Poemas de natureza
Poemas de natureza
Aranha, anha
[ Ladainha da aranha ]
Aranha, anha
tão muda e mole
teu fio da lua
soluça ao sol.
Aranha, anha
que ninguém ama
teu fio de lua
é a tua cama.
Aranha, anha
de noite e dia
teu fio de lua
ninguém o fia.
Aranha, anha
que o mundo mata
teu fio de lua
ninguém desata.
Matilde Rosa Araújo
É importante aproximar a poesia das crianças, desde cedo, com benefícios a nível da fala e do vocabulário, bem como referir junto das crianças a importância dos escritores e poetas e lembrá-los pelas estórias e poemas.
Matilde Rosa Araújo (Lisboa, 20 de junho de 1921 – Lisboa, 6 de julho de 2010) foi uma escritora portuguesa especializada na literatura infantil. Entre muitas outras obras escreveu O Cantar da Tila (poemas para a juventude, 1967), e O passarinho de Maio (literatura infantil, 1990).
Sugestões
O professor apresenta o texto no quadro interativo ou escreve-o em outro quadro. Declama o poema com expressividade e apresenta a vida da autora. Desafia um ou mais voluntários para recitarem.
O poema pode ser acompanhado com percussão corporal com dois níveis, mãos nas pernas e palmas, por exemplo. Na sua vez, as crianças podem sugerir outras formas de acompanhamento rítmico.
Podem fazer-se jogos com uma aranha que vai passando de mão em mão. Quando o poema termina, a criança que tem a aranha vai para o meio, e assim sucessivamente.
Estando as crianças à volta de uma mesa, o poema pode ser dito com a ponta dos dedos na beira da mesa e mãos nas pernas, ou mãos alternadas na mesa.
A criação de maracas eficazes e resistentes é muito fácil com tampas de amaciador de roupa. As crianças podem criar o seu próprio instrumento e acompanhar com estas maracas, projetando-as para a frente, em cima e em baixo.
BATE A CHUVA
[ Canção da chuva ]
Bate a chuva, tic… tic…
nas vidraças da janela.
Canta a chuva, tic… tic…
Que linda canção aquela!
Tic… tic… tic… tic…
Que linda canção aquela
de meninas ao despique:
— Qual de nós será mais bela?
Meninas a fazer meia
com as nuvens de novelo,
nenhuma delas é feia!
Tic… tic… tic… tic…
Tenho um medo que me pelo,
que alguma delas me pique.
António de Sousa
Sugestões
O professor declama calmamente o poema. Da segunda vez, desafia as crianças para que o acompanhem fazendo sons que considerem adequados ao tema.
Em seguida, apresenta o pau de chuva e oscila, para a direita e para a esquerda, para baixo e para cima. Cada criança poderá experimentar também, em pé.
Finalmente, apresenta também umas clavas reutilizadas, que dobrarão a onomatopeia “tic”.
Na segunda ou terceira sessões, as crianças recitarão todo o poema com acompanhamento de sons vocais e instrumentais.
Instrumento sugerido
Especialmente indicado para acompanhar este poema, o pau de chuva é um idiofone, isto é, um instrumento musical em que o próprio corpo produz o som. Tem formato cilíndrico alongado. É um instrumento de percussão de altura e ritmo imprecisos próximo do que se chama ruído. Em algumas regiões do mundo, o pau de chuva é decorado com símbolos indígenas e marca presença em cerimónias religiosas. São desta família diversos instrumentos africanos, alguns formados por um corpo com uma malha de fios e contas.
O pau de chuva dá algum trabalho mas não é difícil de fazer em casa. Arranje um tubo de cartão comprido e uma sovela de metal. Faça furos de modo a poder inserir palitos em posições diferentes ao longo do tubo. Os palitos vão obrigar o arroz (que depois será colocado) a cair lentamente, imitando o som da chuva.
Depois de colocados os palitos, deverá colocar em cada extremidade uma tampa metálica de garrafas de sumo, por exemplo. Com algodão colado na parte de dentro, para que depois não se oiça um som metálico do arroz a cair na tampa.
António José Ferreira
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