perceção auditiva e a coordenação motora, especialmente quando o canto é acompanhado por gestos que mimetizam os movimentos dos animais. A exploração física e vocal promove uma estabilidade postural e emocional, uma vez que o jogo simbólico permite à criança expressar diferentes estados de espírito e personalidades de modo seguro e divertido.
No plano social e ambiental, estas canções são ferramentas de cidadania. O ato de jogar e socializar em grupo exige o respeito por regras e pelo tempo do outro, fortalecendo a coesão da turma. Ao mesmo tempo, o contacto com temáticas da fauna estimula uma estratégia de observação e cuidado para com o meio ambiente, levando os alunos a conhecer e a aplicar conceitos biológicos e ecológicos de forma orgânica. A orientação no espaço e o foco nas narrativas cantadas preparam a mente para desafios cognitivos mais complexos.
Salte como um canguru, salte lá sem se apoiar. Só um dos marsupiais é que poderá ganhar!
Depois de aprenderem o canto, as crianças deverão vivenciar com a mão os saltos melódicos, grandes nas sílabas sublinhadas dos versos 1, 2 e 4, e pequeno, no verso 3. Depois, um grupo de crianças canta enquanto outro, com as mãos à canguru, faz os saltos, grandes e pequeno.
A cabrinha subiu
A cabrinha subiu p’ra cima do rochedo. A cabrinha subiu e superou o medo.
A cabrinha desceu. Não tremeram os seus pés. – Cabrinha, que brava que tu és!
António José Ferreira ]
A Micas ao cão
[ A Micas do Trapo ]
A Micas ao cão tem-lhe uma afeição como ele fosse gente: quando vai ao lixo, leva sempre o bicho que rosna p’rá gente.
Se vai pedir esmola leva na sacola o comer à certa: quando a fome aperta, come ela primeiro, depois o rafeiro.
Oh! Micas do trapo também és farrapo, farrapo da vida perseguindo em vão sonhos que lá vão na noite perdida!
Esse lixo agora também foi outrora desvelo e carinho, foi rei ao seu jeito, latejou no peito como jorra o vinho.
E nas tuas mãos, dedos bons irmãos procuram, sem fim, coisas de criança onde ainda a esperança não chegou ao fim.
A Micas ao cão tem-lhe uma afeição como ele fosse gente: quando vai ao lixo, leva sempre o bicho que rosna p’rá gente.
Se vai pedir esmola leva na sacola o comer à certa: quando a fome aperta, come ela primeiro, depois o rafeiro.
quando a fome aperta, come ela primeiro, depois o rafeiro.
Letra e música: Armando Estrela Intérprete: Tereza Tarouca (in EP “A Micas do Trapo”, RCA Victor, 1971; 2LP “Álbum de Recordações”: LP 1, Polydor/PolyGram, 1985; CD “Temas de Ouro da Música Portuguesa”, Polydor/PolyGram, 1992)
A minha gatinha parda
[ Canção para crianças ]
A minha gatinha parda inda ontem me fugiu. Quem achou a minha gata? Você sabe? Você viu?
O meu gato amarelo inda ontem me fugiu. Nunca vi gato mais belo. Você sabe? Você viu?
Tradicional de Portugal ]
A pega palrava
A pega palrava, a rola gemia, o touro berrava, a ovelha balia.
Belo concerto com os animais!
O pombo arrulhava, a vaca mugia, o burro zurrava, a abelha zumbia.
O tigre bramava, o cachorro latia, o pato grasnava, o porco grunhia.
O rato chiava, o mosquito zunia, o mocho piava, a onça rugia.
António José Ferreira ]
Agarrei o passarinho
[ O Passarinho ]
Agarrei o passarinho! Agarrei o passarinho antre a treia do centeio. Ó ladrão que te regalas! Ó ladrão que te regalas com o passarinho alheio.
Sou ferreiro, faço ferro, também faço vergas d’ aço! Faço orelhas a meninos sem medida nem compasso!
Sou poeta, planto versos, também cavo muitas letras! Faço línguas para os bichos pr’a que digam muitas tretas!
Apanhei a joaninha! Apanhei a joaninha antre as folhas de um faval. Ó ladrão que te regalas! Ó ladrão que te regalas c’a carocha no natal.
Acacei a formiguinha! Acacei a formiguinha antre as pedras do terreiro. Ó ladrão que te regalas! Ó ladrão que te regalas c’o a trabalhinho alheio.
Sou ferreiro, faço ferro, também faço vergas d’aço! Faço orelhas a meninos sem medida nem compasso! Sou poeta, planto versos, também cavo muitas letras! Faço línguas para os bichos pr’a que digam muitas tretas!
Intérprete: Chulada da Ponte Velha
Alentejo quando canta
[ Eu Ouvi o Passarinho ]
Alentejo quando canta Peito dado à solidão Traz a alma na garganta E o sonho no coração
Eu ouvi um passarinho Às quatro da madrugada Cantando lindas cantigas À porta da sua amada
Por ouvir cantar tão bem A sua amada chorou Às quatro da madrugada Um passarinho cantou Alentejo, terra rasa Toda coberta de pão As suas espigas doiradas Lembram mãos em oração
Eu ouvi um passarinho Às quatro da madrugada Cantando lindas cantigas À porta da sua amada
Por ouvir cantar tão bem A sua amada chorou Às quatro da madrugada Um passarinho cantou
Alentejo quando canta Peito dado à solidão Traz a alma na garganta E o sonho no coração
Eu ouvi um passarinho Às quatro da madrugada Cantando lindas cantigas À porta da sua amada
Por ouvir cantar tão bem A sua amada chorou Às quatro da madrugada Um passarinho cantou Alentejo, terra rasa Toda coberta de pão As suas espigas doiradas Lembram mãos em oração
Eu ouvi um passarinho Às quatro da madrugada Cantando lindas cantigas À porta da sua amada
Por ouvir cantar tão bem A sua amada chorou Às quatro da madrugada Um passarinho cantou
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel (in EP “Cantes de Portel”, Orfeu/Rádio Triunfo, 1984; CD “Cantares Regionais de Portel”, Lusosom, 1993; CD “25 Anos a Cantar Portel”, Ovação, 2004; CD “O Melhor de Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel”, Ovação, 2010)
Alto, alto! A Vaca dá um salto
Alto, alto, a vaca dá um salto! Alto, alto, o burro dá um salto! Alto, alto, o coelho dá um salto! Alto, alto, o animal selvagem dá um salto! Alto, alto, o animal doméstico dá um salto!
As ovelhas
[ Ovelhudas ]
As ovelhas, lá no prado, Terão todas seu pastar, Terão todas seu pastar No que o prado tem p’ra dar; O pasto será de todas, Mas de cada o paladar, Mas de cada o paladar No que o prado tem p’ra dar.
Ovelhudas e lanudas Que o prado transformam em lã: Lã fofa da cor da neve Cardada à luz da manhã.
Bom ou mau ou muito ou pouco, Nada escapa ao seu olhar, Nada escapa ao seu olhar; Param, andam a pastar… E se o prado está pior O seu melhor vão buscar, O seu melhor vão buscar; Param, andam a pastar…
Ovelhudas e lanudas Que o prado transformam em lã: Lã fofa da cor da neve Cardada à luz da manhã.
Lá vai uma, lá vão duas, Todas num só carreirinho, Todas num só carreirinho; Lá vêm, lá vão mansinho… Olham as ervas do chão, Ruminam devagarinho, Ruminam devagarinho; Lá vêm, lá vão mansinho…
Ovelhudas e lanudas Que o prado transformam em lã: Lã fofa da cor da neve Cardada à luz da manhã.
Letra e música: Amélia Muge Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Chegaram andorinhas
Chegaram andorinhas e não vão parar. Vão fazer o ninho para aos filhos dar.
António José Ferreira ]
Coelhinho da Páscoa
[ Canção para crianças ]
Coelhinho da Páscoa, que tens para me dar. Tenho muita alegria e ternura p’ra dar.
António José Ferreira ]
Coelhinho fofo
Coelhinho fofo, se és meu amigo, traz o teu filhote p’ra brincar comigo.
A Páscoa é uma festa de alegria e cor, com muitas amêndoas e com muito amor.
António José Ferreira ]
Cuco, cuco, oiço a cantar
Cuco, cuco, oiço a cantar. A Primavera está a chegar. Vamos todos saltar, dançar.
Ru ru, ru ru, oiço a cantar. A Primavera está a chegar. Vamos todos saltar, dançar!
António José Ferreira ]
O pulo do Lobo
Dias a fio andou Por andar chegou Em chegando viu E então sorriu A sorrir pensou Por pensar agiu Ao agir falou
“Diz-me andorinha, Deste voo teu, Se é dança ou feitiço, Se me emprestas a vertigem Dessa queda livre Do teu voo raso Desse Baile alado, Sim?”
E saltou, Ao saltar tremeu A tremer subiu Por subir desceu E então caiu, A cair bateu Ao bater sentiu, Ao sentir pensou
“Diz-me andorinha, Sentes como eu? O poder da terra Na torrente, rodopio Estilhaço o corpo Num grito calado Sob um manto de água, Não?”
E voou
Eu vou dançar à tua porta Vou acordar o teu sorriso Quando soprar o vento frio Eu vou deixar-te sem aviso
Vou partir
Eu hei-de ir por entre as nuvens Bebendo a chuva, cortando o ar P’ra descer num voo louco Rasando as fragas Cheirando a terra Beijando o mar
E voou, Por andar chegou Ao saltar tremeu Em chegando viu E então caiu Ao sorrir pensou Ao bater sentiu Ao agir falou
“Diz-me andorinha, Deste voo teu, Se é dança ou feitiço, Se me emprestas a vertigem Dessa queda livre Do teu voo raso Desse Baile alado, Sim?”
E caiu
Eu vou dançar à tua porta Vou acordar o teu sorriso Quando soprar o vento frio Eu vou deixar-te sem aviso
Vou partir
Eu hei-de ir por entre as nuvens Bebendo a chuva, cortando o ar P’ra descer num voo louco Rasando as fragas Cheirando a terra Beijando o mar
Vou por entre as nuvens Bebendo a chuva, cortando o ar P’ra descer num voo louco Rasando as fragas Cheirando a terra Beijando o mar
Disse o galo p’rà galinha
Disse o galo p’rà galinha: casemos, ó priminha. Sim, casaremos, mas falta a madrinha. Respondeu a cobra lá da ribeirinha que ela estava pronta para ser madrinha.
– A madrinha já nós temos e mui certa a temos. Agora o padrinho, onde nós iremos?
Respondeu o rato do seu buraquinho que ele estava pronto para ser padrinho.
– O padrinho já nós temos e mui certo o temos; agora o carneiro, onde nós iremos?
Respondeu o lobo lá do seu lobal que ele estava pronto p’rò carneiro dar.
– O carneiro já nós temos e mui certo o temos; agora, ó carneiro, onde nós iremos?
Responde a formiga do seu formigal que ela estava pronta para o trigo dar.
– O pão trigo já nós temos e mui certo o temos; mas a cozinheira, onde nós iremos?
Responde a raposa por ser mais lampeira que ela estava pronta p’ra ser cozinheira.
– Cozinheira já nós temos e mui certa a temos. Não nos falta nada, sim, sim, casaremos!
Tradicional ]
Diz o galo à galinha
Diz o galo à galinha: Casaremos a nossa filhinha.
Casaremos ou não casaremos, mas o noivo, onde o encontraremos? Diz o gato que estava no lar: Eu estou pronto para me casar.
Um bom noivo já nós temos cá. A madrinha donde nos virá? Diz a cabra da sua casinha: Eu estou pronta para ser a madrinha.
A madrinha já nós temos cá. O enxoval, donde nos virá? Diz a aranha do seu aranhal: Eu estou pronta p’ra dar o enxoval.
Enxoval já nós temos cá. Bailarina donde nos virá? Diz a mosca que andava no ar: Eu estou pronta p’ra vir dançar.
Bailarina já nós temos cá. O gaiteiro donde nos virá. Diz o burro do seu palheiro: Eu estou pronto para ser o gaiteiro.
Tradicional ]
Fui aranha coxa
[ Mãos de Aranha Coxa ]
Letra: Daniel Catarino Música: Bicho do Mato Intérprete: Bicho do Mato com Ana Miró (in CD “A Vingança do Bicho do Mato”, Bicho do Mato/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Fui aranha coxa na chuva de Verão De pata ao peito, grades no coração Se é que o tenho, sei que a teia é só um lençol Ou talvez enleio tosco de um aranhol Ou teia que virou colcha P’ra mim, aranha coxa
Fui aranha coxa numa teia qualquer Espectadora no processo de envelhecer Velha para a vida, nova para morrer À espera que a sorte mude o que acontecer Cabe a vida numa trouxa Pobre aranha coxa!
Com mãos de aranha Com mãos de aranha coxa Eu vou tecendo Vou tecendo
Velha para a vida, nova para morrer À espera que a sorte mude o que acontecer Ou que alguém varra atrás da porta E eu vire aranha morta
Com mãos de aranha Com mãos de aranha coxa Eu vou tecendo Vou tecendo Vou tecendo Vou tecendo Vou tecendo Vou tecendo…
Gri gri gri, estou cansado de estar aqui
Gri gri gri, ‘stou cansado de estar aqui.
Gri gri gri, vou agora cantar ali.
António José Ferreira ]
No campo vi um grilo
No campo vi um grilo, tiriti grilo, tiriti grilo. Cantava ao desafio, tiriti fio, tiriti fá.
No campo vi um grilo que cantava ao desafio. Cantava ao desafio e fazia gri gri gri.
O bicho da seda, sempre a trabalhar, tece o seu casulo para lá morar.
Que grande surpresa vai acontecer: linda borboleta de lá vai nascer!
O meu pato mandarim
O meu pato mandarim inda ontem me fugiu. Diga lá, amigo Delfim. Você sabe? Você viu?
O meu ganso africano há dois dias me fugiu. Diga lá, amigo Adriano. Você sabe? Você viu?
O meu pombo juvenil há três dias me fugiu. Diga lá, amigo Gil. Você sabe? Você viu?
O meu gato de olho azul há uma semana me fugiu. Diga lá, amigo Raul. Você sabe? Você viu.
António José Ferreira ]
O pato pateta
O pato pateta não sabe cantar. Tem pelo amarelo, não sabe voar.
O pato peludo de pelo doirado tem bico redondo e peito pelado.
O pato patudo de rabo no ar tem penas pequenas e sabe nadar.
Tradicional ]
O rouxinol nasceu na floresta
O rouxinol nasceu na floresta, adora ser livre, adora voar, adora ser livre, adora voar.
O rouxinol nasceu na floresta, adora ser livre, adora cantar, adora ser livre, adora cantar.
António José Ferreira ]
Os alegres passarinhos
Os alegres passarinhos quando cantam na floresta ‘stão c’o bico tico tico quero esta, quero esta.
Os alegres passarinhos quando cantam pelo tojo, estão c’o bico, tico, tico, e as asinhas vão de rojo.
Trad. do Alentejo ]
Palram pega e papagaio
Palram pega e papagaio e cacareja a galinha. Os ternos pombos arrulham, geme a rola inocentinha.
Muge a vaca, berra o touro, grasna a rã, ruge o leão. O gato mia, uiva o lobo, também uiva e ladra o cão.
Relincha o nobre cavalo, os elefantes dão urros. A tímida ovelha bala; Zurrar é próprio dos burros.
Regouga a sagaz raposa, brutinho muito matreiro; Nos ramos cantam as aves mas pia o mocho agoureiro.
Sabem as aves ligeiras o canto seu variar: fazem gorjeios às vezes, às vezes põem-se a chilrar.
O pardal, daninho aos campos, não aprendeu a cantar; como os ratos e as doninhas, apenas sabe chiar.
O negro corvo crocita, zune o mosquito enfadonho. A serpente no deserto solta assobio medonho.
Chia a lebre, grasna o pato, ouvem-se os porcos grunhir. Libando o suco das flores, costuma a abelha zumbir.
Bramam os tigres, as onças; pia, pia o pintainho. Cucurica e canta o galo; late e gane o cachorrinho.
A vitelinha dá berros, o cordeirinho balidos. O macaquinho dá guinchos, a criancinha vagidos.
A fala foi dada ao homem, rei dos outros animais: Nos versos lidos acima se encontram em pobre rima as vozes dos principais.
Pedro Diniz ]
Quando a porta encosta
[ A Pena de um Elefante ]
Quando a porta encosta e se fecha, o teu nome não vai Quero um rosto quente e vago, mas o pecado não sai Espero na noite fria, agora, uns braços sem dono Fico pela casa toda à espera do teu retorno
Abre o guarda-fato e leva aquelas tuas promessas Porque pesam sobre o chão dúvidas descobertas Enchem todo o espaço, sobranceiro e errante Dormem sobre a cama, como a pena de um elefante
E só espero que me acorde Num espirro quase ofegante Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante La la la la la la La la la la la la
Como um elefante enorme Num sonho mirabolante
La la la la la la La la la la la la
Como um elefante enorme Num sonho mirabolante
Numa só pegada marcas o teu território E num céu de lágrimas faço o meu dormitório Sem pousar a alma na minha almofada Sinto a lança em África de maneira errada
E só espero que me acorde Num espirro quase ofegante Como um elefante enorme Num sonho mirabolante
La la la la la la La la la la la la
Como um elefante enorme Num sonho mirabolante
La la la la la la La la la la la la
Como um elefante enorme Num sonho mirabolante
La la la la la la La la la la la la
Como um elefante enorme Num sonho mirabolante
La la la la la la La la la la la la
Letra e música: Jorge Roque Intérprete: Jorge Roque (in CD “Às Vezes”, Vidisco, 2013)
Quero um cavalo
Quero um cavalo de várias cores, Quero-o depressa que vou partir. Esperam-me prados com tantas flores, Que só cavalos de várias cores Podem servir.
Quero uma sela feita de restos Dalguma nuvem que ande no céu. Quero-a evasiva – nimbos e cerros – Sobre os valados, sobre os aterros, Que o mundo é meu.
Quero que as rédeas façam prodígios: Voa, cavalo, galopa mais, Trepa às camadas do céu sem fundo, Rumo àquele ponto, exterior ao mundo, Para onde tendem as catedrais.
Deixem que eu parta, agora, já, Antes que murchem todas as flores. Tenho a loucura, sei o caminho, Mas como posso partir sozinho Sem um cavalo de várias cores?
Poema de Reinaldo Ferreira (in “Poemas”, 1960) Recitado por Afonso Dias Também cantado por António Pedro Braga (Orfeu, 1972)
Salto eu
Salto eu, saltas tu, para vermos quem mais salta. Não sou eu, não és tu, quem mais salta é o canguru.
Selva animada
A selva é uma grande animação, o reino da gazela e do leão. Lá vivem o macaco e o gibão, lá mora o chimpanzé e o bisão!
Há um que é cantor por vocação e outro que gargalha sem razão. Há um que é corredor de profissão e outro preguiçoso até mais não.
Há um que só rasteja pelo chão e outro que a voar é campeão! Há um que é o melhor da natação, e outro que tem nome de dragão!
Há um que é o rei da imitação, e outro que arma sempre confusão! Há um que pensa ser o bonitão, e outro que só sabe ser mandão.
Há um que aprende sempre a lição e outro um bocadinho trapalhão! Há um que cuida da alimentação, e outro que é um grande comilão.
Na selva há animais em extinção, Salvá-los deve ser nossa missão! A terra é a nossa habitação! Vamos fazer reutilização!
António José Ferreira ]
Sou agora uma preguiça
Sou agora uma preguiça que se move devagar. Tenho garras preparadas para às árvores trepar.
Sou cavalo lusitano na lezíria a galopar. Sou feliz porque sou livre, minha voz é relinchar.
Tenho um guizo, tenho um guizo, tenho um guizo a chocalhar. Sou agora a cascavel na floresta a rastejar.
Sou um gato grande e gordo a miar e a bufar. São retráteis minhas garras, uso-as para atacar.
António José Ferreira ]
Tenho alguns amigos
Tenho alguns amigos, deles vou falar. Uns andam depressa outros devagar.
Tartaruga, vai devagar. Tens o tempo todo p’ra chegar. Assim tu não vais transpirar. Tartaruga vai devagar.
Corre lebre, corre lebre, não podes parar. Se não corres para a meta não irás ganhar.
António José Ferreira ]
Tenho um gatinho
Tenho um gatinho que sabe miar. Quando dorme a sesta, põe-se a ronronar.
Tenho um cãozinho que sabe ladrar. Quando vê um gato corre para atacar.
Sou um gato
Sou um gato grande e gordo a miar e a bufar. São retráteis minhas garras, uso-as para atacar.
Sou cavalo lusitano na lezíria a galopar. Sou feliz porque sou livre, minha voz é relinchar.
António José Ferreira ]
Tenho uma galinha pintada
Tenho uma galinha pintada que a minha mãe comprou. É bonita e põe ovos, bom dinheiro ela custou.
Tlim, tlim, tlim, tlão, tenho um realejo que me ganha o queijo, tenho um violão que me ganha o pão.
Já me deram pelo bico uma casa em Machico; com isso não me contento, chut galinha, lá p’ra dentro.
Já me deram pelas patas uma saca de batatas; com isso não me contento, chut galinha, lá p’ra dentro.
Já me deram pelos ossos uma saca de tremoços; com isso não me contento, chut galinha, lá p’ra dentro.
Já me deram pelos pés uma saca de cafés; com isso não me contento, chut galinha, lá p’ra dentro.
Um dia, foi à pesca
Um dia, foi à pesca, (3v), foi fraca a pescaria. (bis)
Pescou um só peixinho, (3v) levou-o à Maria. (bis)
Quando chegou a casa, (3v) ouviu o que não queria. (bis).
– Se fosse um peixe grande, (3v) que almoço não daria. (bis)
– O peixe é pequenino (3 v) e muito cresceria. (bis)
José pegou o balde (3 v), deitou o peixe à ria. (bis)
António José Ferreira ]
Um macaquinho
Um macaquinho gosta de dançar, outro põe-se a imitar. Dancem, macaquinhos, vão ‘scolher um par. Assim é melhor dançar.
Um pinguim convencido
Um pinguim convencido desceu lá do Pólo Norte. Veio de trouxa às costas p’ra tentar a sua sorte. (3 v.)
Ficou todo aborrecido pois começou a suar. Não vinha prevenido para calor suportar. (3 v.)
E trouxe gelo de reserva mas o gelo derreteu. Trouxe peixe de conserva mas o peixe já comeu. (3 v.)
Resolveu p’ra trás voltar pois a lição aprendeu. Cada um deve gostar do cantinho que é seu. (3 v.)
Isabel Sousa ]
Uma raposa estava cansada
Uma raposa estava cansada, tinha a barriga muito vazia. Viu cachos de uvas numa videira, deu logo um salto de tanta alegria.
Bem tentou ela atingir o cacho, mas o cansaço não lho deixava. Indo-se embora, ouviu um barulho, e o cacho de uvas lá continuava.
São uvas verdes – disse a raposa, cheia de fome e desiludida. Foi pelos montes, foi pelos campos, ia sonhando em ter outra vida.
António José Ferreira ]
Vem aí o gato
Vem aí o gato! Deixa lá o queijo! Se não te pões a mexer, o Bigodes te vai ver… Foge lá, ó rato, esquece o teu desejo.
Vi pousado num raminho
[ O Tentilhão ]
Vi pousado num raminho Numa árvore toda em flor Um pequeno passarinho Cantando com muito amor
Era suave e meiguinha A sua linda canção A pequena avezinha Era o lindo tentilhão
E veio-me logo ao sentido Se as penas do tentilhão Teriam elas caído Do meu pobre coração
Julguei mal a ave querida Através do meu pensar Pensei que a sua vida Fosse comer e cantar
Eu não tinha reparado Ali num outro raminho Estava mesmo a seu lado A companheira no ninho
A cuidar dos seus filhinhos Grande espanto foi o meu Quando lhe vi dar beijinhos Como a minha mãe me deu
Tanto trabalho e canseira Teve aquele passarinho Com a sua companheira P’ra fazer ali seu ninho
Vamos todos trabalhar Povo da minha nação Para podermos cantar Como aquele tentilhão
(Constantino José Abreu, “o Caipira”)
Voa
Voa, pica-pau, ter preguiça é mau. Leva-me a conhecer o Norte, pica-pau!
Voa, pega-azul, voa para Sul. Leva-me às férias dos meus sonhos, pega-azul.
Voa, codorniz, vai e sê feliz! Leva-me contigo para Este, codorniz.
Voa, galeirão, vá, não digas não! Leva-me contigo para Oeste, galeirão.
Voa, albatroz, leva-me aos avós. Leva-me p’ra um lado e para o outro, albatroz.
António José Ferreira ]
Voltou a Primavera
Voltou a Primavera com prendas p’ra me dar: um campo de papoilas e um cuco a chamar.
Cucu, cucu, adoro escutar o cuco entre os ramos no monte a cantar.
António José Ferreira ]
Cabras, créditos Mervin Coleman
https://www.lenga.pt/wp-content/uploads/2020/04/cabras-creditos-mervin-coleman.jpg400400António Ferreirahttp://lenga.pt/wp-content/uploads/2022/05/lenga-80x80.jpgAntónio Ferreira2020-04-15 22:32:072026-04-18 12:22:40Canções de animais