Oficina de Música Adaptada

Jogo do burrinho
Breves crónicas de sessões com crianças

Cantiga de amigos

No início da sessão, coloco a bateria digital Yamaha em cima da mesa. Um dos dois alunos liga-a. Peço-lhe para ligar o padrão nº 2 sobre o qual foi escrita uma canção de saudação criativa e personalizável:

Olá, bom dia!
Olá, meu amigo.
Vamos lá cantar,
depois vou lanchar contigo.

Praticamos de modo a entrarem a tempo e a cantarem de cor. Um vai tocar bateria com duas baquetas. O outro tocará bloco de dois sons e cantará. O primeiro faz a apresentação da banda, para a qual arranjou um nome (Go Power). Apresenta o espetáculo e o tema da canção que intitula “Amigos para sempre”. Dirige-se a uma Plateia imaginária onde vê os colegas da turma e os familiares. Eu filmo com o telemóvel sem focar os rostos. Depois os alunos trocam os papéis. A interpretação não sai perfeita, nem no que diz respeito à afinação nem relativamente ao tempo nos instrumentos. Mas a atividade, sendo gravada, vai ajudar a medir a evolução e autonomia de cada um. Em vez de “Olá, bom dia!”, pode-se cantar “Olá, David”, e mudar ações:

Olá, Roberto!
Olá, meu amigo!
Vamos lá tocar.
Depois vou jogar contigo!

Com a orientação do professor, os alunos podem mudar para um andamento mais lento ou mais rápido, selecionando os botões que existem para esse efeito.

A dinâmica é eficaz para desenvolver competências na relação com o outro, na concentração e memória, na audição, canto, percussão e valorização da autoestima.

Bateria digital e bloco de dois sons

Bateria digital e bloco de dois sons

Com o corpo

No balde dos materiais que levo para a sessão de Oficina de Música Adaptada, um aluno vê o “burrinho”, uma pequena tábua sobre a qual se colocam pauzinhos sem deixar tocar na mesa. Alteramos as regras do jogo para ajudar as crianças a assimilarem os sistemas do corpo humano que já estudaram. Cada jogador deve colocar um pauzinho dizendo uma parte do corpo, sem se repetir.

No início da jogada, canta-se com melodia simples:

Com o corpo danço,
jogo, escrevo e pinto.
Com o corpo digo
o que sou e sinto.

Vencedor é o par se ambos os jogadores disserem órgãos do corpo livrando-se de toda a carga, sem derrubar nenhuma peça.

Jogo do burrinho

Jogo do burrinho

Enquanto supervisiona o jogo, o professor marca o passar do tempo com bloco de dois sons que lembra o tique-taque do relógio.

Passo e digo

Sentados um a cada ponta de uma mesa retangular, dois alunos passam uma pequena bola ao colega no lado contrário. Cada um deve dizer um instrumento musical tendo para isso 5 segundos apenas. O máximo do par é o máximo da soma de cada um, pelo que as duas crianças devem afinar estratégias para chegar o mais longe possível, assimilando conteúdos do currículo na forma de um jogo. Em vez de instrumentos musicais, pode-se dizer animais, plantas, cidades, rios, órgãos do corpo humano. A dinâmica de passagem da vez pode fazer-se também com uma bola de basquetebol em passe picado ou passagem de um peluche. Assim se promove o desenvolvimento da criança nos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor.

05 de fevereiro de 2024

Áudio da sessão

Utilizando instrumentos que há na sala, as duas irmãs gêmeas exploram sonoridades e tocam de acordo com indicações do professor, que insiste em que não batam com força. As alunas são pouco cuidadosas com os instrumentos tocando por vezes de maneiras que os podem danificar. A Joana coloca os pandeiros de três tamanhos diferentes uns sobre os outros pensando num bolo de camadas. A Bia  encaixa as pandeiretas com soalhas umas nas outras. Conhecem poucos instrumentos, reduzindo-se praticamente o seu conhecimento ao tambor, nome genérico que utilizam para pandeireta, pandeiro e a própria bateria digital. A Joana coloca os pequenos pratos de choque na face e diz: “Stá fio.” Com o telemóvel gravo o áudio com as crianças a tocar os instrumentos dispostos sobre a mesa e depois apresento o som às crianças. A ferramenta pode tornar-se muito importante, como evidência de atividades e da evolução dos alunos.

Fazemos em seguida um jogo de passagem de bola para cada uma dizer alimentos. Mesmo nesta área vocabular lembram-se de poucas palavras e dizem-nas muitas vezes de forma errada e difícil de compreender. A Bia, que se levanta e se distrai mais com os objetos da sala, pede para tocar bateria digital. A irmã diz que está cansada e fica sentada a tocar pandeiro acompanhando a irmã na bateria.

A terminar a sessão, utilizo um balde de maracas multissensoriais, reutilizadas de diversos desodorizantes roll-on. Elas desapertam as tampas das 20 maracas, que têm massinhas ou arroz, cheiram, e dizem se cheira bem ou mal. No fim colocam grãos caídos sobre a mesa e emparelham as tampas com os recipientes.

Delfim e as canções tradicionais

Chego à sua sala da Pré, cumprimento e o Delfim agarra-me a mão arrastando-me para a sala onde vai decorrer a sessão. Eu digo-lhe “Bom dia! e ele responde à saudação. Começamos por testar e aumentar os seus conhecimentos sobre animais. Ele refere o dinossauro, a girafa, o elefante, o lobo, o rinoceronte, o gorila, hipopótamo, zebra, o pinguim, a abelha, o cão, a vaca, o cavalo; a leoa e a porca (distinguindas-a do macho). Quando vê o caranguejo canta “Caranguejo não é peixe”.  De vez em quando, põe-se a cantarolar. Coloca os animais na respetiva caixa para passarmos à atividade seguinte. Por vezes distrai-se com algumas coisas que vê na sala.

Depois eu coloco um instrumento sobre a mesa. El pede: “mais música”. Eu digo-lhe que é melhor dizer “mais instrumentos”, e da vez seguinte ele já pede mais instrumentos. Quando coloco os pratos de choque sobre a mesa diz “pratos” e entrechoca-os. Coloco uma maraca em forma de coca-cola de plástico mas ele sabe que também funciona como apito, coisa que eu desconhecia. Tocamos maraca enquanto canto, para ver se conhece, “As pombinhas da Catrina. Ele canta a canção. Identifica o “tiângulo” e canta “Oliveirinha da serra”. Eu coloco, cantando com duas notas “mais um”, e ele repete com afinação, e depois com outras notas. Finalmente vê e pede berlindes, que colocamos em duas tampas circulares para rolar e produzir sons. Às tantas começa a contar em Inglês: “One, and two, and three.”

Volto com ele à sala e recolho o balde de maracas feitas de diversos desodorizantes que tinha deixado à educadora para exploração: a reciclagem enquadra-se nas práticas pedagógicas da educadora.

Balança mas não cai

Balança mas não cai,
mas não cai, não cai.
Balança mas não cai,
mas não cai. Ou cai?

Com os pés fixos ao chão como se fosse tronco de árvore, uma criança põe os braços como se fossem ramos. A outra fará de vento movendo-se e abrindo os dedos em direção ao colega, que pode mexer os braços/ramos mas não os pés. Se mexer os pés, perde a jogada.

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