Anedotas verídicas com música

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Anedotas ao piano

Anedotas verídicas de aprendizes de piano e da professora Gabriela Bestança

Professora de Piano, Gabriela Bestança realça o bucolismo do rio Bestança e das belíssimas paisagens de Cinfães. Não duvido que tem vocação para professora, mas é também poetisa e contadora de histórias. Em tempos difíceis para professores, pais e alunos, as anedotas verídicas das suas crianças trazem-nos uma brisa suave que faz sorrir e relaxar do cansaço. Gabriela estudou na MTU Cork School of Music, na ESMAE – Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo e na Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP).

Convicção ou fé?

Professora – Agora com convicção.
Aluna (6 anos) – O que significa convicção?
Professora – Fazer algo com convicção significa que quando executamos a tarefa temos confiança suficiente para dizer “eu sei que vou conseguir fazer isto”. Então vá, com convicção, com certeza, com fé!
Aluna -… Ave Maria, cheia de graça, o senhor é convosco…

A partir do próximo ano

Professora – A partir do próximo ano vais tocar escalas todas as aulas!
Aluna (9 anos) – … Será que ainda há vagas para trompete?

Mão Morta

Professora – E a mão esquerda?
Aluna (6 anos) – Está morta.

Inventei uma música

Aluna (9 anos) – Professora, inventei uma música e trouxe no papel para mostrar.
Professora – Ah, está muito bem! E a mão esquerda?
Aluna – Professora, eu sou doida mas não tanto.

Os buracos da flauta

Aluna (9 anos) – Professora, sabe que agora estou a tocar flauta na escola mas detesto.
Professora. – Porquê?
Aluna – Os buracos da flauta não estão todos alinhados! O dó é um bocadinho mais para baixo por causa do mindinho. É horrível. Por que não puseram tudo em linha? Mesmo este exercício, olhe, as barras de compasso deste sistema não estão alinhadas com as barras do sistema de baixo. É terrível só de ver.
– Isso é porque no primeiro sistema temos três compassos e no de baixo quatro temos quatro, não é possível alinhar as barras.
– É má vontade, tiram-se notas e resolve-se.

Paciência

Diálogo entre dois alunos de 10 anos que aguardavam pelo seu tempo de actuar com ar dolente, um mais do que o outro:
Aluno 1 – Ai, estou cansado de esperar!
Aluno 2 – Já ouviste falar de algo chamado… Paciência…? Diz-te alguma coisa?
Aluno 2 – Eh… Sou capaz de já a ter visto por aí.
Aluno 1 – Então! Onde é que ela está agora?
Aluno 2 – Está longe. A paciência enerva-me.

Tocar como uma tartaruga

Aluna (6 anos) – Vou tocar piano como uma tartaruga.
Professora – As tartarugas não conseguem tocar piano.
Aluna – Se pusermos uma tartaruga em cima do piano passa a conseguir.

TPC

Professora: Então, trabalho para casa…
Aluna (8 anos): No meu dicionário, TPC não é trabalho para casa.
Professora: Então o que é?
Aluna: Tem de adivinhar!
Professora: Transtorno para cabeças.
Aluna: Não, mas é por aí.
Professora: Tortura para crianças.
Aluna: Está mais perto.
Professora: … Não consigo adivinhar. O que é?
Aluna: Tempo Perdido em Casa.

Pedais

Aluna (13 anos) – O meu piano digital não tem pedal de sustentação em casa. Vou ter de praticar nos pedais do carro dos meus pais.
Professora – É uma belíssima ideia. Imaginas um teclado no tablier do carro e ficas ali, barricada. Fazes do carro um refém e só sais dali com o pedal de sustentação como pagamento. Se te perguntarem qualquer coisa tens de praticar piano no carro e como tal sem pedal não o podes devolver para o uso familiar. Gosto. Tens a minha bênção.
Aluna – Oh professora, mas por acaso dizem que faz muito mal andar a mexer nos pedais dos carros com eles parados… O meu pai sempre me disse isso.
Prof. – Não sei quem precisará de ouvir esse conselho. O que faria alguém a mexer nos pedais dum carro desligado?
Aluna – Obviamente estaria a fazer o mesmo que eu! A praticar piano! Professora, nem sei como é que uma coisa dessas lhe pôde escapar!

Que tolo o Jorge

Aluno (6 anos, pegando num boneco de pelúcia que levou para a aula) – Anda, Jorge! Temos uma missão a fazer! (senta-se ao piano e coloca as partituras na estante) Jorge! Puseste as folhas ao contrário! Que tolo!

Recomeçar deste compasso

Professora – Vamos recomeçar deste compasso.
Aluna (10 anos) – Mas eu preferia começar do princípio.
Professora – O princípio já ambas sabemos que está bem, temos de recomeçar do local problemático.
Aluna – Protesto! Vivemos numa democracia, todos os compassos têm direito a serem igualmente recomeçados!

Podemos inventar uma música?

Aluno (5 anos) – Podemos inventar uma música para uma história que inventei?
Professora – Podemos, sim. Qual é a história?
Aluno – Então, era uma vez um dragão que vivia numa caverna muito escura no cimo de uma montanha e era uma vez um cavaleiro que foi lá matar o dragão. O cavaleiro e o dragão encontram-se e o dragão começa a cuspir fogo e cria um incêndio terrível na floresta, toda a gente foge. O cavaleiro e o dragão começam uma luta também terrível até à morte, o dragão parece quase que vai comer o cavaleiro só que o cavaleiro levanta a sua espada muito alto, muito mais alto que o dragão… e o dragão desmaia e morre. O cavaleiro olha para o dragão e pensa “ia-huuu, ganhei”… mas de repente passou um coelho, o cavaleiro desmaia e também morre. Fim.

O arpejo e o mundo

Professora – Arpejo no estado fundamental em movimento espelhado.
Aluna (10 anos) – O mundo é como o sol.
Prof. – …?
Aluna – É um lugar maléfico.

Alguém que não tinha mais que fazer

Prof. – Agora vamos ver a última inversão do arpejo.
Aluna (10 anos) -??
Prof. – O arpejo tem três inversões.
Aluna – Alguém andou com muito tempo livre para inventar estas coisas…

Com as duas mãos

(Na primeira experiência com uma escala)
Professora: Agora com as duas mãos.
Aluna (10 anos): O quê??
Professora: Com as duas mãos em simultâneo.
Aluna: Está a brincar comigo, certo?
Professora: Claro que não! O dia das mentiras foi na semana passada.
Aluna: … Porquê, meu Deus?
Professora: Então vamos lá. Muito devagar.
Aluna: … É que nem poderia esperar outra coisa…

Bateria gigante

Professora: Quanta energia! Tens a certeza de que o que comeste ao pequeno-almoço foram cereais? Não terão sido pilhas por engano?
Aluno (5 anos): Eu tenho uma bateria gigante. Nunca baixa dos 95%.

A disciplina favorita

Professora: Enquanto estou aqui a tirar as papeladas da mala, diz-me, qual é a tua disciplina favorita na escola?
Aluna (10 anos) – Física.
Professora: O quê?
Aluna – Física.
Professora: Em que ano estás mesmo…?
Aluna – No quinto!
Professora: Certo… Como é que isso aconteceu? Ter Física no quinto ano? Estás a frequentar disciplinas do secundário por algum regime especial? Como é que começaste a estudar Física?
Aluna – Desculpe, não é essa. É Educação Física!
Professora: – Ah! Caramba, eu já aqui a meditar para com os meus botões que em dez anos Portugal recebia o Nobel!

Ré flutuante

Aluno (5 anos) – Já sei desenhar o dó, o ré e o mi!
Professora: – Mas que bem! Sim, senhor! Um detalhe: o ré está um bocado flutuante. Da próxima vez tens de o pendurar na primeira linha.
Aluno – Então espera, que vou pôr um gancho. Pronto, já está pendurado.

A canção dos Três Porquinhos

Aluna (7 anos) – Esta música faz-me lembrar a canção dos Três Porquinhos.
Professora: E como é que é a canção dos Três Porquinhos? Não conheço.
Aluna – Não sei, também não conheço… Mas só sei que me faz lembrar.

Encomenda para daqui a um mês

Aluna (10 anos) – Eeeeeeei, tanta coisa difícil que eu estou a ver! Isto que me está a pedir é uma encomenda só para daqui a um mês!

A clave de Fé

(Da clave de Fá)
Professora: – E esta clave é a clave de…?
Aluno (5 anos) -… Fé!
Professora: … Há certamente alunos que lhe chamam isso em segredo. Aceito. Agora o nome de baptismo.

Antes da audição

Antes da audição:
Aluno (11 anos) – Estou nervoso.
Professora: Não estejas. Chocolate?
Aluno: … É que nem assim me convence!

Metrónomo

Aluna (10 anos) – Ai, professora, às vezes também dava jeito um metrononomomo…
Prof. – Um metrónomo!
Aluna – Isso! Às vezes também dava jeito um metrónomo para a vida, assim *tic *tac *tic *tac para se saber quando se fazer tudo. Mas depois penso que ainda bem que isso não existe. Se vivermos a vida como um metrónomo damos todos em malucos.

Identificação de notas

Num jogo de identificação de notas:
Professora – Hoje vamos para o nível 4. Vamos acrescentar as figuras novas.
Aluno (4 anos) – No nível 75 tem de ser sem eu olhar.
Professora – Sem tu olhares? Como assim?
Aluno – Então, tu desenhas e eu tenho de adivinhar de olhos fechados.
Professora – Hmmmm, não tenho certeza de que isso vá funcionar.
Aluno – Porquê?
Professora – Porque para saberes o que está num desenho tens de olhar para ele primeiro.
Aluno – Vai funcionar, vai.
Professora – Com telepatia?
Aluno – Sim! Ia ser de que maneira? Só pode ser por telepatia!
Professora – Ainda bem que faltam 71 níveis… Tenho bastante tempo para tirar um curso de telepatia até lá.

Lavagem cerebral de bolos

Professora – Então? Que te aconteceu? Sabias isto na semana passada!
Aluno (14 anos) – Fui visitar a minha avó no fim-de-semana.
Professora – E então?
Aluno – Levei uma lavagem cerebral de bolos.

O tiranossaurus rex nunca poderá tocar arpejos

Aluno (11 anos) – Professora, não chego às notas todas do arpejo…
– Normal! Estás aí com os braços encostados ao corpo, todos apertadinhos e estás quase em cima do piano! … Pronto, é a técnica do tiranossaurus rex!
Aluno – Ahahahah, pois! (Levanta dois dedos da mão) Chatice que um tiranossaurus rex nunca possa tocar arpejos…

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Criança aprendendo flauta
Anedotas reais do ensino de instrumento

Muitos professores guardam as suas anedotas e falas com graça que ocorrem nas aulas individuais de instrumento. Algumas são de uma profundidade que as aproxima de “O Principezinho”. Outras refletem as dificuldades de aprender, e de ensinar. Mas todas são tecidas de ternura, pelo que estes artigos serão também uma homenagem aos professores de música. A outros professores deixo o desafio a partilharem pérolas dos seus alunos. Os alunos, professores e familiares vão gostar de ser rever nestes artigos da Lenga.

Maria Camponês

A flauta desafinada

Professora, a minha flauta está desafinada, quando toco fá#, o afinador diz solb.

Criança aprendendo flauta

Criança aprendendo flauta

Catarina Barreiros

Assim é difícil

Aluno de violino (10 anos, muito indignado): Oh professora, é que e difícil pôr a mão bem, o dedo desenterrado, o 3° dedo afastado, o arco mais longe do cavalete… A professora só pode escolher 2 coisas!!

Luís Almeida

Na infancinha

Há umas semanas, perguntei a uma aluna minha (violino) de 9 anos se ainda via o desenho animado da Patrulha Pata. Ela respondeu:
– Via quando estava na infância. Quer dizer, eu ainda estou na infância… via na minha infancinha.

Pedro Borges

Escalas

Quando dei aulas em Portugal, criei umas provas internas na escola onde trabalhava, de forma a provocar um aumento de rendimento nos meus alunos que, na maioria, estudavam muito pouco. Um aluno tinha preparado três escalas (dó, sol e ré), e no início da prova fizemos um sorteio, eu e um amigo meu, para ver qual das três ele teria de tocar. Ele tira um papel, abre-o, e diz-nos: “Lós”.

Sim, ele propôs-se a tocar a escala de “Lós” e não se apercebeu, de todo, que tinha lido “Sol” ao contrário. Foi tão insólito que eu quase caí no chão de me rir, tal o espanto.

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Criança tocando piano
Anedotas vividas no ensino da música

Recolha de falas de crianças a aprenderem piano com a professora Carla Quelhas.

Carla Quelhas

Professora: “Tu és como eu: quando estás muito cansado, só saem disparates pela boca fora.”
Aluno: “Pelos vistos pelas mãos também…”

“Eu até quarta vou comer as partituras a ver se isto fica melhor. A brincar, a brincar, pode ser que resulte!” (aluna de piano)

“Eu não estava a olhar, estava só a existir.” (aluno que se enganou a tocar e a quem perguntei se estava a olhar para a partitura)

“Eu não posso estudar piano porque não tenho testes para a semana. Só posso estudar piano quando tenho testes. A razão para isto é que estudo piano porque não me apetece estudar para as outras disciplinas.” (aluno de piano)

“Isto são demasiadas notas para um aluno só. Deixe-me só coçar os olhos, que um esforço destes logo pela manhã não é saudável.” (aluno e o seu Prokofiev)

“Eu vou ter um esgotamento até ao final do ano a tocar isto!” (aluna sobre o seu Nocturno de Chopin)

Aluna: “Só uma pergunta: porque é que no piano só usamos os dedos das mãos para tocar e não os dedos dos pés? Eles também queriam participar, mas não, estão apoiados no chão. Quer dizer, os meus não!”

Professora: “Vamos ouvir o estudo todo!”
Aluno: “Não faça isso, o meu coração não aguenta!”
“Burro! – aluno.
“Não se diz essas coisas!” – professora.
“Pronto, jumento! É mais bonitinho…” – aluno.

Professora: “Sim, podes ouvir antes de dormir. Até ajuda: isto é bonito, suave e lento.”
Aluna: “Eu sei, stôra, eu se tocar fico com sono.”

Aluna: “Eu nunca gostei de arpejos. Os arpejos são maus, só conseguem estragar a vida das pessoas, como os sustenidos e os bemóis.”

Professora: “Olha, não estás a fazer os staccatos e coisas assim…
Aluna (interrompe): “Não gosto de bolas.”

Professora: “Mão esquerda!”
Aluna: “Mão esquerda… a mão que odeia toda a gente.”

Professora: “É minueto [em português].”
Aluna: “Eu chamo-lhe menú do ET.” (A peça chama-se “Menuet”.)

“Tipo, a mão direita não estava a querer contribuir!” (aluna a explicar um momento de estudo em casa)

“Mete uma mão mais forte e deixa a outra coisar-se.” (aluno sobre o equilíbrio das vozes numa Invenção de Bach)

“Já viu o que é que a expressividade faz às músicas? Estraga-as! Deixa-as todas malucas…” (aluno de piano)

“Por acaso dá mais jeito fingir que as notas não estão cá…” (aluna a ignorar totalmente a melodia da Sonata ao Luar)

“Ahhh… Acabei de descobrir que tenho aqui um dedo!” (aluno de piano)

“Sou a pro dos piores… Não é para qualquer um!” (aluna de piano)

Professora: “Agora só falta o acorde da esquerda…”
Aluna: “Odeio a esquerda!”

Professora: “Ó senhora, onde é que estas duas notas são diferentes?”
Aluna: “No meu coração são…”

Professora: “Aluna X, sente-se! Ainda não tocou os dois últimos compassos!”
Aluna: “Na minha imaginação, sim…”

Professora: “Esse fá, é acima ou abaixo do dó central?”
Aluna: “É onde eu quiser!”

Professora: “Para além de hoje, só temos mais 3 aulas até à prova.”
Aluna: “Oh, professora, você só me desanima. Você nunca me dá boas notícias!”
“Eu não quero ver [a partitura], eu sou muito pro, não preciso!
Entretanto toca.
“Tá a ver, professora? Eu sou mesmo profissional! Nota mil de dez!”

“Eu vou partir as mãos só para não ir à audição!”

Professora: “Não são notas seguidas.”
Aluna: “Não estou a ver bem… Está a ver, professora? Mais uma razão para eu não ir à audição!!!”
Professora: “Esquece, que vais ter cada vez menos peças em dó maior.”
Aluna: “Isso é triste, professora.”

A professora mostrou as escalas mistas, a cigana-húngara e hispano-árabe e a aluna disse:
“Só nessas últimas escalas a professora invocou 3 tipos de cobras diferentes!”

“Adorei esta oitava! Vou-lhe dar um beijo!” (aluno de piano)

Falas de aluna que não gosta de arpejos:
“Professora, temos que fazer um grupo dos contra-arpejos.”
(Self-explanatory)
“Porque é que eu já não toco só com uma linha?”
“Mas do que eu gostava mais era quando eu tocava só nas teclas pretas.” (aluna saudosa dos tempos de iniciação)

“Eu toco piano e não sei fazer ditados de piano. INCRÍVEL! [expressão de júbilo]” (a aluna sobre as provas escritas de formação musical)
Professora: “Agora vais dizer que notas são.”
Aluna: “É o 1 e o 3!”
Professora: “A mão não sai do sítio!”
Aluna: “É o piano!”
Professora: “Ai o piano saiu do sítio?!”
Professora: “Não atrases!”
Aluna: “Mas eu cheguei a horas…”

“Esqueci-me totalmente que esta peça levava pedal, e então tinha o pé na Espanha… na Espanha, não, na Austrália!!!(aluno de piano)

“Errei! Eu errei! Também sou humano!…” (aluno)

“Ai que bela prenda que eu tenho aqui!” (aluno quando percebe que só tem que tocar uma nota num compasso inteiro)

“Está a ver quando os gatos metem as patas no piano… é isto mesmo que acontece!” (aluno após enganar-se).

“O Tico e o Teco estavam a entender-se, eu elogiei-os… E agora estão a deixar-me ficar mal!” (aluno após as duas mãos se descoordenarem)

“Eu vou conseguir! Não vou ser derrotado por uma folha de papel!” (aluno a tentar tocar de cor)

“A culpa é tua! Não tenho dó de ti!” (aluno a falar para a tecla do DÓ)

“Sinto que passarinhos morreram… com este desafinanço!” (aluno de piano)

“Dói-me a cabeça por estar sempre a olhar para pontinhos pretos.” (aluna de piano)

“O que é que não está bem?” – professora.
“É o ré o intruso! Temos que tirar todos os rés do piano!” – aluno.

“A culpa não é minha.” – aluna.
“Então?” – professora.
“A culpa é do dedo.” – aluna.
“E o dedo não faz parte de ti?” – professora.
“Se eu o cortar, não!” – aluna.

“O piano deve começar a ter encosto. É que dói-me tanto as costas!” (aluna de piano)

“Sempre soube que esta mão era demorada. Se não fosse a mão direita, era extraordinário.” (aluna de piano)

“As minhas mãos sentem-se pressionadas.” (aluna de piano)

Professora: “Estás-te a torcer toda porquê?”
Aluna de piano: “Porque é uma posição bonita!”

“Estou um bocado confusa com as direitas hoje!” (aluna de piano)

“Sabe o que é que a stôra podia arranjar? Uma daquelas caninhas que, se o aluno se enganasse, TAAAUUU!, dava-lhe no braço…” (aluno de piano a tentar ajudar a professora que não se consegue levantar com as tonturas)

“Tenho o diafragma aos saltos.” (aluno de piano antes da audição)

A propósito do Mozart…
Professora: “Tens que ver o Amadeus.”
Aluna: “Isso não é aquele vinho rosa?”

Professora: “Já está decorado isso?”
Aluno de piano: “Se não estiver, bato em mim mesmo!”

Professor: “Estás a parar muitas vezes, ___________.”
Aluna: “É para as pessoas apanharem o autocarro.”

“Esta peça é como as vacas, está no último estômago na fase da digestão.” (aluno de piano com a peça “mais digerida”)

No dia da audição:
Professora – “Tu não ias tocar de cor?”
Aluna – “Foi para mostrar à minha mãe que levava alguma coisa.”

“As dinâmicas não são as minhas melhores amigas.” (aluno de piano)

“Não lhe apetece tocar [a mão esquerda], ela disse-me!” (aluna de piano de 7 anos)

“Pronto, agora vou tentar tocar isto com o piqui sapato.” (aluna de piano a querer dizer staccato)

“Às vezes atrofio-me internamente e sai-me tudo ao lado.” (aluno de piano)

“Quando vou para estas zonas, sinto o AVC a chegar!” (aluno apaixonado por um novo prelúdio de Chopin)

“Para tocar isso é preciso uma mutação genética, é preciso p’raí 7 mãos!!!” (aluno de piano)

“O mindinho é um escanchado, está sempre aberto!!!” (aluno de piano)

“Eu fiz um compasso todo direitinho, ainda quer mais?!” (aluna de piano)

“Dê-me mais coisas para pensar enquanto coordeno as duas mãos!!!” (aluna de piano)

“Ainda continua… ai meu deus!!!!” (aluna a aperceber-se que ainda só vai a meio da escala)

Professora: “Doeu muito juntar as duas mãos?”
Aluno: “Doeu, elas estão a chorar…”

“Eu vou provar à setora que não está de cor!” (aluna de piano a minutos da audição)

Professora: “Estás com a esquerda dois tempos à frente da direita!!!!! (grrrrrrrrrr!)
Aluno: “E não fica bonito?”

Aluna: “Eu não sei se o traço vai para uma nota ou para outra.”
Professora: “Se estivesses a contar os tempos do compasso, saberias…”
Aluna (meio a sussurrar): “Milagre se eu contasse….”

“Tecnicamente a stora é que se insultou a si própria quando me chamou pianista.” (aluna de piano)

Professora: “Quero a descida, que a subida foi razoável.”
Aluna: “A subida foi linda!”

Professor: “Mas tu queres tocar essa?”
Aluno: “Querer, não quero, mas tenho que tocar!”

“Os estúpidos dos meus dedos não se conciliam uns com os outros!” (aluno de piano)

“Ó stôra, a mão direita já está de cor!” (Aluno de piano a começar a aula, horas antes da audição e uma semana antes da prova)

“Porque é que as mãos são estúpidas?” (aluno de piano)

“A mão é como se fosse uma boca e estivesse a cantar. Se não respirar, morreu!” (aluna de piano a propósito de respirar com as ligaduras)

“Ai! Ai sinto a espargata do meu dedo!” (aluna de piano)

“Continuo a achar que você é do demónio, mas pronto.” (aluno de piano após a professora ter tocado um arpejo um bocadinho mais rápido)

“A professora vai tocar o Clairrrre de Llllllhune de W.C. [sotaque inglês]” (aluna a treinar a apresentação da audição)

Aluna: “Não percebo o que é que a professora me está a corrigir.”
Professora: “Eu também não.”

“Vou ganhar um torcicolo na coluna.” (aluna a tocar com as duas mãos nos agudos do piano)

“Isto mãos separadas é fixolas!” (aluna a propósito de um estudo de Czerny)

“Ave Maria, porque é que você me está a levar para este caminho?” (aluno de piano)

“O ré está apaixonado!!!!” (aluno de piano sempre a tocar ré quando devia ser mi)

“Eu tenho que olhar para a nota, calcular o raio-trajetória, e tocar a outra nota!” (aluno de piano)

“Momento…. eu estou a gritar para dentro e por fora estou calado. Mas devia estar a gritar por fora!” (aluno de piano)

O aluno de piano acaba de tocar bem uma passagem que insistia que não conseguia tocar.
Professora: “Doeu muito?”
Aluno: “O meu dedo está desgastado!”

“Saiu-me o dedo!” (aluna a falhar o mindinho num acorde de 7ª)

“Tenho que ativar a minha mão elástica!” (aluna de piano)

Professora: “Quando toca o dedo 4, não toca o dedo 3.”
Aluna: “És muito mau, tu! Eu não preciso de ti agora! (a bater na mão)”

Professora: “Mas foi o que o Lopes-Graça escreveu…”
Aluna: “O raio do homenzinho gosta de complicare!!!”

“Estava-me a enganar, o meu dedo estava dormente.” (aluno de piano)

“Ele gosta de cantar onde não é preciso…” (aluna de piano a propósito do 4º dedo)

“Eu funciono melhor quando não penso. A sério!” (aluna de piano)

“Quando não toco o dedo certo no lugar certo dá-me para pôr a língua de fora. Não me pergunte porquê, mas acontece…” (aluna de piano)

“Eu só gosto desta música porque é toda clave de sol.” (aluna de piano)

“A culpa é da partitura! Ela muda quando vou tocar com as duas [mãos]!” (aluna de piano)

Aluna: “Tenho que pintar os coisinhos.”
Professora: “Os coisinhos?”
Aluna: “Aquelas coisas, os hashtags!”

Professora: “Já sei que tens o dedo desgastado…”
Aluno (six in a row!!!): “Não, está partido!!!”

Professora: “Acabei de partilhar no grupo o ‘First pedal studies’.”
Aluno: “O quê? Isso é para aprender a brincar com o acelerador?!”

Criança tocando piano

Criança tocando piano

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